O impressionante renascimento do ciclismo.

por Daniel Jacobsen, 13 de Outubro de 2011

Berlin é uma enorme metrópole que usufrui notavelmente do ciclismo, normalmente amortecida pelas realizações de Amsterdam e Copenhagen. Nas últimas duas décadas Berlin experimentou o que é talvez o mais impressionante renascimento do ciclismo no mundo. A cada dia, mais viagens são feitas por bicicleta, se comparado às outras cidades da Europa.

Apesar disso, Berlin não se encaixa numa típica cidade para bicicletas. A metrópole possui 3,5 milhões de habitantes, numa expansão igual a de Los Angeles. Em contraste com Amsterdam e Copenhagen, Berlin ostenta um abundante sistema viário, o mínimo de congestionamento e um sistema de metrô que abrange toda a cidade. Possui clima quente e úmido no verão e longos e gelados invernos. Na capital conhecida por abrigas fábricas da Mercedes, Volkswagen, BMW, bem como estradas de primeira qualidade, não era esperado que o ciclismo floresceria. Ainda, desde sua reunificação em 1990, Berlin vêem sofrendo uma revolução no ciclismo.

Segundo Berlin’s 2010 Mobility Report, berlinenses fizeram aproximadamente 1,4 milhões de viagens de bicicleta por dia em 2008, numa porcentagem de 13% de todas as viagens feitas na cidade. Esses valores dobraram desde 1990. Em 2015 a estimativa é de que 15% das viagens por dia sejam feitas com a bicicleta.

Em comparação, Amsterdã e Copenhagen possuem aproximadamente 35% de todas as viagens feitas com a bicicleta. Em Portland, a maior das cidades americanas, o ciclismo atinge de 6 a 8% das viagens. Para uma cidade com o tamanho de Berlin, 13% é substancial, considerando que 30% das viagens já são feitas a pé, e 26% por transporte público.

As realizações de Berlin são ainda mais excelentes analisando seus distritos. Substancialmente maior que Amsterdã ( 780 mil habitantes), Copenhagen (541 mil habitantes), e Portland ( 583 mil habitantes), Berlin engloba uma ampla série de tipos de bairros, de densidade urbana alta, a singulares famílias nos subúrbios. Distritos periféricos como Spandau e Steglitz se assemelham com Portland ou Boulder, com porcentagens de uso da bicicleta entre 6-12% de todas viagens. Enquanto isso, na alta densidade de Berlin, como Mitte, Tiergarten, Kreuzberg, Prenzlauer Berg, Schoneberg e Fredrichshain, em uma área de 695 mil habitantes, com uma densidade populacional 50% maior que San Francisco, o uso da bicicleta chega a 20% de todas as viagens, um percentual excelente.

Berlin deve o sucesso por equilibrar o uso da bicicleta tanto culturalmente, como na sua infra-estrutura. A cultura ao uso da bicicleta começa desde cedo, todos berlinenses devem fazer um teste de segurança ao uso da bicicleta na escola elementar. Essa cultura desde cedo ajuda também nas leis de transito, motoristas respeitam os ciclistas, e ciclistas obedecem as leis do transito. Demograficamente, Berlin é a cidade alemã com o maior número de escolas e universidades, possui 135 mil alunos universitários, e ainda centenas de milhares de adolescentes europeus que migram para Berlin após se formar. Ainda que o uso da bicicleta não seja restrito as adolescentes. A implantação das ciclovias e outras facilidades tornam o ciclismo uma atração para as crianças e idosos.

A cidade vem investindo cada vez mais no uso da bicicleta, com um investimento de aproximadamente 5 a 7 milhões de euros anualmente. Considerando que as cidades de São Francisco e Seattle vêem brincando com a demanda de bicicletas, Berlin planejou para suceder mesmo quando a demanda ainda não era grande. A frase, “Se você construir, eles virão” parece ser verdadeira.

O que vem acontecendo em Berlin encoraja e dá esperança a outras metrópoles do mundo. Há 20 anos atras Berlin encarou os mesmo problemas que incontáveis cidades enfrentam hoje em dia. O uso da bicicleta era um pensamento atrasado de um transporte apenas para estudantes e hippies. No entanto, a cidade sustentável se comprometeu a longo prazo aos 5 E’s da bicicleta (Engenharia, Educação, Encorajamento, Evolução, Execução e Planejamento) e vemos hoje em dia um renascimento que empurra o ciclismo como corrente principal. Enquanto Nova Iorque, Chicago, ou Los Angeles são muito grandes para ser a próxima Amsterdam ou Copenhagen, elas podem ser a próxima Berlin.

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