landscapeurbanism

http://www.landscapeurbanism.com
Antonio Brandão / Christiane Rubio

O site landscape urbanism é composto por um jornal online, uma biblioteca de projetos e um blog. É editado e desenvolvido por uma equipe de profissionais como: arquitetos paisagistas, urbanistas, arquitetos, artistas e designers.

O formato é aberto e funciona como um canal de debate para estudantes e profissionais. O principal foco do site é a paisagem urbana, o modo de pensar sobre o projeto e funcionamento das cidades e como elas são entendidas e moldadas. O ponto positivo do site é a forma que ele interroga e abre um diálogo e a crítica na interpretação das teorias, do potencial e da configuração do ambiente urbano.

A escolha do site foi feita por se tratar de urbanismo e hoje ser um processo problemático muito presente na construção e adaptação da cidade contemporânea. A cidade precisa da arquitetura que reside não só na concepção do habitat mas também no planejamento das vias de transporte, do curso das águas pluviais e da infra-estrutura de tratamento de esgoto, e dos processos imobiliários e da concepção e construção de parques e jardins. Além da abordagem política, do design e do planejamento ecológico que visam tornar os ambientes urbanos cada vez melhores.

Assentamentos Informais

Postado por Leo Robleto Costante
Data: 28 de junho de 2012

 “Há uma estimativa de 200 mil assentamentos informais em todo o mundo. Isso significa um em cada três habitantes.”

O Urbanismo na tentativa de reformular a cidade contemporânea enfrenta o principal desafio que é definir o que é possível fazer e sair da teoria para a prática. Não vale mais a pena discutir a relevância da conceituação urbana mas o que é extremamente necessário. O trabalho visando a transformação das cidades deveria estar sendo executado no sentido de aproximar as novas áreas informais que crescem a cada dia em implementações bem sucedidas.

Crescimento da População e Projeções Cidade

Há quatro anos atrás, o mundo atingiu 3,3 bilhões de seres humanos predominantemente urbanos. Mas a importância desse marco não é apenas o numero de pessoas que vivem nas cidades, mas como vivem. Os assentamentos informais são caracterizadas como áreas pobres que ficam do lado de fora das margens de qualquer planejamento urbano legal. Este fenômeno deve ser considerado como uma das características mais relevantes do desenvolvimento urbano moderno devido não só ao impacto sobre a paisagem e sobre o ambiente mas também pelos seus componentes sociais.

Fatos e números que mostram e exigem uma consciência e responsabilidade em se desenhar estratégias de sucesso para estas áreas.

Segundo Mike Davis, autor do livro “Planet of Slums”, há mais de 200 mil favelas no mundo, e ainda estima-se que não mais de 20% das habitações nos países do Terceiro Mundo é planejada e construída legalmente. Isto significa que 80% da habitação é informal. E qual a magnitude e implicações que existem neste contexto que não para de evoluir? (social, ecológico, econômico e de infra-estrutura).

A tabela mostra o crescimento da população mundial em favelas em relação a população mundial total e uma projeção para 2030.

 

 

“Cidades dentro das cidades”

Analisando algumas cidades do Terceiro Mundo, a magnitude dos problemas encontrados são incríveis, em Nova Delhi, Índia acredita-se que a cada fim de ano 400.000 pessoas migram da zona rural para a cidade, o que significa que até o ano de 2015, a população de favelas será de 10 milhões, ou seja toda a população de Nova York vivendo em um gigante assentamento informal.

A maioria dos assentamentos informais do mundo já estão estabelecidos e em crescimento contínuo. Kibera, em Nairobi, Petare, em Caracas, Rosinha no Rio de Jaineiro, Neza na Cidade do México, Hollywood Dharavi em Mumbai são setores informais que já estão estabelecidos sócio econômicamente  dentro da massa urbana. A periferia dessas cidades, já se torna secundária aos núcleos metropolitanos. Em Nairobi , 85% do crescimento da população ocorreu em áreas informais.

Foto: Mumbai

Foto: La Moran, em Caracas, Venezuela.

A foto acima mostra Kowloon localizada na periferia de Hong Kong, considerada a maior favela vertical do mundo. Em 1987 tinha 33 mil moradores. Depois de um árduo processo de despejo, a demolição começou em 1993 e foi concluída 1994. Hoje no lugar, há um grande área verde chamada de Kowloon Walled City Park.

A necessidade de abrigo se torna mais importante do que estabelecer um diálogo entre o que é construído e onde ele é construído. Esta configuração e a forma que está sendo ignorada pode se tornar a incubadora para um grande desastre.

Como Mike Davis afirma: “Favelas começam com a geologia ruim.”

A maré “imparável” de migrantes das zonas rurais para as urbanas só tornam esses assentamentos ainda mais complexos. Por isso, o Urbanismo deve prever um crescimento ordenado para assentamentos informais, afim de melhorar a vida dos habitantes principalmente em seus aspectos sociais, incluindo espaços públicos, saúde, mobilidade e educação.

Todo esse crescimento ocorre no plano da paisagem urbana impactando ainda mais uma infra-estrutura que já é falha. Novas estratégias devem ser implantadas mas que aceite a pobreza e o crescimento contínuo dos assentamentos informais. A questão é construir sobre o que existe, proporcionando uma armadura para um crescimento, uma vez que aceitamos a dignidade e os direitos das pessoas que vivem em assentamentos informais, podemos criar intervenções, trazendo paisagem e a melhoria das condições de um mundo cada vez mais informal.

No Brasil

De acordo com fontes do texto “Metrópoles desgovernadas” da arquiteta, Erminia Maricato em 1890, 49 maiores cidades do mundo estavam no chamado Primeiro Mundo e sete no Terceiro Mundo. Em 2000, 11 estavam no Primeiro Mundo e as demais, no mundo não desenvolvido ou emergente. Essa tendência se acentua com a urbanização tardia de países da Ásia, África, China e Índia. No Brasil, ainda que a pobreza medida por indicadores nacionais diminua com a urbanização, o número absoluto de moradores de favelas cresce mais do que o crescimento da população urbana (Un-Habitat, 2010).

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) as favelas cresceram muito mais do que a população em geral nas décadas de 1980 e 1990.

Aglomerações são verdadeiras bombas socioecológicas:

Domicílios congestionados e insalubres

Falta de água potável e esgotos

Falta de coleta de lixo

Baixa taxa de emprego

Elevados índices de violência

OBS.: O serviço de coleta de esgoto deixa muito a desejar no país – atende 52,2% dos municípios e 33,5% dos domicílios, segundo o IBGE (2000)

O Brasil tinha, em 2010, cerca de 14 metrópoles com mais de um milhão de habitantes, São Paulo com mais de 19 milhões e Rio de Janeiro com mais de 11 milhões.

80% dos brasileiros, moradores de favelas, estão nas metrópoles, segundo o IBGE (2000)

O padrão de investimentos em obras metropolitanas mostra a falta de integração entre as ações de cada município que compõem as metrópoles, e alguns governos estaduais apresentam apenas planos metropolitanos setoriais que raramente são implementados.

O cenário no município de São Paulo

• 1,2 milhão de pessoas vivendo em favelas

• 600 mil moral em cortiços

• Nas duas bacias que abrigam os reservatórios de água da cidade, a Billings e a Guarapiranga, vivem aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. (bacias que estão “protegidas” por legislações municipais, estaduais e federais).

A metrópole cresce menos e de forma desigual e irracional, perde população nos bairros centrais e cresce a altas taxas nas periferias e nas áreas de proteção ambiental (400 mil imóveis vazios no município de São Paulo no centro expandido).

Rio de Janeiro

22% da população carioca  – cerca de 1,4 milhão vive em favelas.

Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas mostra que o valor dos aluguéis nas favelas cariocas subiu 6,8% mais que no resto da cidade desde a implementação das UPPs, em 2008.

Segundo Marcelo Neri, coordenador da pesquisa, esse já seria o chamado “efeito UPP”: o impacto econômico da paz trazida pela substituição do ritmo do tráfico pelo papel oficial da polícia. E há o que os especialistas chamam de “efeito olímpico”: investimentos públicos nas favelas próximas às áreas dos jogos trazem uma urbanização mais intensa e também o aumento no custo de -vida. O caso é especialmente nítido na Rocinha a luz que era gato agora é paga.

Concluímos que no processo de urbanização, o mercado imobiliário especulativo, os sistemas políticos e regimes jurídicos elitistas não têm oferecido condições adequadas de moradia para os grupos sociais pobres, provocando assim o crescimento da ocupação irregular. As cidades brasileiras são marcadas pela presença dos assentamentos informais, vilas, loteamentos clandestinos e favelas e que de acordo com a Secretaria Nacional de Programas Urbanos contabilizam 12 milhões de domicílios irregulares.

Preventivo ou retroativo: O Início de uma paisagem pós-urbanística em áreas carentes.

Postado por Leo Robleto Constante

Data: 14 de agosto de 2012

É muito difícil encontrar projetos urbanísticos em regiões carentes de cidades. Na maioria dos países de terceiro mundo, áreas carentes de cidades são ignoradas e não existe um planejamento urbano coerente para as mesmas. Na maioria das vezes, os estudos feitos para melhoria desses pontos são em sua maior parte unilateral, pois não existe um olhar apurado de toda área mas somente do problema de habitação. O olhar urbanístico e paisagístico é na maioria da vezes colocado como segundo plano. Embora não existam muitos, alguns projetos começaram a surgir em algumas cidades em países de terceiro mundo que caminham no caminho certo e que podem prosperar mancando o início de uma paisagem pós- urbanística informal.

O Brasil e a Colômbia são os dois países pioneiros em buscar soluções para áreas mais carentes de suas cidades, sejam soluções preventivas ou retroativas:

Solução preventiva: antecipa invasões no futuro, oferecendo um novo espaço público visando o desenvolvimento da área.

Solução retroativa: oferece intervenções em áreas carentes já consolidadas, de modo a promover aspectos formais (melhoria em acessos, equipamentos urbanos, transportes, etc.).

As soluções que devem ser abordadas não devem olhar somente para o ponto de vista de habitações, mas em melhorar toda a cidade com esses projetos.

Projeto Favela Bairro – Rio de Janeiro (1995)

 

Projeto paisagístico de uma escada de acesso em uma favela do Rio de Janeiro.
Fonte: www.landscapeurbanism.com/preemptive-v-retroactive/

Esse projeto é do escritório do arquiteto Jorge Mario Jauregui que utilizou nesse projeto uma solução retroativa. Um projeto pequeno que pode trazer melhorias grandiosas. Não podemos ver esse projeto como uma simples melhoria em uma escadaria, mas sim como uma tentativa maior de conectar cada vez mais a favela com a cidade.

Upgrade de Áreas Carentes – Medellín, Colômbia (2007)

 Começou em 2007 um dos maiores projetos de melhoria para áreas carentes na cidade de Medellín na Colômbia. É um projeto que envolve a cidade toda e que visa uma integração maior. O que difere o projeto de Medellín dos projetos de outras cidades é que o olhar é muito mais global em detrimento do foco das habitações sociais e elabora soluções nos bairros principalmente em sua infra-estrutura: transportes, educação e equipamentos urbanos. O projeto envolve inúmeras intervenções: Um “Metrocable” que seria um teleférico ligando vários pontos da cidades com a favela, um extenso sistema de escadarias que é necessário devido a topografia da cidade principalmente nas áreas mais carentes, uma biblioteca que deve se tornar um símbolo de prosperidade da cidade e um centro comunitário.

O PAC DE MEDELLÍN

  • INVESTIMENTO –
    • Teleféricos – US$ 480 milhões de dólares
    • 123 escolas e colégios – cerca de US$ 80 milhões
    • Biblioteca – 50 milhões (erguer cinco bibliotecas informatizadas que estão integradas a centros de apoio a pequenos empresários)
  • IMPACTO
    • 30% mais arrecadação é o resultado do projeto para regularizar trabalhadores ilegais e reduzir inadimplência, garantindo mais recursos para intervenções sociais
    • 800 mil metros quadrados de espaços públicos foram construídos.
    • Um programa foi criado para reduzir a violência,
    • 24 por 100 mil habitantes foi o índice de homicídios da cidade um ano após a consolidação dos projetos. Nos anos 90, a taxa chegou a 381 por 100 mil

Biblioteca Espanha- Medellín Colômbia (2007)

Nova biblioteca de Medellín
Fonte: www.landscapeurbanism.com/preemptive-v-retroactive/

O projeto da biblioteca faz parte de um novo plano do governo, que espera levar oportunidades econômicas e sociais para população mais carente de Medellín. O programa do edifício constitui em uma biblioteca, uma sala de treinamento e um auditório. A proposta do arquiteto Giancarlo Mazzanti foi  fragmentar o programa e criar três edifícios que são conectados em um patamar onde existe uma flexibilidade de usos. A idéia seria de criar uma área pública para a população. O volumetria criada leva em conta a topografia da região, como os aspectos montanhosos da cidade de Medellín. O projeto é notado de várias partes da cidade e tornou-se além de um ponto turístico um novo símbolo da cidade de Medellín.

Biblioteca Espanha
Fonte: www.archdaily.com/2565/espana-library-giancarlo-mazzanti/

Biblioteca Espanha
Fonte: www.archdaily.com/2565/espana-library-giancarlo-mazzanti/

Biblioteca Espanha
Fonte: www.archdaily.com/2565/espana-library-giancarlo-mazzanti/

Metrocable Medellin

Mapa do sistema de transporte de Medellin
www.medellin.travel/en/practical-information/travel-maps-medellin

Medellín Metrocable
Fonte: www.flickriver.com/photos/sabazoo82/384900441/

Teleférico Complexo do Alemão – Rio de Janeiro

Inspirado no projeto dos teleféricos de Medellín na Colômbia, o projeto foi criado no Rio visando criar mais conexões da cidade com a favela. O projeto nesse caso não se trata de habitações, mas leva melhorias para a cidade e para as áreas carentes consideradas as vezes, invisíveis como afirma Jáuregui o autor do projeto.

“Hoje, logo que o visitante chega à cidade através do aeroporto do Galeão, ou enquanto espera no hall da sala de embarque para deixar a cidade, já percebe claramente quatro estações do teleférico, que literalmente colocam no mapa o Complexo do Alemão. Antes estigmatizado e invisível para o cidadão comum, ele agora está associado a uma nova condição de cidadania, passando de área de exclusão para área de visitação”, afirma Jáuregui.
Início do projeto: 2008
Conclusão da obra: 2011
Área do terreno das estações: 24.923 m2
Área construída das estações: 21.966 m2
Arquitetura, urbanismo e paisagismo: MPU Arquitetos – Jorge Mario Jáuregui (autor); Hamilton Case, Maurício Santos e Leandro Balbio (equipe)
Construção Consórcio Rio Melhor – Odebrecht, OAS e Delta

Teleféricos Rio
Fonte: www.jauregui.arq.br/teleferico.html

Teleféricos Rio
Fonte: www.jauregui.arq.br/teleferico.html

Teleféricos Rio
Fonte: www.jauregui.arq.br/teleferico.html

Projeto Urbano Córrego Antonico – Sao Paulo, Brazil (2009)

 O projeto Córrego Antonico é do escritório MMBB de São Paulo. São Paulo é uma cidade que tem em 30% dela favelas. O projeto do MMBB é uma solução retroativa re-configurando o sistema de drenagem da área e simultaneamente criando novas possibilidades na superfície. Criando novas possibilidades evita também uma futura invasão da área.

Projeto Urbano Córrego Antonico
Fonte: www.landscapeurbanism.com/preemptive-v-retroactive/

Projeto Urbano Córrego Antonico
Fonte: www.landscapeurbanism.com/preemptive-v-retroactive/

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