Revista Domus

Por Eduarda Moraes e Thaís Martoni

Revista Domus – (edições mensais)

Fundada em 1928 pelo arquiteto milanês Gio Ponti, a revista italiana Domus criou uma visão privilegiada – e internacionalmente reconhecida – para identificar e se aprofundar nas características de cada escola arquitetônica desde então.
Com preocupação em  discutir  as  formas  da  arte  do  momento,  em  especial  a  arquitetura e o design, a revista possuía na época um caráter mais aberto e  eclético  no  seu  entendimento  do  significado  de  ser moderno. A revista mesmo tendo um sério comprometimento com a severidade da crítica partia de uma visão mais pessoal e apaixonada de seu diretor pelas múltiplas possibilidades de expressão de seu tempo.
O Brasil aparece pela primeira vez na revista em 1940 com uma residência aqui construída por um arquiteto italiano. Mas será no retorno de Gio Ponti à sua direção em 1948 que a arquitetura brasileira ganha certo espaço nas páginas da revista e passa a ser motivo de atenção com maior
frequência. Representada principalmente a partir do grupo carioca foi apaixonadamente defendida
por sua genialidade, apesar de algumas críticas aos seus excessos formais perdoáveis por sua
exuberância criativa e por certo “primitivismo”.
A Domus mesmo reafirmando a idéia da arquitetura brasileira como distorção dos princípios originários europeus vê na liberdade exuberante e exótica do desvio a qualidade e o foco de interesse da arquitetura brasileira.

Edição selecionada:
964, Dezembro 2012

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Capa:
 Título centralizado na parte superior em letras minúsculas na cor preta. Os temas que serão tratados se apresentam abaixo do título em forma de texto em inglês.
 
Ao longo de 2012, a capa e as primeiras quatro páginas da revista foram uma plataforma aberta. A cada mês, esse espaço foi reservado para profissionais selecionados para manifestar, de forma pessoal, o significado de projetar nos dias de hoje. Nesta edição, o escolhido foi OFFICE Kersten Geers David Van Severen, com Dar Al Riffa Double.

Publicidade:
Excessiva. Começa já na contracapa e vai até a 26ª folha. Depois disso, há também ao longo da revista, que acaba se confundindo com o texto, causando poluição visual.

Índice:
Só é encontrado na 26ª folha da revista. Antes disso, o conteúdo é basicamente publicitário. No lado esquerdo da página há uma pequena imagem da capa seguida de um pequeno texto explicativo. Ao lado, o sumário, dividido em tópicos e subtítulos. No verso, há a relação de todos os colaboradores da revista.
Temas:
Não há um padrão definido para cada início de tema. A grande diversidade de tipos de papel e layout acaba por gerar poluição visual.
Projetos:

A revista apresenta mais artigos teóricos e publicitários do que projetos em si, estes são apresentados de forma confusa. Dá prioridade às fotos, e não aos desenhos técnicos. Poderia haver um rigor maior na organização das páginas(textos e imagens).
Análise – Projeto:
A revista traz a matéria-projeto de forma narrativa e não crítica, como observamos abaixo:

Ginásio desmaterializado – tentativa de criar uma integração social capaz de adentrar no centro urbano
Fundada em 2002 pelo francês Benoît Jallon e o italiano Umberto Napolitano, LAN Arquitetura é uma prática de médias empresas com escritórios no 10 º arrondissement de Paris – 18 projetos concluídos e cerca de 15 em andamento.  LAN tem suas origens na Escola de Arquitetura La Villette, no norte de Paris,
Em 2007, Chelles, uma cidade com população de cerca de 50 mil, a 20 quilômetros do centro de Paris, lançou um apelo para contribuições para a construção de um novo complexo esportivo. LAN respondeu o convite ao questionar o papel do ginásio na vida de uma cidade suburbana.  Em sua proposta, o ginásio transcende a sua função primária como uma instalação esportiva para se tornar um pedaço de infra-estrutura urbana, que contribui para a vida na comunidade.
Os arquitetos queriam criar uma forma de dramatização para os visitantes que chegaram a partir da estação de trem, oferecendo-lhes um anúncio imediato de coisas futuras.  Há a divisão do centro de esportes em dois blocos separados dispostos em ângulos retos: o salão poliesportivo (medindo 1.100 metros quadrados) e anexo (um salão de 289 metros quadrados).  Construído com vista para o salão poliesportivo, o menor anexo oferece uma série de pontos de vista para baixo, onde há uma praça, através de suas aberturas.  Os arquitetos buscaram recompor o ambiente urbano: “O Renascimento nos ensinou que a presença define ausência, dando a este último seu caráter.”
O projeto tem a forma de um objeto preto monolítico em concreto pigmentado, com uma fachada de vidro animado por cobre cobertas de tiras de alturas diferentes.  Além de conferir um carácter precioso e elegante para o todo, o vidro também reflete os edifícios existentes na nova praça, e assim, duplicar a igreja e fachadas prefeituras.  “A fachada é uma fonte de ambiguidade, uma espécie de abstração, uma coisa altamente geométrica.” 
Caracterizado por uma estética minimalista, uma aparência monolítica e pesquisa no design da fachada inovadora. O local permite aos visitantes um vislumbre de lazer do conjunto antes de descobrir uma fachada principal, que é mais leve e em harmonia com os seus arredores.  As tiras de cobre criam o efeito de um objeto precioso, oferecendo uma pele exterior que modula em sintonia com o clima e hora do dia. Simplificando, a desmaterialização do contexto urbano serve como fio condutor para os arquitetos em LAN, que afirmam, sem falsa modéstia: “A cidade é mais bonita do que é refletido na realidade; visto através de nosso prédio é quase romântico”.

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A materialidade de sua estrutura em contraste com a ambiguidade das imagens fragmentadas em sua pele de vidro. O volume ordenado do novo ginásio tem vista para a praça central de Chelles, recompondo seus arredores.
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Pontos negativos:
Fonte pequena
Vários tipos de papel ao longo da revista
Tamanho personalizado, maior que A4
Excesso de propaganda
Organização confusa
Pontos positivos:
Boa qualidade de imagens
Texto também em inglês
Editorial completo

 
Fontes:
http://www.domusweb.it/en/news/2012/12/04/domus-964-in-newsstands-now.html
http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/153/canal-38308-1.asp

http://www.domusweb.it/en/architecture/2012/12/19/gymnasium-dematerialised.html

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