Revista Abitare – Priscila Morrone e Thais Zicatti

 

 

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Revista Abitare edições 517 11 2011 e 520 02 2012

A revista Abitare, apesar de ser uma revista italiana, possui matérias de diversas nacionalidades, como por exemplo, as abordadas no trabalho, Bélgica e Estados Unidos. Os temas são variados, como lixo, demolição, restauração, construções sustentáveis, design, intervenções e novas tecnologias e até mesmo edições especiais sobre alguns arquitetos.

Um aspecto que não gostamos muito da revista é que possui muita propaganda, diminuindo o número de matérias.

Nos dias de hoje, existem práticas que devem ser levadas em consideração ao invés de se demolir um imóvel. Como por exemplo, dependendo do seu estado estrutural, pode-se dar um novo uso através de técnicas de restauro associadas à sustentabilidade (termo muito utilizado atualmente). Também se deve prever a reutilização de matérias de bom estado de conservação como, por exemplo portas, janelas, caso o imóvel tenha que ser demolido. E também reciclar os resíduos gerados pelo setor construtivo, tema este bastante abordado numa matéria, na edição 517 de 11/2011.

Através da leitura e discussão das edições escolhidas da revista Abitare, iremos apresentar exemplos de projetos de restauração de duas edificações localizadas em Florença na Itália e em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e também trazer todo esse conceito para o Brasil. Para isso numa fase inicial vamos conceituar o que de fato as matérias estavam falando, para depois trazermos outros exemplos.

A complexidade dos resíduos

O artigo é referente a toda uma preocupação com a destinação dos resíduos construtivos, feitos através de uma análise de um grupo de pessoas com interesse no assunto, chamado Rotor, fundado em 2005. 

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Numa época onde o termo sustentabilidade é frequentemente utilizado, o trabalho realizado pela Rotor parece se destacar no momento em que ela aborda problemas reais de uma forma que muitas vezes é tratada superficialmente. Rotor lida com a concepção e a realização de projetos arquitetônicos. E neste artigo mostra um enfoque em estudos feitos na região de Buxelas, sobre a reciclagem de resíduos de demolições e utilização de usinas de reciclagem desses materiais.

A reportagem mostra sempre uma preocupação com a segurança dos trabalhadores dessas usinas, devendo-se prever equipamentos adequados como luvas grossas, um mecânico especialista para se encarregar do guindaste e movimentos conjuntos bem organizados são as chaves para um eficiente centro de triagem.

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1 – Veículo com entulho
2 – Triagem Mecânica
3 – Peneiração, trituração
4 – Triagem Manual
5 – Esmagamentos dos inertes
6 – Moagem de madeira
7 – Coleta de metais
8 – Revenda de matérias-primas

Pré demolição é uma prática bastante difundida, que envolve o desmantelamento de tudo o que não faz parte das próprias paredes, de modo a deixar uma estrutura de concreto aparente que pode ser facilmente destruído por um guindaste. 

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Os materiais considerados em boas consições são retirados pelos próprios trabalhadores para revenda e reutilização, tais como, portas e janelas, pias, vasos sanitários. Existem empresas que comercializam esses materiais. Estes podem ser utilizados até mesmo em novos usos, por exemplo, uma janela ou uma porta podem virar uma mesa, e até mesmo em usos totalmente diferentes como, por exemplo, uma televisão antiga que virou pia.

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Uma outra discussão curiosa abordada nesse anúncio, é sobre a reutilização de granitos das lápides de um cemitério que seria desativado em Bruxelas. Este material será reutilizado para a reforma de uma praça pública próxima ao cemitério.

Conceituação: entulho e resíduos de demolição

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Fonte: http://www.setorreciclagem.com.br

O entulho de construção compõe-se, portanto, de restos e fragmentos de materiais, enquanto o de demolição é formado apenas por fragmentos.

O processo de reciclagem do entulho, para a obtenção de agregados, gera uma classificação de resíduos nos seguintes grupos:

Grupo I – materiais compostos de cimento, cal, areia e brita: concretos, argamassa, blocos de concreto.

Grupo II – materiais cerâmicos: telhas, manilhas, tijolos, azulejos.

Grupo III – materiais não-recicláveis: solo, gesso, metal, madeira, papel, plástico, matéria orgânica, vidro e isopor. (Alguns desses materiais podem ser separados e encaminhados para outros destinos de reciclagem)

 

Lixo gerado pela construção civil: Matéria prima para reciclagem.

Atualmente na Europa há um desperdício equivalente a 200 milhões de toneladas anuais de concreto e pedras. Tal volume de materiais seria suficiente para a construção de uma rodovia de seis faixas com interligação entre Roma a Londres. Alguns países como EUA, França, Alemanha, Holanda, Bélgica, já reconhecem a importância dessa reciclagem e estão estudando métodos eficientes para a instalação de usinas.

Na maioria das vezes, o entulho é retirado da obra e disposto clandestinamente em locais como terrenos baldios, margens de rios e de ruas das periferias. Existem sistemas de reciclagem para este material.

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Rua Dona Zulmira Pereira da Silva, próximo a Br-116

Fonte: http://www.drd.com.br

A reciclagem desses resíduos gera diferentes aplicações no próprio setor construtivo. A escória granulada de alto forno e cinzas são matéria prima comum nas construções. Grandes pedaços de concreto podem ser aplicados como material de contenção. O entulho triturado pode ser utilizado em pavimentação de estradas, enchimento de fundações de construção e aterro de vias de acesso.

Existe um estudo feito pela Universidade de São Paulo sobre a utilização de agregados de entulho na fabricação de elementos de concreto. Chegaram na conclusão de que os elementos de concreto com entulho possuem  resistência a tração, flexão e compressão muito semelhantes aos valores obtidos para elementos de concreto feito com agregado primário. Existem edificações feitas por tijolos ecológicos (feitos de entulho). Possuí muitas vantagens a utilização desse tijolo como por exemplo: vantagens econômicas ( possui uma redução do valor de até 40% se comparado com o tijolo convencional), Vantagens termo-acústicas, deixando os ambientes internos frescos e menos ruidosos entre outras vantagens.

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Casa feita com tijolos ecológicos no conjunto habitacional Anita Garibaldi,em Fortaleza entregue em 2006

Fonte: http://www.setorreciclagem.com.br

No Brasil existe um sistema de reciclagem de entulho ainda muito restrito.Atualmente, em capitais como São Paulo e Porto Alegre, são jogados no lixo diariamente 1,8 mil e 242 toneladas a cada hora de entulhos de obras respectivamente. Os dados foram apurados pelo Departamento de Saneamento e Meio Ambiente da Faculdade de Engenharia de São Paulo.
Com esses volumes, seria possível construir 334 casas por dia em São Paulo e 85 residências por dia em Porto Alegre.

Neste ano foi inaugurada a Usina de Reciclagem de Entulho de Hortolândia com investimentos público e privado.

Park Avenue Armory

Assim como dissemos no decorrer da postagem, é importante a consciência de reutilização de materiais e até mesmo de construções. Em algumas construções podem ser feitas intervenções para manter preservada a conservação de um lugar, para trocar o uso do lugar e até mesmo para “restaurar” o local, de modo a manter seu estado de conservação original. 

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Fonte:www.archrecord.construction.com

No caso dessa matéria, falaremos sobre o Park Avenue Armory, que teve sua fachada restaurada, além de uma sala de aproximadamente 55 mil m² e 18 quartos da guarda nacional (alguns desses quartos permaneceram intactos). O Arsenal, uma fortaleza construída para a Guarda Nacional, foi restaurado para criar um ambiente de arte, dança, teatro e exposições (um núcleo cultural) e no andar superior para abrigar pessoas sem teto.

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Com essas fotos, percebe-se a mudança do uso do local, onde cada quarto vai adquirindo um no uso (sala de música, de dança, biblioteca, local para exposições, etc…)

Na restauração da construção com arquitetura do final do século XIX, a ideia era mostrar a transformação dos quartos com o passar dos anos. Para isso, foi utilizada uma técnica que retira superfícies adicionadas com as modificações, limpeza e recuperação do desenho ou pintura original. Nas fotos abaixo pode-se ver esse processo de recuperação.

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Fonte: imagens retiradas da revista Abitare 520 02 2012

Não só os ambientes foram restaurados, como os móveis e o piso de mogno e carvalho também. Isso é importante de se observar, pois muitas vezes o mobiliário é descartado e considerado lixo.

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Imagem retirada a revista abitare 520 02 2012

Por se tornar um local de uso cultural, algumas adaptações foram feitas, como um amplo espaço, que permite a flexibilidade necessária para um ambiente de performance artística. Para essa adaptação, algumas paredes e estruturas dos anos 50 foram removidas e uma estrutura metálica foi colocada no lugar. O local possui ventilação e iluminação natural, características sustentáveis.

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Imagens retiradas da revista Abitare 520 02 2012

Outro exemplo de construção que uma parte foi restaurada e outra ainda está em restauração é uma antiga prisão em Florença, Itália. A Prisão que se tornou uma habitação popular, com espaços para escritórios no terreno e um “bar” em seu jardim interno, passou por diversas intervenções, entre elas, adaptações sustentáveis. Brises foram incorporados a partes de fachadas e materiais e mobiliários foram reutilizados. As fotos abaixo ilustram essas características sustentáveis e esses novos usos para a construção.

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Fachada voltada para a rua, que ainda está sendo restaurada.

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Foto tirada pela aluna Priscila Morrone

Fachada voltada para o jardim interno, onde é possível ver os brises incorporados à fachada. 

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Foto tirada pela aluna Priscila Morrone

Essa construção é de uso residencial e está com sua fachada voltada para o jardim interno do terreno. Ao atravessar o prédio principal, há outro pátio interno, onde há o “bar” que possui diversos materiais reutilizados, como uma televisão que virou pia, portas e janelas que se tornaram mesas e cadeias e engradado de carregar leite que foi utilizado como estante.

Com esses exemplos é possível ver o quanto um arquiteto pode fazer com construções já existentes e materiais reutilizáveis, não precisando demolir ou jogar fora materiais a cada vez que for construir ou reformar algum lugar. Os arquitetos de hoje em dia, podem trazer um novo sentido às construções, ressuscitando o antigo (já existente).

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