Plataforma Arquitectura

por Caio Rivera e Marina Pelosi

Plataforma arquitectura é um site chileno bem conceituado no mundo da arquitetura. Ele procura apresentar as novidades da área, abrangendo vários temas e conteúdos. À primeira vista, pode apresentar muitas informações e parecer bagunçado, porém não é. Logo no começo da página existem cinco subtítulos que organizam o site.  No canto direito superior, encontram-se os destaques, e ao rolar a página para baixo surgem as subcategorias à direita e os últimos posts à esquerda.

Detre os milhares de projetos apresentados no site escolhemos abranger várias categorias sobre o tema arquitetura, incluindo uma exposição, uma obra de arte propriamente dita e um projeto público. Estes foram alguns dos mais expressivos, seguindo a linha de arquitetura experimental com um toque de cunho social.

Se entrega (a) domicilio

Em setembro de 2008, o MOMA de Nova York, apresentou uma exposição chamada HOME DELIVERY, (“casa à domicílio”, em português) sobre a arquitetura pré fabricada relacionada às novas condições de entrega da era digital. As ideias para essa amostra foram basicamente duas: a abundância de pontos de vista do discurso sobre a fabricação de arquitetura criativa e a indústria inovadora; e a disponibilidade de um espaço amplo no centro de Manhattan.

Esse espaço destinado para a exposição, que é o mesmo usado pelo museu para organizar suas longas filas de acesso, tornou possível a escala real dos projetos apresentados. As cinco casas escolhidas se justapõem aos novos desenhos que experimentam a fundo a fabricação digital.

A segunda parte da amostra aconteceu no sexto andar do MOMA, com a revisão do Modernismo pré-fabricado ao longo dos últimos cem anos.

Barry Bergdoll e Peter Christensen – os curadores da exposição – comentam que “con la reciente explosión investigativa sobre fabricación digital en todas las escalas, y particularmente en varias Escuelas de Arquitectura (MIT, Princeton, Columbia y la Universidad de Pennsylvania), se puede considerar este como un momento propicio para el aumento de la investigación tanto de edificios completos prefabricados así como de nuevos componentes y sistemas de construcción”.

Ésta no es una Casa

Esta já não é uma casa, como sugere o nome do artigo publicado “ésta no es una casa”. Criada pelo escritório E Architecture & Human Rights, o projeto é um abrigo para os sem-teto de Copenhagen, na Dinamarca. Este abrigo independe de qualquer burocracia e a administração do prédio é oculta. Eles acreditam que esta foi a causa do grande sucesso do projeto.

“Decidimos entonces, crear un lugar abierto y sin administración reconocida. No se exige ninguna formalidad ni papeles para usar este espacio. Esa fue la clave del éxito del proyecto”

A montagem foi muito simples: são quatro containers justapostos, com um pátio interno e uma estrutura metálica envolvida por um plástico. São apenas 50m², mas possui um apelo social muito forte.

O problema é que toda obra arquitetônica dinamarquesa deve ser regularizada de acordo com normas e seria impossível construir a baixo custo. Por isso o abrigo não se apresentou como arquitetura e sim como uma obra de arte, e recebeu o nome “THIS IS NOT A HOME”, parafraseando Marcel Duchamp com o famoso: “THIS IS NOT A TOILET…” (New York, 1917). Infelizmente, uma obra de arte é temporária, e esta está pensada só para o inverno escandinavo. Daí a ideia de usar containers que tem uma montagem fácil, de apenas dois dias. A obra de arte se instalou no jardim do museu Den Frie que aceitou o desafio.

Teleférico del “Complexo do Alemão”

O teleférico no Complexo do Alemão demonstra o estado crítico de uma evolução sem controle. Analisando o contexto histórico, uma arquitetura quase impossível de se desenvolver, demonstra a capacidade de adaptação do Homem, capaz de suprir necessidades existentes. Esse projeto é um exemplo claro de que a geografia montanhosa, presente em algumas cidades do Brasil e da América do Sul, podem ser introduzidas nas partes planas das cidades sem ficarem isoladas ou serem motivo de preconceito por possuir uma classe mais baixa de habitantes. Essa conexão de ambas as partes, tem sido muito trabalhada, como se vê no projeto estudado.

O projeto de Jorge Mario Jàuregui representa uma nova forma de paisagem e de uso em cima do morro. Localizado em frente ao aeroporto, 4 estações de teleférico, modificam e colorem a imagem que uma favela possui.

Com uma extensão de 3,5 Km, as estações funcionam como um mirante 360° sobre as montanhas e o mar característico do Rio de Janeiro.

O projeto para o Complexo foi encomendado pelo governo do Rio, depois de uma visita do governador Sergio Cabral a cidade de Medellín, Colombia, e que possui um sistema parecido. Medellín foi a primeira cidade da América Latina a implantar um sistema de transporte de massa à cabo, conectado à uma rede de metro.

No Complexo, o teleférico garante uma nova e eficaz conexão com o centro da cidade. Este se conecta as redes de trem metropolitano que atendem a Zona Norte da cidade. O projeto conta com cinco estações, no alto do morro, e uma outra, localizada numa parte térrea da cidade,  sendo uma ligação com trem (Bom Sucesso). Esta estação térrea simboliza um importante centro intermodal de transporte entre trem, teleférico, ônibus, moto-taxi e bicicleta.

As estações possuem funções diferenciadas, algumas contam com biblioteca pública, comércio, agencia bancária, academias, além de halls de acesso com capacidade para eventos comunitários.

As estações foram pensadas como “estações verdes”, com os edifícios protegidos por uma “cortina verde”, utilizando água de chuva para irrigação de jardins exteriores, captando energia solar para iluminação interna, além de ter edifícios com ventilação cruzada nos ambientes.

O projeto é tratado como uma forma de atração para a vinda do Papa em 2013,  para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Porém, o mais importante seja o fato de permitir uma interconexão entre os morros do Complexo, reduzindo esforço físico e o tempo de locomoção de um lado ao outro. Essa facilidade de locomoção estão beneficiando os moradores de pontos mais extremos dos morros.

Desta maneira, o teleférico do Complexo do Alemão se torna uma nova referência , ao mesmo tempo real e simbólica para a articulação da cidade  e da desigualdade social.

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