Habitação em Singapura – Por Pedro Senna e Priscila Sato

Revista a+u, edições 501 (Junho), 500 (Maio), e 499 (Abril).

Image   Image  Image

 

A revista japonesa a+u possui uma temática que permeia todo o volume, apresentando opiniões diversas de arquitetos, urbanistas e de representantes tanto governamentais quanto do setor privado. Portanto, a revista inicia-se como um livro, dotado de uma introdução provocativa que atrai o leitor para uma determinada linha de raciocínio, onde serão apresentadas de forma contínua e coerente as informações e opiniões, gerando o aprofundamento necessário para que o leitor alcance um ponto de vista próprio, analisando o assunto tratado por diversos ângulos, sem sofrer imposições por parte da revista.

Em relação aos projetos, a revista faz uma análise humanitária da arquitetura, apresentando, além de aspectos técnicos da construção, uma visão poética da sua inserção no contexto urbano e sociocultural. Utilizando-se, portanto, de recursos como textos breves, objetivos e expressivos e imagens que contribuem para a integral legibilidade do conceito projetual.  

Ao fim da leitura, como ponto positivo, são dados créditos aos arquitetos urbanistas cujos projetos foram abordados, fornecendo informações básicas para pesquisas posteriores. 

 Image

Conceito do projeto realizado por meio de versos.

 

Image 

Lado humano do projeto, seus impactos na sociedade local.

 

Na edição 501 da revista, o tema abordado é a cidade-estado Singapura, desenvolvido através de textos, entrevistas e discussões, abrangendo desde sua formação, até seus principais projetos arquitetônicos e urbanísticos, buscando analisar as vertentes da habitação, da água, da cobertura vegetal e da relação destes com a população.

            Singapura obteve sua independência da Malásia em 1965, quando possuía uma população de 1,89 milhões, sendo que 1,3 milhões moravam ainda em barracos sem tratamento moderno de esgoto e o fornecimento de água e eletricidade era limitado. Esta população era constituída por vários povos, como chineses, malaios e indianos, devido ao atual país ter pertencido a vários impérios no passado, gerando uma fraca noção de nação.

Image 

            Após a independência, com o Primeiro Ministro da República de Singapura Lee Kuan Yew, foi realizado um programa habitacional que erradicou o déficit de moradias, transformando a paisagem de cortiços e favelas em condomínios populares (HDB – Housing Development Board), dando a 93% dos singapurianos a garantia de imóvel próprio. Contrastando com o déficit habitacional brasileiro, de cerca de 8 milhões de casas. Em comparação com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) brasileiro, o modelo de habitação de Singapura debita mensalmente 20% do salário da população no fundo, já servindo para pagar a prestação do imóvel. No caso brasileiro, o valor acumulado no FGTS serve para dar entrada ou quitar o imóvel, tendo o comprador, portanto, que arcar com as parcelas mensais de um financiamento.

 Image

            Singapura possui uma dimensão territorial equivalente à da Região Metropolitana do Recife, sem grandes possibilidades de expansão, vivendo hoje, uma forte especulação imobiliária. O prazo de propriedade dos imóveis para a população é de 99 anos, porém, a um custo oneroso ao governo, ou se houver a posse de uma propriedade desde a época em que o país era colônia do Reino Unido, pode-se obter a propriedade definitiva.

            O incentivo do governo para que as pessoas não aluguem e lutem pela casa própria, apesar do prazo não definitivo de propriedade, faz com que elas estabeleçam raízes e criem relações de vida, como convivência, portanto, que cuidem melhor de suas casas e do ambiente compartilhado. Cada bairro suporta de 5000 a 6000 apartamentos, contendo um centro com lojas, mercado, um parque e escolas, todos com proximidade suficiente para locomoção a pé.

Image 

O governo de Singapura possui um modelo de gestão independente, realizando parcerias entre os setores público e privado. Como diz Michael Chia, diretor de uma empresa de engenharia que investe na área de produção de energia: “O mais importante neste processo é a confiança entre o governo e as empresas. A iniciativa privada faz a máquina funcionar e o setor público leva o serviço à população. Esse entrosamento é vital uma vez que falamos de contratos de 20, 25 anos”. Este sistema acarretou baixíssimas taxas de inflação, desemprego, analfabetismo e criminalidade. O Brasil tem buscado este tipo de parceria para investimentos em infraestrutura, o mesmo feito em Singapura, que alavancou desde usinas elétricas a sistemas de reciclagem de lixo.

Essas empresas singapurianas, principalmente indústrias litorâneas, estão presentes nos planos urbanos desde 1971, quando a expansão territorial foi incentivada, realizando-se aterramentos marítimos, movimentando, assim, a economia dos portos, juntamente com o centro comercial da cidade. Por ocorrer de maneira conjunta, a densidade habitacional, os pequenos centros comerciais e o aumento da infraestrutura, principalmente com o sistema de transporte MRT (Mass Rapid Transit), possibilitou uma melhor integração entre esses três elementos, além de preservar áreas verdes com o intuito de manter a qualidade do ar e da água.

 Image

 Image

 Image

 

  Image     Image

Rio de Singpura nos anos 70 e nos dias de hoje.

Ícones:

 – Resort Marina Bay Sands e museu de Arte e Ciência, por Moshe Safdie.

Image 

Image 

  

 

– Superárvores – Conservatory Eco System, por Grant Associates

Image

– Há 18 “superárvores” com alturas de 25 a 50 metros;

– As pontes e passarelas possuem 420 metros de comprimento e estão a uma altura de 22 metros, interligando as “superárvores” mais altas;

– 11 das árvores possuem placas fotovoltaicas, a energia recolhida é usada a iluminação das estruturas;

– Cada superárvore abriga flores tropicais e uma variedade de samambaias que sobem pela estrutura de aço;

– As copas servem como moderadores de temperatura, absorvendo e dispersando calor, além de coletarem águas pluviais;

– As “superárvores” são compostas por cerca de 163 mil plantas de mais de 200 espécies;

– Cada árvore tem um núcleo de concreto, um tronco de aço equipado com painéis para plantio e uma cobertura no topo levantado por um sistema de macaco hidráulico.

 Image

 Image

 

 

O Projeto Cingapura – São Paulo

Image 

            O projeto foi idealizado durante o mandato do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, com o objetivo de possibilitar que moradores de favelas adquirissem suas casas próprias por meio de parcelas que poderiam chegar a R$ 18,00 mensais. Porém, os apartamentos eram construídos no mesmo local onde antes estavam os barracos, sob o pretexto de que os moradores já tinham ali uma vida estabelecida, com um círculo de convivência já definido, desconsiderando o fato de que o subsolo da área já estava contaminado pela falta de infraestrutura sanitária, como é o exemplo do Conjunto Habitacional Cingapura Zaki Narchi, na Zona Oeste de São Paulo, cujo solo está contaminado com gás metano, correndo risco de explosão. Os moradores dos 20 mil apartamentos entregues reclamam da imposição do projeto, realizado sem consulta à população contemplada. Além disso, uma das construtoras envolvidas no projeto, a Schahin, esteve sob investigações por falhas na execução de projetos. Pela falta de infraestrutura, urbanização básica e equipamentos públicos, como creches, escolas e hospitais próximos à comunidade, a maior parte dos apartamentos estão abandonados. A Justiça determinou, em 2011, que os moradores restantes (2787 pessoas) fossem removidos do local devido ao risco, o que causou revolta.

            Após o ocorrido, em 2012, a Secretaria de Habitação de São Paulo irá transformar os conjuntos em condomínio fechados. Os moradores das antigas favelas haviam recebido um Termo de Permissão de Uso para morarem nos apartamentos, mas diante da falta de planejamento, a venda informal das escrituras aumentou, fazendo com que a prefeitura transferisse a propriedade e a responsabilidade de manutenção dos conjuntos aos moradores. Para poder comercializá-los, a Sehab passou a reformar os conjuntos, transformando-os em condomínios fechados, com grades e guaritas, segundo os moradores, eles não participaram do processo de decisão de como seria a intervenção.

Image

 

Guarita de entrada do Cingapura – Goiti. Foto: Natália Garcia

 “É preciso entender que a cidade não é um amontoado de prédios, o que lhe dá alma são os espaços públicos, em quantidade e qualidade, através dos quais podemos dimensionar a democracia de uma sociedade.” – Urbanista Norma Lacerda.

 

 

 

Referências:

The Architectural Review

REVISTA ARCHITECTURAL REVIEW POR ANNA CAROLINE ATTAB E FERNANDA LEMOS.

 

Sobre  a Revista Architectural Review:  Image

É uma revista de arquitetura, internacional,e publicada mensalmente em Londres,desde 1896.
A revista aborda como princípio, requisitos com intuito de abordar temas que tenham a ver com a arquitetura,dependendo do local aonde esteja inserida,fala sobre cultura em geral,refletindo seus costumes,e até mesmo sobre desenvolvimento científico.
A própria revista possui um Editorial View(visão editorial),no qual faz uma introdução para o leitor do que será abordado ao longo da revista,instigando os leitores a não se resumirem apenas a este estado de leitura,mas também de ir além disso,compartilhar seus conhecimentos,reflexões dentre outras coisas.

A revista ainda levanta temas como sustentabilidade,e mostra projetos no qual são construídos em locais que acabam nos surpreendendo,e não nos deixando julgar por isso e nem subjulgar a natureza.

A Architectural Review possui ainda ao longo da revista algumas paginas com textos diferentes que abordam alguns temas como:

  • Overview – Visão global

É algo como “Aconteceu” e destaca assuntos relevantes sobre algo que tem acontecido no mundo.

  • Broader view – Visão mais ampla

Libertação do materialismo, explicação sobre o que é realidade material e física. Como originou a mudança em relação conhecimento e desenvolvimento do homem.

  • ViewFrom – Vista de

Fala sobre uma arquitetura sustentável e exemplo do cotidiano que adaptam a questão sustentável num local de arquitetura defasada

  • Viewpoints: – Ponto de vista

Ponto de vista de arquitetos, urbanistas e designers sobre vários assuntos e criticas a aspectos variados.

  •  Your views: – Suas visões

Crítica dos leitores sobre os projetos e temas abordados.

  •  Editorial View – Visão Editorial

Introdução da capa mensal, do que será abordado na revista ao todo.

LEUTSCHENBACH SCHOOL – ZURIQUE, SUÍÇA

Edição fevereiro 2012

Image

fonte: google.com

Arquiteto: Christian Kerez

Tipo: Educação – Escola de nível ensino pré escola, primário e secundário. Ensino fundamental.

Estrutura: Aço estrutural em 6 pontos.

Local: Localizado no norte, tranquilo subúrbio da região metropolitana da cidade de Zurique – Suíça. A cidade esta se transformando, da zona antiga de industrialização para um uso misto, bairro de classe média com muita área verde. Há conjuntos habitacionais e algumas fábricas restantes á alguns quarteirões ao norte.

 Image

fonte: google.com

A iniciativa para a mudança em Zurique começou em meados da década de 1990. A mudança sugeria reformas educacionais com novas diretrizes para a construção de escolas, enfatizando a necessidade de mais espaços flexíveis, que podem acomodar o sustentável ​​atual e necessidades de instrução como aprendizagem em grupo, ensino em equipe.

Quatro escolas foram construídas e mais 15 reformados ou ampliados desde 1998.

Christian Kerez encara várias questões urbanas pensando sobre o diagrama que iria seguir para esta escola, lembra-se do espírito de Petersschule Hannes Meyer em sua escola ao ar livre, lembrando de pontos básicos como o moderno, contemporâneo e uma nova arquitetura para novas necessidades.

Kerez é um arquiteto que em suas obras ainda manifesta o interesse na estrutura aparente como proposta, transparência, no que se diz uma lembrança inconsciente de Mies van der Rohe. Faz uso também do uso de rotas fixas como as escadas externas.

Image

fonte: architectural-review.com

Image

fonte: architectural-review.com

Na escola de Leutschenbach, o programa é empilhado de forma, onde deixa a maior parte do terreno livre e verde, a extravagância da estrutura é contrariada pelo volume compacto do edifício.

 A estrutura feita permite 2,5m de varandas externas e bem como um brise também, pois todas as paredes são de vidro, inclusive as internas, onde é utilizado vidro opaco para separação das salas. A escola possui uma escada central ampla, um local de encontro e como um hall comum, com 5 andares contando com o ginásio no ultimo andar, no quarto andar há o auditório, biblioteca e apoio, do primeiro ao terceiro andar estão as salas de aula, cada pavimento tem 9 salas de aula, no porão também há mais 6 salas de aula extras, que recebem luz natural através de tiras no chão do pavimento térreo.

Vemos algumas funções colocadas próximas como o ginásio, biblioteca e auditório. Kerez diz estarem ligados a um nível de organização.

Image

fonte: 

Image

fonte:

Image

fonte:

As vigas treliçadas que circundam a zona de sala de aula em três níveis estão suspensas a partir de oito suportes no quarto andar. Estes suportes são posicionados nas extremidades das vigas treliçadas que passam para a direita através do edifício, duas longitudinais e duas transversais, um acima do outro. As vigas treliçadas no ginásio são apoiadas sobre as duas vigas treliçadas transversais superiores. A estrutura não é completamente simétrica, como mostra a secção do telhado, porque a biblioteca e auditório exigiram áreas diferentes. As vigas treliçadas foram monitoradas continuamente durante a construção para permitir a deformação do edifício para ser confiavelmente previsto as paredes envidraçadas.

Image

fonte: Revista architectural review

Image

fonte: archrecord.construction.com

Leutschenbach sugere um modelo para as escolas urbanas, em um futuro de maiores densidades do centro da cidade.

Crítica por Bob Barton – engenheiro:

“…este tipo de atividade é decadente e um desperdício…”

Barton diz que a estrutura, além da planta livre no chão, não serve para nada, é um grande desperdício. Este edifício exala estrutura.

Seis pares de colunas que sustentam toda a estrutura, estas colunas dão suporte a duas treliças internas que se estendem o comprimento do edifício, que por sua vez suportam quatro treliças em torno do perímetro. Seis treliças, a cada três andares de altura, suportando todo o edifício fora as seis colunas do andar térreo. Mais em cima, quatro treliças sentado em cima dos seis anteriores, e finalmente em cima disto, temos o espaço ginásio delimitada por mais quatro de altura completa treliças que sustentam o telhado.

Image

fonte: Revista architectural review

A escola não é tão apertada no terreno, mas simplesmente, a fim de conservar o máximo aberto espaço verde quanto possível, como uma “escola parque” para as crianças brincarem dentro e fora.

Image

fonte: archrecord.construction.com

PERKINS+WILL’S UNIVERSITY CAMPUS – LUANDA, ANGOLA

Edição abril 2012

Image

fonte: Revista architectural review

A independência de Angola veio tarde,a mistura de diamantes,petróleo e a geopolítica da Guerra Fria deram poucas chances de evitar as armadilhas do pós colonialismo.O Conflito Civil trouxe uma relação de superpotência que assolaram o país,numa geração que foi após a saída dos Português em 1975.O país nesse época possuía pouca chance de se desenvolver na questão das instituições civis,de uma sociedade moderna que precisava das sementes deixadas pelo poder colonial até o colapso quase simultâneo da União Soviética e do apartheid na vizinha África do Sul.

A partir disso, já havia um projeto para fazer um novo campus para a Universidade,nos arredores de Luanda,capital angolana.Porém essa universidade era ainda considerada pequena e com poucas chances de satisfazer uma população tão grande,não conseguindo satisfazer as necessidades de todos,e de uma população crescente em tamanho e também expectativa,e riqueza.
Graças ao seu grande tamanho e sua localização foi possível desenvolver uma identidade clara para a universidade através de um campus que iria crescer fora do clima e do contexto.

Em Angola as pessoas que se interessavam naquela época por um ensino superior tinham de ir para o exterior para conseguir isso,funcionários da Universidade da Índia vendo essa grande demanda de angolanos,aconselharam então o governo daquele país sobre as formas de melhorar o seu sistema de universidade,Em 1999,eles sugeriram justamente a contratação de Perkins + Will,que é uma empresa conhecida por projetar edifícios acadêmicos,e possuem uma meticulosa atenção para a sustentabilidade.

Em 2001 foi quando Perkins + Will Ralph Johnson visitou pela primeira vez o local do novo campus da Universidade Agostinho Neto,e tiveram que ao longo desses 12 anos irem muitas vezes para lá.Agora a universidade esta começando a se mover em seu novo campus,a primeira fase compreende 350.000 pés quadrados para as faculdades de matemática,física,química e também computação,e podendo acomodar 3.000 estudantes.

Image

Perkins + Will estavam determinados a criar um campus que mesmo antes de atingir sua forma final como uma instituição,iria acomodar 40.000 alunos.Eles fizeram isso com uma estrada de anel elíptico que ajuda a definir uma aldeia acadêmica e um plano mestre que organiza edifícios em torno de uma seria de pátios e caminhos ortogonais.A primeira fase se concentra prédios no centro do plano,com as faculdades adicionais para crescer ao longo de seus braços.Moradia estudantil e pessoal será adicionado ao redor da aldeia acadêmica.

A primeira fase inclui quatro salas de aula e uma biblioteca central – este último com uma estrutura em forma de R, a maioria dos que levantou quatro andares acima do solo para permitir a brisa refrescante ,que chega nos blocos de sala de aula em seu lado de sotavento.  A biblioteca é o único edifício que tem ar-condicionado; outras estruturas dependem de refrigeração no engenho do arquitetos em limitar o ganho solar e fluxo de ar estimulante.

Image

fonte: Revista architectural review

Para reduzir o consumo de energia, os arquitetos fizeram com que os prédios acadêmicos tivessem um simples esquema de barras lineares, com curtas fachadas no lado leste e oeste,e longas no norte e sul, (ajustado 19 graus para aumentar sombras e dar ventos predominantes) Uma variedade de dispositivos, incluindo os filtros solares de alumínio pintado, permitem a luz nos edifícios, enquanto minimiza o ganho solar. (Porque Luanda está perto do equador, o sol pode brilhar de norte ou sul, dependendo da época do ano.) Corredores também amortecer salas de aula a partir de muita luz solar direta, uma vez que um corredor quente é menos de um impedimento à educação do que uma sala de aula quente.

Mas as características dos edifícios mais distintos podem ser seus telhados, em ângulo para servir como aerofólios. Quando o vento sopra, as superfícies em zigue-zague de aço galvanizado e pintado reduzem a pressão do ar acima dos edifícios. A diminuição da pressão puxa o ar quente para cima e para fora das salas de aula através de grelhas operáveis. As persianas, diz Johnson, permitir que o ar passar, mantendo poeira.

Image

fonte: Revista architectural review

Desde o início Johnson e seus clientes estavam determinados a garantir que o campus ‘core’ inicial seria capaz de funcionar como uma instituição. Incluindo uma biblioteca central como parte dessa estratégia.

A grande qualidade da Universidade é o modo em que se encontrou um padrão de suas contrapartes ocidentais,mesmo estando localizado num país onde as condições climáticas,econômicas e sociais se tornam particularmente difícil.

Image

As grandes particular idas dessa universidade são as questão do clima onde esta localizado e a sua construção.Angola fica no sul da linha do Equador.A corrente fria da Benguela,que vem da Antártida mantém Namíbia para o árido sul,mas fora de angola se mistura com climas mais quentes,águas tropicais,havendo precipitações,criando uma savana que eventualmente,se funde com a floresta tropical.
Devido a existência de minas terrestres, Johnson foi adi vertido para tomar cuidado com isso,Perkins + Will trabalharam com engenheiros então para encontrar uma maneira de tornar o clima nessa parte da universidade e a paisagem mais agradável,trabalhando as duas coisas juntas,para que o ambiente no campus,finalmente em suas construções de edifícios que atendam os objetivos simbólicos e funcionais da universidade para que seja sustentável ao longo prazo.

Image

Image

fonte: Revista architectural review

O campus possui então uma forma oval feito um bom ajuste dentro de um sistema de leitos de rios que são inicialmente secos,mas na estação de chuva acabam por inundar esses rios,dando-lhes uma vegetação relativamente rica,ajudando a dar um caráter ao campus dentro do desenvolvimento geral.Um anel de floresta entre os leitos de rios e estradas do anel oval circundam o campus real que fortalece a identidade da universidade,e da estratégia de regenerar e melhorar a paisagem natural.

Image

Image

fonte: Revista architectural review

A etapa seguinte foi estabelecer uma orientação para os edifícios. Johnson veio rapidamente com a forma pinwheel para os prédios, o que evita a hierarquia explícita de Beaux-Arts de inspiração simetria axial, e também teve características promissoras para trabalhar com a paisagem para criar um microclima confortável por meios passivos. Estar bem nos trópicos, o sol pode vir de norte ou sul sugerindo uma orientação leste-oeste, mas o vento vem do resfriamento para o sul-oeste para maximizar o seu benefício a orientação campus final é 19 graus fora do eixo norte-sul.

A forma de cata-vento se adapta a  essas características naturais. Isso resulta em quatro pátios, cada um com uma condição distinta microclimática. Um tem uma série de formas lineares convergentes que captam o vento, dando direção e acelerando para aumentar os seus efeitos naturais. Dois são entregues à horticultura, um viveiro de uma planta e outra para a pesquisa botânica, simbolizando de forma pequena, como a arquitetura altera as condições naturais para servir a ambição intelectual. 

Image

Image

fonte: Revista architectural review

A construção foi realizada por uma sucessão de empresas incluindo até mesmo empreiteiros da África do Sul,Portugal,e, em última a China,que tem feito muitos negócios em Angola.

Image

Meio século atrás arquitetos souberam como fazer um edifício pode aumentar o fluxo de ar, e como o tratamento das fachadas podem melhorar o conforto interno. Mas aqui a posição e forma de cada construção foi modelada para melhorar e unir as vantagens de diversos efeitos diferentes. Os telhados são anguladas para usar a direção predominante do vento para criar a pressão de ar diferencial e para evitar a acumulação de ar quente estagnada -, bem como para fornecer o sombreamento. Cada fachada tem precisamente calibrado porosidade que pode ser alterada por palhetas que se podem abrir para tirar vantagem da turbulência. Esta linguagem formal também prontamente incorpora triagem e prateleiras para controlar a luz solar. Os edifícios são geralmente uma sala de profundidade, com o corredor oferecendo proteção do sol: se o corredor é quente é simplesmente desconfortável,mas seria pior ainda que as salas de aula fossem quentes,porque aí seriam inutilizáveis.

O resultado é extremamente edificante, que lembra a sensação otimista da primeira geração do pós-colonial arquitetura, designers como Jane Drew, Fry Max e acima de tudo, Le Corbusier. Mas raramente entendido os efeitos a longo prazo dos dispositivos formais, materiais e técnicas que tão habilmente apropriados. 

RINGSTABEKK SKOLE – NORUEGA

Edição fevereiro 2012

Image

fonte: google.com

Arquiteto: DIV.A escritório

Tipo: Educação – escola secundária, de 12-15 anos.

Local: Oeste de Oslo – Noruega

Image

fonte: Revista architectural review

A escola esta localizada a 20 minutos do centro de Oslo e 10 minutos da estação de trem, estando a curta distancia do transporte publico, também é viável para ir de bicicleta. Esta em uma área residencial, que é uma das melhores áreas da cidade.

Este novo edifício ocupa o local da escola anterior, construído em 1972. Que devido a extensos problemas técnicos, não foi considerada viável, tecnicamente nem economicamente, para expandir e renovar, pois havia a necessidade de outras diretrizes para a escola, arquitetura moderna e novos métodos pedagógicos. A demolição e a reconstrução posterior levaram cerca de 18 meses.

A solução do projeto foi flexível, um edifício escola oficina, onde facilmente acomodaria o desenvolvimento da educação, um local que estimula a criatividade e a curiosidade. O edifício da escola inclui uma variedade de espaços, tanto na natureza e artes.

Image

fonte: www.ringstabekk.net

A escola é cuidadosamente posicionada para tirar o máximo de um terreno pequeno. As áreas ao ar livre são projetadas para acomodar e aprender com a paisagem. O edifício compacto foi desenvolvido com vista para eficiência energética e sustentabilidade, além de sua organização e métodos alternativos.

O prédio de dois andares é um espaço organizado muito compacto e no meio são as grandes áreas comuns como refeitório, auditório, biblioteca. Devido sua localização, no meio de uma área residencial, a escola tem duas entradas, que são o conjunto de zona envidraçada grande central, claramente identificável. 

Image

Image

A escola Ringstabekk é construída em dois andares. Estruturalmente dividida em três zonas: duas longitudinais ao longo das paredes exteriores, e uma central. As zonas ao longo das paredes exteriores estão a zona de aprendizagem, áreas de administração e departamento pessoal. Na zona central contém as áreas comuns e qualquer área de aprendizagem especializada.

A área de aprendizagem no prédio da escola é composta por três unidades de trabalho, biblioteca, oficinas, área de música e um departamento de esportes.
A escola é construída com uma alça flexível principal com uma grade técnica de 3,5 m x 3,5 m de altura livre extra. O edifício pode, portanto, ser alterado internamente para atender às novas necessidades sem ter que fazer trabalho estrutural importante. 

Image

A fachada é principalmente de alumínio, vidro, concreto, branco e lariço siberiano. Dentro e fora, dominada por madeira e vidro como material de superfície. Os pisos do 2º andar. são, basicamente, em que a borracha, o que contribui para uma boa acústica nas áreas abertas. O edifício é ventilado mecanicamente.

– Para enfatizar a estrutura do edifício de volume

– Para alcançar contrastes de materiais na fachada

– Como um material sólido, amigo do ambiente e de fácil manutenção.

O edifício tem uma laje de concreto e colunas, combinado com colunas de aço pré-fabricadas e lajes de concreto na área central e no ginásio.

Auditórios e ginásios têm estrutura do telhado de aço, enquanto o teto do edifício e os orifícios de ventilação são elementos de capa.

Meio ambiente e sustentabilidade

O material é feito a partir de uma perspectiva sustentável, enfatizando a resistência e materiais reutilizáveis. Módulo estrutural oferece uma grande flexibilidade com a sua eficiência área potencial. Todas as áreas têm boa luz do dia. É escolhido aquecimento de piso hidrônico todo o chão da floresta. Isso proporciona flexibilidade grande energia.

A escola de Ringstabekk ganhou em 2005 Prêmio Betongelement premiado “para uma arquitetura inovadora que promove a curiosidade ea criatividade.” O prêmio de Betongelement é concedido anualmente como uma recompensa por boas construções estéticas e funcionais. O júri é composto por representantes Arquitetos da Noruega, a Associação de Conselheiros e Sociedade Betongelement.

Image

Revista Abitare – Priscila Morrone e Thais Zicatti

 

 

Image

Revista Abitare edições 517 11 2011 e 520 02 2012

A revista Abitare, apesar de ser uma revista italiana, possui matérias de diversas nacionalidades, como por exemplo, as abordadas no trabalho, Bélgica e Estados Unidos. Os temas são variados, como lixo, demolição, restauração, construções sustentáveis, design, intervenções e novas tecnologias e até mesmo edições especiais sobre alguns arquitetos.

Um aspecto que não gostamos muito da revista é que possui muita propaganda, diminuindo o número de matérias.

Nos dias de hoje, existem práticas que devem ser levadas em consideração ao invés de se demolir um imóvel. Como por exemplo, dependendo do seu estado estrutural, pode-se dar um novo uso através de técnicas de restauro associadas à sustentabilidade (termo muito utilizado atualmente). Também se deve prever a reutilização de matérias de bom estado de conservação como, por exemplo portas, janelas, caso o imóvel tenha que ser demolido. E também reciclar os resíduos gerados pelo setor construtivo, tema este bastante abordado numa matéria, na edição 517 de 11/2011.

Através da leitura e discussão das edições escolhidas da revista Abitare, iremos apresentar exemplos de projetos de restauração de duas edificações localizadas em Florença na Itália e em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e também trazer todo esse conceito para o Brasil. Para isso numa fase inicial vamos conceituar o que de fato as matérias estavam falando, para depois trazermos outros exemplos.

A complexidade dos resíduos

O artigo é referente a toda uma preocupação com a destinação dos resíduos construtivos, feitos através de uma análise de um grupo de pessoas com interesse no assunto, chamado Rotor, fundado em 2005. 

Image

 

Numa época onde o termo sustentabilidade é frequentemente utilizado, o trabalho realizado pela Rotor parece se destacar no momento em que ela aborda problemas reais de uma forma que muitas vezes é tratada superficialmente. Rotor lida com a concepção e a realização de projetos arquitetônicos. E neste artigo mostra um enfoque em estudos feitos na região de Buxelas, sobre a reciclagem de resíduos de demolições e utilização de usinas de reciclagem desses materiais.

A reportagem mostra sempre uma preocupação com a segurança dos trabalhadores dessas usinas, devendo-se prever equipamentos adequados como luvas grossas, um mecânico especialista para se encarregar do guindaste e movimentos conjuntos bem organizados são as chaves para um eficiente centro de triagem.

Image

 

1 – Veículo com entulho
2 – Triagem Mecânica
3 – Peneiração, trituração
4 – Triagem Manual
5 – Esmagamentos dos inertes
6 – Moagem de madeira
7 – Coleta de metais
8 – Revenda de matérias-primas

Pré demolição é uma prática bastante difundida, que envolve o desmantelamento de tudo o que não faz parte das próprias paredes, de modo a deixar uma estrutura de concreto aparente que pode ser facilmente destruído por um guindaste. 

Image

 

Os materiais considerados em boas consições são retirados pelos próprios trabalhadores para revenda e reutilização, tais como, portas e janelas, pias, vasos sanitários. Existem empresas que comercializam esses materiais. Estes podem ser utilizados até mesmo em novos usos, por exemplo, uma janela ou uma porta podem virar uma mesa, e até mesmo em usos totalmente diferentes como, por exemplo, uma televisão antiga que virou pia.

Image

 

Image

 

Image

 

Uma outra discussão curiosa abordada nesse anúncio, é sobre a reutilização de granitos das lápides de um cemitério que seria desativado em Bruxelas. Este material será reutilizado para a reforma de uma praça pública próxima ao cemitério.

Conceituação: entulho e resíduos de demolição

Image

 

Fonte: http://www.setorreciclagem.com.br

O entulho de construção compõe-se, portanto, de restos e fragmentos de materiais, enquanto o de demolição é formado apenas por fragmentos.

O processo de reciclagem do entulho, para a obtenção de agregados, gera uma classificação de resíduos nos seguintes grupos:

Grupo I – materiais compostos de cimento, cal, areia e brita: concretos, argamassa, blocos de concreto.

Grupo II – materiais cerâmicos: telhas, manilhas, tijolos, azulejos.

Grupo III – materiais não-recicláveis: solo, gesso, metal, madeira, papel, plástico, matéria orgânica, vidro e isopor. (Alguns desses materiais podem ser separados e encaminhados para outros destinos de reciclagem)

 

Lixo gerado pela construção civil: Matéria prima para reciclagem.

Atualmente na Europa há um desperdício equivalente a 200 milhões de toneladas anuais de concreto e pedras. Tal volume de materiais seria suficiente para a construção de uma rodovia de seis faixas com interligação entre Roma a Londres. Alguns países como EUA, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, já reconhecem a importância dessa reciclagem e estão estudando métodos eficientes para a instalação de usinas.

Na maioria das vezes, o entulho é retirado da obra e disposto clandestinamente em locais como terrenos baldios, margens de rios e de ruas das periferias. Existem sistemas de reciclagem para este material.

Image

Rua Dona Zulmira Pereira da Silva, próximo a Br-116

Fonte: http://www.drd.com.br

A reciclagem desses resíduos gera diferentes aplicações no próprio setor construtivo. A escória granulada de alto forno e cinzas são matéria prima comum nas construções. Grandes pedaços de concreto podem ser aplicados como material de contenção. O entulho triturado pode ser utilizado em pavimentação de estradas, enchimento de fundações de construção e aterro de vias de acesso.

Existe um estudo feito pela Universidade de São Paulo sobre a utilização de agregados de entulho na fabricação de elementos de concreto. Chegaram na conclusão de que os elementos de concreto com entulho possuem  resistência a tração, flexão e compressão muito semelhantes aos valores obtidos para elementos de concreto feito com agregado primário. Existem edificações feitas por tijolos ecológicos (feitos de entulho). Possuí muitas vantagens a utilização desse tijolo como por exemplo: vantagens econômicas ( possui uma redução do valor de até 40% se comparado com o tijolo convencional), Vantagens termo-acústicas, deixando os ambientes internos frescos e menos ruidosos entre outras vantagens.

Image

Casa feita com tijolos ecológicos no conjunto habitacional Anita Garibaldi,em Fortaleza entregue em 2006

Fonte: http://www.setorreciclagem.com.br

No Brasil existe um sistema de reciclagem de entulho ainda muito restrito.Atualmente, em capitais como São Paulo e Porto Alegre, são jogados no lixo diariamente 1,8 mil e 242 toneladas a cada hora de entulhos de obras respectivamente. Os dados foram apurados pelo Departamento de Saneamento e Meio Ambiente da Faculdade de Engenharia de São Paulo.
Com esses volumes, seria possível construir 334 casas por dia em São Paulo e 85 residências por dia em Porto Alegre.

Neste ano foi inaugurada a Usina de Reciclagem de Entulho de Hortolândia com investimentos público e privado.

Park Avenue Armory

Assim como dissemos no decorrer da postagem, é importante a consciência de reutilização de materiais e até mesmo de construções. Em algumas construções podem ser feitas intervenções para manter preservada a conservação de um lugar, para trocar o uso do lugar e até mesmo para “restaurar” o local, de modo a manter seu estado de conservação original. 

Image

 

Fonte:www.archrecord.construction.com

No caso dessa matéria, falaremos sobre o Park Avenue Armory, que teve sua fachada restaurada, além de uma sala de aproximadamente 55 mil m² e 18 quartos da guarda nacional (alguns desses quartos permaneceram intactos). O Arsenal, uma fortaleza construída para a Guarda Nacional, foi restaurado para criar um ambiente de arte, dança, teatro e exposições (um núcleo cultural) e no andar superior para abrigar pessoas sem teto.

Image

 

Image

 

Com essas fotos, percebe-se a mudança do uso do local, onde cada quarto vai adquirindo um no uso (sala de música, de dança, biblioteca, local para exposições, etc…)

Na restauração da construção com arquitetura do final do século XIX, a ideia era mostrar a transformação dos quartos com o passar dos anos. Para isso, foi utilizada uma técnica que retira superfícies adicionadas com as modificações, limpeza e recuperação do desenho ou pintura original. Nas fotos abaixo pode-se ver esse processo de recuperação.

Image

 

Fonte: imagens retiradas da revista Abitare 520 02 2012

Não só os ambientes foram restaurados, como os móveis e o piso de mogno e carvalho também. Isso é importante de se observar, pois muitas vezes o mobiliário é descartado e considerado lixo.

Image

 

Imagem retirada a revista abitare 520 02 2012

Por se tornar um local de uso cultural, algumas adaptações foram feitas, como um amplo espaço, que permite a flexibilidade necessária para um ambiente de performance artística. Para essa adaptação, algumas paredes e estruturas dos anos 50 foram removidas e uma estrutura metálica foi colocada no lugar. O local possui ventilação e iluminação natural, características sustentáveis.

Image

 

Imagens retiradas da revista Abitare 520 02 2012

Outro exemplo de construção que uma parte foi restaurada e outra ainda está em restauração é uma antiga prisão em Florença, Itália. A Prisão que se tornou uma habitação popular, com espaços para escritórios no terreno e um “bar” em seu jardim interno, passou por diversas intervenções, entre elas, adaptações sustentáveis. Brises foram incorporados a partes de fachadas e materiais e mobiliários foram reutilizados. As fotos abaixo ilustram essas características sustentáveis e esses novos usos para a construção.

Image

 

Fachada voltada para a rua, que ainda está sendo restaurada.

Image

 

Foto tirada pela aluna Priscila Morrone

Fachada voltada para o jardim interno, onde é possível ver os brises incorporados à fachada. 

Image

 

Foto tirada pela aluna Priscila Morrone

Essa construção é de uso residencial e está com sua fachada voltada para o jardim interno do terreno. Ao atravessar o prédio principal, há outro pátio interno, onde há o “bar” que possui diversos materiais reutilizados, como uma televisão que virou pia, portas e janelas que se tornaram mesas e cadeias e engradado de carregar leite que foi utilizado como estante.

Com esses exemplos é possível ver o quanto um arquiteto pode fazer com construções já existentes e materiais reutilizáveis, não precisando demolir ou jogar fora materiais a cada vez que for construir ou reformar algum lugar. Os arquitetos de hoje em dia, podem trazer um novo sentido às construções, ressuscitando o antigo (já existente).

Cenas da ZL – por Daniel Cunha e Paulo Kehl

Esta postagem será bastante diferente do que temos visto neste blog. Diferente porque não se trata da análise de uma obra (ou várias) ou de uma revista. Este texto fala sobre o subúrbio. Este texto fala sobre aquela cidade além da bolha de desenvolvimento que são as regiões centrais da metrópole. Mais especificamente, este texto fala da experiência de um aluno que, voluntariamente, viveu por cinco dias na beira da cidade de São Paulo, no bairro Vila Norma, zona leste da capital.

Tal experiência social será aqui brevemente analisada sob a ótica de dois estudantes de urbanismo e, para tanto, será dado certo enfoque aos seguintes aspectos: localização, transporte, desenho urbano, habitação, saneamento e educação.

Localização e transporte:


O bairro fica a aproximadamente 17km do centro de São Paulo, o que significa 1 hora e 40 minutos de viagem, utilizando-se do transporte público e entre 45 minutos e 1 hora de carro. Tempo que depende do transito, normalmente intenso.

Bairro-Centro (4:50) Centro Bairro (17:00)
Transporte público

1h e 40min

1h e 40min

Transporte privado

45min

1h e 10min

Grande parte dos moradores da região possui carro próprio, o que é um reflexo da condição do transporte público que atende às zonas periféricas da cidade. Precária, insuficiente e ineficiente, a falta de transporte público de qualidade praticamente obriga que os moradores possuam seu próprio carro, nem que seja para se locomover apenas dentro do bairro.

Desenho Urbano:

É interessante notar a diferença entre o desenho das ruas de Higienópolis e as ruas na Vila Norma. Se não fosse São Paulo, seria difícil de acreditar que ambos fazem parte da mesma cidade.

Fruto de situações completamente diferentes, ambos têm suas qualidades e defeitos. Se por um lado as ruas de Higienópolis são largas e arborizadas, por outro lado o traçado retilíneo ignora por completo o relevo acidentado da região, criando ladeiras muito íngremes. Já a Vila Norma possui um desenho que parece se adequar ao relevo, apesar das ruas estreitas.

Higienópolis com seu traçado retilíneo, totalmente racional, a cidade da higiene (!) e a Vila Norma, com suas ruas estreitas de traçado irregular, espontâneo, feito provavelmente pelos primeiros moradores da região.

Habitação:

Precário e insuficiente são as palavras que definem a habitação nesta região da cidade. Precária é a habitação original e insuficientes são os esforços do governo investidos em melhorias.

A formação dos subúrbios em São Paulo aconteceu de forma completamente descontrolada por tempo demais e a mancha urbana se espalhou pra fora dos limites da cidade, criando a região metropolitana. Essa ocupação desenfreada era regida apenas pelas necessidades espaciais da população que crescia exponencialmente com a industrialização da cidade, e que consistia majoritariamente de pessoas pobres. Sem instrução, dinheiro ou lugar pra morar, essas pessoas se instalam onde conseguem, quase sempre nas regiões onde a terra é mais barato devido à falta de infraestrutura.

A combinação habitação precária mais falta de saneamento é recorrente na Vila Norma (e em diversos bairros suburbanos) e os órgãos públicos parecem ignorar o que se passa nesses lugares.






Digo que parecem ignorar porque em meio ao caos de se viver às margens da cidade, existe o CDHU. São cerca de 10 mil pessoas habitando 2500 apartamentos, em prédios de até sete andares.

Já muito melhores do que a favela original, os conjuntos habitacionais do CDHU parecem uma piada de mau gosto para com a população. Os prédios de sete andares, de qualidade arquitetônica bastante questionável, com apartamentos de 48m², não possuem elevador e são entregues no osso, sem revestimento algum.

Não há forro ou azulejos nos banheiros. Ruas inacabadas, ainda sem pavimentação, fazem as vias de acesso aos edifícios.


O hall e os apartamentos foram terminados pelos próprios moradores.

Apesar de tudo isso, as áreas de lazer parecem ser suficientemente grandes e estar bem cuidadas.

Saneamento:

Talvez fosse mais fácil falar sobre o saneamento se houvesse algum! Todo o esgoto do bairro todo o esgoto do bairro vai para o córrego que o corta. Não apenas o esgoto, mas praticamente todo o lixo parece ir para lá. Embora a prefeitura diga que o córrego se encontra canalizado que o lixo é removido, não é isso o que podemos perceber.

Lixo de todo tipo pode ser encontrado às margens do córrego, mas predominam o lixo doméstico e o lixo proveniente da construção civil.

Muitas das casas beiram o rio, o que torna necessário a construção de passarelas feitas pelos próprios moradores. Há apenas uma passarela feita pela prefeitura.

Segundo a prefeitura, há um interceptor às margens do córrego. Difícil de acreditar ao ver a poluição das águas.

O lixo da construção civil realmente domina as encostas do córrego.

Novamente uma pequena piada ação por parte da prefeitura: o ECOPONTO. Aqui o lixo reciclável é recolhido para depois ser levado às usinas de reciclagem ou para o aterro sanitário de Guarulhos.

Seja pela falta de recolhimento ou de informação da comunidade, as caçambas destinadas ao material reciclável demoram até dois meses para ficarem cheias, enquanto que as grandes caçambas de entulho enchem em mais ou menos um dia. As fotos anteriores mostram como as ações da prefeitura são deficientes quanto a questão do lixo nesta região.

Educação:

Este talvez seja o ponto mais notável na área: o Centro Educacional Unificado (CEU) Parque São Carlos. Sempre instalados em regiões de periferia, CEUs são complexos educacionais, esportivos e culturais.

Já são 45 CEUs na cidade de São Paulo, e eles possuem:

  • Centro de educação Infantil (CEI) para crianças de zero a três anos;

 

  • Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) para alunos de quatro e cinco anos;
  • Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF), que também oferece Ensino de Jovens e Adultos (EJA);
  • Quadra poliesportiva, teatro, playground, piscinas, biblioteca, Telecentro e espaços para oficinas, ateliês e reuniões;
  • Os espaços são abertos à comunidade, inclusive aos finais de semana;

Com programação variada para todas as idades, os CEUs garantem aos moradores dos bairros mais afastados acesso a equipamentos públicos de lazer, cultura, tecnologia e práticas esportivas, contribuindo com o desenvolvimento das comunidades locais.






As imagens aqui registradas mostram com clareza a situação em que vive a população dos bairros pobres no subúrbio de São Paulo. Estas fotos poderiam vir de qualquer metrópole de um país em desenvolvimento e a situação não seria nada diferente. Este é o retrato do século XXI: no mesmo município existem duas cidades, uma dos ricos, outra dos pobres. Mesmo separadas por uma barreira invisível porém intransponível de preconceitos e descaso, essas cidades se chocam todos os dias pelas avenidas da metrópole. Nesta cidade paralela vivem as pessoas que giram as pesadas engrenagens do mundo contemporâneo com as próprias mãos nuas, enquanto na bolha endinheirada, desfrutamos do nosso ar-condicionado, em escritórios silenciosos, sem saber que pouco além do horizonte visível está a dura realidade do paulistano. Creio que resolver os problemas desta outra cidade, às margens do desenvolvimento, seja o grande desafio deste século.

Não é mais necessário pensar em novas formas de cidade ou de buscar no passado uma forma que se ajuste aos dias de hoje. As soluções existem por toda a parte, bem como as pessoas capazes de realiza-las. Mas infelizmente o que falta a essas pessoas é a alavanca financeira e, para que esse retrato seja revertido, talvez seja necessária uma grande mudança no pensamento da sociedade, uma mudança tão profunda que altere as próprias estruturas sociais/financeiras que hoje regem o planeta.

A ARQUITETURA DA OLIMPÍADA

REVISTA DOMUS – GIOVANNA E NICOLLI

 

A ARQUITETURA DA OLIMPÍADA

Londres 2012

Image

 

Para os Jogos Olímpicos de Londres 2012,foi imposto um desafio: tornar-se o mais verde da história.

As metas propostas são reduzir em até 30% as emissões de carbono durante os 17 dias de disputas, continuando com o plano de redução de CO2 depois de seu término; gerenciar os resíduos alimentares; economia considerável de energia e que 20% dela provenha de fontes renováveis.

Para isso, criou-se em 2007 a Comissão para Londres mais Sustentável 2012, com o intuito de que o conceito de sustentabilidade fosse incorporado desde a primeira etapa de projeto dos Jogos.

Os relatórios de Sustentabilidade dos Jogos Olímpicos estão baseados no padrão internacional GRI (Global Reporting Initiative) que permitiram o seguimento do Plano, para aqueles que quiserem monitorar se os objetivos foram alcançados ao final dos Jogos.

 

Image

Edifícios reutilizáveis e construídos a partir de reciclagem

Muitas das estruturas construídas são temporárias, o que permite economia de recursos, e que seus componentes possam ser reutilizados ao fim das atividades.

Por exemplo, parte do teto do Estádio Olímpico foi construída com tubos de gás reciclados, assim como em outras obras reciclou-se concreto e cimento,permitindo reduzir em 30% as emissões de carbono com a reutilização de materiais. A madeira utilizada é 100% certificada com PEFC.

O Centro Aquático de Zaha Hadid conta com reutilização da água que sobra da limpeza dos filtros da piscina para limpeza dos banheiros. Os sanitários em todos os edifícios não requerem água e as duchas e lavatórios têm fluxo reduzido de água.

 

Image

 

Além disso, removeram-se 1 milhão e 300 mil toneladas de lixo no local onde o Parque Olímpico foi erguido, uma das zonas mais degradadas da cidade. 95% do que foi removido, utilizou-se para construção de novos edifícios.

Gestão de resíduos alimentares

Toda a alimentação dos participantes é fornecida por uma única empresa, que deve seguir critérios rigorosos. A comida está embalada com códigos de cores que facilitam sua reciclagem nos containers dispostos. Os atletas e espectadores serão incentivados a reciclar constantemente.

Economia de energia

Foi estabelecido um plano ambicioso de economia de energia, em que 20% dela deva ser proveniente de fontes renováveis. O projeto do Velódromo, por exemplo, conta com ventilação natural e iluminação estrategicamente localizada. Estima-se que apenas em 14% de todas as construções necessitaram de ar condicionado.

General Eletric (GE) é o sócio sustentável, eleito pelos organizadores, que visa promover mudanças que vão além das Olimpíadas, na comunidade local.

Criação de áreas verdes

Cerca de mil árvores foram trazidas de todo o país e transplantadas para formar espaços verdes no parque e mais de 300.000 plantas foram levadas para converter as zonas úmidas do maior rio da Grã-Bretanha.

Entre o Centro Aquático e o Estádio Olímpico existe uma área de jardins com mais de 250 espécies de plantas, árvores, arbustos e ervas.

Além disso, 5 km de vias fluviais foram reabilitadas, 15.000 m2 de telhados verdes foram instalados na Vila Olímpica, no Centro Aquático, Eaton Manor e o Centro de Imprensa.

Na cidade foi criada uma frota de táxis híbridos e é impossível chegar à zona olímpica de automóvel, uma vez que não existem estacionamentos públicos, fomentando o uso de transporte público e bicicleta.

Estádio Olímpico de Londres 2012

 

Image

 

Image

Image

Image

 

 

Image

 

Londres é a primeira cidade a acolher os Jogos Olímpicos pela terceira vez.

Para alcançar um equilíbrio entre as necessidades imediatas do estádio e sua permanência em longo prazo, Populous teve a oportunidade que entrega a temporalidade do edifício. Foram desenvolvidas formas simples e legíveis, minimizando seu peso físico, tempo de fabricação e a energia gasta em cada componente, unidos por conexões desmontáveis.

Os critérios de sustentabilidade se concentram em reduzir, reutilizar e reciclar, através de um desenho flexível e eficaz. A estrutura do estádio é leve e elegante, expressando com claridade a articulação baseada em diagonais de aço tubular.

 

Velódromo Olímpico de Londres

 

Image

 

 

Image

Image

 

Image

 

O velódromo construído em Londres para receber as provas de ciclismo indoor e de BMX Supercross durante os Jogos Olímpicos de Londres é uma bela prova de que sustentabilidade e estética podem caminhar juntas.

A construção possui claraboias sobre todo o telhado branco, que aproveitam a luz natural durante o dia, evitando o uso de lâmpadas elétricas. Ao mesmo tempo, a estrutura do telhado é feita por uma rede de cabos de aço que refletem o calor do sol e a superfície lateral é toda perfurada para facilitar a ventilação interna, permitindo que o ar circule pelos seis mil assentos, de baixo para cima, diminuindo a necessidade de resfriamento artificial, o que também contribui para a economia de energia.

O telhado ainda é capaz de coletar água da chuva, que é armazenada e utilizada no próprio velódromo.

A pista, que foi projetada para ser a mais rápida do mundo, também tem um design que distribui de maneira uniforme o ruído da torcida, evitando a distração dos pilotos.

 

Barcelona 1992

 

Image

Image

 

 

Barcelona instalou o primeiro sistema de coleta subterrânea para os Jogos Olímpicos de 1992. O sistema criado para a vila olímpica construída com tecnologias sustentáveis no bairro Poblenou, a noroeste da cidade, atende ainda hoje a 4,4 mil residências. O exemplo da vila deu origem às outras sete redes de coleta, que, 18 anos depois, beneficiam aproximadamente 324 mil moradores.

Os materiais descartados pela população são enviados para centrais de armazenamento por meio de tubulações subterrâneas até uma central de coleta.

A 5 metros da superfície, os resíduos de casas, escritórios e hospitais são sugados ao longo de 113 quilômetros de tubos, numa velocidade de 70 quilômetros por hora.

Após coletados, os detritos são processados e levados de acordo com o tipo, para a incineração ou estações de reciclagem. Esse sistema é chamado de coleta pneumática de resíduos.

Atualmente o sistema é responsável pela coleta de 30% do lixo produzido na cidade. Nele, podem ser eliminados três tipos de lixo: orgânico, reciclável e não-reciclável.

Uma central computadorizada identifica quando os reservatórios estão cheios, o que abre uma válvula para que tubulações maiores suguem os resíduos. Cada tipo de lixo é enviado separadamente, evitando, assim, que se misturem nas tubulações. Os recicláveis são encaminhados para centrais de reciclagem, os orgânicos viram biomassa, utilizada como combustível para turbinas de usinas de geração de energia elétrica e os não-recicláveis são incinerados.

A empresa sueca Envac, que desenvolve esse sistema, já existente em 150 cidades de todo o planeta, como Estocolmo e Londres, aponta diversas vantagens ambientais com o uso da coleta subterrânea de resíduos. Entre elas, a redução de trânsito de caminhões pesados para o transporte do lixo, o que diminui a emissão de gases de efeito estufa e o nível de ruído nas cidades, um menor número de sacos de lixo expostos nas ruas e o estímulo à coleta seletiva e ao reaproveitamento dos materiais descartados.

Porém a instalação do sistema demanda altos investimentos. Uma rede capaz de atender a 18 mil famílias custa em média, 50 milhões de euros. 

 

Rio de Janeiro 2016

 

Image

 

 

A sustentabilidade está em alta e é a palavra de ordem para as Olimpíadas do Rio em 2016. Das obras que já estão em andamento, por exemplo, o asfalto vem sendo reaproveitado, e rochas de escavações de túnel estão sendo usadas em obras de duplicação. Da explosão do Sambódromo, 60 mil toneladas de entulho serão reutilizados.

– A fonte de energia do Rio e, portanto, dos Jogos, é basicamente de hidroeletricidade, um pouquinho nuclear de Angra também. Enquanto a energia que move Londres e moverá a cidade durante os Jogos é de usinas a carvão, petróleo, muito poluidoras e que aquecem o planeta.

-A poluição de lagoas, como a da Tijuca, é um dos principais problemas dentro da cidade. Melhorando questões como essa é que o turismo pode crescer ainda mais depois que os Jogos acabarem. 

– São várias obras e ações de infraestrutura, de serviços públicos num espaço de tempo pequeno.

 

 

REVISTA PROJETO DESIGN – Pâmela Gadelha e Rúbia Dutra

Edições: 388/junho; 389/julho; 390/agosto

Estruturação da revista:

–   Capa: Fachada de edificações;

–   Entrevista: Arquitetos estrangeiros;

–   Em dia: Pequenas matérias e projetos apresentados entre as propagandas;

–  Carta do Editor: Comentário da editora executiva (Evelise Grunow) sobre alguns assuntos que tratados na revista;

–   Sumário: Localizado no meio da revista;

–  Casas brasileiras: Projetos de casas modernistas principalmente na região sudeste do país.

–  Arquitetura: Projetos brasileiros variados, porém localizados no estado de São Paulo e em algumas grandes cidades do país.

–  Internacional (em apenas algumas edições)

– Interiores: Projeto de design de interiores em edificações comerciais e coorporativas;

–  Design: Diversidade

–  Tecnologia e serviço: Apresenta novidades de materiais e produtos no campo da arquitetura e design.

–   Memória projeto: Pequenas intervenções e reformas em edifícios existentes.

 Discussão

Com o acelerado crescimento das cidades nas últimas décadas, o espaço urbano torna-se cada vez mais vulnerável com a falta de planejamento e consequentemente com a ocupação desordenada rumo às periferias. Paralelamente, diversas edificações existentes que tiveram ou não um valor histórico em seu contexto urbano, permanecem desativadas ou desocupadas quando poderiam ter suas estruturas utilizadas para diferentes fins.

Além de evitar a demolição, escombros, uso de novos materiais e gasto com transporte, a requalificação de um edifício já existente permite que ele seja novamente visto, respeitado e principalmente reintegrado a uma cidade contemporânea.

Tendo em mente essa discussão e após a leitura e análise das 3 últimas edições da revista Projeto Design (Junho, Julho e Agosto) iremos apresentar dois projetos abordados na revista que realizam uma nova arquitetura através de estruturas já existentes. Iremos apresentar também este conceito aplicado à realidade da cidade de São Paulo que possui um crescimento populacional cada vez mais descentralizado enquanto há centenas de edificações desocupadas na área central.

UM JARDIM ENTRE O NOVO E A MEMÓRIA

Edifício Institucional, São Paulo

A trigésima primeira unidade do Poupatempo ocupa a área de antigos galpões próximos à linha férrea da CPTM, construída na época da industrialização da cidade, entre as Rua Guaicurus e a Rua do Curtume, no bairro da Lapa, zona oeste da capital paulista.

Na primeira metade do século XX os galpões abrigavam uma indústria de beneficiamento de couro e, por 16 anos foi ocupado pelo Tendal da Lapa, um espaço cultural onde há espetáculos, ensaios e apresentações de grupos teatrais, coral, orquestra e 15 oficinas gratuitas. Com a implantação do Poupatempo neste espaço, as atividades desenvolvidas no Tendal e a Subprefeitura da Lapa tiveram que ser transferidas para outro local.

Imagem do antigo galpão industrial da primeira metade do século XX (Imagem: http://maps.google.com.br)

A intervenção atual manteve a distinção entre galpões edificados em diferentes períodos (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

O Poupatempo Lapa ocupa terreno de galpões que, no passado, eram as instalações de um curtume. A fachada do imóvel foi restaurada (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

Intervenção      

De autoria do escritório Arquiteto Pedro Taddei e Associados, o projeto é marcado pelo aproveitamento da iluminação natural e preservação das características originais do imóvel, apresentando a recuperação das fachadas, mesmo estas não sendo tombadas e revelando assim uma preocupação com a preservação da memória da região.

 As fachadas eram os únicos elementos que mantinham as características originais da edificação, dessa forma as paredes internas e os telhados, muito degradados, foram demolidos para dar espaço e acomodar o programa que necessita de um espaço único e de grandes dimensões.

Devido ao fato de o imóvel estar localizado numa região sujeita a alagamentos, decidiu-se elevar o piso interno em cerca de 1 metro e implantar uma rede de drenagem ao longo das paredes com a finalidade de reduzir-se a saturação de umidade do solo. Essa solução levou o arquiteto a liberar as fachadas históricas do novo edifício, colocando entre elas um jardim linear.

Soluções

O novo edifício, segundo o arquiteto Pedro Taddei, tem início após o jardim através de uma pele de vidro e uma estrutura de cobertura em treliça espacial com poucos pilares de apoio, formando um grande salão de atendimento cercado por uma abundante iluminação natural. Dessa forma diminui-se o consumo de energia, acompanhado pela escolha de lâmpadas de baixo consumo e maior eficiência energética.

 Uma segunda fachada foi criada no conjunto. Entre a parede externa e o fechamento envidraçado, espaço para um jardim com três metros de largura (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

A estrutura de cobertura é em treliça espacial com poucos pilares de apoio (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

Para diminuir o consumo de água, o projeto conta com um sistema de captação, tratamento, armazenamento e reuso das águas provenientes da chuva, que são utilizadas para rega dos jardins, para as descargas de bacias sanitárias e para os mictórios, outro recurso é o uso de bacias com volume de descarga reduzido e torneiras com temporizadores.

A acessibilidade universal foi garantida através da sinalização tátil e a implantação de rampas que vencem o desnível entre a calçada e o interior, de forma suave.

Acesso público. Linha de pilares metálicos e vidros criam a pele interna (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

 “GALPÃO MODERNIZADO COM ENGENHO E ARTE” 

Teatro, Piracicaba, SP (Foto: Nelson Kon)

O projeto do novo teatro multifuncional da cidade de Piracicaba realizado pelos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci foi inaugurado em maio deste ano às margens do rio Piracicaba e ocupa um dos galpões do antigo Engenho Central da cidade.

Desativado em 1974 e tombado como patrimônio histórico em 1989 pelo CODEPAC, Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba, a área de 3 mil metros quadrados localizada no parque que beira o rio Piracicaba no entorno da região central da cidade, foi desapropriada pela prefeitura da cidade e aberta para um espaço cultural, recreativo e educativo.

Localização a margem direito do rio Piracicaba.

(Fonte: http://www.muito.com.br)

Por se tratar de um grande marco na história da cidade, a preservação da memória do engenho é essencial para a realização do projeto que busca a integração da edificação e o valor da arqueologia industrial com um programa contemporâneo e modernas tecnologias construtivas.

O projeto de requalificação do “Edifício 6” propôs não intervir muito na fachada, mantendo os tijolos aparentes porem vedando algumas janelas com chapas metálicas da cor vermelha e retirando alguns elementos metálicos que não possuíam função estrutural. Foi proposta também a inversão da lógica da distinção das fachadas frontal e posterior. O grande pé direito central de 18.8 metros permitiu a instalação do palco, plateia, além da bilheteria e foyer que são espaços priorizados pela iluminação natural. Os 500 lugares são divididos em dois níveis de plateia e balcões laterais. As divisões internas são feitas através de paredes de concreto.

(Foto: Nelson Kon)

(Foto: http://www.brasilarquitetura.com)

A face voltada para a praça recebeu um módulo metálico que permitiu uma extensão do palco e que, com as grandes portas abertas, permite que o espaço cênico abra para a praça e promova uma maior interação com o entorno. Nas laterais assimétricas do galpão foram inseridos no lado maior um restaurante e área técnica, e do outro lado estão localizadas a sala de ensaios e o camarim que tem acesso para o palco através de uma escada conformada por outro volume metálico da cor vermelha.

Foto:Nelson Kon

(Foto: http://www.brasilarquitetura.com)

Os projetos mostrados são exemplos de uma arquitetura geradora de menos impactos ao meio devido o aproveitamento de uma estrutura existente para constituir uma nova arquitetura.

Vazios de São Paulo

A cidade de São Paulo é uma das maiores metrópoles do mundo, com 18,8 milhões de habitantes a cidade ocupa a quinta posição no ranking mundial da Organização das Nações Unidas. O problema é que a urbanização brasileira é marcada por desigualdades socioeconômicas.

Segundo o movimento de moradia no centro de São Paulo, existem cerca de 400 prédios e terrenos abandonados. Com a implementação de políticas públicas a maioria desses prédios poderia ser revitalizada para servir de moradia popular. Os prédios pertencem ao governo federal, proprietários particulares e governo do estado.

RUA MAUÁ, 354

IPIRANGA, 895

O último levantamento do IBGE, em 2010, detectou mais de 40 mil domicílios vazios no centro da cidade de São Paulo. Segundo o levantamento de um urbanista da USP, Fábio Mariz Gonçalves, num raio de menos de 2 quilômetros do centro da cidade existem 200 edifícios vazios. A prefeitura já escolheu 50 desses prédios para transformar em moradia popular, que abrigaria mais de mil famílias, somando quase cinco mil pessoas.

São Paulo possui um centro abandonado e uma população que só consegue moradia longe dele, nas periferias e em favelas, devido ao alto valor da terra na região central, provida de infraestrutura que sobra no centro abandonado e faz falta nos bairros distantes. Na região central existem escolas, postos de saúde, metrô, enfim, existe uma cidade pronta para receber o morador.

Com a criação de novos centros financeiros na cidade – Av. Paulista, Berrini e Faria Lima- lojas, bancos, empresas privadas e principalmente os moradores abandonaram o centro. No censo de 1970 havia 520 mil pessoas com endereço em São Paulo, trinta anos depois, esse número caiu 30% chegando a 373  mil pessoas.

Do ponto de vista do custo, promover moradias nesses edifícios e domicílios abandonados sai mais caro que os conjuntos habitacionais de periferia mas, o que equilibra o custo é que a infraestrutura já está implantada. Na periferia o apartamento é muito barato mas teria que se gastar com transporte, saneamento, etc… Esse custo ainda é maior para quem mora longe de tudo e precisa se deslocar do extremo sul da cidade até o centro para trabalhar, gastando uma hora e meia por trajeto todos os dias e somando três horas por dia, gastas apenas para o deslocamento na cidade.

A cracolândia se instalou no início dos anos noventa no vazio do centro e há quatro anos a prefeitura tenta recuperar a área, mas a aparência ainda é de abandono.

Sem planejamento, sem incentivos do governo e da prefeitura, o centro da maior cidade do país seguirá assim:

Cheio durante o dia

… e vazio quando anoitece…

Ações do Estado:

Prédios abandonados no centro de São Paulo estão sendo comprados por empresas, reformados e colocados à venda. O metro quadrado é até 30% mais barato do que o cobrado no mercado.  Na cidade de São Paulo cerca de 60 mil metros quadrados já passaram por este tipo de reforma, o equivalente a 900 apartamentos. O investimento maior é com a substituição dos sistemas hidráulico e elétrico.

 Abaixo segue o link da reportagem do R7 publicada no dia 04/09/2012 sobre um edifício invadido no centro de São Paulo:

http://noticias.r7.com/videos/imovel-e-invadido-no-centro-de-sao-paulo/idmedia/5045ef3c6b71cd6c3ff3d617.html

Revista AU – Caroline Lima e Marina Nicolino

Image

Caroline Lima e Marina Nicolino.

Edição Ano 27 n° 221 Agosto de 2012

 

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

Image

RIO + 20

O trabalho busca apresentar alguns dos pavilhões de exposição que mantinham como temática, os assuntos discutidos na conferência, a Sustentabilidade.

 

É andaime e tecnologia.

SUSTENTABILIDADE NÃO É BAMBU.

Carla Juaçaba e Bia Lessa

Image 

 À direita, Ipanema; à esquerda, Copacabana. No alto de um pavilhão temporário, avistaram-se cartões postais cariocas.

A estrutura de andaimes em contraste com o seu local de construção, o Forte de Copacabana, foi ponto de encontro, de visitação e de convivência para mais de 220 mil pessoas.

Todos os materiais utilizados – andaimes, tapumes, moveis e até os resíduos gerados – foram reaproveitados ao final do evento. “Muito do material foi alugado, usado antes em outras construções e será usado em outras tantas. Um dos princípios de sustentabilidade em arquitetura é construir com o que se pode e com o que se tem”, explica Carla.

Soluções tão obvias quanto inteligentes foram aplicadas pelo caráter de obra rápida para montagem e desmontagem.

 Image 

  • Os andaimes subiram como cinco paredes estruturais de 170 m por 20 m.
  • No vão entre elas, de 5,40 m, criaram-se caminhos e salas expositivas até a chegada a um terraço-mirante.
  • Foram utilizados dois tipos de vigas: uma de 75 cm de altura, que venceu um vão de 14 m e outra de 250 cm de altura, para vãos de ate 22 m (foram elas que venceram o vão do auditório e sustentaram o terraço caminhavel).
  •  O espaço do café foi sustentado pela viga menor, assim como as salas expositivas.
  • As placas revestidas externamente de material laminado e reflexivo tiveram sua função estética e também colaboraram no condicionamento térmico dos ambientes.
  • Ainda para o conforto térmico, foi mantida a ventilação natural, sempre que a situação expositiva permitiu. No café, por exemplo, venezianas garantiram a ventilação cruzada

 Image

  • As salas, serviram como contraventamento da estrutura. “São elas que fizeram o ‘nó’ para tudo isso virar um conjunto, garantindo a rigidez. Por conta da instabilidade do terreno do Forte, com processo erosivo em alguns pontos, além das salas, havia vigas de contraventamento”, explica Carla.
  • Os volumes das salas foram encaixados na estrutura de andaimes, formados e sustentados por vigas apoiadas na estrutura que funcionam como suporte para placas cobertas de material emborrachado.
  • Paredes externas e cobertura foram formadas por placas de OSB e MDF, além de placas de material reciclado compacto, resultado da reciclagem de embalagens de Tetra Pak.
  •  O sistema de circulação ao ar livre consistiu em rampas que interligavam os platôs e as caixas dos espaços programáticos organizando um percurso continuo desde o térreo. As rampas, engastadas de um dos lados, receberam mãos-francesas para reforço, por sugestão dos engenheiros, para garantir maior segurança.

 Image

ImageSite vitruvius

Paralelas à Conferencia das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, as dez salas do espaço apresentaram o Brasil como um pais que abriga diferenças, e com riquezas naturais e culturais.

A sala Capela, ponto central, destacou a transmissão do conhecimento pela linguagem, de geração a geração, com uma biblioteca de 20 m x 20 m e dez mil livros selecionados por 120 personalidades brasileiras, que o publico pôde consultar e ler.

A primeira sala era acessada por uma rampa no extremo da estrutura, no eixo de Copacabana. Denominada Mundo em que vivemos, a sala tinha o piso coberto por pneus de caminhão triturados e duas maquinas: uma rabiscava o teto e outra apagava os desenhos feitos a carvão numa parede. Na ultima sala antes da cobertura, foi apresentado o Museu do Amanhã, projeto do arquiteto Santiago Calatrava no Píer Mauá, com inauguração prevista para 2014.

 Image

Site vitruvius

Ao final da visita, divisava-se das rampas de saída uma vista do Rio de Janeiro. O projeto começou a ser desenvolvido no final de novembro de 2011 e o tempo de montagem de toda a estrutura foi de três meses. A malha metálica de 500 toneladas, de aparência leve, não deixou marcas físicas ao ser desmontada. “não se negou o contexto, mas nos fundimos a ele, respeitando tanto a vista quanto o vento. Buscamos uma arquitetura que tivesse profunda relação com o entorno”, conclui.

 Image

 

Image

PLANTA BAIXA, NIVEL 00

Site vitruvius.

 Image

Planta baixa nível 01 e 02

Site vitruvius

 Image

Planta baixa nível 03 e 04.

 Site vitruvius

QUANDO A ESCORA VIRA ARQUITETURA

Image

Corte transversal corredor 01 – copacabana e corredor 02

Site Vitruvius

O edifício Humanidade 2012, uma gigantesca estrutura de andaimes montada sobre a pedra do Forte de Copacabana levanta uma questão que parece ir além do debate sobre a sustentabilidade: as escoras da arquitetura.

As escoras são parte indissociável do ciclo de construção das arquiteturas e, conseqüentemente, das cidades. Mas o que significa quando se tornam a própria arquitetura? O projeto de Carla Juaçaba e Bia Lessa provoca essa reflexão.

A cidade contemporânea abriga e promove espaços e estruturas arquitetônicas pensadas para não permanecer. Nessas circunstancias, o projeto arquitetônico encontra formas constitutivas baseadas no movimento e na transitoriedade para dialogar diretamente com a condicionante do tempo, próprio dos eventos, da cenografia e das festas.

Image

Corte transversal corredor 03 e corredor 04 – Ipanema

Site Vitruvius

 Image

Site vitruvius

Comparada por alguns aos desenhos de Yona Friedman, aos labirintos de Constant e à tecnicidade do Pompidou, a estrutura que pousou e desapareceu de Copacabana foi um brinde à arquitetura. Carla Juaçaba e Bia Lessa souberam transformar o que estava fadado a ser outra tenda medíocre em um edifício inesquecível para quem viu.

No final do século 20, os andaimes foram incorporados às estruturas das arquiteturas transitórias e, hoje, são empregados como protagonistas da obra, emprestando à arquitetura sua imagem de racionalidade e movimento.

O movimento é hoje uma questão a se enfrentar. É a partir dele que se pode atuar. Neste tempo de grandes eventos que nos visitam, como a Rio+20, Copa ou Olimpíada, ainda cabe aos arquitetos e à arquitetura enfrentar o perigo do espetáculo infértil e usar suas ferramentas em prol da cidade.

 

Estruturas de Paletes e o Bom Trabalho Gráfico.

   REUTILIZADO REUTILIZAVEL

 Image

Sete mil paletes revestiram dois pavilhões que integraram o espaço do Governo Estadual do Rio de Janeiro na Rio+20, com exposições e áreas de debate, criado pela P&G cenografia, e projeto de Abel Gomes.

O pavilhão foi coberto por cerca de sete mil paletes, usado também para compor o jardim vertical da fachada junto aos painéis, que exibiam imagens dos projetos do governo.

Eram dois edifícios em uma área de 3,5 mil m² e o espaço coletivo entre eles.

0s paletes cumpriam em alguns momentos apenas uma função estética e em outros:

  • Vedavam parcialmente a tenda, atuando como um bloqueio físico e visual.
  • Mantinha circulação do ar, por sua permeabilidade.
  • Utilizados, também como material para mobiliário interno e externo.

Image 

Um dos edifícios, de 1,4 m², comportou uma plenária com capacidade para ate 500 pessoas e duas salas de reunião e serviços de apoio. A exposição dos projetos do Governo do Rio de Janeiro, com temas como meio ambiente e transporte, situava-se no outro edifício de 700 m², juntamente com três salas para reuniões e lobby.

 Image

 A estratégia foi utilizar materiais de reuso, reciclados ou certificados. E do inicio ate a desmontagem do espaço, houve um trabalho de gestão de resíduos, com separação e destinação especifica e correta dos materiais. Todos eles foram reutilizados, como o piso reciclado de raspas de pneus usados no edifício da plenária e o carpete de fibra de PET, aplicado na área expositiva.

Image

A estrutura tubular da tenda de eventos dos edifícios foi alugada e recoberta de paletes de madeira. O processo de montagem durou cerca de 40 dias, desde a implantação, iniciada com o piso de estrutura tubular, até o envelopamento das tendas. A estrutura auto portante trazia elementos estruturados com contrapesos quando necessário, embutidos entre os fechamentos internos e externos de paletes.

 

Placas Fotovoltaicas, Bambu, Papelão e Madeira Reutilizada.

CABANA TECNOLOGICA

 Image

Criar um paralelepípedo de 42 m x 22 m x 8,4 m trazendo arquitetura e preocupações sustentáveis foi o desafio da equipe de Marco Casamonti e o escritório de Archea Brasil para o Pavilhão Italiano na Rio+20.

 Image

Uma estrutura reticular metálica sustenta o revestimento de painéis fotovoltaicos nas fachadas secundarias sul, norte e oeste,  foram capazes de providenciar a quase totalidade da necessidade energética do edifício.

Image

Enquanto isso, a fachada principal, a leste, apresenta uma dupla fileira de bambu, que filtra a radiação solar e protege o pavilhão da excessiva insolação, na definição de um arquétipo arquitetônico de cabana tecnológica eco sustentável.

 Image

Segundo o arquiteto, o projeto do pavilhão italiano desenvolve a lição da sustentabilidade das arquiteturas do passado, pobres em recursos mas ricas em soluções, e por outro lado observa atentamente as soluções tecnológicas atuais, tentando limitar seus impactos de forma sustentável.

 Image

Nos interiores, destacou-se a especificação de materiais simples e recicláveis, como os totens expositivos de papelão prensado, na tradição dos protótipos recicláveis de Frank Gehry, e a atraente parede de caixas de madeira de mercado na área do bar.

Image

Em contraste com a rigidez da caixa externa, o pavilhão apresenta livre articulação dos espaços   internos, seguindo o movimento dos fluidos cilindros expositivos de cordas e tecidos, acima da grande imagem de satélite do rio Amazonas reproduzida no chão abaixo da grande tenda nômade de tela pendurada no teto.