The Japan Architect

The Japan Architect – Por Helena Moita e Maria do Carmo Nery.

Revistas analisadas: Edições 86 e 87, publicadas no ano de  2012.

A revista JA – The Japan Architect foi publicada pela primeira vez em junho de 1956. Desde 1991 passou a ser publicada no modelo trimestral e bilíngue, japones/ingles. Foi a primeira revista japonesa traduzida para o ingles visando ampliar seu público alvo tanto dentro quanto fora do japão.

O foco da revista é tratar de projetos originados no japão, identificar as tendências das mudanças na arquitetura do país e transmitir para o público fora do país essas questões. A revista JA tem uma proposta de edições monotemáticas, fielmente cumpridas.

Estruturação da revista:
Capa – Texto de introdução – Índice – Texto(s) Crítico(s) – Conteúdo.   

Capa: A capa sempre traz uma imagem ocupando todo o espaço disponível, o nome da revista, o número da edição e um título único, que se refere ao tema tratado no corpo da revista.

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Texto de introdução: Logo na primeira página há um texto de apresentação do tema e sobre o motivo da escolha do tema. Esse texto é sempre bem sucinto, mas completo, e apresenta o tema em questão ao leitor, mas gera curiosidade e interesse sobre o assunto.

Índice: Em seguida, há um índice bem organizado e de claro entendimento sobre o conteúdo da revista. Uma questão intrigante é o fato de que, na revista inteira, não existe nenhum anúncio publicitário.

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Textos Críticos: Após o índice apresentam-se textos críticos, geralmente de arquitetos, sobre o tema a ser tratado na revista. Na edição 87, por exemplo, aparecem três textos sendo os dois primeiros textos críticos de dois arquitetos sobre Kumiko Inui e seus trabalhos (arquiteta estudada durante toda edição) e o terceiro texto apresentado é da própria arquiteta falando de seu ponto de vista sobre as mesmas questões. Essa comparação é importante, pois mostra o interesse da revista em formar uma opinião critica do leitor e não somente mostrar seu ponto de vista sobre o tema apresentado, trazido no texto de introdução.

Em todas as edições a revista segue um padrão de apresentação das matérias: Em primeiro lugar aparece o nome do arquiteto ou escritório, com um breve texto informativo sobre sua(s) trajetória(s); nome, localização, ano de início e conclusão do projeto; para cada projeto apresentado existe um texto explicativo bem sucinto sobre a linha de pensamento e criação do mesmo; e em seguida fotos, desenhos técnicos e ilustrações do projeto.

Ao ler o texto de introdução da edição 87 ficou claro que a mesma seria dedicada a arquiteta Kumiko Inui devido à qualidade e consistência presentes em todos seus projetos. O fato dela sempre explorar profundamente o entorno, a funcionalidade, estudar meticulosamente a volumetria para fazer com que a arquitetura interaja com o ambiente. Por outro lado, na edição de número 86 sobre os jovens arquitetos do Japão, não se pode identificar o motivo desses arquitetos terem sido selecionados e é necessário buscar informações em outras fontes.

A edição 86 foi dedicada à nova geração de arquitetos japoneses. São apresentados 18 grupos de arquitetos na faixa de 26 a 35 anos e seus edifícios concluídos e projetos atuais. Esses arquitetos estudaram em uma época em que o crescimento da sociedade foi aumentando cada vez mais e apesar de terem sido influenciados por seus antecessores, adotam padrões e pensamentos diferentes do habitual. Algumas áreas de atuação são em projetos de renovação, projetos internacionais e esforços para a reconstrução das áreas afetadas por desastres. Agora que a compreensão da arquitetura está mudando na sociedade, a questão apresentada é como essa nova geração se posiciona. A revista propõe mostrar como os estilos diversificados desses novos grupos tem o potencial de expandir o campo arquitetônico.

Um ponto a ser considerado é o fato de que dentre todos os projetos dos 18 grupos apresentados na edição 86 nenhum está relacionado aos problemas de crescimento da população ou reconstrução dos desastres causados no Japão.  Não foi apresentado nenhum projeto com essas características ou com, por exemplo, tecnologias novas para amenizar os efeitos que esses desastres podem trazer a arquitetura. A maioria dos projetos apresentados é  executada em pequena escala, quase que em sua totalidade, pequenas residências.

Aspectos positivos:

1. Organização simples dos dados técnicos de projeto, texto informativo, fotografias, plantas, cortes;

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2. Boa composição gráfica, na maioria dos projetos;

3. Maioria dos projetos com bastante informação;

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4. Índice limpo, organizado e de fácil entendimento;

5. Ótima qualidade das fotografias e de impressão das páginas;

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6. Grande quantidade e diversidade de projetos expostos;

7. Revista muito ilustrativa acaba se tornando mais atrativa por não ter textos muito densos.

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Aspectos negativos:

1. Muitas fotografias e poucos desenhos técnicos (plantas, cortes, elevações) Nota-se maior preocupação em apresentar croquis e a ideia por trás do projeto do que seu processo de execução e resultado final;

2. Preocupação em investigar os processos construtivos em pouquíssimos projetos;

3. Falta de cuidado com o layout de algumas páginas. Há muita poluição visual e textos colocados em cima de imagens. Plantas confusas, com muitas informações agrupadas e/ou desenhos de vegetação em cima do desenho técnico.

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4. A revista se preocupa em mostrar o contexto dos projetos, não se atentando muito a apresentar textos explicativos sobre o esquema construtivo ou até mesmo detalhes construtivos dos projetos em questão.

5. Falta um padrão na apresentação dos projetos: Alguns são muito bem explicados e possuem bastante representação gráfica e outros possuem poucas ilustrações e quase nenhum desenho técnico.

Análise da apresentação de um projeto: Forest House in the City, Edição 86. 

Um projeto muito interessante, que levou em consideração a vegetação existente em seu entorno para determinar o projeto em si.  O projeto apresenta uma planta muito flexível, pois não tem divisórias internas de cômodos a não ser pelo banheiro e lavanderia, situados no centro da casa. Pode-se notar o uso abundante de aberturas em todas as extremidades, o que faz da casa bem arejada, iluminada e emoldura a vegetação externa, a tornando parte integrante do projeto. A revista apresenta somente uma planta muito confusa por conta da representação da vegetação. Em seguida há três fotos do projeto que não esclarecem várias questões. A ausência de um corte ou elevação tenta ser compensada pela presença de fotos, que não são suficientes para o perfeito entendimento de sua forma, altura do pé direito, por exemplo.

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Análise do projeto: House K, Tokyo, 2010.

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Esse projeto é um muito flexível. O terreno longo e estreito foi quase que totalmente ocupado pela construção. Distribuída em 5 andares com cinco paredes divisórias transversais possui aberturas de tamanhos variados sendo que em alguns casos a abertura é tão grande que a parede é simplesmente composta por duas colunas. Com isso é possível mudar o número de salas de acordo com as necessidades e isso também deixa todos os cômodos integrados. O andar superior possui uma luz ambiente distribuída de forma homogênea, o que dá uma sensação de integração e inserção com o cenário urbano.

Fontes:

Revista JA Edição 86;

Revista JA Edição 87;

https://www.japlusu.com/

 www.inuiuni.com/

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