REVISTA A+U (Architectura & Urbanism)

REVISTA A+U (Architecture & Urbanism)

Bianca Atalla e Carolina Dulcinoti

     Revista vertente da Revista japonesa JA. Sua primeira publicação foi em Janeiro de 1961. É uma revista global escrita em japonês e inglês que fornece informações sobre a arquitetura ao redor do mundo. Assim como a Já, é mensalmente publicada.

       Possui uma ou duas temáticas que percorrem todo o volume, apresentando diversas opiniões de urbanistas e arquitetos.

ORGANIZAÇÃO DA REVISTA:

CAPA:

       As capas são organizadas de forma limpa e totalmente fora da poluição visual. Apresenta uma faixa preta no lado direito na vertical em que se consta o número e o mês da edição e os temas que serão apresentados em japonês e inglês. Além disso, o nome da revista ocupa 1/3 da capa normalmente na cor branca com uma grande foto no fundo da página respectiva à matéria a ser tratada no volume. A cor da letra dificilmente é modificada, com exceções para os fundos e fotos brancas que prejudicariam a visão do nome.

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VERSO DA CAPA:

       O verso da Capa apresenta a edição anterior e seu índice para a o leitor ter uma ideia dos temas que são tratados, como uma propaganda do que já está a venda. Assim, como o verso da contra-capa que apresenta a próxima edição da revista e o nome do tema que será apresentado.

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       A revista a+u possui propagandas apenas dela mesma, com exceção de uma única no início logo após o índice.

ÍNDICE:

       O índice é dividido entre o “Report” e os temas presentes na revista. Os temas, são divididos os subtítulos.

          O “Report”é uma reportagem desconexa com o resto da revista sobre um acontecimento atual julgado como importante pela revista.  É baseado a partir de um pequeno texto e algumas imagens, dependendo da edição. Há uma certa falta de organização desse tópico se compararmos edições diferentes, uma vez que ele pode estar tanto localizado antes do índice, como depois.

TEMA:

        Um tema se inicia sempre a partir de uma folha totalmente preta e um pequeno texto de introdução, para preparar o leitor para o início do assunto. A cada subtítulo, a faixa preta na vertical aparece novamente com escrito apenas o  título mestre do assunto.

EDIÇÕES SELECIONADAS:

Setembro, Outubro e Novembro

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EDIÇÃO DE SETEMBRO

       Nessa edição a revista se dedica inteiramente à apresentação de trabalhos de Hisao Suzuki, arquiteto e fotógrafo. A revista apresenta as técnicas e a trajetória de Hisao, além de diversos textos em que ele explica e elucida sua visão da arquitetura e como a luz pode influenciar a percepção do observador diante de suas fotografias.

       Seu trabalho é surpreendente, traz um olhar totalmente diferente sobre a arquitetura dando características artísticas e dramaticidade. Por exemplo, suas fotos do museu Guggenheim que transmite informações e noções dificilmente percebidas em uma foto qualquer.


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       Além de seus projetos fotográficos, são apresentadas diversas entrevista e textos de outros autores que determinam suas próprias opiniões sobre o artista sempre com críticas positivas.

         É uma excelente edição nos termos de cumprir com o objetivo de mostrar profundamente os trabalhos do fotógrafo, parecendo até mesmo um livro ou catálogo extremamente completo. Porém transmite uma certa falta de necessidade de se dedicar uma edição inteira para apenas uma pessoa e seus trabalhos, transformando-a extremamente específica em comparação às outras edições dos temas de Arquitetura da Pós-Crise Europeia e da Arquitetura Escandinava.

EDIÇÃO DE OUTUBRO

         Na introdução do tema a ser tratado nessa edição, a revista incita o leitor a cerca da Arquitetura Dinamarquesa e dos dois movimentos chamados SuperDanish e SuperDuth, deixando expressas algumas questões sobre o assunto:

    – Como o SuperDanish ocorreu na Dinamarca e qual a diferença com o SuperDutch?

    – O que o processo e o design implica e quais suas funções?

        No decorrer do tema apresenta dois ensaios sobre o assunto e alguns escritórios que se encaixam no chamado SuperDanish. Já nesse ponto a revista parece carecer de informações para a apresentação dos assuntos.

        A apresentação de cada escritório segue um padrão. Na primeira página de cada um, apresenta uma foto selecionada pelo próprio escritório que ocupa quase metade da página, mais o nome dessa empresa e uma pequena e breve apresentação. Na página seguinte são sempre apresentadas exatamente as mesmas questões:

  1.  Qual a origem do nome do escritório e seu conceito?
  2. Qual a rede de colaboradores que é julgado ser necessário para a prática?
  3. Qual o tipo de projeto pretendido a ser desenvolvido no futuro?
  4. Qual a sua visão de arquitetura, urbanismo e sociedade no futuro?

         Dessa forma, todas as respostas acabam sendo repetitivas e com um sentido que acaba por proporcionar a publicidade e propaganda de cada um dos escritórios.

         Na apresentação de alguns trabalhos de cada escritório, é limitada a apenas à apresentação física e vaga dos projetos que muitas vezes apresentam desenhos ilustrativos da esquematização e de conceitos do projeto extremamente minúsculos, certas vezes mal formulados. A revista apresenta uma grande variedade de fotos grande e de boa qualidade, porém acaba substituindo ou dando menos ênfase aos desenhos técnicos como plantas e cortes.

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SUPERDANISH e SUPERDUTCH

         Nas década de 50 a 70, o design escandinavo possuía uma forte posição no panorama internacional. Com trabalhos como os de Arne Jacobsen e Hans Wegner é caracterizada uma autêntica combinação entre estética e funcionalidade.

        Após esse período, durante alguns ano, a arquitetura Dinamarquesa ficou esquecida, até que na virado do século XXI, quando o arquiteto Rem Joolhass se torna uma figura proeminente no cenário acadêmico e profissional, após a publicação do livro “S,M,L,LX”, que compilava os trabalhos do OMA, escritório em que foi um dos fundadores.

        Não demorou muito até que Bart Lootsma organizou um livro a fim de divulgar o trabalho de 12 arquitetos holandeses contemporâneo, intitulado “SuperDutch: New Architectura in Netherlands”.

        O SuperDutch se trona então uma vitrine de práticas desse escritório, que acredita mudar o mundo da arquitetura com cada projeto por vez.

        Depois, dois jovens arquitetos, Bjarke Ingles e Julien De Sme se juntaram e criaram o PLOT, escritório que buscava criar uma narrativa baseada na análise prática e teórica da arquitetura. Após a separação, os membros estabeleceram seus próprios escritórios, BIG e JDS Architects.

       Esses e outros seguidores foram chamados de SuperDanish.

Características e Conceitos:

    SuperDutch  é o trabalho de escritórios como OMA e MVRDV que estabelecem um pensamento conceitual de projetos ousados e claros a partir da implantação da arquitetura e do jornalismo para fazer uma larga presença no cenário da competição internacional. Seu conceito era sinônimo de funcional e bonito.

    O Danish é considerado um sinônimo de qualidade, funcionalidade, aparência artística, aliado ao uso de materiais como madeira, pedra e tijolo. É a resposta para as recentes demandas de soluções arquitetônicas sustentáveis englobando o estilo de vida escandinavo.  Isto é, uma busca pelo bem estar do planeta e das pessoas.

        Do ponto de vista de alguns arquitetos, o Danish chega a ser um seguidor e herdeiro do Duth, porém acusado de possuir uma linguagem puramente linguística “degradando e corrompendo o método Pós-Moderno, irônico e subversivo”. Crítica fundamentada a partir da afirmação de que seus projetos são em sua maioria apenas cópias melhores apresentadas a partir de renders, softwares e 3d, e materiais pré-fabricados. Apesar disso, Brorman discorda elucidando a capacidade desses arquitetos ao observar ideias externas reinventadas e aplicadas em seu próprio contexto.

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EDIÇÃO DE NOVEMBRO

         Nesta edição a revista optou por adotar dois temas: a Arquitetura do Pós-Crise e Arquitetura de Vidro.

        Iniciando pelo tema do Pós-Crise, são trazidos três textos de diferentes autores sobre o assunto. O primeiro texto, de Luis Fernández Galliano se intitula “Architectura in Spain: the Crisis in Three Movements”; o segundo é de Muck Petzet de titulo “A Reason for Change: the European Sovereign Debt Crisis”; e o terceiro de Charles Bessard e Nanne de Ru, entitulado “Shifts and Stagnation”.

        Galliano aborda o tema na perspectiva da Espanha, tomando como base a Bienal de Veneza. Trata primeiramente de como o p[ais estava acelerando no âmbito da construção habitacional no momento da chegada da crise. Antes eram construídas 800.000 casas por cano enquanto agora são construídas apenas 80.000, a chamada “bolha da habitação”, de modo que o mercado imobiliário necessitasse de mais tempo para se livrar dessas construções durante esse período em que se teria pouco desenvolvimento significativo no setor. Dessa forma, os jovens arquitetos recém-formados, possuem grande dificuldade para achar um lugar num mercado drasticamente reduzido, forçando então a migração da população de arquitetos, enquanto aqueles que decidem ficar experienciam um recuo lento e irreversível da sua posição social.

        A partir disso é levantada a questão em que muitos pensam que a crise é passageira e tudo retornará ao mesmo estado de antes, mesmo que não seja o correto de acordo com a visão do escritor. Na verdade, a situação afetou extremamente as cidades e a arquitetura, como por exemplo, a Espanha em que não se consegue trabalhar como antes, uma vez que a cidade já apresentada construído tudo o que se é necessário.

        No texto há uma crítica aos arquitetos que buscam ao excepcional e cintilante e é defendida a busca pelo comum, compartilhado e subordinado. Assim, os arquitetos devem buscar um terreno comum para se trabalhar de diferentes maneiras.

    Muck Petzet também cita a imigração desses jovens arquitetos, principalmente para a Alemanha. Ele defende a política de reutilizar, reciclar e reduzir, que se manifesta da falta de necessidade de se edificar a partir do zero e sim de regenerar, converter, agregar e estender edificações. Essa sua visão se manifesta de várias maneiras e que a crise na Espanha, por exemplo, é um sinal, enquanto na Alemanha é um sinal de excessos de da necessidade de mudança. Em suma, a crise trata-se de uma oportunidade de repensar a arquitetura.

       Charles Bessard e Nanne de Ru possuem uma visão parecida com os anteriores, de que a crise trouxe um novo olhar para as mudanças e que após ela as coisas não serão pensadas do mesmo modo.

        Esses defendem ainda que a situação atual não se deve somente à crise, mas também ao modo de pensar que permeou o século 21, o pós-modernismo, onde “tudo pode ir para qualquer direção e coexistir lado a lado” e onde “o passado é um país estrangeiro, mas o passado recente, os anos 80 e 90, parecem exatamente iguais ao presente”.

        Quando é proposta a abordagem do tema do Pós-Crise, a revista apresenta excelente introdução a partir de três pontos de vista diferentes muito bem formulados. A seleção de projetos apresentados para o tema são apresentados de forma pertinente a sua abordagem, apesar de alguns terem um maior foco que outros.

     Enquanto o primeiro tema da edição segue uma linha de raciocínio aceitável, o segundo tema é tratado de forma menos profunda e acaba dando uma menor impressão de qualidade em relação aos seus fundamentos e projetos tratados.

Collective Etc – UN:UN Theater

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Siloetten – C.F. Moller Architects and Christian Carlsen Arkitektfirma

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CONCLUSÃO

         A revista propõe em suas edições um grande foco de como a arquitetura é vista de acordo com cada personagem apresentado nos temas, mas não se aprofunda no projeto em sim e sua análise, trazendo poucas informações técnicas e muitos esquemas de conceitos e fotos dramatizadas. Os assuntos são sempre tratados sem sofrer imposições e opiniões por parte da revista.

ASPECTOS POSITIVOS:

  1. muito bem organizada
  2. extremamente limpa
  3. design contemporâneo
  4. qualidade de imagens e impressão

ASPECTOS NEGATIVOS:

  1. muito vaga sobre os assuntos
  2. dentro dos temas apresentados, mostra apenas como os integrantes do texto enxergam a arquitetura
  3. índice mal formulado que não especifica o que será tratado
  4.  foco em como a arquitetura é vista e sem análise dos projetos


FONTES:

Edição 209, 210 e 211 da revista A+U

http://www.architizer.com/en_us/blog/dyn/7280/the-superdanish/

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