The Architectural Review – Por Diogo Nóbrega e Stéphanie Rosemberg

 

 

SOBRE A THE ARCHITECTURAL REVIEW
The Architectural Review foi fundada em 1896. Caracteriza-se como revista internacional de arquitetura, e é publicada mensalmente em Londres.

A REVISTA E SUA HISTÓRIA
(Resumo do texto presente em http://www.architectural-review.com/story.aspx?storyCode=8603298)

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A capa da primeira edição trazia a legenda “uma revista para o artista e o artesão”. Neste primeiro momento, as discussões da revista mantinham-se no movimento Arts and Crafts, ditado principalmente por John Ruskin e AWN Pugin, e focava em formar sua área de interesse na arquitetura visual e verbal.
Com o zeitgeist, a revista foi direcionando-se à arquitetura clássica, consciente do agitado desenvolvimento internacional. A partir de então, se estabelece claramente a intenção de se formar uma revista cujos ideais se baseiam em tratar do lado artístico separadamente dos negócios.
Em sua primeira década, é publicado The Practical Exemplar of Architecture, que se destinava a fornecer aos arquitetos padrões universais, com fotografias e desenhos técnicos, ilustrando os vários estilos arquitetônicos da época.
Seu relançamento em 1913 realizou-se afim de aproveitar os avanços na qualidade da reprodução fotográfica, anunciando um formato novo e luxuoso, com fotografias de página inteira, expondo grandes obras.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a AR colocou-se na tarefa de documentar a pior destruição na França e na Bélgica, e foi escolhida pelo governo para ser a editora oficial de fotos coloridas das decorações de Londres para as celebrações de paz em 1919.
Os anos 1920 e 1930 trouxeram à AR um envolvimento mais ativo com novos movimentos arquitetônicos. Inclusive, foi na AR que Nikolaus Pevsner, o famoso historicista alemão de arte e arquitetura, começou sua ilustre carreira.
Nos anos do pós-guerra Pevsner foi sucedido pelo jovem Colin Rowe, que fez contribuições memoráveis para a revista.
Na década de 1950, a AR testemunhou uma reorientação de arquitetos britânicos que passam a voltar seus esforços para a reconstrução em meio às conseqüências da Segunda Guerra, além de acompanhar o auge do modernismo.
A década de 1960 é marcada por um debate sobre os problemas da Grã-Bretanha, levando a revista à um reposicionamento polêmico para a época, que se traduz na série The Manplan, ambiciosamente estabelecendo uma correção de tais “males” com sugestões de soluções a partir de uma enorme cobertura fotográfica dos mesmos.
Durante os anos 70, a AR desceu em um estado de crise de auto-crítica típica do fim do modernismo e agravada por suas pretensões de ser um registro simples e não um porta-voz do avant-garde.
Na década de 1980 a revista recupera seu foco com Peter Davey, mudando para um formato temático, em que os edifícios foram agrupados por função ou idéia. Foi durante este período que a AR recupera a sua superioridade intelectual e visual, com edições especiais sobre o meio ambiente, paisagem, arte e ecologia, e arquitetura e clima, o que indica um compromisso profético com as questões ambientais.
Já no final do século, com a profundidade da discussão dada aos edifícios (como com Lloyd em Londres ou as sedes do Hongkong and Shanghai Bank em Hongkong) fez-se claro de que Rogers, Foster, e os “comandantes” da High Tech passaram a marcar forte representação para o período.

A AR Hoje
Já passada mais de uma década do novo século, a AR, ao se encontrar em meio a um reino de parametricismo, pluralismo e plágio, permanece cética em relação às modas e tendências, acreditando ser a arquitetura, em sua essência, uma arte socialmente responsável.
Como em todos os meios de comunicação, torna-se impossível dizer até que ponto a AR tem relatado com precisão as preocupações e ideais das várias gerações, e até que ponto se definiu e se formou estas. No entanto, apesar de ao longo do tempo observar-se mudanças no formato, design, e pessoal, a AR ainda mantém sua base na continuidade, e em suas raízes históricas.

ESTRUTURA
Capa (set/2012 – China Issue e dez/2012 – Emerging Architecture, respectivamente):

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Editorial View– Nesta parte encontra-se uma breve apresentação do Editor chefe sobre os temas abordados na revista.
Overview– Nessas páginas encontram-se visões gerais ligadas ao mundo da arquitetura, ao seu contexto e aos temas propostos na edição.
Após estas duas primeiras partes, há basicamente um padrão de apresentação da edição, com pouca variedade em sua forma, primeiramente com a exposição de pontos de vista de grandes nomes da arquitetura, da arte e do urbanismo (Viewpoints), seguida eventualmente por alguma matéria relacionada, ou ao design (Design review), ou à algum futuro evento de interesse (Preview), ou ainda à algum evento de interesse já ocorrido (Review). Além disso, todas as revistas exibem uma parte direcionada à apresentação de sua visão sobre algum lugar do planeta (View from) e termina com comentários de leitores (Your Views).
Depois desta primeira parte, seguem-se as matérias principais. Os temas são diversificados e abrangentes, porém sempre dentro do tema principal que a edição escolheu para o mês.
Em sequência às matérias principais, há a parte final da revista também de forma padronizada, muitas vezes com a apresentação de algum tema abordado pela campanha “The big rethink”, seguido pelos tópicos de fundo mais teórico e didático de nome Reviews, Pedagogy, Reputations, e Folio.
Reviews é uma parte mais cultural, que apresenta e recomenda desde conceitos, livros, exposições, até a exploração de novos ideais, etc.
Pedagogy é onde a revista dedica sua atenção ao ensino, focando em universidades de características singulares ao redor do mundo, expondo, além de entrevistas com professores de arquitetura e urbanismo, sua história e seu impacto em relação aos alunos e à cidade.
Reputations é onde grandes nomes da arquitetura são lembrados ou celebrados com uma matéria exclusiva normalmente de duas páginas.
Folio é a parte da revista onde eventualmente se homenageia alguma personalidade de destaque no mês, apenas com a apresentação de alguma imagem de sua obra, e por vezes com uma breve explicação desta.

DESTAQUES
1. THE BIG RETHINK (Tradução: O grande repensar; Autor: Peter Buchanan)
“Em resposta às atuais crises ecológicas e econômicas globais, este parece ser um momento oportuno para rever todos os aspectos da arquitetura e catalisar novas abordagens culturais e intelectuais para as questões de sustentabilidade, urbanismo e educação. […]” (Fonte: site http://www.architectural-review.com/home/the-big-rethink/)
Assim a AR publica desde janeiro de 2012, ensaios sobre vários temas de preocupação crítica com o objetivo de estimular um novo pensamento e debate.
ALGUNS TEMAS TRATADOS PELO “THE BIG RETHINK” EM 2012:
Spiral Dynamics and Cultural Evolution (Dinâmica Espiral e Evolução Cultural)
Propõe uma teoria que ressalta a narrativa ainda em desenvolvimento da evolução humana, analisando a complexa interação entre cultura e sociedade, de modo que se considere a forma como se vive e, fundamentalmente, como se pode viver, tornando os indivíduos mais engajados tanto uns com os outros, quanto com o mundo. (AR, vol. 232, nº 1390, dez/2012)
Architectural education: a more fully human paradigm (A educação arquitetônica: um paradigma mais plenamente humano)
Propõe uma educação arquitetônica radicalmente reconsiderada que passe a envolver o homem com a sociedade e a cultura, de forma que interaja com a atual e crítica realidade. (AR, vol. 232, nº 1388, out/2012)
– Lessons from Peter Zumthor and Other Living Masters (Lições de Peter Zumthor e outros mestres vivos)
– Learning from Four Modern Masters (Aprendendo com quatro Mestres modernos)
– Place and Aliveness: Pattern, Play and The Planet (Lugar e vivência: Padrão, situação e o planeta)
– Transcend and Include The Past (Transcender e incluir o Passado)
– The Purposes of Architecture (Os propósitos de Arquitetura)

2. AR v. 095, nº 567, Março 1944

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Capa da AR, vol. 095, nº 567, mar. 1944. Especial Brasil.

Edição especial de 1944, com o texto “The architects and the modern scene” de Kidder-Smith (complementado em 1950 por P.J. Marshall com o texto “South America Scrapbook”, In: Architectural Review, vol 107, nº 638, e em 1954 pelas críticas dos arquitetos Max Bill – cuja crítica, de caráter negativo, foi a mais polêmica – , o alemão Walter Gropius – crítica precedida de publicação no mesmo ano e de mesma autoria na revista Habitat – e sua mulher Ilse Gropius, o italiano Ernesto Nathan Rogers, o japonês Hiroshi Ohye e o inglês Peter Craymer) sobre o Brasil e sua imagem historiográfica da arquitetura moderna, difundida internacionalmente, principalmente nas décadas de 40 e 50, posteriormente recebendo importantes contribuições até a década de 80, e seguindo com novos debates a partir de novas interpretações.
Além da AR, revistas como L’Architecture d’Aujourd’hui, The Architectural Forum e Casabella também participam desta primeira exposição do Brasil e sua relação com o movimento moderno, porém, tais primeiros documentos de difusão ainda correspondem à uma fase de “cegueira inicial”, onde nem obras, tampouco protagonistas dessa história haviam sido eleitos. Contudo, abre-se portas à novos debates para a arquitetura brasileira desde então.

3. AR + d AWARDS
ARQUITETURA EMERGENTE E A RESILIÊNCIA CRIATIVA –
O prêmio AR+d (THE ARCHITECTURAL REVIEW – 1390 – DECEMBER 2012)
O AR + d Awards foi fundado pela The Architectural Review no ano de 1999, e oferece a jovens arquitetos (de idade abaixo de 45 anos) a oportunidade de situar sua obra em um cenário internacional, e vale para os diferentes campos de desenho como arquitetura, urbanismo, paisagismo, etc. Todos os projetos passam por jurado internacional, e os vencedores têm seus projetos publicados na revista.
Envolvendo-se com uma geração emergente de arquitetos, o Prêmio AR + d capturou um espírito de resistência/superação criativa e apresentou uma perspectiva única sobre as preocupações críticas que irão moldar o futuro da arquitetura.
Na edição de dezembro de 2012, a The Architectural Review celebrou o trabalho premiado de quatro grupos vencedores do Ar + d Awards for Emerging Architecture do mesmo ano.
Em júri, concordou-se sobre a importância de certos critérios-chave como conexão, o uso adequado de materiais e tecnologia, o cultivo de responsabilidade ambiental e social e um compromisso com a noção de que arquitetura deve ser propositiva, moldando novas idéias sobre o ambiente construído e sua relação com o resto do mundo. Apenas projetos já construídos são elegíveis para que não se limite a arquitetura à teoria e à informação, contextualizando-a na prática.
Com diversos contextos e perspectivas, os vencedores representam Japão, Espanha, Bangladesh e Canadá.
JAPÃO – Em Hiroshima, Hiroshi Nakamura propõe uma habitação urbana de blocos de vidro, explorando o potencial dos materiais de transmutar o espaço e luz.

OPTICAL GLASS HOUSE

Detalhe da parede de vidro

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Fabricados a partir de 6000 blocos longos e finos, a enorme parede de vidro forma um véu brilhante, que seleciona as distrações da cidade e anexa um jardim no coração da casa

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A parede de vidro projeta sombras por toda a casa

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. Os blocos são feitos de vidro de borossilicato, normalmente utilizado na fabricação de instrumentos ópticos. O vidro retém pequenas irregularidades, que produzem efeitos visuais inesperados.

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Outros projetos vencedores:

ESPANHA – Em Madrid, Langarita-Navarro Arquitectos reutilizam criativamente o casco de um antigo matadouro para um novo cenário vibrante para fazer música e peformances.
RED BULL MUSIC ACADEMY

BANGLADESH – No delta do Ganges, o Centro de Amizade de Kashef Chowdhury sintetiza as formas e materiais para uma autêntica arquitetura moderna, regional.
THE FRIENDSHIP CENTRE – URBANA

CANADÁ – Em Winnipeg, 5468796 Architects reiniciam um programa genérico para habitação social em algo mais formal e experimentalmente complexo.
BLOC 10 HOUSING

 

THE ARCHITECTURAL REVIEW – 1387 – SEPTEMBER 2012
CHINA SPECIAL ISSUE | GHOST TOWNS | THE GREEN DELUSION | MAD | MODERNISING
O progresso de uma superpotência emergente relacionado à passagem do maior projeto de urbanização na história da humanidade
Ao longo dos últimos 10 anos, a China emergiu como a segunda maior economia do mundo, e hoje caracteriza-se como o maior importador do mundo e maior exportador, além de ser o maior detentor de reservas internacionais.
Porém, não se pode empolgar demais com a ascensão da China como o flip-side do colapso ocidental, pois quando a esquerda-liberal perde a confiança no capitalismo e democracia, observa-se uma tendência a ver a salvação nos ‘milagres’ do Estado autoritário. Os artigos desta edição destinam-se à percepção de desafio – da China e de nós mesmos – porque o debate contemporâneo sobre a China muitas vezes diz mais sobre “nós” do que sobre “eles”.
Embora a questão das condições precárias de vida seja uma realidade cotidiana para um país ainda emergente de uma economia agrária, o fato de que 400 milhões de pessoas saírem da pobreza nos últimos 20 anos é algo a ser comemorado, pois esta é a maior transformação social na história humana. Mas as desigualdades sociais existentes são contraditórias, talvez provenientes de um sinal de sucesso de transição social.
Esta edição do The Architectural Review propôs examinar algumas das questões fundamentais – a partir de programa de construção pública da China para seu sistema de ensino, a partir de sua velocidade de desenvolvimento de seus impactos ambientais, a partir de suas ambições modernas para sua construção tradicional e colocá-las no contexto .
Pela falta de um plano diretor, o êxodo da população do campo acabou por superlotar as cidades.
Assim, o governo interviu de forma inovadora. Começou a se construir cidades, e quando se fala cidades, trata-se de uma questão de capacidade para mais de 10 Milhões de habitantes. Só que ainda nem todas foram ocupadas, muitas permanecem vazias, caracterizando-se, portanto, nas famosas cidades fantasmas que já correram o mundo nas notícias (existem atualmente 64 Milhões de casas disponíveis). Entretanto, estabelece-se um sentindo nesta situação. Mesmo que não sejam ocupadas agora, futuramente atenderão às necessidades do país, visto que o êxodo do campo para a cidade ainda não terminou. Ainda é possível afirmar que para a China compor uma imagem de igualdade social e econômica, o caminho a percorrer é grande.
Mas será que com toda esta construção algo em termos ambientais está sendo feito? Afinal, é uma oportunidade única de se fazer o correto e o necessário. A China, hoje, tenta vender para o mundo uma nova bandeira, uma bandeira “verde”, onde as suas construções têm o famoso telhado verde, que como instrumento de marketing, já lhe dá validade automática para a sustentabilidade. No entanto, o que aqui se traz para discussão não se mantém apenas em como que a edificação se posiciona simplesmente perante a melhoria na qualidade do ar, e sim, em como de fato se pode ser sustentável. Como realmente se atende às necessidades de uma população que sofre um crescimento grande e rápido, e de maneira tão diferente e nova? Como se resolver os problemas atuais de forma mais significativa?

PROJETO
MAILLEN HOTEL AND APARTMENTS, SHEKOU, SHENZHEN, CHINA

O Projeto escolhido desta edição foi o Maillen Hotel and Apartments, Shekou, Shenzhen, China.
O motivo da escolha deste projeto foi a forma como os arquitetos trabalharam no terreno e no seu entrono.
É um conjunto de edifícios que cercam uma área central mas nunca fechando totalmente o lote, sendo possível cruzar de um lado para o outro. Outro ponto que chama a atenção são os espelhos d’água e os jardins existentes na área central.

Escritorio: Urbanus
localização: Yanshan Road, Shekou, Nanshan District, Shenzhen, China
Project Designers, Design Director: Meng Yan, Zhu Jialin
Architecture Design: Zheng Ying, Huang Zhiyi, Yao Xiaowei, Zuo Lei, Liu Xiaoqiang, Yie Peijun, Li Da, Shen Yandan, Ji Yuyu, Zhang Zhen, Liu Liu, Liu Zirong, Xia Miao, Yuan Yi, Guo Donghai
Landscape Design: Xing Guo, Wei Zhijiao, Ding Yu, Cedric Yu, Li Jing, Huang Yihong, Liao Zhixiong
Cliente: China Merchants Real Estate Co. Ltd.
Construido: 2011
Area: 13,198 m²
Area Construida: 21,540 m²

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CONCLUSÃO
Como pontos positivos, é possível apontar uma intenção geral da revista The Architectural Review de ligar o leitor a uma arquitetura contextualizada na história, na cultura, e na sociedade, de forma que se revele um aspecto didático e pedagógico desta, com sua forte base teórica, e seu reconhecimento mundial por sua longa presença no mercado. Os projetos apresentados na revista dispõem de clareza nas informações, bem como relatório de imagens (tanto de fotografias, quanto de desenhos técnicos) rico em detalhes e disposição.
Além disso, a AR disponibiliza todo o conteúdo de suas edições em seu site para cadastrados.
Em relação à possíveis e eventuais aspectos negativos da revista, não se viu grande relevância a ponto de se questionar a qualidade da revista.

THE ARCHITECTURAL REVIEW – 1387 – SEPTEMBER 2012
CHINA SPECIAL ISSUE | GHOST TOWNS | THE GREEN DELUSION | MAD | MODERNISING
THE ARCHITECTURAL REVIEW – 1390 – DECEMBER 2012
EMERGING ARCHITECTURE | CAMPAIGN: SPIRAL DYNAMICS | JOSEP MARIA JUJOL | LEBBEUS WOODS

BIBLIOGRAFIA
THE ARCHITECTURAL REVIEW – 1387 – SEPTEMBER 2012
THE ARCHITECTURAL REVIEW – 1390 – DECEMBER 2012
http://www.architectural-review.com/
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.072/352

Frame

Por Julia de Carle

Revista Frame.

A revista FRAME foi fundade em 1997 por Peter Huiberts e Thiemann Robert. A FRAME é uma revista especializada em “high-end publication”, isto é se considera uma revista de extrema qualidade e cara, para uma audiência global de profissionais criativos. A revista é altamente internacional e cobre o mundo da arte, arquitetura, design e interiores, atingindo leitores em 77 países. Isso torna a FRAME uma revista que trata de conectar os leitores com o mundo dos compradores de arte, arquitetos e designers de todo o mundo. Oferece uma perspectiva fresca, não-acadêmica sobre arquitetura.

A revista é escrita e publicada de dois em dois meses, o que por um lado é bom pois acumula muitas matérias, mas ao mesmo tempo a torna um pouco cansativa, densa. Tem um custo alto em relação as outras do mesmo estilo vendidas hoje em dia.

A FRAME é bem diversificada, traz sofisticação, novidades, pode ser considerada um pouco futurística mas ao mesmo tempo bem contemporânea. Faz a escolha de suas matérias de acordo com o estilo que a revista segue, mostrando sua visão, sua opinião sobre contemporâniedade em todos os campos como arquitetura, culinária, moda dentre outros, fato que a faz diferente.

Ao ler a revista pela primeira vez, é possível acha-lá bem confusa, pois os assuntos das matérias podem ir e vir, ter tanto no começo, como no fim. Outra característica que de inicio deixa o leitor perdido são palavras chaves sobre as matérias que estão escritas na própria pagina ou na pagina em seguida, palavras que estão localizadas no canto direito ou esquerdo junto com o numero da pagina, que diz onde é e em qual campo da arte ela se encaixa(design, arte, culinária, moda), ou qual construção, como por exemplo restaurante, bar, salão de beleza e etc.

Uma característica das três edições escolhidas é a quantidade de matérias sobre lojas, sobre a arquitetura de interiores, que vem ganhando destaque cada vez mais, o que nos faz questionar a importância destas para a historia da arquitetura, e o interesse de leitores em relação ao assunto.

A estrutura da revista é bem setorizada, tem divisórias bem marcadas, e para auxiliar é divido por tópico (localizados no canto externo da folha).

Existe um padrão em sua estrutura, onde alguns tópicos são abordados, porém de maneira diferente conforme a edição.

  1. Capa
  2. Propaganda
  3. Índice
  4. Propaganda
  5. Editorial
  6. Visions
  7. Propaganda
  8. Stills
  9. Features
  10. Reports
  11. Goods
  12. Ultima folha com a próxima edição.

CAPA

O nome Frame está no topo da revista, sempre ocupando um quarto da capa. Sempre na mesma fonte e tamanho, porém a cor varia conforme a cor da capa, para que a leitura do nome da revista seja bem nítida. Imagens bem atrativas e coloridas que ocupam o restante da revista, mostrando apenas as palavras chave de assuntos que serão tratados no interior da revista. Na lateral esquerda o numero da revista, as palavras “great indoors” e o mês e ano.

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Cerca de 10 páginas de propaganda antes de chegar no índice.

ÍNDICE

Sempre duas páginas, a primeira trata sobre os assuntos da capa e no verso as outras coisas. Sempre bem dividido conforme o interesse e em tópicos para que o leitor posso ir direito no que está procurando. Índice bem setorizado e organizado.

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Propagandas sempre coloridas e que chamam atenção.

EDITORIAL

Trata de alguma matéria dentro da revista, fazendo referencia a ela.

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VISIONS

Visions é uma sessão de pequenas reportagens sobre projetos que ainda não foram construídos, mas que diz ter algo de inovador e diferente. Diz tratar de assuntos contemporâneos e visionários.

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STILLS

Trata de assuntos que fogem um pouco do nosso dia-a-dia. Trata da arquitetura como uma arte, mostrando inovações da área com uma setor só de instalações. Instalações que mexem com os sentidos, questionam o publico e privado entre outros. Além de tratar de assuntos que não vemos com freqüência, apontar projetos com idéia diferenciadas, bem inovadoras e diferenciadas. Porém, não existe um aprofundamento nos temas, tudo bem sucinto e vai do leitor ir atrás de mais informações. Normalmente seu foco é na arquitetura, construções inovadoras em algum sentido, mas nunca colocando plantas e cortes.

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FEATURE

Trata dos assuntos da capa que não são necessariamente sobre arquitetura, e nem despertam um grande interesse no leitor. Ex. Assunto da edição 90 que era sobre como nos relacionamos com a natureza, entretanto a reportagem era sobre a enciclopédia das plantas.

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Uma seção especial da revista chamada  “City Special”, onde trata sobre alguma cidade, mostrando um pouco da sua historia, cultura e construções, deixando sempre transparecer sua opinião e posicionando-se em relação ao assunto. Diferentemente das outras matérias, essa ganha destaque e tem matérias mais longas. Escolhemos a cidade Tel Aviv, que tem sua matéria na edição 88, para falarmos mais.

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REPORTS

Entrevistas mais relacionadas a design, gastronomia e moda, além de um catálogo de materiais e móveis.

GOODS

Impressa em um outro tipo de folha, essa parte da revista se diferencia do resto. São matérias que abordam na maioria das vezes sobre design de moveis ou algo que tenha haver com design de interiores, e tem como inicio da material entrevista com algum profissional da área, trazendo assim como todo o formato da revista, muitas imagens.

Pontos positivos:

-Trata de diversos assuntos; arte, gastronomia, design e arquitetura.

– É um revista bem visionaria para os interessados, traz material de estudos, pesquisas e idéias para o futuro.

-Bem dinâmica, com curtos parágrafos e matérias sucintas. Embora isso também seja um ponto negativo porque não aborda com a profundidade que o leitor espera.

– Revista direcionada para todo e qualquer tipo de publico, considerando que a forma pela qual as matérias estão escritas são de fácil compreensão.

Pontos negativos:

-Revista um pouco confusa pela divisão de matérias. Pelo fato dela abordar diversos assuntos, as vezes acontece de você ler uma matéria ou uma sessão delas no começo da revista, e no final o mesmo assunto aparecer de novo.

-Sempre dão preferência a imagens do que o escrito, e muitas vezes o escrito não é suficiente para compreendermos com profundidade o assunto. Dá vontade de pesquisar por mais informações em outras revistas, sites e etc.

-Ao mesmo tempo que é interessante trabalhar com tamanhos e cores diferentes de fonte, acaba tornando-se cansativa ao olhar do leitor, ou ate mesmo o fazer confundir informações.

-Pela quantidade de paginas, a revista torna-se as vezes cansativa.

-Índice não é no começo.

TEL AVIV

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A matéria “City Special” traz em sua edição 88 a cidade de Tel Aviv, segunda maior cidade de Israel, referida muitas vezes, como capital funcional. Situa-se na costa mediterrânea, e foi considerada patrinômio mundial pela UNESCO em 2003, pois dispõe da maior concentração de edifícios de estilo modernista.

A matéria começa contando o surgimento da cidade, que antes fazia parte de Jaffa, e em 1909 ganha sua independência como subúrbio. A cidade teve momentos para identificar-se como subúrbio, depois cidade, passando a ter reconhecimento nacional e por ultimo internacional.

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Patrick Geddes foi o responsável pela organização da cidade, baseou-se no British Garden City e na sua visão de cidade como sistema de circulação. Ele focou na expansão na grelha de ruas norte-sul leste-oeste formando sessenta blocos, que não seriam necessariamente construídos. No centro dessas quadras, deixou áreas abertas para áreas verdes para uso publico. Apesar da idéia interessante, Geddes perde sua vez em um concurso para outros profissionais, Avraham Yasky e Shimon Povsner, que ganharam pelo novo olhar sobre a arquitetura. Fizeram parte da primeira geração de arquitetos israelenses pós guerra, que estabeleceram como linguagem oficial de Tel Aviv, o modernismo em massa.

Ram Karim foi outro arquiteto daquele momento que se destaca, por ter feito o primeiro arranha céu, por ter se preocupado com o espaço publico, como por exemplo uma estação de ônibus, alem de suas convicções que eram semelhantes a da cidade, de se tornar internacional e mais ousado em relação a sua arquitetura.  Outros arquitetos dessa nova geração surgem e aparecem com suas obras, edifícios que são reconhecidos ate hoje.

Esse crescimento acontece junto com o reconhecimento de que Tel Aviv tornou-se o centro econômico de Israel, fato que chamou a atenção de todos. A cidade passa a ter junto das construções antigas da década de 1930, prédios comerciais grotescos,  uma grande demanda de clubes, hotéis dentre outros projetos, envolvendo públicos, que não tiveram sua oportunidade nem significado para a época, o que deixou os arquitetos frustrados. Com isso, muitos seguiram a carreira de arquitetos privados criando interiores do estilo Bauhaus para a elite, outros ironicamente seguem o estilo global e operam em outras cidades.

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Um dos exemplos de construções dessa época que a revista traz com matéria única é um dos poucos lugares que expressam a mudança urbana e arquitetônica da cidade, o Textile Center Complex , localizado no centro histórico, entre a cidade árabe de Jaffa e a cidade judia de Tel Aviv. Essa área ficou abandonada e sob ruínas por décadas, ate que no começo dos anos 60, essa área de 500m2, foi colocada em discussão e encontrou para um concurso. Um escritório local formado por quatro arquitetos israelenses ganhou com o projeto de um complexo comercial, que seria conectado a uma das ruas principais da cidade, por uma serie de plataformas elevadas por quase todas as partes. Um projeto revolucionário, impactante para o momento, e com o simples objetivo de atender a demanda de empresários na cidade que se tornava o centro econômico de Israel.

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Por estar implantado em frente ao mar, o projeto tem características de um navio, janelas redondas, chão elevado que da aparência de torres de um cruzeiro. O complexo é formado por 6 torres bem altas, e uma mais baixa ao sul, e o horizonte é recriado entre o céu aberto e as estruturas de aço.

Porém o prédio não foi muito utilizado, e hoje menos ainda, serve apenas de memória da ambição da época em que foi construído.

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ZARA HADID, The Pierres Vives Building.

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A sessão Stills, traz entre outros assuntos de despertam curiosidade, o primeiro projeto da arquiteta hoje tão conceituada, Zaha Hadid , na Franca, mas especificamente Montpellier, capital de Herault.

Projeto vencedor do concurso Pritzker Prize em 2004, The Pierres Vives Building, abriga uma biblioteca, um departamento de esportes, alem de uma área publica que resulta em uma área de 35000metros quadrados.

Sua forma foi inspirada na natureza, criando uma “arvore do conhecimento”, que vista de longe parece um grande bloco, porem a medida que se aproxima, a divisão em três partes se torna aparente. A área publica esta no tronco da “arvore”, seguido da biblioteca.  Janelas dinâmicas pintadas de verde ao longo da fachada, tem como função permitir a iluminação natural da biblioteca e das salas de leitura.

Os ramos são os pontos de acesso e as entradas para as varias instituições. A oeste são as entradas publicas, ligadas por um hall de entrada linear e um espaço de exposição no centro, já a leste ficam as entradas de serviço.Cada bloco tem circulação vertical interna.

Destacamos esta matéria, por apresentar em seu sucinto texto, a utilização de energia cinética, informação que não se encontra em nenhum site na internet.

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Revista Domus

Por Eduarda Moraes e Thaís Martoni

Revista Domus – (edições mensais)

Fundada em 1928 pelo arquiteto milanês Gio Ponti, a revista italiana Domus criou uma visão privilegiada – e internacionalmente reconhecida – para identificar e se aprofundar nas características de cada escola arquitetônica desde então.
Com preocupação em  discutir  as  formas  da  arte  do  momento,  em  especial  a  arquitetura e o design, a revista possuía na época um caráter mais aberto e  eclético  no  seu  entendimento  do  significado  de  ser moderno. A revista mesmo tendo um sério comprometimento com a severidade da crítica partia de uma visão mais pessoal e apaixonada de seu diretor pelas múltiplas possibilidades de expressão de seu tempo.
O Brasil aparece pela primeira vez na revista em 1940 com uma residência aqui construída por um arquiteto italiano. Mas será no retorno de Gio Ponti à sua direção em 1948 que a arquitetura brasileira ganha certo espaço nas páginas da revista e passa a ser motivo de atenção com maior
frequência. Representada principalmente a partir do grupo carioca foi apaixonadamente defendida
por sua genialidade, apesar de algumas críticas aos seus excessos formais perdoáveis por sua
exuberância criativa e por certo “primitivismo”.
A Domus mesmo reafirmando a idéia da arquitetura brasileira como distorção dos princípios originários europeus vê na liberdade exuberante e exótica do desvio a qualidade e o foco de interesse da arquitetura brasileira.

Edição selecionada:
964, Dezembro 2012

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Capa:
 Título centralizado na parte superior em letras minúsculas na cor preta. Os temas que serão tratados se apresentam abaixo do título em forma de texto em inglês.
 
Ao longo de 2012, a capa e as primeiras quatro páginas da revista foram uma plataforma aberta. A cada mês, esse espaço foi reservado para profissionais selecionados para manifestar, de forma pessoal, o significado de projetar nos dias de hoje. Nesta edição, o escolhido foi OFFICE Kersten Geers David Van Severen, com Dar Al Riffa Double.

Publicidade:
Excessiva. Começa já na contracapa e vai até a 26ª folha. Depois disso, há também ao longo da revista, que acaba se confundindo com o texto, causando poluição visual.

Índice:
Só é encontrado na 26ª folha da revista. Antes disso, o conteúdo é basicamente publicitário. No lado esquerdo da página há uma pequena imagem da capa seguida de um pequeno texto explicativo. Ao lado, o sumário, dividido em tópicos e subtítulos. No verso, há a relação de todos os colaboradores da revista.
Temas:
Não há um padrão definido para cada início de tema. A grande diversidade de tipos de papel e layout acaba por gerar poluição visual.
Projetos:

A revista apresenta mais artigos teóricos e publicitários do que projetos em si, estes são apresentados de forma confusa. Dá prioridade às fotos, e não aos desenhos técnicos. Poderia haver um rigor maior na organização das páginas(textos e imagens).
Análise – Projeto:
A revista traz a matéria-projeto de forma narrativa e não crítica, como observamos abaixo:

Ginásio desmaterializado – tentativa de criar uma integração social capaz de adentrar no centro urbano
Fundada em 2002 pelo francês Benoît Jallon e o italiano Umberto Napolitano, LAN Arquitetura é uma prática de médias empresas com escritórios no 10 º arrondissement de Paris – 18 projetos concluídos e cerca de 15 em andamento.  LAN tem suas origens na Escola de Arquitetura La Villette, no norte de Paris,
Em 2007, Chelles, uma cidade com população de cerca de 50 mil, a 20 quilômetros do centro de Paris, lançou um apelo para contribuições para a construção de um novo complexo esportivo. LAN respondeu o convite ao questionar o papel do ginásio na vida de uma cidade suburbana.  Em sua proposta, o ginásio transcende a sua função primária como uma instalação esportiva para se tornar um pedaço de infra-estrutura urbana, que contribui para a vida na comunidade.
Os arquitetos queriam criar uma forma de dramatização para os visitantes que chegaram a partir da estação de trem, oferecendo-lhes um anúncio imediato de coisas futuras.  Há a divisão do centro de esportes em dois blocos separados dispostos em ângulos retos: o salão poliesportivo (medindo 1.100 metros quadrados) e anexo (um salão de 289 metros quadrados).  Construído com vista para o salão poliesportivo, o menor anexo oferece uma série de pontos de vista para baixo, onde há uma praça, através de suas aberturas.  Os arquitetos buscaram recompor o ambiente urbano: “O Renascimento nos ensinou que a presença define ausência, dando a este último seu caráter.”
O projeto tem a forma de um objeto preto monolítico em concreto pigmentado, com uma fachada de vidro animado por cobre cobertas de tiras de alturas diferentes.  Além de conferir um carácter precioso e elegante para o todo, o vidro também reflete os edifícios existentes na nova praça, e assim, duplicar a igreja e fachadas prefeituras.  “A fachada é uma fonte de ambiguidade, uma espécie de abstração, uma coisa altamente geométrica.” 
Caracterizado por uma estética minimalista, uma aparência monolítica e pesquisa no design da fachada inovadora. O local permite aos visitantes um vislumbre de lazer do conjunto antes de descobrir uma fachada principal, que é mais leve e em harmonia com os seus arredores.  As tiras de cobre criam o efeito de um objeto precioso, oferecendo uma pele exterior que modula em sintonia com o clima e hora do dia. Simplificando, a desmaterialização do contexto urbano serve como fio condutor para os arquitetos em LAN, que afirmam, sem falsa modéstia: “A cidade é mais bonita do que é refletido na realidade; visto através de nosso prédio é quase romântico”.

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A materialidade de sua estrutura em contraste com a ambiguidade das imagens fragmentadas em sua pele de vidro. O volume ordenado do novo ginásio tem vista para a praça central de Chelles, recompondo seus arredores.
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Pontos negativos:
Fonte pequena
Vários tipos de papel ao longo da revista
Tamanho personalizado, maior que A4
Excesso de propaganda
Organização confusa
Pontos positivos:
Boa qualidade de imagens
Texto também em inglês
Editorial completo

 
Fontes:
http://www.domusweb.it/en/news/2012/12/04/domus-964-in-newsstands-now.html
http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/153/canal-38308-1.asp

http://www.domusweb.it/en/architecture/2012/12/19/gymnasium-dematerialised.html

Architect

A revista Architect é uma revista da AIA (American Institute of Architects). Seu primeiro lançamento foi em 2006 quando ela foi comprada pela Editora Hanley-Wood. É uma revista americana publicada no modelo mensal que aborda três temas; design, tecnologia e a profissão do arquiteto.

ESTRUTURA:

A revista é estruturada da seguinte forma: capa, índice, AIArchitect, trabalho, tecnologia, cultura, destaque, design, índice publicitário e passado progressivo.

CAPA:

A capa da revista não tem um padrão. Ela muda de acordo com a edição publicada e a cor do nome da revista também muda. A única coisa que não é alterada em cada edição é a fonte do texto que é usado na capa. Acima do nome da revista está escrito o nome de alguns artigos e ao lado estão indicadas as páginas onde os mesmos se encontram. Porém, os artigos citados acima não estão na ordem crescente das páginas e sim em ordem de importância. Também podemos encontrar na capa o tema principal que será abordado nessa revista. No canto esquerdo inferior está indicado o mês e ano em que a revista foi publicado e ao lado está o site da revista. Na capa não encontramos em nenhum lugar a edição dessa revista.

As imagens abaixo são das revistas de Janeiro 2012, Fevereiro 2012 e Março 2012.

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ÍNDICE:

O índice da revista é divido em duas partes: em uma página eles mencionam os destaques e design. Na página seguinte, encontramos a segunda parte do índice onde eles passam a mencionar o conteúdo geral da revista. Entretanto, o índice não só ficou ruim mas ficou muito confuso pois não seria necessário dividi-lo. Essa divisão fez com que ao procurarmos os temas destaque e design não os encontramos no índice geral dando uma impressão de falta de informação. Ou seja, ao olharmos no índice geral vemos que da página 57 até a 66 o tema cultura é abordado mas da página 67 até a 111 a impressão é que não tem conteúdo quando na verdade a página 68 até a 80 corresponde ao tema destaque e a 81 até a 111 ao tema design.

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PROPAGANDA:

No caso da revista Architect a propaganda é excessiva. Além de excessiva, encontramos a propaganda ao longo de toda a revista sem que haja uma divisão entre as matérias e o espaço publicitário. A propaganda começa no verso da capa e só acaba quando a revista acaba. O problema maior que a propaganda traz para a revista Architect é que ela está espalhada por toda parte e no meio de um artigo há propaganda. Isso faz com que a propaganda acabe se tornando uma distração na leitura do artigo e o foco do leitor passa a ser a propaganda ao invés de ser o artigo.

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Além da propaganda que a revista apresenta entre as matérias, a revista também criou outros dois itens: o item “classificados” que também é chamado de “setor especial de propaganda” e finalmente, o índice publicitário. No índice publicitário encontramos uma tabela que consta todos as empresas que foram anunciadas na edição da revista e as páginas onde podemos encontrá-las. Além dessas informações citadas acima também é dado o site da empresa e do seu telefone para contato.

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PONTOS POSITIVOS:

–          quando um projeto é apresentado nos temas destaque ou design encontramos muitos desenhos técnicos;

–          pelo fato da revista ser dividida entre arquitetura e design, fica uma revista mais organizadas, até porque antes de se iniciar a outra parte, a revista tenta mesclar os dois temas;

–          ao apresentar um projeto nos temas destaque ou design, todos os materiais que foram utilizados no projeto são mencionados;

–          possui um editorial bem completo, com os editores geral, chefe, de arte e design e seus contribuintes;

–          muitas de suas propagandas são de novos materiais, tipos de estruturas e objetos.

–          são citados muitos arquitetos, suas ideias e como trabalham nos escritórios.

PONTOS NEGATIVOS:

–          a letra que utilizada nos artigos é muito pequena;

–          há muita poluição visual na revista pois há uma integração dos artigos com propaganda;

–          exagero de propaganda fazendo com que haja poluição publicitária;

–          na capa da revista não há o número da edição da revista;

–          ao colocar em uma página onde artigos estão misturados com propaganda, o leitor acaba tendo sua atenção desviada. Também considera-se que isso faz com que o leitor é mais cativado pela propaganda do que o artigo;

–          em um artigo encontramos o texto na orientação retrato e na página ao lado há uma foto e um pequeno texto explicativo que foram postos na orientação paisagem;

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–          seu editorial é feito com letras muito pequenas e de forma desordenada, sendo a vezes centralizada ou não;

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ANÁLISE DO PRIMEIRO PROJETO

O projeto principal apresentado na revista de janeiro de 2012 é sobre um prédio residencial, também, com uso comercial, localizado em San Francisco. O prédio tem as características dos alojamentos de estudantes nas faculdades, mas com finalidade diferente, a de ser uma residência permanente, podendo ser habitada para o resto da vida. Seu uso comercial é voltado para o atendimento de pessoas sem teto, tendo ajuda psiquiátrica e médica geral. Os apartamentos são de tamanho mediano, com acesso restrito a moradores, com sistema de segurança por porteiros especializados e câmeras ao redor do prédio. Na parte superior, onde seria o telhado é encontrada uma área de convívio social dos moradores, podendo olhar a cidade e se socializar.

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Nas imagens do projeto principal da revista podemos perceber plantas bem explicadas e detalhes doas ambientes por registros fotográficos.

Pode-se perceber mais detalhes construtivos do edifício nas imagens do que nas plantas.

ANÁLISE DO SEGUNDO PROJETO

O projeto principal da revista de março de 2012 esta localizado em Calgary, Canada; é o projeto da universidade de Calgary.

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Neste projeto podemos perceber alguns detalhamentos a mais do que nas revistas anteriores, com cortes e explicações sobre a distribuição do edifício.

As fotos são bem explicativas, mostrando partes importantes da universidade, como a integração dos andares pela escada, onde os patamares servem de bancos.

Revista L’Architecture d’Aujourd’Hui

Por Deborah Gofert e Juliana Vitória Aragão

Análise das edições números: 391 e 392

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L’Architecture d’Aujourd’Hui (Arquitetura Contemporânea) é a revista de arquitetura mais antiga da França. Foi criada durante a crise econômica em 1930 pelo arquiteto, escultor, pintor e editor André Bloc. Em primeira istância, a revista promovia a vanguarda e diferentes movimentos e personalidades da arquitetura, abordando a modernidade, junto com Le Corbusier. O objetivo era apontar diferentes perspectivas sobre assuntos diversos, como arquitetura, urbanismo e recursos tecnológicos. Na época, era a única revista francesa a ser conhecida internacionalmente por ter um caráter descompromisado com a própria França.

Por mais de 70 anos, a L’Architecture d’Aujourd’Hui permaneceu sem mudanças, de acordo como editorial da revista. No entanto, entende-se que aqualidade das matérias tenha decaído, já que a publicação da revista foi interrompida em 2007, e em 2009 Jean Nouvel, François Fontes (arquiteto francês) e Alexandre Allard (empresário) decidiram, em conjunto, comprar a revista e fundar a S.A.S. Archipress & Associe (nova editora), voltando com a publicação que parou por quase 2 anos e evitando que a mesma acabasse. Com essa mudança, veio a ambição de abrir um fórum de discussões e troca de opiniões.

Em 2011, Antoine Vernholes assumiu o gerenciamento da revista, comprometendo-se a fortalecer a própria, criando uma estrutura que continua aberta para outros campos artísticos.

Cada matéria é escolhida através de um debate do comitê editorial. Seguindo a tradição dos comitês anteriores, seus membros têm diferentes origens, enriquecendo a revista com diversidade e abrangendo diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto. Fora do comitê editorial, o conselho, composto pelos próprios donos, críticos e grandes arquitetos, entre eles Frank Gehry, Shigeru Ban e Philippe Starck, respondem as perguntas do comitê, intervindo periodicamente para auxiliar na orientação da revista.

O objetivo da ‘A’A’ em 2011 é “semear uma nova luz sobre aarquitetura”, apresentando documentos gráficos, entrevistas, personalidades e talentos emergentes. Uma das intenções iniciais da revista ainda encontra-se presente, abordar assuntos além da arquitetura, cruzando diferentes opiniões sobre fotografia, escultura, vídeos, design, paisagens e ideais.

A revista, desde sua criação, permanece bilingue (francês e inglês), assim como seu site oficial, com uma média de 176 páginas e mantém um diálogo com os leitores do mundo a fora.

Sua estrutura não é fixa em todas as edições. Porém, é possível observar uma linha de raciocínio, onde alguns tópicos chaves são abordados em algumas edições e, em outras, estes tópicos podem diferir-se entre si. De uma forma geral, a revista apresenta a seguinte organização:

1. Capa
2. Propaganda na contra-capa
3. Editorial
4. Contato
5. Propagandas
6. Índice
7. Atualidades
8. Matérias em geral
9. Propaganda de um evento relacionado a arquitetura
10. Índice da última matéria e seuconteúdo

11. Investigação da biblioteca pessoal de um intelectual
12. Considerações finais

CAPA
Um terço da capa da revista é reservado para a sua identidade visual (‘A’A’), o seu nome por extenso e o número da edição. A principal matéria da edição tem seu título em destaque. No canto inferior direito há uma coluna com algumas matériais que também serão abordadas. No fim da folha, há uma linha com todos os temas que o número tratará, podendo variar de edição para edição. Não há poluição visual: apenas uma imagem de boa qualidade preenche a página inteira. Suas informações são escritas apenas em francês

EDITORIAL
Explicação da essência das matérias tratadas na edição.

CONTATO
E-mail e telefone dos contribuintes da revista, apenas em francês.

ÍNDICE
Dividido em 2 partes, uma com o subtítulo de cada matéria e seu respectivo autor, e outra com uma prévia de imagem da material

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ATUALIDADES

Eventos relevantes que acontecerão antes da próxima edição da revista. Possui propagandas no meio.

MATÉRIAS EM GERAL
Nas matérias, geralmente curtas, porém aprofundadas, é possível perceber um tom critico, onde a revista procura expresser de forma clara sua opinião e posicionar-se no assunto tratado.
INVESTIGAÇÃO DA BIBLIOTECA PESSOAL DE UM INTELECTUAL
Explora a biblioteca de uma pessoa através de uma entrevista seguida dos livros citados, com uma pequena resenha de cada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Créditos- todos os autores divididos por sessão;
Propagandas;
Um mapa mundi com lugares em que a ‘A’A’ pode ser adquirida. Não necessariamente nesta ordem.

Pontos Positivos:
-Seu formato (maior que uma folha A4), a gramatura e a textura do material dão um efeito diferenciado em relação `a outras revistas comuns;
-A maioria das imagens têm boa qualidade

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-Explora os escritórios citados de forma abrangente, trazendo mais de um projeto para análise

-Artigos teóricos pertinentes e bem aprofundados
-Boa composição gráfica (o ‘A’A’ está presente em todas as páginas no canto superior direito, sendo que quando inicia-se uma matéria nova, o símbolo é maior)

-Apresentação de desenhos técnicos e croquis explicativos

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-Não aborda somente arquitetura, mas também fotografia, inspirações e projetos sociais

Pontos Negativos

-Organização
-Falta de informação gráfica em desenhos.
-Excesso de fotos em algumas matérias, e falta em outras.
-Algumas imagens são vagas (não exemplificam os usos)
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-A revista entitula-se completamente bilingue, porém, a apresentação da capa, dos contatos e as propagandas é feita apenas na linguagem francesa

-Forma de tradução do francês para o ingles não é sempre feita da mesma maneira, causando confusão na hora da leitura.

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Abordaremos matérias que explicam os métodos de trabalho de Steven Holl, onde a escala e individualidade do projeto são essenciais para a identidade da cidade, as alternativas que arquitetos em Tóquio encontram no uso de pequenos espaços, e de que forma a arquitetura globalizada está ou não sendo criticada. Escolhemos estas matérias pois elas trazem a importância da arquitetura tanto em pequenos quanto em grandes espaços, e o valor que a elas é atribuído.

Arquitetura: O que você pretendia me dizer?

No número 392 da revista, o tema aborda uma questão em pauta sobre a importância da comunicação entre o que está sendo construído e seu real significado e intenção, e o que é, de fato, dito pela mídia. François Chaslin, antigo editor chefe da revista, discorre de maneira crítica e sólida sobre a imprensa em geral, e qual éo papel que está sendo representado por jornalistas do ramo.

A crítica de arquitetura é uma atividade que está esvaecendo, pelo menos em sua forma tradicional, a do crítico de imprensa. Em decorrência das abordagens da comunicação, que exprimem um novo conceito sobre o direito de criticar e o crescimento de uma nova onda de informação e discussão.

O ato de criticar, porém, está presente em nosso cotidiano de forma comum, em conversas, expressão de emoção, em forma de julgamentos didáticos e interpretativos. Mas de que forma encontramos essas críticas, sejam construtivas ou ofensivas, nos veículos mais influentes e dominantes da comunicação global? É evidente que muitas mudançasocorreram, não apenas na imprensa, mas na mídia e todos os seus ramos.

François aponta o estilo inglês colunista, onde a crítica está restrita em áreas específicas: notícias políticas, literatura, teatro e cinema, ressaltando a grande preocupação com a propaganda, afundando a contribuição da crítica em páginas promocionais de filmes, elogios, retratos e entrevistas com atores.

A imagem do jornalista hoje é diferente de como imaginávamos no passado, como um investigador de casaco sobretudo. Hoje, atrás de seus computadores, correm contra o tempo a fim de conseguir a melhor maneira de apontar o caso, onde os artigos devem ser curtos, convidativos, com bons títulos e ilustrado por imagens atrativas que façam a página brilhar. “São armadilhas de informações que não oferecem opinião alguma”, aponta François.

Mas como a arquitetura se apresenta, de maneira que esse brilho convidativo não esconda a principal essência e intenção do projeto? A era do consumo tem comandado de forma latente a reflexão individual, e não há mais diferença entre ser e ter, onde todas as funções básicas do dia são influenciadas pela generalização. Em Cidades Genéricas, Rem Koolhaas compara esse momento de exaltação da cidade como os aeroportos da atualidade, sendo todos iguais. O centro tem que ser sempre mantido, como “o lugar mais importante” e tem que ser ao mesmo tempo, o mais velho e o mais novo, mais estático e mais dinâmico.

“A cidade genérica é a cidade liberada do cativeiro central, da camisa de força da identidade […] ela é nada senão uma reflexão da presente necessidade e da presente habilidade. É a cidade sem história. É grande o suficiente para todos. É fácil. Não precisa de manutenção. Se fica muito pequena, simplesmente se expande. Se fica muito velha, simplesmente se auto destrói e se renova. É igualmente excitante e não excitante em qualquer parte. “É superficial” – como um estúdio de Hollywood, podendo produzir uma nova identidade a cada manhã. (KOOLHAAS, 1995)”

Portanto, o desencontro queocorre entre a mídia que manipula as informações e mostra, de forma conveniente, espaços sedados, projetados para uma realidade sedentária, não esclarece a intenção do projeto. A mídia ou a arquitetura estão erradas? Nossa forma de pensar, agir e expressar foi modificada. Nosso modo de ler tem-se mostrado igualmente alterado. Se compararmos o que uma página cheia significava há 30 anos, quando em 1984 a revista Libération publicou uma matéria de 12 páginas sobre a morte do filósofo francês Michel Foucault, com aproximadamente 14.000 caracteres. Já em 2012, a matéria sobre a mortedo cineasta Chris Marker teve um total de 5 páginas, com grandes ilustrações, aproximando 8.000 caracteres. E ainda é muito, nesta época de twittar, onde reportagens inteiras são feitas na rede social, com um limite de 140 caracteres por mensagem.

Entretanto, a página contemporânea deve ser luminosa. Em tempos de brilhar, em inaugurações de empreendimentos são feitas coberturas completas, onde a festa é mais importante que o edifício em si, e as matérias feitas dão importância a quem compareceu, o que foi servido aos convidados, ou a grife do vestuário. O evento é um item de consumo.

Uma das dificuldades do crítico é a de que vivemos em um tempo de constante conflito entre intelectualidade, ecletismo artístico, e superficialidades. Mesmo que as gerações mais novas de arquitetos tenham acesso e treinamento de escolas, professores, pesquisadores e teóricos, temos um sentimento de desencantamento, de decepção compartilhada. François explica que talvez a arquitetura por si mesma, seja boa ou ruim por motivos que vão muito mais além, não nos tem nada a dizer.

Em uma conversa de rádio entre Le Corbusier e o jornalista George Charensol, em 1 de Novembro de 1962, o arquiteto falava sobre seu projeto Carpenter Center, em Harvard: “Haverá concreto estiloso e impecável, e concreto mal feito. O que permanece é a arquitetura adentre. O problema inteiro permanece no seguinte: ‘o que você pretendia me dizer?’

François termina sua matéria indagando o leitor sobre esta hipocrisia generalizada, de uma sociedade apática e alienada em sua zona de conforto:
“Quem ainda tem força e não está exausto ou massacrado pelo padrão, e cuja coerência não foi despedaçada? Quem não se coloca um ar de otimismo e generosidade, neste tempo de crises? Quemnão esconde coisas (mediocridade da construção contemporânea) com luminosos ataques de cor?”

Qual é a intenção do que estamos nos dizendo, e o que podemos realmente nos dizer de interesse mútuo, entre arquitetos, críticos e sociedade? Qual é essa arquitetura “adentro”, como disse o velho arquiteto?

Steven Holl

A poética dos opostos

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Esta matéria (edição número 391) coloca em foco o escritório de Steven Holl, um arquiteto nascido em Seattle.

Escrito em destaque, está o significado de aquitetura para ele: um processo singular definido pelo conceito, e sua maneira de trabalhar com aquarela em todos os projetos.

Em uma introdução rápida, a revista cita um de seus projetos, O Helsinki’s Kiasma Museum, que se tornou uma declaração profética. Com esta base, faz-se uma comparação com o crossing-over dos cromossomos na biologia, em que 2 cromossomos diferentes se juntam em um, com a intenção de dizer que opostos podem formar algo singular. O próprio Steven Holl conviveu com ideias opostas durante sua carreira como, por exemplo, a sustentabilidade: ele sempre foi a favor de um design ecológico, mas não gosta dos padrões ambientais das práticas econômicas.

A matéria apresenta também uma entrevista com o arquiteto, evidenciando sua metodologia de trabalho. Primeiramente, Holl pensa na escala e na individualidade do projeto “A ideia move o design. Cada projeto é único e não transmissível para outro lugar”. A seguir, inicia os desenhos com tinta aquarela. Ás vezes, consegue fazer o projeto logo de cara, ás vezes não (é o caso da Daeyang Gallery and House, em Seoul, cuja fase de projeto levou 6 meses e 31 ideias diferentes). Ele afirma que pode trabalhar por dias na mesma ideia sem saber se ela vai ser a final ou não, até que, como por o instinto de um artista, ele sabe que acertou. Ele escolheu aquarela para seus croquis pois, segundo ele, ela tem um conceito e conta a história de seu desenho. Outro fator que também é levado em consideração em seus projetos é a música, pois assim como a arquitetura, ela te envolve. Holl acredita que um dos focos do século XXI, pelo menos para ele, é a poesia “Se você acha que design sustentável é a única que a arquitetura do século XXI pode fazer, eu acho isso um pouco tecnocrático*, você não acha? Falta a poesia. Se fizermos uma analogia com a música, a arquitetura fornece muito mais do que ser ‘verde’ ou neutra em carbono. Eu considero a arquitetura uma forma de arte”. Apesar de criticar o green design, Steven Holl sempre teve uma preocupação ecológica, pois acredita que seja uma questão de senso comum;é absolutamente necessário, mas não é uma panaceia, ou seja, uma resolução para todos os problemas. Ele afirma, também, que sempre que pode, tenta fazer trabalho social. É preciso aproveitar a oportunidade – se lhe é possível fazer um projeto político, algo que fará a diferença, ele o fará.

Apesar de projetar sozinho, Holl depende de muitas pessoas, como seu parceiro Chris McVoy. Ele trabalha com a aquarela, mas não consegue pensar em tudo, “é muito complicado”, diz.
Apesar de ter nascido em Seattle, Holl não se considera um arquiteto americano, pois estudou em Roma e em Londres e a maioria de seus trabalhos não se localizam nos Estados Unidos, fato pelo qual ele é muito grato. Outro fato que o entusiasma é que hoje em dia a arquitetura pode vir de qualquer inspiração, “é um território livre”.

Helsinki’s Kiasma Museum

Helsinki’s Kiasma Museum

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Daeyang Gallery and House, em Seoul

Daeyang Gallery and House, em Seoul

Linked Hybrid

A revista traz diversos projetos do arquiteto, inclusive o Linked Hybrid, em Pequim, na China. Este projeto representa o argumento de Steven quanto a necessidade da cidade por espaços públicos. Por muito tempo, Pequim foi uma cidade predominantemente horizontal, o que foi repensada com a atual vanguarda da verticalização. Com o Linked Hybrid, Holl consegue juntar as duas experiências: a vivência da escala humana (grandes abertura com jardins e piscinas), mas elevando-a a cima do nível da rua, o que o permitiu criar um espaço público acessível por todos os lados. São oito torres residenciais com comércio público no térreo e nas áreas elevadas.

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De acordo com o site oficial do escritório, o programa é composto por 644 apartamentos, espaço público arborizado, zonas comerciais, um hotel, cinemacoteca, jardim de infância, a escola Montessori e estacionamento subterrâneo (conteúdo residencial, comercial, educacional e recreativo), tudo isso disposto em uma área de aproximadamente 220.000m2, feito para a companhia Modern Green Development.

Como na China estava acontecendo um grande desenvolvimento na área de privatização urbana, este projeto visa combatê-lo, propondo uma área convidativa e aberta ao público.

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O nível da calçada oferece diversas passagens para pessoas, sejam elas residentes ou visitantes. São estas passagem que garantem micro-urbanismos, ou seja, uma escala proporcional a escala humana, que ganham vida com o comércio ao redor da lagoa.

Os prédios mais baixos possuem teto verde, gerando mais uma área tranquila. O topo das 8 torres residenciais também é verde, mas essa é uma área privada, que conecta as luxuosas coberturas. Todas as funções públicas do térreo, sem excessões, são ligadas a áreas verdes.
Os elevadores funcionam como um pulo a outra série de passagens em níveis mais elevados. Nos prédios residenciais, do 12º ao 18º andares há uma espécie de ponte multifuncional, com piscina, academia, café, galeria, auditório e um mini salão, conectando-os e proporcionando uma ótima vista da cidade. Programaticamente, estas ”pontes” pretendem ser parte da estrutura, tirando-a da linearidade. A intenção é que a parte mais alta e a intermediária resultem em diversas relações, o que teria como consequência uma experiência diferenciada na vida urbana.

Os desenhos a seguir foram encontrados no Archdaily:
Poços geotérmicos resfriam o complexo no verão e o aquecem no inverno, um aspecto bom ecologicamente por otimizar o gasto energético, o que o torna um dos maiores projetos residenciais verdes do mundo. Trata-se de um sistema de trocas de calor.

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O Linked Hybrid rendeu a steven Holl diversos prêmios, entre eles Popular Science Engineering Award for Largest Geothermal Housing Complex, EUA, em 2006; o Best Tall Building Overall, EUA, em 2009; e o Best Residential Project, EUA, em 2010.

Planta do pavimento térreo, com layout e norte.

Planta do pavimento térreo, com layout e norte.

Possível observar o paisagismo na imagem a seguir:

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Diagrama com a circulação possível para pedestres. Em vermelho, a circulação no térreo, em verde, o acesso pelos elevadores ao teto verde e, em laranja, o acesso do térreo ao nível das pontes.

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Planta de 2 apartamentos. Cada edifícil tem 21 andares, com 4 apartamentos por andar. Cada apartamento conta com 2 suítes, uma sala de estar, sala de jantar, cozinha e escritório.

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Planta esquemática da união feita pelas pontes. Em vermelho, vê-se os acessos e circulações. As outras cores são referentes aos usos: azul é um clube de esportes, com áres pré determinadas para atividades em grupo, personal trainer, musculação, vestiário, etc; o laranja é um spa, com ponto de encontro, calabereiro e massagem; as duas áreas arroxeadas são cafés e espaços relacionadas a isso (loja de chá, deck e lounge); o verde é uma livraria e o amarelo uma área para exibições, separada por temas (arquitetura, escultura e artes em geral).

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Corte do cinema, que pode ser visto na imagem abaixo:

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Corte do complexo, o único desenho técnico encontrado na revista.

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Tóquio

Casas Contemporâneas

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O objetivo desta matéria é mostrar que o senso comum criado sobre Tokyo (arranha-céus espelhados) é, na verdade, apenas parcialmente certa. A revista menciona os trabalhos de Roland Barthes, Araki, Moriyama, Kitano, Tarantino e Coppola. Barthes foi um filósofo francês que, considerando as limitações da cultura ocidental, viajou para o Japão, e se deparou com a ausência de uma ênfase em um ponto de grande foco, definindo em sua obra Império de Sinais (publicada em 1970) o centro de Tokyo como um silêncio indefinido, evitado e desconsiderado. Araki e Moriyama são fotógrafos que retrataram, em preto e branco, o lado mais suburbano da cidade, como pode ser visto na imagem abaixo. Kitano, Tarantino e Coppola são famosos diretores de filmes que retratam a cidade de Tokyo ressaltando sua orientalidade. No entando a revista, que apenas cita os nomes dos artistas a cima, explica que nem mesmos eles foram capazes de captar a experiência de viver essa cidade.

Fotografia por Daido Moriyama

Fotografia por Daido Moriyama

Mapa da cidade de Tokyo

Mapa da cidade de Tokyo

Os famosos arranha céus asiáticos só são verdade nesta cidade nas fachadas das principais avenidas, estando a cerca de 10 metros de distância de uma fábrica urbana ou outra construção com uma proporção completamente diferente.

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A cidade é enorme e tem 30 milhões de habitantes. No entanto, é muito pequena em termos de unidade básica – uma casa de até 3 pavimentos em lotes minúsculos. Os arquitetos aprenderam a lidar com a falta de espaço no fim da II Guerra Mundial quando, em uma tentativa de diminuir os esforços com a reconstrução da cidade, o governo padronizou os requerimentos para todos (2LDK – living room, dining room, kitchen e 2 bedrooms, ou seja, sala de estar, sala de jantar, cozinha e 2 quartos).

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A revista mostra soluções dadas por arquitetos para solucionar esta questão da falta de espaço. A resolução pode ser feita de modo criativo e funcional.

Moradias unifamiliares ainda são uma característica típica de Tokyo. Para seus cidadãos, assim como para os franceses, casas são populares e muito comuns em bairros como Shinjuku, novas áreas de Shibuya e na parte oeste da cidade, onde o planejamento urbano foi feito com suporte das companhias ferroviárias no início da década de 1930.

As casas podem ser feitas de madeira (cada vez menos), pré-fabricadas pela Sekisiu House ou pela Asahi, grandes fábricas, ou um projeto individual feito por um arquiteto particular.

São muitos os exemplos que podem ser dados para explicar que mesmo com espaço limitado, os projetos são criativos. Escolhemos a Casa NA, do Sou Fujimoto Architects.

Casa NA

Sou Fujimoto Architects

  • Ano Projeto: 2010
  • Área construída: 84,91 m²
  • Área do terreno: 54,99 m²
  • Localização: Tóquio, Japão
  • Fotógrafo: Iwan Baan

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Localizada em um bairro tranquilo de Tóquio, a casa utiliza 914 m² de vidro e foi projetada para um jovem casal. Sua transparência contrasta com os típicos muros de concreto encontrados na maior parte das densas áreas residenciais do Japão. Há um conceito de viver em uma árvore, que satisfaz o desejo dos clientes de viverem como nômades dentro de sua casa. O interior é composto por 21 placas de piso individuais, todos situados em diversas alturas.

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A casa atua como um quarto único e uma coleção de quartos, descrito como “uma unidade de separação e coerência”. Não há um programa específico, e as placas de piso individuais proporcionam diferentes ambientes para diversas atividades. A intimidade dos ambientes é feita por cortinas, como partições temporárias.

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Sou Fujimoto afirma: “O ponto intrigante de uma árvore é que esses lugares não são hermeticamente isolados, mas são conectados uns aos outros em sua relatividade única. Para ouvir a voz de alguém do outro lado e acima, pulando para outro ramo, uma discussão acontece pelos galhos por membros de diferentes galhos. Estes são alguns dos momentos de riqueza encontrados através de uma vida tão espacialmente densa.”

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As placas de fundo variam de 1,95 a 7,52 metros quadrados, e estão conectadas por escadas e patamares, com pequenos trechos de degraus fixos e móveis. As placas do piso são estratificadas num escala semelhante ao mobiliário, permitindo que a estrutura resolva vários tipos de funções, como a configuração de circulação, áreas de estar e funcionais.

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Os pequenos vãos permitem a fina e delicada estrutura de aço branco. As placas do piso são equipadas com aquecimento no chão para amenizar os efeitos do inverno, sendo basculantes, otimizando o fluxo de ar e proporcionando ventilação e refrigeração durante o verão. Contraventamentos laterais são feitos por uma estante, e leves painéis de concreto integrados aos alçados laterais.

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O arquiteto afirma não haver relação entre a estrutura branca e uma árvore. Mas a vivencia neste espaço, de forma articulada, em diferentes planos, livre e conectada, forma uma adaptação contemporânea da riqueza. “Essa é uma existência entre a cidade, arquitetura, mobiliário e do corpo, e é igualmente entre natureza e artificialidade”.

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Referências:

Histórico da ‘A’A’:

Arquitetura: o que você pretendia me dizer?:

Revista L’Architecture d’Aujourd’Hui, edição 392

Cidades Genéricas, de Rem Koolhaas – 1995

Junk Spaces, de Rem Koolhaas –2011

 Steven Holl:

Revista L’Architecture d’Aujourd’Hui, edição 391

Revista Projeto Design:

Revista Projeto Design:

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             A revista Projeto Design é uma revista brasileira, da editora Arco Editorial, que existe há aproximadamente 36 anos, com edições mensais dirigidas á profissionais da área de arquitetura e construção.  Sua primeira edição foi a número 11 isso porque é uma revista que nasceu de um jornal, o jornal do “Arquiteto”, 1972. O jornal era ligado ao IAB-SP foi criado por Vicente Wissenbach.

             Seu primeiro projeto gráfico foi feito pelo escritório BC&H, atualmente chamado de FutureBrand, em 1996. Em 2013 a revista sofreu uma mudança no projeto gráfico, na qual, foi adotada uma cor para cada edição, além de mais espaços em branco com o objetivo de fluir a leitura.

             Na revista encontramos diferentes enfoques como projetos de arquitetura e urbanismo, projetos de interiores entrevistas, artigos e calendários com feiras e eventos relacionados a área de design arquitetura e construção civil.

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Análise:

Estrutura da revista:

             Capa, propagandas, entrevistas, propagandas, em dia (notícias sobre o que está acontecendo no mundo da arquitetura, urbanismo e design), prancheta, carta do editor, sumário, casas brasileiras (casas Brasileiras são casas no sudeste), arquitetura (Parte na qual os projetos de arquitetura são encontrados), internacional (não é encontrado em todas as edições), interiores (projeto de interiores),design, artigo  e memoria projeto.

A Capa:

             Para cada edição da revista é escolhido para capa uma cor diferente para faixa lateral onde são encontrados os dados da revista. Na parte de baixo encontramos uma faixa dividida em três partes mostrando a principais matérias abordadas nas edições. Já a imagem é colocada na folha toda, sendo ligada a uma das matérias da revista.

Crítica:

             A revista começa já com muitas propagandas, seguidas de uma entrevista, que não é bem abordada para uma revista que fala sobre arquitetura, algumas vezes pelo tema que é abordado, outras apenas pela forma como é colocada.

Na edição 393 da revista a entrevista é com a Ivana Mendes, carioca Formada em direito, mas cineasta por paixão, contando um pouco sobre seus documentários que não são feitos para o público do meio arquitetônico, mais sim para pessoas leigas que se interessam por arquitetura, ou seja, não ligadas em arquitetura, decoração ou artes. Esse exemplo nos mostra que as entrevistas nem sempre são ligadas ao publico da revista, é interessante mais não é uma entrevista técnica ou que chame a atenção dos leitores, tendo algumas exceções.

Existe uma parte na revista chamada prancheta, na qual você espera que seja apresentado um projeto completo, e significativo para revista, mas encontramos apenas um projeto apresentado de maneira superficial, mostrando apenhas fotos sem nenhuma analise técnica.

Outro ponto negativo da revista é que o sumário não é encontrado rapidamente, estando localizado no meio da revista.

Como podemos ver é uma revista que deixa muito a desejar no ponto de vista da explicação, dada aos temas apresentados.

A revista tem uma boa estrutura, boas ideias em relação a composição de tópicos (Capa; Entrevista; Em dia; Carta do Editor; Sumário; Casas brasileiras; Arquitetura;  Internacional;  Design; Tecnologia e serviço; Memória projeto.), porem a grade quantidade de propagandas e um gerenciamento que inclina a revista a uma direção superficial e acorrentada aos patrocinadores.

Apresentação de projetos completos:

             Os projetos que são apresentados na revista, em sua maioria, são projetos no Rio de janeiro e em São Paulo, tendo algumas raras exceções de projetos nos números analisados de Goiânia, Brasília, Paraná e internacionais da França e da argentina.

Se analisarmos os projetos encontramos um enfoque deferente do esperado para uma revista de arquitetura.

O projeto apresentado na edição 392 é um Centro de Bionanomanufatura, em São Paulo do escritório Piratininga Arquitetos Associados. O prédio é apresentado como multifuncional, não sendo apresentada pela revista a razão de sua multifuncionalidade.

O enfoque dado ao projeto no texto é a parte estrutural, que deveria ser destacada nos cortes e plantas para melhor entendimento, ou deveriam ser apresentados detalhes construtivos, nenhuma das duas coisas estão presentes no texto.

Além de tudo isso no último paragrafo a revista tenta dar uma explicação em relação ao partido adotado para o projeto de paisagismo, deixando um paragrafo vago e sem muitos detalhes.

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             O projeto apresentado na edição 393 é um projeto em Goiânia, que é um edifício do complexo do Tribunal Regional do Trabalho. O projeto, foi vencedor de um concurso em 2007, e  pertence aos arquitetos Daniel Corsi , Dani Hirano e Reinaldo Nishimura.

Novamente o enfoque na estrutura, porém apresentando um detalhe construtivo do caixilho externo.

Apresenta no artigo um diagrama de fases, o que parece ser uma maquete das etapas de construção do edifício, porém não é explicado no texto a utilidade dessas imagens.

Como vimos nos dois projetos o que é apresentado nas imagens, não são bem explicados no texto, deixando muito a desejar para o entendimento do projeto.

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             Na edição 394, na materia “Partido Estrutural e materiais Sob medida” as primeiras duas páginas relatam o breve histórico do Autor (Guilherme Matos), a relação superficial da topografia e da orientação da edificação. Introdução de detalhes pouco relevantes como a utilização de vidros coloridos e tal intenção artística que relaciona a cidade (que toma significante parte da Quarta página).

Falta de objetividade com o tema da obra “Materiais e estruturas”.  O enfoque dado ao projeto no texto é a parte estrutural, que deveria ser destacada nos cortes e plantas para a melhor compreensão.

Fotos “Artísticas” porem não muito elucidativas, a procura de um bom ângulo e luz natural ofuscaram as formas da obra, deixando a desejar quanto a conexões textuais e interpretativas, faltam fotos da parte interna para um maior entendimento das plantas, cortes e vistas.

Plantas e cortes ilustrativos, contudo não conseguem expressar sozinhos a essência do projeto em questão.

Boa escolha do projeto.

Temos a impressão que o texto tenta enaltecer os autores à própria obra (Arquitetura, Paisagismo e parte “Artística”). Temos muitas perguntas depois de ler esta matéria, a falta de informações é tão brutal que motiva a fazer uma procura por conta do usuário da revista, e esta acaba por perder sua função.

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REVISTA A+U (Architectura & Urbanism)

REVISTA A+U (Architecture & Urbanism)

Bianca Atalla e Carolina Dulcinoti

     Revista vertente da Revista japonesa JA. Sua primeira publicação foi em Janeiro de 1961. É uma revista global escrita em japonês e inglês que fornece informações sobre a arquitetura ao redor do mundo. Assim como a Já, é mensalmente publicada.

       Possui uma ou duas temáticas que percorrem todo o volume, apresentando diversas opiniões de urbanistas e arquitetos.

ORGANIZAÇÃO DA REVISTA:

CAPA:

       As capas são organizadas de forma limpa e totalmente fora da poluição visual. Apresenta uma faixa preta no lado direito na vertical em que se consta o número e o mês da edição e os temas que serão apresentados em japonês e inglês. Além disso, o nome da revista ocupa 1/3 da capa normalmente na cor branca com uma grande foto no fundo da página respectiva à matéria a ser tratada no volume. A cor da letra dificilmente é modificada, com exceções para os fundos e fotos brancas que prejudicariam a visão do nome.

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VERSO DA CAPA:

       O verso da Capa apresenta a edição anterior e seu índice para a o leitor ter uma ideia dos temas que são tratados, como uma propaganda do que já está a venda. Assim, como o verso da contra-capa que apresenta a próxima edição da revista e o nome do tema que será apresentado.

PUBLICIDADE:

       A revista a+u possui propagandas apenas dela mesma, com exceção de uma única no início logo após o índice.

ÍNDICE:

       O índice é dividido entre o “Report” e os temas presentes na revista. Os temas, são divididos os subtítulos.

          O “Report”é uma reportagem desconexa com o resto da revista sobre um acontecimento atual julgado como importante pela revista.  É baseado a partir de um pequeno texto e algumas imagens, dependendo da edição. Há uma certa falta de organização desse tópico se compararmos edições diferentes, uma vez que ele pode estar tanto localizado antes do índice, como depois.

TEMA:

        Um tema se inicia sempre a partir de uma folha totalmente preta e um pequeno texto de introdução, para preparar o leitor para o início do assunto. A cada subtítulo, a faixa preta na vertical aparece novamente com escrito apenas o  título mestre do assunto.

EDIÇÕES SELECIONADAS:

Setembro, Outubro e Novembro

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EDIÇÃO DE SETEMBRO

       Nessa edição a revista se dedica inteiramente à apresentação de trabalhos de Hisao Suzuki, arquiteto e fotógrafo. A revista apresenta as técnicas e a trajetória de Hisao, além de diversos textos em que ele explica e elucida sua visão da arquitetura e como a luz pode influenciar a percepção do observador diante de suas fotografias.

       Seu trabalho é surpreendente, traz um olhar totalmente diferente sobre a arquitetura dando características artísticas e dramaticidade. Por exemplo, suas fotos do museu Guggenheim que transmite informações e noções dificilmente percebidas em uma foto qualquer.


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       Além de seus projetos fotográficos, são apresentadas diversas entrevista e textos de outros autores que determinam suas próprias opiniões sobre o artista sempre com críticas positivas.

         É uma excelente edição nos termos de cumprir com o objetivo de mostrar profundamente os trabalhos do fotógrafo, parecendo até mesmo um livro ou catálogo extremamente completo. Porém transmite uma certa falta de necessidade de se dedicar uma edição inteira para apenas uma pessoa e seus trabalhos, transformando-a extremamente específica em comparação às outras edições dos temas de Arquitetura da Pós-Crise Europeia e da Arquitetura Escandinava.

EDIÇÃO DE OUTUBRO

         Na introdução do tema a ser tratado nessa edição, a revista incita o leitor a cerca da Arquitetura Dinamarquesa e dos dois movimentos chamados SuperDanish e SuperDuth, deixando expressas algumas questões sobre o assunto:

    – Como o SuperDanish ocorreu na Dinamarca e qual a diferença com o SuperDutch?

    – O que o processo e o design implica e quais suas funções?

        No decorrer do tema apresenta dois ensaios sobre o assunto e alguns escritórios que se encaixam no chamado SuperDanish. Já nesse ponto a revista parece carecer de informações para a apresentação dos assuntos.

        A apresentação de cada escritório segue um padrão. Na primeira página de cada um, apresenta uma foto selecionada pelo próprio escritório que ocupa quase metade da página, mais o nome dessa empresa e uma pequena e breve apresentação. Na página seguinte são sempre apresentadas exatamente as mesmas questões:

  1.  Qual a origem do nome do escritório e seu conceito?
  2. Qual a rede de colaboradores que é julgado ser necessário para a prática?
  3. Qual o tipo de projeto pretendido a ser desenvolvido no futuro?
  4. Qual a sua visão de arquitetura, urbanismo e sociedade no futuro?

         Dessa forma, todas as respostas acabam sendo repetitivas e com um sentido que acaba por proporcionar a publicidade e propaganda de cada um dos escritórios.

         Na apresentação de alguns trabalhos de cada escritório, é limitada a apenas à apresentação física e vaga dos projetos que muitas vezes apresentam desenhos ilustrativos da esquematização e de conceitos do projeto extremamente minúsculos, certas vezes mal formulados. A revista apresenta uma grande variedade de fotos grande e de boa qualidade, porém acaba substituindo ou dando menos ênfase aos desenhos técnicos como plantas e cortes.

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SUPERDANISH e SUPERDUTCH

         Nas década de 50 a 70, o design escandinavo possuía uma forte posição no panorama internacional. Com trabalhos como os de Arne Jacobsen e Hans Wegner é caracterizada uma autêntica combinação entre estética e funcionalidade.

        Após esse período, durante alguns ano, a arquitetura Dinamarquesa ficou esquecida, até que na virado do século XXI, quando o arquiteto Rem Joolhass se torna uma figura proeminente no cenário acadêmico e profissional, após a publicação do livro “S,M,L,LX”, que compilava os trabalhos do OMA, escritório em que foi um dos fundadores.

        Não demorou muito até que Bart Lootsma organizou um livro a fim de divulgar o trabalho de 12 arquitetos holandeses contemporâneo, intitulado “SuperDutch: New Architectura in Netherlands”.

        O SuperDutch se trona então uma vitrine de práticas desse escritório, que acredita mudar o mundo da arquitetura com cada projeto por vez.

        Depois, dois jovens arquitetos, Bjarke Ingles e Julien De Sme se juntaram e criaram o PLOT, escritório que buscava criar uma narrativa baseada na análise prática e teórica da arquitetura. Após a separação, os membros estabeleceram seus próprios escritórios, BIG e JDS Architects.

       Esses e outros seguidores foram chamados de SuperDanish.

Características e Conceitos:

    SuperDutch  é o trabalho de escritórios como OMA e MVRDV que estabelecem um pensamento conceitual de projetos ousados e claros a partir da implantação da arquitetura e do jornalismo para fazer uma larga presença no cenário da competição internacional. Seu conceito era sinônimo de funcional e bonito.

    O Danish é considerado um sinônimo de qualidade, funcionalidade, aparência artística, aliado ao uso de materiais como madeira, pedra e tijolo. É a resposta para as recentes demandas de soluções arquitetônicas sustentáveis englobando o estilo de vida escandinavo.  Isto é, uma busca pelo bem estar do planeta e das pessoas.

        Do ponto de vista de alguns arquitetos, o Danish chega a ser um seguidor e herdeiro do Duth, porém acusado de possuir uma linguagem puramente linguística “degradando e corrompendo o método Pós-Moderno, irônico e subversivo”. Crítica fundamentada a partir da afirmação de que seus projetos são em sua maioria apenas cópias melhores apresentadas a partir de renders, softwares e 3d, e materiais pré-fabricados. Apesar disso, Brorman discorda elucidando a capacidade desses arquitetos ao observar ideias externas reinventadas e aplicadas em seu próprio contexto.

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EDIÇÃO DE NOVEMBRO

         Nesta edição a revista optou por adotar dois temas: a Arquitetura do Pós-Crise e Arquitetura de Vidro.

        Iniciando pelo tema do Pós-Crise, são trazidos três textos de diferentes autores sobre o assunto. O primeiro texto, de Luis Fernández Galliano se intitula “Architectura in Spain: the Crisis in Three Movements”; o segundo é de Muck Petzet de titulo “A Reason for Change: the European Sovereign Debt Crisis”; e o terceiro de Charles Bessard e Nanne de Ru, entitulado “Shifts and Stagnation”.

        Galliano aborda o tema na perspectiva da Espanha, tomando como base a Bienal de Veneza. Trata primeiramente de como o p[ais estava acelerando no âmbito da construção habitacional no momento da chegada da crise. Antes eram construídas 800.000 casas por cano enquanto agora são construídas apenas 80.000, a chamada “bolha da habitação”, de modo que o mercado imobiliário necessitasse de mais tempo para se livrar dessas construções durante esse período em que se teria pouco desenvolvimento significativo no setor. Dessa forma, os jovens arquitetos recém-formados, possuem grande dificuldade para achar um lugar num mercado drasticamente reduzido, forçando então a migração da população de arquitetos, enquanto aqueles que decidem ficar experienciam um recuo lento e irreversível da sua posição social.

        A partir disso é levantada a questão em que muitos pensam que a crise é passageira e tudo retornará ao mesmo estado de antes, mesmo que não seja o correto de acordo com a visão do escritor. Na verdade, a situação afetou extremamente as cidades e a arquitetura, como por exemplo, a Espanha em que não se consegue trabalhar como antes, uma vez que a cidade já apresentada construído tudo o que se é necessário.

        No texto há uma crítica aos arquitetos que buscam ao excepcional e cintilante e é defendida a busca pelo comum, compartilhado e subordinado. Assim, os arquitetos devem buscar um terreno comum para se trabalhar de diferentes maneiras.

    Muck Petzet também cita a imigração desses jovens arquitetos, principalmente para a Alemanha. Ele defende a política de reutilizar, reciclar e reduzir, que se manifesta da falta de necessidade de se edificar a partir do zero e sim de regenerar, converter, agregar e estender edificações. Essa sua visão se manifesta de várias maneiras e que a crise na Espanha, por exemplo, é um sinal, enquanto na Alemanha é um sinal de excessos de da necessidade de mudança. Em suma, a crise trata-se de uma oportunidade de repensar a arquitetura.

       Charles Bessard e Nanne de Ru possuem uma visão parecida com os anteriores, de que a crise trouxe um novo olhar para as mudanças e que após ela as coisas não serão pensadas do mesmo modo.

        Esses defendem ainda que a situação atual não se deve somente à crise, mas também ao modo de pensar que permeou o século 21, o pós-modernismo, onde “tudo pode ir para qualquer direção e coexistir lado a lado” e onde “o passado é um país estrangeiro, mas o passado recente, os anos 80 e 90, parecem exatamente iguais ao presente”.

        Quando é proposta a abordagem do tema do Pós-Crise, a revista apresenta excelente introdução a partir de três pontos de vista diferentes muito bem formulados. A seleção de projetos apresentados para o tema são apresentados de forma pertinente a sua abordagem, apesar de alguns terem um maior foco que outros.

     Enquanto o primeiro tema da edição segue uma linha de raciocínio aceitável, o segundo tema é tratado de forma menos profunda e acaba dando uma menor impressão de qualidade em relação aos seus fundamentos e projetos tratados.

Collective Etc – UN:UN Theater

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Siloetten – C.F. Moller Architects and Christian Carlsen Arkitektfirma

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CONCLUSÃO

         A revista propõe em suas edições um grande foco de como a arquitetura é vista de acordo com cada personagem apresentado nos temas, mas não se aprofunda no projeto em sim e sua análise, trazendo poucas informações técnicas e muitos esquemas de conceitos e fotos dramatizadas. Os assuntos são sempre tratados sem sofrer imposições e opiniões por parte da revista.

ASPECTOS POSITIVOS:

  1. muito bem organizada
  2. extremamente limpa
  3. design contemporâneo
  4. qualidade de imagens e impressão

ASPECTOS NEGATIVOS:

  1. muito vaga sobre os assuntos
  2. dentro dos temas apresentados, mostra apenas como os integrantes do texto enxergam a arquitetura
  3. índice mal formulado que não especifica o que será tratado
  4.  foco em como a arquitetura é vista e sem análise dos projetos


FONTES:

Edição 209, 210 e 211 da revista A+U

http://www.architizer.com/en_us/blog/dyn/7280/the-superdanish/