Revista AU – Caroline Lima e Marina Nicolino

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Caroline Lima e Marina Nicolino.

Edição Ano 27 n° 221 Agosto de 2012

 

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

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RIO + 20

O trabalho busca apresentar alguns dos pavilhões de exposição que mantinham como temática, os assuntos discutidos na conferência, a Sustentabilidade.

 

É andaime e tecnologia.

SUSTENTABILIDADE NÃO É BAMBU.

Carla Juaçaba e Bia Lessa

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 À direita, Ipanema; à esquerda, Copacabana. No alto de um pavilhão temporário, avistaram-se cartões postais cariocas.

A estrutura de andaimes em contraste com o seu local de construção, o Forte de Copacabana, foi ponto de encontro, de visitação e de convivência para mais de 220 mil pessoas.

Todos os materiais utilizados – andaimes, tapumes, moveis e até os resíduos gerados – foram reaproveitados ao final do evento. “Muito do material foi alugado, usado antes em outras construções e será usado em outras tantas. Um dos princípios de sustentabilidade em arquitetura é construir com o que se pode e com o que se tem”, explica Carla.

Soluções tão obvias quanto inteligentes foram aplicadas pelo caráter de obra rápida para montagem e desmontagem.

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  • Os andaimes subiram como cinco paredes estruturais de 170 m por 20 m.
  • No vão entre elas, de 5,40 m, criaram-se caminhos e salas expositivas até a chegada a um terraço-mirante.
  • Foram utilizados dois tipos de vigas: uma de 75 cm de altura, que venceu um vão de 14 m e outra de 250 cm de altura, para vãos de ate 22 m (foram elas que venceram o vão do auditório e sustentaram o terraço caminhavel).
  •  O espaço do café foi sustentado pela viga menor, assim como as salas expositivas.
  • As placas revestidas externamente de material laminado e reflexivo tiveram sua função estética e também colaboraram no condicionamento térmico dos ambientes.
  • Ainda para o conforto térmico, foi mantida a ventilação natural, sempre que a situação expositiva permitiu. No café, por exemplo, venezianas garantiram a ventilação cruzada

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  • As salas, serviram como contraventamento da estrutura. “São elas que fizeram o ‘nó’ para tudo isso virar um conjunto, garantindo a rigidez. Por conta da instabilidade do terreno do Forte, com processo erosivo em alguns pontos, além das salas, havia vigas de contraventamento”, explica Carla.
  • Os volumes das salas foram encaixados na estrutura de andaimes, formados e sustentados por vigas apoiadas na estrutura que funcionam como suporte para placas cobertas de material emborrachado.
  • Paredes externas e cobertura foram formadas por placas de OSB e MDF, além de placas de material reciclado compacto, resultado da reciclagem de embalagens de Tetra Pak.
  •  O sistema de circulação ao ar livre consistiu em rampas que interligavam os platôs e as caixas dos espaços programáticos organizando um percurso continuo desde o térreo. As rampas, engastadas de um dos lados, receberam mãos-francesas para reforço, por sugestão dos engenheiros, para garantir maior segurança.

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ImageSite vitruvius

Paralelas à Conferencia das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, as dez salas do espaço apresentaram o Brasil como um pais que abriga diferenças, e com riquezas naturais e culturais.

A sala Capela, ponto central, destacou a transmissão do conhecimento pela linguagem, de geração a geração, com uma biblioteca de 20 m x 20 m e dez mil livros selecionados por 120 personalidades brasileiras, que o publico pôde consultar e ler.

A primeira sala era acessada por uma rampa no extremo da estrutura, no eixo de Copacabana. Denominada Mundo em que vivemos, a sala tinha o piso coberto por pneus de caminhão triturados e duas maquinas: uma rabiscava o teto e outra apagava os desenhos feitos a carvão numa parede. Na ultima sala antes da cobertura, foi apresentado o Museu do Amanhã, projeto do arquiteto Santiago Calatrava no Píer Mauá, com inauguração prevista para 2014.

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Ao final da visita, divisava-se das rampas de saída uma vista do Rio de Janeiro. O projeto começou a ser desenvolvido no final de novembro de 2011 e o tempo de montagem de toda a estrutura foi de três meses. A malha metálica de 500 toneladas, de aparência leve, não deixou marcas físicas ao ser desmontada. “não se negou o contexto, mas nos fundimos a ele, respeitando tanto a vista quanto o vento. Buscamos uma arquitetura que tivesse profunda relação com o entorno”, conclui.

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PLANTA BAIXA, NIVEL 00

Site vitruvius.

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Planta baixa nível 01 e 02

Site vitruvius

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Planta baixa nível 03 e 04.

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QUANDO A ESCORA VIRA ARQUITETURA

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Corte transversal corredor 01 – copacabana e corredor 02

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O edifício Humanidade 2012, uma gigantesca estrutura de andaimes montada sobre a pedra do Forte de Copacabana levanta uma questão que parece ir além do debate sobre a sustentabilidade: as escoras da arquitetura.

As escoras são parte indissociável do ciclo de construção das arquiteturas e, conseqüentemente, das cidades. Mas o que significa quando se tornam a própria arquitetura? O projeto de Carla Juaçaba e Bia Lessa provoca essa reflexão.

A cidade contemporânea abriga e promove espaços e estruturas arquitetônicas pensadas para não permanecer. Nessas circunstancias, o projeto arquitetônico encontra formas constitutivas baseadas no movimento e na transitoriedade para dialogar diretamente com a condicionante do tempo, próprio dos eventos, da cenografia e das festas.

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Corte transversal corredor 03 e corredor 04 – Ipanema

Site Vitruvius

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Comparada por alguns aos desenhos de Yona Friedman, aos labirintos de Constant e à tecnicidade do Pompidou, a estrutura que pousou e desapareceu de Copacabana foi um brinde à arquitetura. Carla Juaçaba e Bia Lessa souberam transformar o que estava fadado a ser outra tenda medíocre em um edifício inesquecível para quem viu.

No final do século 20, os andaimes foram incorporados às estruturas das arquiteturas transitórias e, hoje, são empregados como protagonistas da obra, emprestando à arquitetura sua imagem de racionalidade e movimento.

O movimento é hoje uma questão a se enfrentar. É a partir dele que se pode atuar. Neste tempo de grandes eventos que nos visitam, como a Rio+20, Copa ou Olimpíada, ainda cabe aos arquitetos e à arquitetura enfrentar o perigo do espetáculo infértil e usar suas ferramentas em prol da cidade.

 

Estruturas de Paletes e o Bom Trabalho Gráfico.

   REUTILIZADO REUTILIZAVEL

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Sete mil paletes revestiram dois pavilhões que integraram o espaço do Governo Estadual do Rio de Janeiro na Rio+20, com exposições e áreas de debate, criado pela P&G cenografia, e projeto de Abel Gomes.

O pavilhão foi coberto por cerca de sete mil paletes, usado também para compor o jardim vertical da fachada junto aos painéis, que exibiam imagens dos projetos do governo.

Eram dois edifícios em uma área de 3,5 mil m² e o espaço coletivo entre eles.

0s paletes cumpriam em alguns momentos apenas uma função estética e em outros:

  • Vedavam parcialmente a tenda, atuando como um bloqueio físico e visual.
  • Mantinha circulação do ar, por sua permeabilidade.
  • Utilizados, também como material para mobiliário interno e externo.

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Um dos edifícios, de 1,4 m², comportou uma plenária com capacidade para ate 500 pessoas e duas salas de reunião e serviços de apoio. A exposição dos projetos do Governo do Rio de Janeiro, com temas como meio ambiente e transporte, situava-se no outro edifício de 700 m², juntamente com três salas para reuniões e lobby.

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 A estratégia foi utilizar materiais de reuso, reciclados ou certificados. E do inicio ate a desmontagem do espaço, houve um trabalho de gestão de resíduos, com separação e destinação especifica e correta dos materiais. Todos eles foram reutilizados, como o piso reciclado de raspas de pneus usados no edifício da plenária e o carpete de fibra de PET, aplicado na área expositiva.

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A estrutura tubular da tenda de eventos dos edifícios foi alugada e recoberta de paletes de madeira. O processo de montagem durou cerca de 40 dias, desde a implantação, iniciada com o piso de estrutura tubular, até o envelopamento das tendas. A estrutura auto portante trazia elementos estruturados com contrapesos quando necessário, embutidos entre os fechamentos internos e externos de paletes.

 

Placas Fotovoltaicas, Bambu, Papelão e Madeira Reutilizada.

CABANA TECNOLOGICA

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Criar um paralelepípedo de 42 m x 22 m x 8,4 m trazendo arquitetura e preocupações sustentáveis foi o desafio da equipe de Marco Casamonti e o escritório de Archea Brasil para o Pavilhão Italiano na Rio+20.

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Uma estrutura reticular metálica sustenta o revestimento de painéis fotovoltaicos nas fachadas secundarias sul, norte e oeste,  foram capazes de providenciar a quase totalidade da necessidade energética do edifício.

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Enquanto isso, a fachada principal, a leste, apresenta uma dupla fileira de bambu, que filtra a radiação solar e protege o pavilhão da excessiva insolação, na definição de um arquétipo arquitetônico de cabana tecnológica eco sustentável.

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Segundo o arquiteto, o projeto do pavilhão italiano desenvolve a lição da sustentabilidade das arquiteturas do passado, pobres em recursos mas ricas em soluções, e por outro lado observa atentamente as soluções tecnológicas atuais, tentando limitar seus impactos de forma sustentável.

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Nos interiores, destacou-se a especificação de materiais simples e recicláveis, como os totens expositivos de papelão prensado, na tradição dos protótipos recicláveis de Frank Gehry, e a atraente parede de caixas de madeira de mercado na área do bar.

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Em contraste com a rigidez da caixa externa, o pavilhão apresenta livre articulação dos espaços   internos, seguindo o movimento dos fluidos cilindros expositivos de cordas e tecidos, acima da grande imagem de satélite do rio Amazonas reproduzida no chão abaixo da grande tenda nômade de tela pendurada no teto.

 

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