The Japan Architect

The Japan Architect – Por Helena Moita e Maria do Carmo Nery.

Revistas analisadas: Edições 86 e 87, publicadas no ano de  2012.

A revista JA – The Japan Architect foi publicada pela primeira vez em junho de 1956. Desde 1991 passou a ser publicada no modelo trimestral e bilíngue, japones/ingles. Foi a primeira revista japonesa traduzida para o ingles visando ampliar seu público alvo tanto dentro quanto fora do japão.

O foco da revista é tratar de projetos originados no japão, identificar as tendências das mudanças na arquitetura do país e transmitir para o público fora do país essas questões. A revista JA tem uma proposta de edições monotemáticas, fielmente cumpridas.

Estruturação da revista:
Capa – Texto de introdução – Índice – Texto(s) Crítico(s) – Conteúdo.   

Capa: A capa sempre traz uma imagem ocupando todo o espaço disponível, o nome da revista, o número da edição e um título único, que se refere ao tema tratado no corpo da revista.

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Texto de introdução: Logo na primeira página há um texto de apresentação do tema e sobre o motivo da escolha do tema. Esse texto é sempre bem sucinto, mas completo, e apresenta o tema em questão ao leitor, mas gera curiosidade e interesse sobre o assunto.

Índice: Em seguida, há um índice bem organizado e de claro entendimento sobre o conteúdo da revista. Uma questão intrigante é o fato de que, na revista inteira, não existe nenhum anúncio publicitário.

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Textos Críticos: Após o índice apresentam-se textos críticos, geralmente de arquitetos, sobre o tema a ser tratado na revista. Na edição 87, por exemplo, aparecem três textos sendo os dois primeiros textos críticos de dois arquitetos sobre Kumiko Inui e seus trabalhos (arquiteta estudada durante toda edição) e o terceiro texto apresentado é da própria arquiteta falando de seu ponto de vista sobre as mesmas questões. Essa comparação é importante, pois mostra o interesse da revista em formar uma opinião critica do leitor e não somente mostrar seu ponto de vista sobre o tema apresentado, trazido no texto de introdução.

Em todas as edições a revista segue um padrão de apresentação das matérias: Em primeiro lugar aparece o nome do arquiteto ou escritório, com um breve texto informativo sobre sua(s) trajetória(s); nome, localização, ano de início e conclusão do projeto; para cada projeto apresentado existe um texto explicativo bem sucinto sobre a linha de pensamento e criação do mesmo; e em seguida fotos, desenhos técnicos e ilustrações do projeto.

Ao ler o texto de introdução da edição 87 ficou claro que a mesma seria dedicada a arquiteta Kumiko Inui devido à qualidade e consistência presentes em todos seus projetos. O fato dela sempre explorar profundamente o entorno, a funcionalidade, estudar meticulosamente a volumetria para fazer com que a arquitetura interaja com o ambiente. Por outro lado, na edição de número 86 sobre os jovens arquitetos do Japão, não se pode identificar o motivo desses arquitetos terem sido selecionados e é necessário buscar informações em outras fontes.

A edição 86 foi dedicada à nova geração de arquitetos japoneses. São apresentados 18 grupos de arquitetos na faixa de 26 a 35 anos e seus edifícios concluídos e projetos atuais. Esses arquitetos estudaram em uma época em que o crescimento da sociedade foi aumentando cada vez mais e apesar de terem sido influenciados por seus antecessores, adotam padrões e pensamentos diferentes do habitual. Algumas áreas de atuação são em projetos de renovação, projetos internacionais e esforços para a reconstrução das áreas afetadas por desastres. Agora que a compreensão da arquitetura está mudando na sociedade, a questão apresentada é como essa nova geração se posiciona. A revista propõe mostrar como os estilos diversificados desses novos grupos tem o potencial de expandir o campo arquitetônico.

Um ponto a ser considerado é o fato de que dentre todos os projetos dos 18 grupos apresentados na edição 86 nenhum está relacionado aos problemas de crescimento da população ou reconstrução dos desastres causados no Japão.  Não foi apresentado nenhum projeto com essas características ou com, por exemplo, tecnologias novas para amenizar os efeitos que esses desastres podem trazer a arquitetura. A maioria dos projetos apresentados é  executada em pequena escala, quase que em sua totalidade, pequenas residências.

Aspectos positivos:

1. Organização simples dos dados técnicos de projeto, texto informativo, fotografias, plantas, cortes;

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2. Boa composição gráfica, na maioria dos projetos;

3. Maioria dos projetos com bastante informação;

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4. Índice limpo, organizado e de fácil entendimento;

5. Ótima qualidade das fotografias e de impressão das páginas;

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6. Grande quantidade e diversidade de projetos expostos;

7. Revista muito ilustrativa acaba se tornando mais atrativa por não ter textos muito densos.

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Aspectos negativos:

1. Muitas fotografias e poucos desenhos técnicos (plantas, cortes, elevações) Nota-se maior preocupação em apresentar croquis e a ideia por trás do projeto do que seu processo de execução e resultado final;

2. Preocupação em investigar os processos construtivos em pouquíssimos projetos;

3. Falta de cuidado com o layout de algumas páginas. Há muita poluição visual e textos colocados em cima de imagens. Plantas confusas, com muitas informações agrupadas e/ou desenhos de vegetação em cima do desenho técnico.

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4. A revista se preocupa em mostrar o contexto dos projetos, não se atentando muito a apresentar textos explicativos sobre o esquema construtivo ou até mesmo detalhes construtivos dos projetos em questão.

5. Falta um padrão na apresentação dos projetos: Alguns são muito bem explicados e possuem bastante representação gráfica e outros possuem poucas ilustrações e quase nenhum desenho técnico.

Análise da apresentação de um projeto: Forest House in the City, Edição 86. 

Um projeto muito interessante, que levou em consideração a vegetação existente em seu entorno para determinar o projeto em si.  O projeto apresenta uma planta muito flexível, pois não tem divisórias internas de cômodos a não ser pelo banheiro e lavanderia, situados no centro da casa. Pode-se notar o uso abundante de aberturas em todas as extremidades, o que faz da casa bem arejada, iluminada e emoldura a vegetação externa, a tornando parte integrante do projeto. A revista apresenta somente uma planta muito confusa por conta da representação da vegetação. Em seguida há três fotos do projeto que não esclarecem várias questões. A ausência de um corte ou elevação tenta ser compensada pela presença de fotos, que não são suficientes para o perfeito entendimento de sua forma, altura do pé direito, por exemplo.

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Análise do projeto: House K, Tokyo, 2010.

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Esse projeto é um muito flexível. O terreno longo e estreito foi quase que totalmente ocupado pela construção. Distribuída em 5 andares com cinco paredes divisórias transversais possui aberturas de tamanhos variados sendo que em alguns casos a abertura é tão grande que a parede é simplesmente composta por duas colunas. Com isso é possível mudar o número de salas de acordo com as necessidades e isso também deixa todos os cômodos integrados. O andar superior possui uma luz ambiente distribuída de forma homogênea, o que dá uma sensação de integração e inserção com o cenário urbano.

Fontes:

Revista JA Edição 86;

Revista JA Edição 87;

https://www.japlusu.com/

 www.inuiuni.com/

Revista Arquitectura Viva

– POR JÚLIA DARAYA E LETICIA DE NOBREGA

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Arquitectura Viva é uma revista espanhola, com sua primeira edição publicada em 1988. Desde sua criação até 1993 era completamente escrita em sua língua nativa – o castelhano. A partir desta data, foi introduzido o índice bilíngue e algumas páginas ao final contendo o resumo da edição em inglês. Mas só isto não bastava. Em 2011, essas últimas páginas foram excluídas das novas publicações, por não serem consideradas satisfatórias. Precisavam ir além. Era necessário que todas as matérias atingissem um maior número de leitores, a fim de propagar informação ao redor do mundo e para isso era necessário  uma transformação na revista,  para uma maior compreensão do público em geral, mundial. Assim, a partir de 2013, a revista se torna bilíngue por completo.

Arquitectura Viva possui um site na Web, onde publica por vezes informações extra de certas matérias e assuntos, “já que os tempo da impressão não estão acompanhando  a urgência da atualidade”. Ao mesmo tempo em que se torna bilíngue a revista passa também de bimestral a mensal, com o intuito de fornecer informações mais rapidamente – acompanhando o mundo contemporâneo. Os preços variam de 15 a 18 euros para a versão impressa e de 8,99 euros aproximadamente para a versão digital, disponível em PDF ou na loja digital da Apple (Arch Papers).

Possui também outras duas publicações: AV Monografias e a AV Proyectos. A primeira, como o próprio nome diz, fala sobre um tema monotemático e específico, aprofundando melhor cada assunto publicado. A segunda, AV Proyectos, publica e comenta projetos mais detalhadamente. Como não tivemos acesso a nenhuma dessas edições “AV”, baseamos nossa análise apenas nas revistas propriamente ditas.

EDIÇÃO DA REVISTA

Diretor Luis Fernández-Galiano

Co-Director José Jaime S. Yuste

Layout/Editorial Cuca Flores, Luis Játiva, Raquel Congosto, Laura Fernández, Eduardo Prieto, Lys Villalba, Pablo del Ser, Maite Báguena e David Cárdenas

Coordenação Laura Mulas e Gina Cariño

Produção Laura González e Jesús Pascual

Administração Francisco Soler

Assinaturas Lola González

Distribuição Mar Rodríguez

Publicidade Cecilia Rodríguez e Raquel Vázquez

ESTRUTURA

A revista abrange assuntos em três grandes temáticas, de certa forma interligadas: arquitetura (projetos propriamente ditos), arte/cultura e técnica/construção.

Uma das edições que escolhemos é justamente a edição de transição para a nova fase bilíngue e mensal. A revista achou apropriado marcar estas mudanças com uma seleção de projetos que também tratassem de transformação (intervenções).

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 148ª edição, Janeiro de 2013 

Exemplo de índice:  Na parte exclusivamente projetual tudo foi muito bem pensado e há analogias tanto dos projetos com o momento de transição em que a resista está passando quanto com o momento contemporâneo em que o mundo se encontra. Entre 3 subdivisões, foram escolhidos 18 projetos  espanhóis a serem tratados:

  • História Recontruída – “Os tempos de crise econômica são também tempos de crise ideológica. Hoje, depois da hipertrofia urbanizadora, uma nova perspectiva encontra na reutilização dos edifícios um campo para a arquitetura”. Sendo assim, são separadas 6 intervenções e/ou restauração de edifícios patrimoniais espanhóis.
  • A outra vida das fábricas – Este segundo também é formado por mais 6 projetos que transformam e qualificam edifícios industriais antigos.

Materiais e tipos – No último grupo estão outros 6 projetos de menores dimensões, chegando a ser escalas até domésticas, que também se atendo ao território espanhol, focando nos materiais, esquemas tipológicos e formais dos edifícios das intervenções.

ANÁLISE

A revista tem uma proposta interessante e bem sintonizada com o mundo em que vivemos. É de fácil leitura, possui pouca propaganda e não trata somente de assuntos de arquitetura propriamente dita – possui textos sobre assuntos diversos que dizem respeito ao mundo contemporâneo no geral e sua história, englobando arte e cultura, o que achamos de extremo bom gosto e inteligência, pois um leitor de arquitetura e/ou arquiteto necessita de repertório e de entendimento do mundo como um todo e das coisas ao seu redor. Expõe diferentes opiniões, fazendo com que os leitores possam se tornar seres críticos e pensantes ao ler uma reportagem ou até mesmo uma charge, conhecida como “historietas”.

No inicio de cada edição, o diretor Luis Fernández-Galiano dá uma introdução ao tema que será abordado na revista, com seus pareceres individuais. Estão presentes no início também os “breves internacionais” que consistem em pequenos parágrafos com uma ilustração apenas, a fim de sintonizar o leitor, sinteticamente, com o que está acontecendo no mundo. Funciona basicamente para despertar a curiosidade, fornecendo apenas o mínimo de informações sobre os temas. O mesmo processo se dá nos breves de livros: para todas as indicações de leitura da revista existe uma resenha da temática tratada e sua relevância para os arquitetos. Ao final das edições há um espaço reservado às inovações presentes no mundo, tanto tecnológicas, quanto de materiais, entre outras.

LINHA DE RACIOCÍNIO

Procurando uma linha de raciocínio entre as edições recentes de Arquitectura Viva, notamos que as últimas publicações ressaltam muito a mudança constante da arquitetura no mundo.  Assim, escolhemos quatro matérias que tem transformação em sua essência, em três escalas diferentes e com propostas diversas. Com esse foco essencial em transformação, podemos também traçar uma ligação com as recentes mudanças que a revista sofreu.

“A arquitetura é um espaço sem tempo no qual se une a realidade com o sonho, e o presente com o passado.” – Paisajes oníricos – edição 145.

As duas primeiras matérias tratam de arquitetura efêmera, assunto o qual vem sendo cada vez mais relevante e recorrente nos dias de hoje. Tratam, portanto, sobre projetos de menor escala, que podem influenciar e revitalizar certos locais. O efêmero arquitetônico tem princípios baseados em sua capacidade móvel e temporal, sendo intervenções, edificações ou até mesmo esculturas arquitetônicas, capazes de ser desmontadas e remontadas  com agilidade e, sempre que possível, sem produção de resíduos.  Podem ter também, como nos pavilhões do Serpentine Gallery, por exemplo, funções experimentais além de se basear em conceitos de interação e participação social.

Da edição 141 Espacios Efímeros: entre La celebración e la inovación

  • Intimidad transitória: sistemas de alojamentos evacuados no Japão
  • Aldea vertical: projeto Open House, Anyang, Corea do Sul

Da edição 148 Transformaciones – The second life of buildings, extraímos a terceira matéria, que trata sobre um intervenção em um edifício arquitetônico, com conceito muito diferente em essência do que era em 1750 para sua transformação em 2009.

  • Faculdade de Ciencias da Empresa e Museu Naval:  Cartagena

Da edição 145 Colectivos españoles – Nuevas formas de trabajo: redes y plataformas, selecionamos um texto que diz respeito à transformação em escala global – o capitalismo e como ele vem influenciando o pensamento das pessoas nos dias de hoje.

Delírios capitalistas: Miguel de Brieva

MATÉRIAS

  1. Edição 141 – Espaços efêmeros: entre a celebração e a inovação

INTIMIDADE TRANSITÓRIA: SISTEMA DE ALOJAMENTO PARA EVACUADOS, JAPÃO

Com o terremoto e o tsunami ocorridos no Japão em 2011, a maioria das 600.000 pessoas afetadas pela catástrofe tiveram que ser evacuadas de suas casas que estavam inacessíveis e destruídas. Diversas dessas pessoas ficaram hospedadas em espaços públicos como ginásios, que se tornaram seus lares por um grande período de tempo.

Era necessário que, quando as necessidades de alimentação e higiene já estivessem resolvidas, essas pessoas, que foram atendidas pelas autoridades, tivessem o mínimo de condições de privacidade. Para solucionar esse problema, o arquiteto Shigeru Ban criou um sistema de divisão de interiores, onde várias superfícies  separavam os núcleos familiares dentro dos ginásios lotados, permitindo com que essas pessoas pudessem conviver ao mesmo tempo em que tivessem sua intimidade.

O sistema de divisões era construído com tubos de papelão de 180 centímetros de comprimento que se apoiavam no chão e funcionavam como um quadro onde eram colocadas as lonas que dividiam as células. Essas células eram configuradas conforme as necessidades de cada família, em função da quantidade de pessoas que cada uma delas possuía.

Projetado para ser construída por voluntários ou pelas próprias pessoas que lá habitariam durante certo período, a intervenção é uma estrutura versátil e seus materiais podem ser reciclados após a estrutura cumprir a sua função. Deveriam ser materiais acessíveis que demorassem no máximo uma semana para chegar ao local de necessidade. Foram instaladas 1.800 unidades com esse sistema em mais de 50 ginásios e refúgios temporais distribuídos pelo Japão.

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2. Edição 141 – Espaços efêmeros: entre a celebração e a inovação

ALDEIA VERTICAL: PROJETO OPEN HOUSE, CORÉIA DO SUL

Com o principio de ser uma “aldeia vertical”, a Open House foi instalada durante vários meses na cidade de Anyang, na Coreia do Sul,  no contexto do festival de arte pública APAP, celebrado em 2010. A proposta tinha a intenção de questionar os princípios do urbanismo convencional, baseado em um crescimento rápido e desordenado.

A intervenção foi resultado de um processo aberto e participativo, desenvolvido em duas etapas: em primeiro lugar foram feitas entrevistas com a população a fim de analisar as necessidades e as opiniões dos cidadãos locais, que desfrutariam do programa. Perguntas foram feitas sobre quais implantações arquitetônicas poderiam ser mais adequadas. A segunda etapa foi o desenho e a própria construção de um edifício temporal – uma construção efêmera.

Com base na entrevista realizada com os moradores da região, um mapeamento das preferências e ideias referenciais foi executado, colocando as ideias em comum em evidência e levando em consideração as condições urbanísticas do entorno. Para a construção da instalação se organizou uma oficina aberta que acabou contando com a colaboração de mais de 200 pessoas de diferentes condições ao longo do verão de 2010. Essas pessoas, alem de construir algumas pecas fundamentais da aldeia como, por exemplo, um bar, um pavilhão de chá e uma pequena oficina de gestão imobiliária, se dividiram em equipes e também projetaram outras peças, como um quiosque, um pavilhão de jogos, um de exposições e um “invernadero”.

A aldeia consistia em 20 módulos de madeira que se empilhavam em 7 plataformas de uma torre com 17m de altura, concebida como uma grande escultura urbana.

 

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3. Edição 148 – Transformações – A segunda vida dos edifícios

FACULDADE DE CIENCIAS DA EMPRESA E MUSEU NAVAL

A Faculdade de Ciências da Empresa e Museu Naval em Cartagena, Espanha, foi o projeto que achamos que melhor representa as transformações das quais queremos focar o nosso estudo. O espaço que atualmente abriga a Faculdade e o Museu Naval da cidade passou por vários processos de transformações.

Em 1750, este mesmo espaço, que hoje serve para educar, já serviu para abrigar 5.200 homens, onde 3.000 desses faziam trabalhos forçados. Dentre eles estavam artesões, peões e aprendizes e, por ser considerado um espaço de péssima conservação, foi transformado, por decisão real, em prisão. Este quartel de presidiários e escravos, uma prisão de penas aflitivas e cárcere militar da marina, passou a ser, em 1946, um quartel de instrução da marinha e funcionou até 1998.

Em 2009, o edifício passa a abrigar a Faculdade de Ciências da Empresa e o Museu Naval, que sofreram reformas para que hoje pudesse cumprir a função educacional. As salas, que antes abrigavam presos e escravos, viraram modernas salas de aula, que se encontram no entrono do pátio central. Este, que antigamente era aberto, agora possui uma cobertura que proporciona aos usuários do espaço um lugar de convivência, o que antes não era possível por ser considerado inóspito pelo calor que ali fazia.

COMENTÁRIOS DA MATÉRIA

Foi possível perceber que apesar de ser indicado no índice que apenas a última parte é dedicada à detalhes de materiais e técnicas construtivas, não houve um aprofundamento por parte da revista em relação as questões projetuais: não há implantação, apenas cortes e plantas, o que dificulta o entendimento do contexto do projeto.

A revista dá as ferramentas necessárias para você pesquisar sobre o projeto e enriquecer seu repertório. No entanto, procuramos e não obtivemos sucesso em encontrar mais referências – a matéria acabou decepcionando um pouco apesar de seu conceito interessante, motivo pelo qual a escolhemos para abordar em nossa análise.

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O local, anteriormente de exclusão social passa, depois da intervenção, a ser um local de inclusão social:  “O edifício construído para disciplinar e humilhar o homem em cativeiro foi modificado para educá-lo em liberdade” 

4. Edição 145 – Coletivos espanhóis – Novas formas de trabalho: redes e plataformas

DELÍRIOS CAPITALISTAS

A matéria Delírios Capitalistas que esta contida na edição 145, escrita por Rafael Vetusto, trata das charges do desenhista e escritor espanhol Miguel de Brieva, que critica a sociedade em que vivemos.

O sistema capitalista está cheio de imagens que descrevem a desaparição do planeta ou da vida humana na Terra. Parece muito difícil para a cultura ocidental aceitar um fato muito mais simples: o desaparecimento do próprio capitalismo. O sistema se crê eterno e nessa crença está a sua justificativa.

SÁTIRAS URBANAS

Nossa geração é a primeira a presenciar a população urbana da Terra ultrapassar em número a população rural. A quantidade de pessoas morando em cidades urbanas hoje em dia já supera a população mundial de 1960.

Um terço dessa população que sobrevive em cidades vive na miséria. Todo o crescimento futuro da população mundial ocorrerá nas cidades, sobretudo nas periferias/suburbios.

A cidade deixa de ser resultado de um largo processo histórico vinculado a uma cultura e passa a crescer de forma descontrolada. Desta situação urbana, Miguel de Brieva extrai suas imagens divertidas, porém criticas.

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Nos desenhos da cidade de Brieva as pessoas moram em casas invisíveis porque são promocionais e mais difíceis de roubar, são uma tecnologia de ponta.

A população caminha sem se deter a nada porque nas suas praças não há bancos para sentar. O “campo”, aquilo que se situa mais adiante na cidade não é mais nem sequer uma paisagem e sim um provedor agroindustrial, suscetível a ser asfaltado. A publicidade é o símbolo e o motor da produção de inutilidades a que se aplicam as pessoas do universo de Brieva. Uma cultura de resíduos expressa incansávelmente, começando pela televisão familiar, o que ele define como “aparato para cujo alojamento se controem as casas”.

“As casas são construídas para alojar dentro delas uma televisão assim como a cidade é edificada para acomodar os carros”

  • CASA  →  TV
  • CIDADE → CARRO
  • PESSOAS ?

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O ultimo volume editado de Miguel Brieva, Memorias de la Tierra, faz crítica à sociedade do consumo e ao seu cenário natural – a cidade contemporânea, além de um argumento contra a desvalorização e a falta de sentido das coisas.

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COMPARAÇÃO

Na mais recente edição de Arquitectura Viva, notamos ainda mais transformações. Todos os projetos abordados na revista tem a profundidade necessária para seu entendimento e mais fotos do que nas edições anteriores. A revista está reformulada. Críticas más, praticamente não cabem em suas páginas reformuladas. Escolhemos uma reportagem nova para comparar com uma de uma edição um pouco mais antiga, para ilustrar essa modificação: Celosías cívicas – Mercado central de Abu Dabi nos Emirados árabes por Norman Foster, da edição 147 e o novo espaço islâmico no Museu do Louvre em Paris.

Apesar dos contextos e assuntos serem sempre muito interessantes e abrangentes, sentíamos falta de algumas plantas com escalas mais claras ou de implantações que esclarecessem mais o programa do projetos. A nosso ver, anteriormente a revista não  deixava muito a desejar, mas sim com “gostinho de quero mais” por estar, por vezes, com menos informações do que desejaríamos. Nesta nova edição, porém,  não há projetos que careçam de muitas informações.

5 . Edição 147 – Lo común: de la austeridad a la solidaridad

GRADES CÍVICAS: MERCADO DE ABU DABI (EMIRADOS ÁRABES)

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Apesar de haver cortes e plantas na matéria, a escala gráfica é de difícil leitura e compreensão. Pela dimensão do projeto, os desenhos necessitariam ser muito maiores e uma planta precisaria de uma página inteira para entendimento da escala humana e dos detalhes.

6. Edição 149 – Francia al frente

VELO DORADO: BELLINI & RICCIOTTI, LOUVRE DEPT. OF ISLAMIC ART

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Pegamos o exemplo da matéria da edição 149, que apresenta o projeto que foi feito no Museu do Louvre, França, para mostrar o quanto a revista evoluiu na  apresentação de projetos em questão de 1 mês, ela apresenta detalhes construtivos, conceitos do projeto, plantas e cortes, reservando um espaço muito maior para cada tema apresentado.

REVISTAS ANALISADAS

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COMENTÁRIO FINAL

Adoramos a revista como um todo. Muito bem estruturada, assuntos interessantíssimos e com um layout muito claro e agradável.

Recomendamos a leitura!

Revista: Summa +

Revista:  Summa +

Análise dos números: 121,122,123 e 124

Summa é uma revista Argentina, dedicada ao design e a arquitetura e urbanismo. Fundada em 1963 pelo arquiteto Carlos Mendez Mosquera, por quem foi comandada até sua falência em 1992.

Depois veio a criação de Summa +, uma revista que procura mostrar as novas tendências em arquitetura e do design. Projetado para um público muito mais amplo, abrangendo a área do profissional até o estudante.

Com distribuição na Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile e Espanha. É uma revista com 7 edições por ano, que desde o ano passado é publicada em Português.

Sempre aplicado ao mundo contemporâneo, tem uma boa mistura de publicação de livros, artigos acadêmicos, artigos, ensaios e entrevistas. Uma revista que visa o profissional, com um compromisso claro com a arquitetura moderna latino americana, mantendo bons exemplos internacionais.

Sua nova visão era que representava uma estrutura muito clara, actualmente o seu símbolo de identidade estrutural da revista é:

  1. Capa
  2. Propaganda
  3. índice
  4. Partes teóricas
  5. Projetos,
  6. Artigos de cooperação de projetos ou de inovação.

CAPA

A capa resume o tema principal abordado na edição, sempre limpa com pouquíssimos textos, deixando sempre a imagem de folha inteira atrair o leitor. Existe pouca poluição visual, as únicas informações escritas presentes são: o nome da revista, número da edição e o tema, ou temas, que serão decorridos. Tem um formato um pouco maior que uma folha A4 oque diferencia das outras e acaba dando mais espaço para matérias .

PUBLICIDADE x ARQUITETURA.

Um fator importante e sempre muito chato nas revistas de arquitetura é a poluição publicitária, em algumas é possível encontrar propagandas durante toda a edição. Na Summa+ há uma divisão clara das matérias para o espaço publicitário, que acaba sendo um mal necessário, afinal, alguém tem que pagar para a revista ser publicada.

Vale notar que ao fim do espaço publicitário existe uma folha de cartões postais, com gramatura superior as páginas da revista, que inconscientemente ou não, acaba sendo um divisor entre publicidade e arquitetura.

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INDICE

O público alvo das revistas de arquitetura é sempre de profissionais e de estudantes, e nada como o visual para chamar mais a atenção. Logo após a página de cartões postais vem um índice de tudo que acontece na revista.

O índice quase sempre relata o tema, autor do artigo, localização ou especificação e um breve comentário sobre tudo, ajudando o leitor a se familiarizar melhor com o que vem a seguir:

Exemplo comparativo.

Revista AU nº 220, julho 2012: Edifícios Corporativos.

Índice: Aflalo e Gasperini . São Paulo, SP
Edifício Platinum. 46

Revista Summa+ 125: Infra-Estrutura Urbana e Espaço Público.

Índice: 6.Efeito Bumerangue
Passeio das ilusões
Enrique Norten / TEN Arquitectos

O museu elevado é a primeira das três fases do projeto urbano. A estrutura metálica atravessa mediante um passeio para pedestres a avenida principal e conecta visualmente os dois lagos da cidade.

Além disso, algum dos índices possuem uma imagem correspondente no pé ou no canto da folha.

MATERIAS

Antes de começarem as matérias, algumas edições que abordam um tema único possuem uma espécie de resenha crítica sobre o tema central. São grandes o suficientes para explicar e falar sobre todo o necessário, porém não exageradamente para se tornar uma buraco de palavras na revista a ponto dos leitores sentirem cansaço visual.

As matérias sempre seguem um padrão. Primeiro aparecem as informações do projeto ou assunto (autor, equipe, proprietário, localização, área, ano de projeto, ano de construção e conclusão), seguido de uma explicação – resumo do projeto. Abaixo uma foto ilustrativa e na página seguinte, uma imagem de folha inteira, sem nenhum texto.

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Seguido disso, aparecem uma série de desenhos e imagens, seguindo sempre uma ordem visual arquitetônica e sempre correspondendo, de certo modo, desenho e imagem.

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Esta é considerada uma das melhores revistas de arquitetura no Brasil, mas ainda há muito a ser melhorado já que em muitos casos os desenhos técnicos apresentados não são possíveis de compreender (muitas vezes estão muito pequenos que não conseguimos ver direito).

As últimas páginas acabam por abordar um pouco de história da arquitetura e a relação com o tema principal da edição.

Pontos positivos:

1. Organização simples dados técnicos de projeto, explicação informativa, fotografias, plantas, cortes e diagramas;

2. Densidade em grande parte projetos;

3. Boa variedade de projetos;

4. Artigos teóricos atuais que ajudam a refletir sobre o tema abordado na revista;

5. Boa composição gráfica;

6. Boa qualidade e intenção fotográfica;

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7. Tentativa de mostrar detalhes construtivos;

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8. Consistência de mostrar os plantas, cortes, elevações e diagramas.

Pontos negativos:

1. Textos pouco aprofundados, são textos venda projeto comercial;

2. Erros gramaticais e redundância nos textos, como o exemplo abaixo;

“ está localizado numa das margens do casco centrico da cidade, num imóvel que pertencia a ferrovia, com uma lateral de mais de SETESCENTOS metros em contato com o rio Suquía, que constituía uma barreira física que separava drasticamente o centro dos bairros localizados atrás do rio.”

3. Muita fotografia;

4. Pouca coerência dos projetos: uns muito explicados graficamente e outros com pouquíssimos desenhos;

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5. Pouca opinião crítica sobre o projeto, faltando o posicionamento da revista

6.Faltam legendas, escalas para compreensão dos desenhos

TOQUIO EM MINIATURA

ABITARE

Atualmente encontramos uma dificuldade em achar novas revistas de arquitetura que conseguem balancear criticas de arquitetura com projetos, entrevistas e um trabalho gráfico muito interessante, tudo em uma mesma edição.

Abitare é internacionalmente conhecida. Desde a sua fundação em 1961, é publicada em duas línguas – italiano eInglês – dirigindo-se a um público cosmopolita, interessado em informações filtradas pelo gosto italiano.

Todos os meses a revista publica, com profundas análises, artigos sobre os mais recentes projetos de arquitetura, desenvolvimentos mais interessantes de design e produção, e pesquisas sobre tudo que está ligado ao mundo de projetar e design, com linguagem e imagens de alta qualidade.

Abitare visa orientar os leitores na descoberta de novos espaços e histórias, através da descrição de projetos por autores que, de uma forma não convencional e original, enquadram as suas histórias dentro da estrutura tradicional da revista. Neste campo, grande relevância é dada à comparação entre projetos na seção SOS Abitare.

A apresentação de projetos de arquitetura e design também é apoiada pela cuidadosa ilustração técnica, significativamente chamado “Istruzioni per l” uso” (instruções e manuais).

A seção “Catalogue” lida com temas ligados à produção de móveis e materiais para interiores.

Abitare é publicada mensalmente, com 10 edições por ano.

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Abitare Being BIG conta a história de um grupo de jovens arquitetos.

Esta história é contada através de seu fundador, Bjarke Ingels: 38 anos de idade, com uma equipe de 161 profissionais, um estúdio em Nova York e Copenhague, cerca de 29 competições internacionais conquistadas nos últimos 7 anos, e obras em todo o mundo.

Seguindo-o por meses, Abitare observou suas maneiras de interagir com os outros, tentando alinhar seu trabalho com interlocutores diversos. O resultado é uma obra polifônica que reflete a realidade comunitária BIG.

Estação de tratamento de lixo vira pista de esqui em projeto do estúdio dinamarquês BIG

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Com um projeto que transforma um depósito de lixo em uma pista de esqui, o estúdio dinamarquês BIG venceu o concurso internacional de arquitetura para uma estação de tratamento de resíduos em Copenhague.

Prevista para estar construída até 2016, a proposta foi escolhida por unanimidade pelo júri da competição, que teve entre os finalistas os escritórios de Wilkinson Eyre Dominique Perrault.

A cobertura da edificação será transformada em uma pista de esqui de 31 mil metros quadradoscom diferentes níveis de dificuldade e mais de 100 metros de altura em seu ponto mais alto, tornando-se, assim, em uma área de lazer e um ponto turístico local.

“Este projeto é um exemplo daquilo que chamamos no BIG de Sustentabilidade Hedonista– a ideia de que a sustentabilidade não é um fardo, e que uma cidade sustentável pode de fato melhorar nossa qualidade de vida”, pondera Bjarke Ingels, sócio-fundador do escritório.

“Uma estação de tratamento combinada com uma estação de esqui é o melhor exemplo de uma cidade e um edifício que são ambos sustentáveisecológica, econômica e socialmente”, conclui.

A pista será feita de material sintético recicladoe, em sua área coberta terá aquecimento fornecido pela energia produzida pela própria estação de tratamento.

O acesso ao local, aliás, será feito a partir de umelevador que acompanhará a chaminé onde será gerado esse calor.

Panorâmico, ele permitirá que os visitantes observem todas as etapas de tratamento dos resíduos e a geração de energia dentro da estação cujo nome, em dinamarquês, é Amagerforbraending.

Revista Monolito

– POR GABRIELA CAROTINI PEREIRA E LUIZA ALBIERO TAVARES

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Edições Ano 2012 – n° 7 Fevereiro- Março e n° 11 Outubro – Novembro

A Monolito é uma revista brasileira de publicação bimestral, monotemática, cultural e não técnica, em que cada edição é abordado um único assunto que possui uma temática que permeia toda a revista, tentando aprofundar a discussão arquitetônica sobre a releitura da arquitetura brasileira.

Com fundamentos analíticos e não críticos, de fácil entendimento, com um contexto em que é apresentado opiniões de arquitetos, urbanistas e colaboradores, não fixos, com interesse em arquitetura das mais diversas áreas culturais de atuação, escolhidos de acordo com o tema da edição, trazendo uma abordagem diferente das quais propostas pelas outras revistas brasileiras, tentando consolidar posições dentro da arquitetura nacional.

Dessa maneira, a revista inicia-se como um livro de referências, dotado de uma introdução que não é provocativa mas sim explicativa em sua essência e que atrai o leitor para uma determinada linha de raciocínio, onde serão apresentadas de forma expositiva contínua e coerente as informações e opiniões, mas que não são o suficientes  para gerar o aprofundamento necessário, o qual se dispõe a fazer, para que o leitor  alcance um ponto de vista próprio, sem que o leitor sofra imposições por parte da revista.

Cada número da Monolito é realizado com um cuidado de um livro, principalmente no que diz respeito a qualidade gráfica e de impressão, diagramação, com textos bilíngues (português/inglês), textos expositivos que contribuem para a integral legibilidade do conceito do projeto com apresentação de aspectos técnicos da construção bem como plantas, cortes e detalhamentos dos projetos apresentados.

Com edição de Fernando Serapião, ex-editor da revista Projeto, que agora dedica-se somente a Monolito, cada edição trata de um projeto, arquiteto ou escritório de forma profunda, já que esse tipo de informação só era possível antes em livros, contando com ensaios do mesmo, divulgando seu realizador e sua obra em que o critério de escolha é realizado de acordo com o contexto do tema e interesse da própria revista e do público ao qual ela se dedica.

Por ser narrativa, a revista atende uma função especifica tornando- se uma espécie de portfólio de referências, “Murais usados para mostrar ídolos. …Mitos podem ser compartilhados.”( Como cita Rem Koolhaas em seu texto Junkspace de 2001.), do escritório ou arquiteto que não possui uma publicação voltada somente a ele, tornando pública a matéria, que promove a massificação da ideia, que gera um conhecimento mais detalhado sobre o assunto, diferente de outras revistas que apenas citam o tema.

JOVENS ARQUITETOS 

  Na edição de número 11 publicada em 2012, o tema se refere aos Jovens Arquitetos (brasileiros), com profissionais nascidos a partir de 1972.   A revista selecionou 16 projetos, que são descritos através de textos e imagens e que contam com obras construídas em sete estados diferentes, tais como, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul, tendo como traço comum a ambição e a crença desses arquitetos com o futuro.

PAVILHÃO HUMANIDADE – RIO DE JANEIRO 

  Dentre os projetos que estão presentes nessa edição da Monolito, o Pavilhão Humanidade realizado por Carla Juaçaba que contou com a colaboração de Bia Lessa (2011/2012) na praia de Copacabana, construído para atender as atividades paralelas durante a conferência internacional da ONU Rio +20 merece destaque. A arquiteta Carla, que recebeu o prêmio ArcVision por este projeto, idealizou um espaço disponível buscando aproveitar a modulação e os vãos de andaimes utilizados na estrutura de coberturas e do piso de eventos temporários no forte, já que a cidade contemporânea abriga e promove espaços e estruturas arquitetônicas pensadas com caráter efêmero  Sendo assim, o projeto arquitetônico procura encontrar formas constitutivas baseadas no movimento e na transitoriedade para dialogar de forma direta com a condicionante do tempo, próprio de eventos como no caso da Rio +20.

ImageImagem – http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/carla-juacaba-pavilhao-rio-janeiro-10-10-2012.html

O pavilhão como citado a cima, era uma estrutura temporária, e foi muito elogiado pelo fato de que a Rio +20 foi uma oportunidade importante para dar entrada a uma discussão global sobre o que está ou não está sendo feito para salvar a Terra de um desastre ambiental e, além disso, outro fato a ser citado foi a abertura que este pavilhão trouxe para retomar a importância de construções recicláveis, de baixo custo e facilmente desmontáveis, dando um caráter de racionalidade e movimento a obra.

O projeto começou a ser desenvolvido no final de novembro de 2011 e o tempo de montagem de toda a estrutura foi de três meses.O primeiro impacto dessa experiência foi o milagre da aparição de um etéreo edifício retangular de 170 x 40 x 20 metros, com múltiplos volumes suspensos no ar, flutuando sobre as sólidas construções do forte, e vê-lo desaparecer em menos de duas semanas. A segunda surpresa foi o enorme sucesso popular que levou mais de 200 mil pessoas a visitá-lo. E, por último, a inédita experiência vivenciada no pavilhão,  na alternância entre a circulação exterior nas rampas contínuas, delimitada pelos filtros metálicos da estrutura de andaimes, e o acesso ao misterioso e inesperado interior dos volumes expositivos. (Trecho de “Festivos andaimes cariocas” de Roberto Segre).

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                           Imagem retirada do site Vitruvius
 

  Visto de fora, a arquitetura no Brasil provoca fascínio pela dualidade e ambiguidade de estímulos. Como país de contradições e de extremos, é esta capacidade de viver e crescer numa aparente incoerência que o torna especial.

Conhecida e desconhecida, a criatividade brasileira atrai pela sua capacidade de renovar mantendo a tradição. Essa posição, progressista mas conservadora, retrata sua sociedade. E mostra que a permanente reinvenção nas artes e na vida acaba por ser o principal protocolo de trabalho, como se uma recriação das condições do Brasil moderno que permitiram o aparecimento do Manifesto antropófago reaparecesse quase um século depois, novamente tardia em relação ao resto do mundo globalizado. (Trecho de “Tupi or not tupi” de Carlos Pedro Sant’Ana).

Image Imagem – Revista Monolito n°11
 
O Pavilhão Humanidade, possuía  cinco camadas de estrutura de andaimes e uma malha metálica de aproximadamente 500 toneladas com uma aparência leve. O projeto contava com salas expositivas, salas de reuniões e eventos, área de alimentação e auditório com capacidade para aproximadamente 500 lugares. Já a cobertura dava para um terraço com uma vista panorâmica do entorno do lugar. As caixas expositivas tinham como função, unir as estruturas como se fossem nós e após o término do evento, todos materiais utilizados (andaimes, tapumes, moveis e até os resíduos gerados), foram reaproveitados, já que as arquitetas buscaram criar soluções inteligentes e rápidas para a montagem e desmontagem do projeto.
 
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                                     Imagem -Revista Monolito n° 11    
 
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http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/carla-juacaba-pavilhao-rio-janeiro-10-10-2012.html
 
CASA 4 X 30 – CR2 ARQUITETURA + FGMF ARQUITETOS – SÃO PAULO
 
Na mesma edição da revista, outra matéria interessante é o projeto da Casa 4 X 30 (2008/ 2011), realizada pelo escritório CR2 Arquitetura + FGMF Arquitetos em São Paulo.
 
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O casal de arquitetos Clara Reynaldo (CR2) e s Lourenço Gimenes (FGMF) , resolveram projetar sua própria casa. A história teve início mais como um desafio do que como um projeto de arquitetura, a casa está implantada em um lote de apenas quatro metros de frente por 30 metros de profundidade, localizada no bairro Jardim Europa.
Esta obra teve como desafio buscar encontrar soluções para ventilação e iluminação, já que o lote se encontra em um contexto residencial onde a maioria das casas são geminadas e tem em média 50 anos de idade, a solução para esse projeto veio a partir de inúmeras pesquisas e da tentativa de tentar solucionar e aproveitar ao máximo o pouco espaço de uma maneira inteligente e criativa, como vistas em casas japonesas e holandesas, A opção foi lançar mão de espaços integrados e eliminar outros considerados obrigatórios.
 
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Imagem – Revista Monolito n°11
 
A solução que o grupo de arquitetos adotou foi, demolir a construção existente e criar de alguma forma, um novo tipo de disposição interna, mas de modo que a ocupação original fosse mantida, ou seja, o perímetro do pátio teve que permanecer com os limites do quintal da casa que foi demolida. A busca por iluminação e ventilação naturais condicionou a ênfase no jardim central, recortado no volume construído de forma a criar três fachadas generosamente banhadas com luz natural.
 
 
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O pátio configura o bloco dividido em duas partes que são ligados por uma passarela se estende até a circulação dos quartos.  As salas de estar, jantar e cozinha que estão todas localizadas em um mesmo espaço e estão localizadas na parte térrea maior do volume frontal. Uma característica inovadora é o fato da cozinha estar rebaixada 75 cm, que além de aumentar o pé-direito, criando uma passagem “elevada”, de forma que a entrada da casa não desse diretamente  para a cozinha, mas por um eixo de circulação que se estendesse por toda a casa, de uma maneira clara. Outro aspecto interessante nesse projeto é a continuidade entre o nível da sala e a mesa de jantar, integrada à ilha com forno embutido, gerando uma visão diferente e inovadora da cozinha.Já no piso superior, há dois dormitórios, que estão abrigados em uma espécie de caixa revestida com materiais metálicos que possuem um balanço de um metro em relação a entrada e que se estende até um pouco antes do limite do vidro que define o pátio.Image

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Imagem – Revista Monolito n°11

O segundo bloco ( dos fundos) é um pouco menor em área entretanto, possui um piso a mais e conta com o escritório, serviços e a sala de TV que esta interligada ao deque da cobertura dos dormitórios, que por sua vez, funciona como uma espécie de solário e área técnica, onde estão instalados o aquecedor e o ar – condicionado.

EDIÇÃO – HABITAÇÃO SOCIAL EM SÃO PAULO

A Guerrilheira Urbana + Áreas Urbanas Criticas

  Na edição dedicada Habitação Social em São Paulo que evidencia um dos mais graves problemas da metrópole, a primeira reportagem mostra a rotina de Elisabete França que é responsável pela Secretaria na prefeitura de São Paulo (Sehab), e  que está há sete anos na “espinhosa trincheira de favelas, loteamentos ilegais, cortiços e áreas de mananciais” (revista Monolito, nº 7, A Guerrilheira Urbana, pág 19).

O sucesso de seu desempenho está baseado na combinação de um orçamento mais robusto, (cresceu 12 vezes em oito anos) antes de assumir o orçamento era de 150 milhões e hoje passa dos 1,8 bilhões.

Do orçamento da Secretaria de Habitação Social 50% está destinado a áreas de mananciais, 40% a urbanização de favelas e 10% a intervenção de loteamentos irregulares e uma metodologia de trabalho que, entre outras coisas, valoriza a atuação dos arquitetos e urbanistas, deixando de lado o projeto padrão e criando desenhos específicos para cada situação, para a construção de cidade e não unidades e mostra o urbanismo como potencial transformador, dando atenção especial ao espaço público.

Outro elemento abordado na metodologia da Sehab considera as bacias hidrográficas. Como metade da verba é destinada a áreas de mananciais, faz mais sentido que o trabalho seja estabelecido pelo desenho dos rios, e não por divisões geográficas artificiais.

ImageImagem – Revista Monolito n° 7 – Grajaú SP – Parque Cantinho do Céu – Aos arredores da Represa Billings

Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo hoje vivem em favelas, e a expectativa e que esse número gire em torno de 1,5 bi nos próximos 50 anos, no Brasil é estimado que 11 milhões de pessoas moram em ocupações informais, e só na cidade de São Paulo são mais de 3 milhões espalhadas em quase 1.000 favelas. Segundo dados da ONU o número de favelados cresce 25 milhões anualmente em todo o mundo.

Esses assentamentos informais tornaram–se parte do ambiente urbano, e suas dimensões tanto demográfica quanto físicas, cada vez maiores e amorfas, não permitem que essas áreas sejam esquecidas ou ocultadas aos olhos da sociedade, como tanto tentou-se fazer através de projetos sociais eleitoreiros que simplesmente projetavam prédios “pombais”, precários e insuficientes, que escondem uma incompetência técnica para enfrentar a complexidade do assunto e para encobrir as favelas que continuavam logo atrás, tentando amenizar a evidência do desajuste ou sumindo com elas da paisagem , do que alguns julgavam ser quase como uma manifestação de um tumor espontâneo e involuntário nas cidades contemporâneas, que surgem e tomam mais e mais o espaço urbano.

“A mudança foi divorciada da ideia de melhoria. Não há progresso.” (Koolhas, Junkspace, 2001).

Com esse crescimento, crescem também as demandas e necessidades de infraestrutura básica – ruas, esgotos, operações urbanas, segurança, saúde, espaços públicos, tudo o que a cidade oferece a outras áreas, talvez de maior interesse econômico.

E necessário que se pense nessas cidades informais como elemento de potencial, que possa ser transformador e não que devam ser suprimidas ou erradicadas, como o paradigma moderno dita, que promove o sentimento de exclusão.

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Imagem – Revista Monolito n° 7 – Foto por Fabio Kinoll

“A transparência só revela tudo aquilo que você não pode participar”. (Koolhas, Junkspace, 2001)

Favelas tem de ser algo a ser transformado e não destruído, a transformação sem destruição, processo de restituição da urbanidade e não da substituição da condição atual (desenvolvimento x degeneração).

“É difícil descobrir quais as ações próprias e impróprias a serem operadas sobre essas configurações que denominamos áreas urbanas críticas; é difícil encontrar padrões e regras por trás dessa realidade. No entanto, podemos intuir que existe uma lógica nas configurações de ocupação, resultado da transposição dos lugares de origem, da topografia, da necessidade, universo do qual há de se fazer a triagem e descarte das patologias.

É paradoxal que um país como o Brasil, com tantas urgências habitacionais, possivelmente a maior aceleração na formação de territórios urbanos, tenha poucos exemplos destacados sobre essa problemática.” (trecho de Áreas urbanas críticas, de Héctor Vigliecca).

As cidades precisam ser pensadas, projetadas e construídas  em escala humana.

Se alguém tem direito a arquitetura e ao desenho urbano, são precisamente as classes menos privilegiadas, sediadas em áreas excluídas de toda urbanização, a disjunção permanente, e não a miséria como um paradigma a ser promovido, o produto da pobreza como modelo.

É necessário que a discussão da habitação de interesse social, digno, não seja de quantidade, custo ou tecnologia, o objetivo final deve ser sempre a construção da cidade, é fundamentalmente um problema político e de projeto.

“É preciso entender que a cidade não é um amontoado de prédios, o que lhe dá alma são os espaços públicos, em quantidade e qualidade, através dos quais podemos dimensionar a democracia de uma sociedade.” – Norma Lacerda, urbanista.

Espaço Lixo é o corpo duplo no espaço, um território de deficiência visual, a expetativa limitada, seriedade reduzida. Confunde intensão com a realização. Ele substitui hierarquia com acúmulo, composição com adição. Mais e mais, mais é mais. (Koolhas, Junkspace, 2001).

Renova SP

Um terço da revista é dedicado ao concurso Renova SP que ocorreu em 2011.

Este concurso teve como principal objetivo a contratação de projetos de arquitetura e urbanismo para 22 perímetros de ação integrada da cidade de São Paulo, o projeto busca a democratização e agiliza a contratação na reurbanização dessas áreas de tensão na cidade. Os participantes apresentaram  projetos, tendo em vista a eliminação de áreas de risco, a implantação de infraestrutura urbana, drenagem, construção de espaços públicos e de novas unidades habitacionais, para que esses locais se transformem em novos bairros da cidade.

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Imagem – Site Renova SP

PROJETO JARDIM EDITE

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Projeto desenvolvido pelos escritórios MMBB + HF Arquitetos. O conjunto está localizado em uma região de edifícios de negócios na equina das Avenidas Engenheiro Luis Carlos Berrini e Jornalista Roberto Marinho – uma das mais valorizadas áreas da cidade.

Implantado em uma pequena porção da favela que se esparramava ao longo da várzea do córrego Água Espraiada. Ocupação essa iniciada há meio século.

O programa do conjunto, atualmente em construção, tem área total construída de 25.700 m2, e conta com 252 unidades habitacionais (50 m2), um restaurante escola de (850 m2), creche (1400 m2) e UBS (1300 m2).

Dividido em duas glebas, que possuem base com serviços, áreas comunitárias, edifícios com apartamentos e o térreo praticamente público.  Para reforçar o uso público do térreo e diminuir as contas de condomínio, não há espaços remanescentes de recuos obrigatórios entre a calçada e a construção, os espaços sendo dessa maneira configurado pelo próprio volume da construção.

Conjunto que abriga as unidades são divididos entre lâminas e torres. A lâmina, que não possui elevador, possuem quatro pavimentos tipo, já as torres que contam com elevadores, apresentam 16 andares, cada um com quatro apartamentos interligados por uma generosa circulação que tem objetivo de funcionar como uma extensão de moradia.

A ausência do gradil, os recuos incorporados das calçadas e a implantação dos serviços públicos fazem parte das séries de estratégias de desenhos para que o conjunto habitacional se diferencie dos projetos existentes, atendendo a necessidade social e mantendo o desenho do projeto.

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REFERÊNCIAS:

– Revista Monolito 7 – Habitação Social em SP

– Revista Monolito 11- Jovens Arquitetos

– Revista Serrote, 9

– Rem Koolhas – Junkspace, 2011

– Jacobs, Jane, Morte e Vida de Grandes Cidadaes

– Site Renova SP

– Site MMBB

– Site Macroeconomiabrasileira.blogspot.com.br