Revista L’Architecture d’Aujourd’Hui

Por Deborah Gofert e Juliana Vitória Aragão

Análise das edições números: 391 e 392

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L’Architecture d’Aujourd’Hui (Arquitetura Contemporânea) é a revista de arquitetura mais antiga da França. Foi criada durante a crise econômica em 1930 pelo arquiteto, escultor, pintor e editor André Bloc. Em primeira istância, a revista promovia a vanguarda e diferentes movimentos e personalidades da arquitetura, abordando a modernidade, junto com Le Corbusier. O objetivo era apontar diferentes perspectivas sobre assuntos diversos, como arquitetura, urbanismo e recursos tecnológicos. Na época, era a única revista francesa a ser conhecida internacionalmente por ter um caráter descompromisado com a própria França.

Por mais de 70 anos, a L’Architecture d’Aujourd’Hui permaneceu sem mudanças, de acordo como editorial da revista. No entanto, entende-se que aqualidade das matérias tenha decaído, já que a publicação da revista foi interrompida em 2007, e em 2009 Jean Nouvel, François Fontes (arquiteto francês) e Alexandre Allard (empresário) decidiram, em conjunto, comprar a revista e fundar a S.A.S. Archipress & Associe (nova editora), voltando com a publicação que parou por quase 2 anos e evitando que a mesma acabasse. Com essa mudança, veio a ambição de abrir um fórum de discussões e troca de opiniões.

Em 2011, Antoine Vernholes assumiu o gerenciamento da revista, comprometendo-se a fortalecer a própria, criando uma estrutura que continua aberta para outros campos artísticos.

Cada matéria é escolhida através de um debate do comitê editorial. Seguindo a tradição dos comitês anteriores, seus membros têm diferentes origens, enriquecendo a revista com diversidade e abrangendo diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto. Fora do comitê editorial, o conselho, composto pelos próprios donos, críticos e grandes arquitetos, entre eles Frank Gehry, Shigeru Ban e Philippe Starck, respondem as perguntas do comitê, intervindo periodicamente para auxiliar na orientação da revista.

O objetivo da ‘A’A’ em 2011 é “semear uma nova luz sobre aarquitetura”, apresentando documentos gráficos, entrevistas, personalidades e talentos emergentes. Uma das intenções iniciais da revista ainda encontra-se presente, abordar assuntos além da arquitetura, cruzando diferentes opiniões sobre fotografia, escultura, vídeos, design, paisagens e ideais.

A revista, desde sua criação, permanece bilingue (francês e inglês), assim como seu site oficial, com uma média de 176 páginas e mantém um diálogo com os leitores do mundo a fora.

Sua estrutura não é fixa em todas as edições. Porém, é possível observar uma linha de raciocínio, onde alguns tópicos chaves são abordados em algumas edições e, em outras, estes tópicos podem diferir-se entre si. De uma forma geral, a revista apresenta a seguinte organização:

1. Capa
2. Propaganda na contra-capa
3. Editorial
4. Contato
5. Propagandas
6. Índice
7. Atualidades
8. Matérias em geral
9. Propaganda de um evento relacionado a arquitetura
10. Índice da última matéria e seuconteúdo

11. Investigação da biblioteca pessoal de um intelectual
12. Considerações finais

CAPA
Um terço da capa da revista é reservado para a sua identidade visual (‘A’A’), o seu nome por extenso e o número da edição. A principal matéria da edição tem seu título em destaque. No canto inferior direito há uma coluna com algumas matériais que também serão abordadas. No fim da folha, há uma linha com todos os temas que o número tratará, podendo variar de edição para edição. Não há poluição visual: apenas uma imagem de boa qualidade preenche a página inteira. Suas informações são escritas apenas em francês

EDITORIAL
Explicação da essência das matérias tratadas na edição.

CONTATO
E-mail e telefone dos contribuintes da revista, apenas em francês.

ÍNDICE
Dividido em 2 partes, uma com o subtítulo de cada matéria e seu respectivo autor, e outra com uma prévia de imagem da material

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ATUALIDADES

Eventos relevantes que acontecerão antes da próxima edição da revista. Possui propagandas no meio.

MATÉRIAS EM GERAL
Nas matérias, geralmente curtas, porém aprofundadas, é possível perceber um tom critico, onde a revista procura expresser de forma clara sua opinião e posicionar-se no assunto tratado.
INVESTIGAÇÃO DA BIBLIOTECA PESSOAL DE UM INTELECTUAL
Explora a biblioteca de uma pessoa através de uma entrevista seguida dos livros citados, com uma pequena resenha de cada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Créditos- todos os autores divididos por sessão;
Propagandas;
Um mapa mundi com lugares em que a ‘A’A’ pode ser adquirida. Não necessariamente nesta ordem.

Pontos Positivos:
-Seu formato (maior que uma folha A4), a gramatura e a textura do material dão um efeito diferenciado em relação `a outras revistas comuns;
-A maioria das imagens têm boa qualidade

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-Explora os escritórios citados de forma abrangente, trazendo mais de um projeto para análise

-Artigos teóricos pertinentes e bem aprofundados
-Boa composição gráfica (o ‘A’A’ está presente em todas as páginas no canto superior direito, sendo que quando inicia-se uma matéria nova, o símbolo é maior)

-Apresentação de desenhos técnicos e croquis explicativos

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-Não aborda somente arquitetura, mas também fotografia, inspirações e projetos sociais

Pontos Negativos

-Organização
-Falta de informação gráfica em desenhos.
-Excesso de fotos em algumas matérias, e falta em outras.
-Algumas imagens são vagas (não exemplificam os usos)
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-A revista entitula-se completamente bilingue, porém, a apresentação da capa, dos contatos e as propagandas é feita apenas na linguagem francesa

-Forma de tradução do francês para o ingles não é sempre feita da mesma maneira, causando confusão na hora da leitura.

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Abordaremos matérias que explicam os métodos de trabalho de Steven Holl, onde a escala e individualidade do projeto são essenciais para a identidade da cidade, as alternativas que arquitetos em Tóquio encontram no uso de pequenos espaços, e de que forma a arquitetura globalizada está ou não sendo criticada. Escolhemos estas matérias pois elas trazem a importância da arquitetura tanto em pequenos quanto em grandes espaços, e o valor que a elas é atribuído.

Arquitetura: O que você pretendia me dizer?

No número 392 da revista, o tema aborda uma questão em pauta sobre a importância da comunicação entre o que está sendo construído e seu real significado e intenção, e o que é, de fato, dito pela mídia. François Chaslin, antigo editor chefe da revista, discorre de maneira crítica e sólida sobre a imprensa em geral, e qual éo papel que está sendo representado por jornalistas do ramo.

A crítica de arquitetura é uma atividade que está esvaecendo, pelo menos em sua forma tradicional, a do crítico de imprensa. Em decorrência das abordagens da comunicação, que exprimem um novo conceito sobre o direito de criticar e o crescimento de uma nova onda de informação e discussão.

O ato de criticar, porém, está presente em nosso cotidiano de forma comum, em conversas, expressão de emoção, em forma de julgamentos didáticos e interpretativos. Mas de que forma encontramos essas críticas, sejam construtivas ou ofensivas, nos veículos mais influentes e dominantes da comunicação global? É evidente que muitas mudançasocorreram, não apenas na imprensa, mas na mídia e todos os seus ramos.

François aponta o estilo inglês colunista, onde a crítica está restrita em áreas específicas: notícias políticas, literatura, teatro e cinema, ressaltando a grande preocupação com a propaganda, afundando a contribuição da crítica em páginas promocionais de filmes, elogios, retratos e entrevistas com atores.

A imagem do jornalista hoje é diferente de como imaginávamos no passado, como um investigador de casaco sobretudo. Hoje, atrás de seus computadores, correm contra o tempo a fim de conseguir a melhor maneira de apontar o caso, onde os artigos devem ser curtos, convidativos, com bons títulos e ilustrado por imagens atrativas que façam a página brilhar. “São armadilhas de informações que não oferecem opinião alguma”, aponta François.

Mas como a arquitetura se apresenta, de maneira que esse brilho convidativo não esconda a principal essência e intenção do projeto? A era do consumo tem comandado de forma latente a reflexão individual, e não há mais diferença entre ser e ter, onde todas as funções básicas do dia são influenciadas pela generalização. Em Cidades Genéricas, Rem Koolhaas compara esse momento de exaltação da cidade como os aeroportos da atualidade, sendo todos iguais. O centro tem que ser sempre mantido, como “o lugar mais importante” e tem que ser ao mesmo tempo, o mais velho e o mais novo, mais estático e mais dinâmico.

“A cidade genérica é a cidade liberada do cativeiro central, da camisa de força da identidade […] ela é nada senão uma reflexão da presente necessidade e da presente habilidade. É a cidade sem história. É grande o suficiente para todos. É fácil. Não precisa de manutenção. Se fica muito pequena, simplesmente se expande. Se fica muito velha, simplesmente se auto destrói e se renova. É igualmente excitante e não excitante em qualquer parte. “É superficial” – como um estúdio de Hollywood, podendo produzir uma nova identidade a cada manhã. (KOOLHAAS, 1995)”

Portanto, o desencontro queocorre entre a mídia que manipula as informações e mostra, de forma conveniente, espaços sedados, projetados para uma realidade sedentária, não esclarece a intenção do projeto. A mídia ou a arquitetura estão erradas? Nossa forma de pensar, agir e expressar foi modificada. Nosso modo de ler tem-se mostrado igualmente alterado. Se compararmos o que uma página cheia significava há 30 anos, quando em 1984 a revista Libération publicou uma matéria de 12 páginas sobre a morte do filósofo francês Michel Foucault, com aproximadamente 14.000 caracteres. Já em 2012, a matéria sobre a mortedo cineasta Chris Marker teve um total de 5 páginas, com grandes ilustrações, aproximando 8.000 caracteres. E ainda é muito, nesta época de twittar, onde reportagens inteiras são feitas na rede social, com um limite de 140 caracteres por mensagem.

Entretanto, a página contemporânea deve ser luminosa. Em tempos de brilhar, em inaugurações de empreendimentos são feitas coberturas completas, onde a festa é mais importante que o edifício em si, e as matérias feitas dão importância a quem compareceu, o que foi servido aos convidados, ou a grife do vestuário. O evento é um item de consumo.

Uma das dificuldades do crítico é a de que vivemos em um tempo de constante conflito entre intelectualidade, ecletismo artístico, e superficialidades. Mesmo que as gerações mais novas de arquitetos tenham acesso e treinamento de escolas, professores, pesquisadores e teóricos, temos um sentimento de desencantamento, de decepção compartilhada. François explica que talvez a arquitetura por si mesma, seja boa ou ruim por motivos que vão muito mais além, não nos tem nada a dizer.

Em uma conversa de rádio entre Le Corbusier e o jornalista George Charensol, em 1 de Novembro de 1962, o arquiteto falava sobre seu projeto Carpenter Center, em Harvard: “Haverá concreto estiloso e impecável, e concreto mal feito. O que permanece é a arquitetura adentre. O problema inteiro permanece no seguinte: ‘o que você pretendia me dizer?’

François termina sua matéria indagando o leitor sobre esta hipocrisia generalizada, de uma sociedade apática e alienada em sua zona de conforto:
“Quem ainda tem força e não está exausto ou massacrado pelo padrão, e cuja coerência não foi despedaçada? Quem não se coloca um ar de otimismo e generosidade, neste tempo de crises? Quemnão esconde coisas (mediocridade da construção contemporânea) com luminosos ataques de cor?”

Qual é a intenção do que estamos nos dizendo, e o que podemos realmente nos dizer de interesse mútuo, entre arquitetos, críticos e sociedade? Qual é essa arquitetura “adentro”, como disse o velho arquiteto?

Steven Holl

A poética dos opostos

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Esta matéria (edição número 391) coloca em foco o escritório de Steven Holl, um arquiteto nascido em Seattle.

Escrito em destaque, está o significado de aquitetura para ele: um processo singular definido pelo conceito, e sua maneira de trabalhar com aquarela em todos os projetos.

Em uma introdução rápida, a revista cita um de seus projetos, O Helsinki’s Kiasma Museum, que se tornou uma declaração profética. Com esta base, faz-se uma comparação com o crossing-over dos cromossomos na biologia, em que 2 cromossomos diferentes se juntam em um, com a intenção de dizer que opostos podem formar algo singular. O próprio Steven Holl conviveu com ideias opostas durante sua carreira como, por exemplo, a sustentabilidade: ele sempre foi a favor de um design ecológico, mas não gosta dos padrões ambientais das práticas econômicas.

A matéria apresenta também uma entrevista com o arquiteto, evidenciando sua metodologia de trabalho. Primeiramente, Holl pensa na escala e na individualidade do projeto “A ideia move o design. Cada projeto é único e não transmissível para outro lugar”. A seguir, inicia os desenhos com tinta aquarela. Ás vezes, consegue fazer o projeto logo de cara, ás vezes não (é o caso da Daeyang Gallery and House, em Seoul, cuja fase de projeto levou 6 meses e 31 ideias diferentes). Ele afirma que pode trabalhar por dias na mesma ideia sem saber se ela vai ser a final ou não, até que, como por o instinto de um artista, ele sabe que acertou. Ele escolheu aquarela para seus croquis pois, segundo ele, ela tem um conceito e conta a história de seu desenho. Outro fator que também é levado em consideração em seus projetos é a música, pois assim como a arquitetura, ela te envolve. Holl acredita que um dos focos do século XXI, pelo menos para ele, é a poesia “Se você acha que design sustentável é a única que a arquitetura do século XXI pode fazer, eu acho isso um pouco tecnocrático*, você não acha? Falta a poesia. Se fizermos uma analogia com a música, a arquitetura fornece muito mais do que ser ‘verde’ ou neutra em carbono. Eu considero a arquitetura uma forma de arte”. Apesar de criticar o green design, Steven Holl sempre teve uma preocupação ecológica, pois acredita que seja uma questão de senso comum;é absolutamente necessário, mas não é uma panaceia, ou seja, uma resolução para todos os problemas. Ele afirma, também, que sempre que pode, tenta fazer trabalho social. É preciso aproveitar a oportunidade – se lhe é possível fazer um projeto político, algo que fará a diferença, ele o fará.

Apesar de projetar sozinho, Holl depende de muitas pessoas, como seu parceiro Chris McVoy. Ele trabalha com a aquarela, mas não consegue pensar em tudo, “é muito complicado”, diz.
Apesar de ter nascido em Seattle, Holl não se considera um arquiteto americano, pois estudou em Roma e em Londres e a maioria de seus trabalhos não se localizam nos Estados Unidos, fato pelo qual ele é muito grato. Outro fato que o entusiasma é que hoje em dia a arquitetura pode vir de qualquer inspiração, “é um território livre”.

Helsinki’s Kiasma Museum

Helsinki’s Kiasma Museum

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Daeyang Gallery and House, em Seoul

Daeyang Gallery and House, em Seoul

Linked Hybrid

A revista traz diversos projetos do arquiteto, inclusive o Linked Hybrid, em Pequim, na China. Este projeto representa o argumento de Steven quanto a necessidade da cidade por espaços públicos. Por muito tempo, Pequim foi uma cidade predominantemente horizontal, o que foi repensada com a atual vanguarda da verticalização. Com o Linked Hybrid, Holl consegue juntar as duas experiências: a vivência da escala humana (grandes abertura com jardins e piscinas), mas elevando-a a cima do nível da rua, o que o permitiu criar um espaço público acessível por todos os lados. São oito torres residenciais com comércio público no térreo e nas áreas elevadas.

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De acordo com o site oficial do escritório, o programa é composto por 644 apartamentos, espaço público arborizado, zonas comerciais, um hotel, cinemacoteca, jardim de infância, a escola Montessori e estacionamento subterrâneo (conteúdo residencial, comercial, educacional e recreativo), tudo isso disposto em uma área de aproximadamente 220.000m2, feito para a companhia Modern Green Development.

Como na China estava acontecendo um grande desenvolvimento na área de privatização urbana, este projeto visa combatê-lo, propondo uma área convidativa e aberta ao público.

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O nível da calçada oferece diversas passagens para pessoas, sejam elas residentes ou visitantes. São estas passagem que garantem micro-urbanismos, ou seja, uma escala proporcional a escala humana, que ganham vida com o comércio ao redor da lagoa.

Os prédios mais baixos possuem teto verde, gerando mais uma área tranquila. O topo das 8 torres residenciais também é verde, mas essa é uma área privada, que conecta as luxuosas coberturas. Todas as funções públicas do térreo, sem excessões, são ligadas a áreas verdes.
Os elevadores funcionam como um pulo a outra série de passagens em níveis mais elevados. Nos prédios residenciais, do 12º ao 18º andares há uma espécie de ponte multifuncional, com piscina, academia, café, galeria, auditório e um mini salão, conectando-os e proporcionando uma ótima vista da cidade. Programaticamente, estas ”pontes” pretendem ser parte da estrutura, tirando-a da linearidade. A intenção é que a parte mais alta e a intermediária resultem em diversas relações, o que teria como consequência uma experiência diferenciada na vida urbana.

Os desenhos a seguir foram encontrados no Archdaily:
Poços geotérmicos resfriam o complexo no verão e o aquecem no inverno, um aspecto bom ecologicamente por otimizar o gasto energético, o que o torna um dos maiores projetos residenciais verdes do mundo. Trata-se de um sistema de trocas de calor.

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O Linked Hybrid rendeu a steven Holl diversos prêmios, entre eles Popular Science Engineering Award for Largest Geothermal Housing Complex, EUA, em 2006; o Best Tall Building Overall, EUA, em 2009; e o Best Residential Project, EUA, em 2010.

Planta do pavimento térreo, com layout e norte.

Planta do pavimento térreo, com layout e norte.

Possível observar o paisagismo na imagem a seguir:

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Diagrama com a circulação possível para pedestres. Em vermelho, a circulação no térreo, em verde, o acesso pelos elevadores ao teto verde e, em laranja, o acesso do térreo ao nível das pontes.

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Planta de 2 apartamentos. Cada edifícil tem 21 andares, com 4 apartamentos por andar. Cada apartamento conta com 2 suítes, uma sala de estar, sala de jantar, cozinha e escritório.

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Planta esquemática da união feita pelas pontes. Em vermelho, vê-se os acessos e circulações. As outras cores são referentes aos usos: azul é um clube de esportes, com áres pré determinadas para atividades em grupo, personal trainer, musculação, vestiário, etc; o laranja é um spa, com ponto de encontro, calabereiro e massagem; as duas áreas arroxeadas são cafés e espaços relacionadas a isso (loja de chá, deck e lounge); o verde é uma livraria e o amarelo uma área para exibições, separada por temas (arquitetura, escultura e artes em geral).

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Corte do cinema, que pode ser visto na imagem abaixo:

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Corte do complexo, o único desenho técnico encontrado na revista.

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Tóquio

Casas Contemporâneas

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O objetivo desta matéria é mostrar que o senso comum criado sobre Tokyo (arranha-céus espelhados) é, na verdade, apenas parcialmente certa. A revista menciona os trabalhos de Roland Barthes, Araki, Moriyama, Kitano, Tarantino e Coppola. Barthes foi um filósofo francês que, considerando as limitações da cultura ocidental, viajou para o Japão, e se deparou com a ausência de uma ênfase em um ponto de grande foco, definindo em sua obra Império de Sinais (publicada em 1970) o centro de Tokyo como um silêncio indefinido, evitado e desconsiderado. Araki e Moriyama são fotógrafos que retrataram, em preto e branco, o lado mais suburbano da cidade, como pode ser visto na imagem abaixo. Kitano, Tarantino e Coppola são famosos diretores de filmes que retratam a cidade de Tokyo ressaltando sua orientalidade. No entando a revista, que apenas cita os nomes dos artistas a cima, explica que nem mesmos eles foram capazes de captar a experiência de viver essa cidade.

Fotografia por Daido Moriyama

Fotografia por Daido Moriyama

Mapa da cidade de Tokyo

Mapa da cidade de Tokyo

Os famosos arranha céus asiáticos só são verdade nesta cidade nas fachadas das principais avenidas, estando a cerca de 10 metros de distância de uma fábrica urbana ou outra construção com uma proporção completamente diferente.

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A cidade é enorme e tem 30 milhões de habitantes. No entanto, é muito pequena em termos de unidade básica – uma casa de até 3 pavimentos em lotes minúsculos. Os arquitetos aprenderam a lidar com a falta de espaço no fim da II Guerra Mundial quando, em uma tentativa de diminuir os esforços com a reconstrução da cidade, o governo padronizou os requerimentos para todos (2LDK – living room, dining room, kitchen e 2 bedrooms, ou seja, sala de estar, sala de jantar, cozinha e 2 quartos).

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A revista mostra soluções dadas por arquitetos para solucionar esta questão da falta de espaço. A resolução pode ser feita de modo criativo e funcional.

Moradias unifamiliares ainda são uma característica típica de Tokyo. Para seus cidadãos, assim como para os franceses, casas são populares e muito comuns em bairros como Shinjuku, novas áreas de Shibuya e na parte oeste da cidade, onde o planejamento urbano foi feito com suporte das companhias ferroviárias no início da década de 1930.

As casas podem ser feitas de madeira (cada vez menos), pré-fabricadas pela Sekisiu House ou pela Asahi, grandes fábricas, ou um projeto individual feito por um arquiteto particular.

São muitos os exemplos que podem ser dados para explicar que mesmo com espaço limitado, os projetos são criativos. Escolhemos a Casa NA, do Sou Fujimoto Architects.

Casa NA

Sou Fujimoto Architects

  • Ano Projeto: 2010
  • Área construída: 84,91 m²
  • Área do terreno: 54,99 m²
  • Localização: Tóquio, Japão
  • Fotógrafo: Iwan Baan

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Localizada em um bairro tranquilo de Tóquio, a casa utiliza 914 m² de vidro e foi projetada para um jovem casal. Sua transparência contrasta com os típicos muros de concreto encontrados na maior parte das densas áreas residenciais do Japão. Há um conceito de viver em uma árvore, que satisfaz o desejo dos clientes de viverem como nômades dentro de sua casa. O interior é composto por 21 placas de piso individuais, todos situados em diversas alturas.

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A casa atua como um quarto único e uma coleção de quartos, descrito como “uma unidade de separação e coerência”. Não há um programa específico, e as placas de piso individuais proporcionam diferentes ambientes para diversas atividades. A intimidade dos ambientes é feita por cortinas, como partições temporárias.

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Sou Fujimoto afirma: “O ponto intrigante de uma árvore é que esses lugares não são hermeticamente isolados, mas são conectados uns aos outros em sua relatividade única. Para ouvir a voz de alguém do outro lado e acima, pulando para outro ramo, uma discussão acontece pelos galhos por membros de diferentes galhos. Estes são alguns dos momentos de riqueza encontrados através de uma vida tão espacialmente densa.”

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As placas de fundo variam de 1,95 a 7,52 metros quadrados, e estão conectadas por escadas e patamares, com pequenos trechos de degraus fixos e móveis. As placas do piso são estratificadas num escala semelhante ao mobiliário, permitindo que a estrutura resolva vários tipos de funções, como a configuração de circulação, áreas de estar e funcionais.

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Os pequenos vãos permitem a fina e delicada estrutura de aço branco. As placas do piso são equipadas com aquecimento no chão para amenizar os efeitos do inverno, sendo basculantes, otimizando o fluxo de ar e proporcionando ventilação e refrigeração durante o verão. Contraventamentos laterais são feitos por uma estante, e leves painéis de concreto integrados aos alçados laterais.

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O arquiteto afirma não haver relação entre a estrutura branca e uma árvore. Mas a vivencia neste espaço, de forma articulada, em diferentes planos, livre e conectada, forma uma adaptação contemporânea da riqueza. “Essa é uma existência entre a cidade, arquitetura, mobiliário e do corpo, e é igualmente entre natureza e artificialidade”.

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Referências:

Histórico da ‘A’A’:

Arquitetura: o que você pretendia me dizer?:

Revista L’Architecture d’Aujourd’Hui, edição 392

Cidades Genéricas, de Rem Koolhaas – 1995

Junk Spaces, de Rem Koolhaas –2011

 Steven Holl:

Revista L’Architecture d’Aujourd’Hui, edição 391

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