REVISTA PROJETO DESIGN – Pâmela Gadelha e Rúbia Dutra

Edições: 388/junho; 389/julho; 390/agosto

Estruturação da revista:

–   Capa: Fachada de edificações;

–   Entrevista: Arquitetos estrangeiros;

–   Em dia: Pequenas matérias e projetos apresentados entre as propagandas;

–  Carta do Editor: Comentário da editora executiva (Evelise Grunow) sobre alguns assuntos que tratados na revista;

–   Sumário: Localizado no meio da revista;

–  Casas brasileiras: Projetos de casas modernistas principalmente na região sudeste do país.

–  Arquitetura: Projetos brasileiros variados, porém localizados no estado de São Paulo e em algumas grandes cidades do país.

–  Internacional (em apenas algumas edições)

– Interiores: Projeto de design de interiores em edificações comerciais e coorporativas;

–  Design: Diversidade

–  Tecnologia e serviço: Apresenta novidades de materiais e produtos no campo da arquitetura e design.

–   Memória projeto: Pequenas intervenções e reformas em edifícios existentes.

 Discussão

Com o acelerado crescimento das cidades nas últimas décadas, o espaço urbano torna-se cada vez mais vulnerável com a falta de planejamento e consequentemente com a ocupação desordenada rumo às periferias. Paralelamente, diversas edificações existentes que tiveram ou não um valor histórico em seu contexto urbano, permanecem desativadas ou desocupadas quando poderiam ter suas estruturas utilizadas para diferentes fins.

Além de evitar a demolição, escombros, uso de novos materiais e gasto com transporte, a requalificação de um edifício já existente permite que ele seja novamente visto, respeitado e principalmente reintegrado a uma cidade contemporânea.

Tendo em mente essa discussão e após a leitura e análise das 3 últimas edições da revista Projeto Design (Junho, Julho e Agosto) iremos apresentar dois projetos abordados na revista que realizam uma nova arquitetura através de estruturas já existentes. Iremos apresentar também este conceito aplicado à realidade da cidade de São Paulo que possui um crescimento populacional cada vez mais descentralizado enquanto há centenas de edificações desocupadas na área central.

UM JARDIM ENTRE O NOVO E A MEMÓRIA

Edifício Institucional, São Paulo

A trigésima primeira unidade do Poupatempo ocupa a área de antigos galpões próximos à linha férrea da CPTM, construída na época da industrialização da cidade, entre as Rua Guaicurus e a Rua do Curtume, no bairro da Lapa, zona oeste da capital paulista.

Na primeira metade do século XX os galpões abrigavam uma indústria de beneficiamento de couro e, por 16 anos foi ocupado pelo Tendal da Lapa, um espaço cultural onde há espetáculos, ensaios e apresentações de grupos teatrais, coral, orquestra e 15 oficinas gratuitas. Com a implantação do Poupatempo neste espaço, as atividades desenvolvidas no Tendal e a Subprefeitura da Lapa tiveram que ser transferidas para outro local.

Imagem do antigo galpão industrial da primeira metade do século XX (Imagem: http://maps.google.com.br)

A intervenção atual manteve a distinção entre galpões edificados em diferentes períodos (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

O Poupatempo Lapa ocupa terreno de galpões que, no passado, eram as instalações de um curtume. A fachada do imóvel foi restaurada (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

Intervenção      

De autoria do escritório Arquiteto Pedro Taddei e Associados, o projeto é marcado pelo aproveitamento da iluminação natural e preservação das características originais do imóvel, apresentando a recuperação das fachadas, mesmo estas não sendo tombadas e revelando assim uma preocupação com a preservação da memória da região.

 As fachadas eram os únicos elementos que mantinham as características originais da edificação, dessa forma as paredes internas e os telhados, muito degradados, foram demolidos para dar espaço e acomodar o programa que necessita de um espaço único e de grandes dimensões.

Devido ao fato de o imóvel estar localizado numa região sujeita a alagamentos, decidiu-se elevar o piso interno em cerca de 1 metro e implantar uma rede de drenagem ao longo das paredes com a finalidade de reduzir-se a saturação de umidade do solo. Essa solução levou o arquiteto a liberar as fachadas históricas do novo edifício, colocando entre elas um jardim linear.

Soluções

O novo edifício, segundo o arquiteto Pedro Taddei, tem início após o jardim através de uma pele de vidro e uma estrutura de cobertura em treliça espacial com poucos pilares de apoio, formando um grande salão de atendimento cercado por uma abundante iluminação natural. Dessa forma diminui-se o consumo de energia, acompanhado pela escolha de lâmpadas de baixo consumo e maior eficiência energética.

 Uma segunda fachada foi criada no conjunto. Entre a parede externa e o fechamento envidraçado, espaço para um jardim com três metros de largura (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

A estrutura de cobertura é em treliça espacial com poucos pilares de apoio (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

Para diminuir o consumo de água, o projeto conta com um sistema de captação, tratamento, armazenamento e reuso das águas provenientes da chuva, que são utilizadas para rega dos jardins, para as descargas de bacias sanitárias e para os mictórios, outro recurso é o uso de bacias com volume de descarga reduzido e torneiras com temporizadores.

A acessibilidade universal foi garantida através da sinalização tátil e a implantação de rampas que vencem o desnível entre a calçada e o interior, de forma suave.

Acesso público. Linha de pilares metálicos e vidros criam a pele interna (Fonte: http://www.arcoweb.com.br)

 “GALPÃO MODERNIZADO COM ENGENHO E ARTE” 

Teatro, Piracicaba, SP (Foto: Nelson Kon)

O projeto do novo teatro multifuncional da cidade de Piracicaba realizado pelos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci foi inaugurado em maio deste ano às margens do rio Piracicaba e ocupa um dos galpões do antigo Engenho Central da cidade.

Desativado em 1974 e tombado como patrimônio histórico em 1989 pelo CODEPAC, Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba, a área de 3 mil metros quadrados localizada no parque que beira o rio Piracicaba no entorno da região central da cidade, foi desapropriada pela prefeitura da cidade e aberta para um espaço cultural, recreativo e educativo.

Localização a margem direito do rio Piracicaba.

(Fonte: http://www.muito.com.br)

Por se tratar de um grande marco na história da cidade, a preservação da memória do engenho é essencial para a realização do projeto que busca a integração da edificação e o valor da arqueologia industrial com um programa contemporâneo e modernas tecnologias construtivas.

O projeto de requalificação do “Edifício 6” propôs não intervir muito na fachada, mantendo os tijolos aparentes porem vedando algumas janelas com chapas metálicas da cor vermelha e retirando alguns elementos metálicos que não possuíam função estrutural. Foi proposta também a inversão da lógica da distinção das fachadas frontal e posterior. O grande pé direito central de 18.8 metros permitiu a instalação do palco, plateia, além da bilheteria e foyer que são espaços priorizados pela iluminação natural. Os 500 lugares são divididos em dois níveis de plateia e balcões laterais. As divisões internas são feitas através de paredes de concreto.

(Foto: Nelson Kon)

(Foto: http://www.brasilarquitetura.com)

A face voltada para a praça recebeu um módulo metálico que permitiu uma extensão do palco e que, com as grandes portas abertas, permite que o espaço cênico abra para a praça e promova uma maior interação com o entorno. Nas laterais assimétricas do galpão foram inseridos no lado maior um restaurante e área técnica, e do outro lado estão localizadas a sala de ensaios e o camarim que tem acesso para o palco através de uma escada conformada por outro volume metálico da cor vermelha.

Foto:Nelson Kon

(Foto: http://www.brasilarquitetura.com)

Os projetos mostrados são exemplos de uma arquitetura geradora de menos impactos ao meio devido o aproveitamento de uma estrutura existente para constituir uma nova arquitetura.

Vazios de São Paulo

A cidade de São Paulo é uma das maiores metrópoles do mundo, com 18,8 milhões de habitantes a cidade ocupa a quinta posição no ranking mundial da Organização das Nações Unidas. O problema é que a urbanização brasileira é marcada por desigualdades socioeconômicas.

Segundo o movimento de moradia no centro de São Paulo, existem cerca de 400 prédios e terrenos abandonados. Com a implementação de políticas públicas a maioria desses prédios poderia ser revitalizada para servir de moradia popular. Os prédios pertencem ao governo federal, proprietários particulares e governo do estado.

RUA MAUÁ, 354

IPIRANGA, 895

O último levantamento do IBGE, em 2010, detectou mais de 40 mil domicílios vazios no centro da cidade de São Paulo. Segundo o levantamento de um urbanista da USP, Fábio Mariz Gonçalves, num raio de menos de 2 quilômetros do centro da cidade existem 200 edifícios vazios. A prefeitura já escolheu 50 desses prédios para transformar em moradia popular, que abrigaria mais de mil famílias, somando quase cinco mil pessoas.

São Paulo possui um centro abandonado e uma população que só consegue moradia longe dele, nas periferias e em favelas, devido ao alto valor da terra na região central, provida de infraestrutura que sobra no centro abandonado e faz falta nos bairros distantes. Na região central existem escolas, postos de saúde, metrô, enfim, existe uma cidade pronta para receber o morador.

Com a criação de novos centros financeiros na cidade – Av. Paulista, Berrini e Faria Lima- lojas, bancos, empresas privadas e principalmente os moradores abandonaram o centro. No censo de 1970 havia 520 mil pessoas com endereço em São Paulo, trinta anos depois, esse número caiu 30% chegando a 373  mil pessoas.

Do ponto de vista do custo, promover moradias nesses edifícios e domicílios abandonados sai mais caro que os conjuntos habitacionais de periferia mas, o que equilibra o custo é que a infraestrutura já está implantada. Na periferia o apartamento é muito barato mas teria que se gastar com transporte, saneamento, etc… Esse custo ainda é maior para quem mora longe de tudo e precisa se deslocar do extremo sul da cidade até o centro para trabalhar, gastando uma hora e meia por trajeto todos os dias e somando três horas por dia, gastas apenas para o deslocamento na cidade.

A cracolândia se instalou no início dos anos noventa no vazio do centro e há quatro anos a prefeitura tenta recuperar a área, mas a aparência ainda é de abandono.

Sem planejamento, sem incentivos do governo e da prefeitura, o centro da maior cidade do país seguirá assim:

Cheio durante o dia

… e vazio quando anoitece…

Ações do Estado:

Prédios abandonados no centro de São Paulo estão sendo comprados por empresas, reformados e colocados à venda. O metro quadrado é até 30% mais barato do que o cobrado no mercado.  Na cidade de São Paulo cerca de 60 mil metros quadrados já passaram por este tipo de reforma, o equivalente a 900 apartamentos. O investimento maior é com a substituição dos sistemas hidráulico e elétrico.

 Abaixo segue o link da reportagem do R7 publicada no dia 04/09/2012 sobre um edifício invadido no centro de São Paulo:

http://noticias.r7.com/videos/imovel-e-invadido-no-centro-de-sao-paulo/idmedia/5045ef3c6b71cd6c3ff3d617.html

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