Frame

Por Julia de Carle

Revista Frame.

A revista FRAME foi fundade em 1997 por Peter Huiberts e Thiemann Robert. A FRAME é uma revista especializada em “high-end publication”, isto é se considera uma revista de extrema qualidade e cara, para uma audiência global de profissionais criativos. A revista é altamente internacional e cobre o mundo da arte, arquitetura, design e interiores, atingindo leitores em 77 países. Isso torna a FRAME uma revista que trata de conectar os leitores com o mundo dos compradores de arte, arquitetos e designers de todo o mundo. Oferece uma perspectiva fresca, não-acadêmica sobre arquitetura.

A revista é escrita e publicada de dois em dois meses, o que por um lado é bom pois acumula muitas matérias, mas ao mesmo tempo a torna um pouco cansativa, densa. Tem um custo alto em relação as outras do mesmo estilo vendidas hoje em dia.

A FRAME é bem diversificada, traz sofisticação, novidades, pode ser considerada um pouco futurística mas ao mesmo tempo bem contemporânea. Faz a escolha de suas matérias de acordo com o estilo que a revista segue, mostrando sua visão, sua opinião sobre contemporâniedade em todos os campos como arquitetura, culinária, moda dentre outros, fato que a faz diferente.

Ao ler a revista pela primeira vez, é possível acha-lá bem confusa, pois os assuntos das matérias podem ir e vir, ter tanto no começo, como no fim. Outra característica que de inicio deixa o leitor perdido são palavras chaves sobre as matérias que estão escritas na própria pagina ou na pagina em seguida, palavras que estão localizadas no canto direito ou esquerdo junto com o numero da pagina, que diz onde é e em qual campo da arte ela se encaixa(design, arte, culinária, moda), ou qual construção, como por exemplo restaurante, bar, salão de beleza e etc.

Uma característica das três edições escolhidas é a quantidade de matérias sobre lojas, sobre a arquitetura de interiores, que vem ganhando destaque cada vez mais, o que nos faz questionar a importância destas para a historia da arquitetura, e o interesse de leitores em relação ao assunto.

A estrutura da revista é bem setorizada, tem divisórias bem marcadas, e para auxiliar é divido por tópico (localizados no canto externo da folha).

Existe um padrão em sua estrutura, onde alguns tópicos são abordados, porém de maneira diferente conforme a edição.

  1. Capa
  2. Propaganda
  3. Índice
  4. Propaganda
  5. Editorial
  6. Visions
  7. Propaganda
  8. Stills
  9. Features
  10. Reports
  11. Goods
  12. Ultima folha com a próxima edição.

CAPA

O nome Frame está no topo da revista, sempre ocupando um quarto da capa. Sempre na mesma fonte e tamanho, porém a cor varia conforme a cor da capa, para que a leitura do nome da revista seja bem nítida. Imagens bem atrativas e coloridas que ocupam o restante da revista, mostrando apenas as palavras chave de assuntos que serão tratados no interior da revista. Na lateral esquerda o numero da revista, as palavras “great indoors” e o mês e ano.

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Cerca de 10 páginas de propaganda antes de chegar no índice.

ÍNDICE

Sempre duas páginas, a primeira trata sobre os assuntos da capa e no verso as outras coisas. Sempre bem dividido conforme o interesse e em tópicos para que o leitor posso ir direito no que está procurando. Índice bem setorizado e organizado.

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Propagandas sempre coloridas e que chamam atenção.

EDITORIAL

Trata de alguma matéria dentro da revista, fazendo referencia a ela.

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VISIONS

Visions é uma sessão de pequenas reportagens sobre projetos que ainda não foram construídos, mas que diz ter algo de inovador e diferente. Diz tratar de assuntos contemporâneos e visionários.

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STILLS

Trata de assuntos que fogem um pouco do nosso dia-a-dia. Trata da arquitetura como uma arte, mostrando inovações da área com uma setor só de instalações. Instalações que mexem com os sentidos, questionam o publico e privado entre outros. Além de tratar de assuntos que não vemos com freqüência, apontar projetos com idéia diferenciadas, bem inovadoras e diferenciadas. Porém, não existe um aprofundamento nos temas, tudo bem sucinto e vai do leitor ir atrás de mais informações. Normalmente seu foco é na arquitetura, construções inovadoras em algum sentido, mas nunca colocando plantas e cortes.

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FEATURE

Trata dos assuntos da capa que não são necessariamente sobre arquitetura, e nem despertam um grande interesse no leitor. Ex. Assunto da edição 90 que era sobre como nos relacionamos com a natureza, entretanto a reportagem era sobre a enciclopédia das plantas.

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Uma seção especial da revista chamada  “City Special”, onde trata sobre alguma cidade, mostrando um pouco da sua historia, cultura e construções, deixando sempre transparecer sua opinião e posicionando-se em relação ao assunto. Diferentemente das outras matérias, essa ganha destaque e tem matérias mais longas. Escolhemos a cidade Tel Aviv, que tem sua matéria na edição 88, para falarmos mais.

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REPORTS

Entrevistas mais relacionadas a design, gastronomia e moda, além de um catálogo de materiais e móveis.

GOODS

Impressa em um outro tipo de folha, essa parte da revista se diferencia do resto. São matérias que abordam na maioria das vezes sobre design de moveis ou algo que tenha haver com design de interiores, e tem como inicio da material entrevista com algum profissional da área, trazendo assim como todo o formato da revista, muitas imagens.

Pontos positivos:

-Trata de diversos assuntos; arte, gastronomia, design e arquitetura.

– É um revista bem visionaria para os interessados, traz material de estudos, pesquisas e idéias para o futuro.

-Bem dinâmica, com curtos parágrafos e matérias sucintas. Embora isso também seja um ponto negativo porque não aborda com a profundidade que o leitor espera.

– Revista direcionada para todo e qualquer tipo de publico, considerando que a forma pela qual as matérias estão escritas são de fácil compreensão.

Pontos negativos:

-Revista um pouco confusa pela divisão de matérias. Pelo fato dela abordar diversos assuntos, as vezes acontece de você ler uma matéria ou uma sessão delas no começo da revista, e no final o mesmo assunto aparecer de novo.

-Sempre dão preferência a imagens do que o escrito, e muitas vezes o escrito não é suficiente para compreendermos com profundidade o assunto. Dá vontade de pesquisar por mais informações em outras revistas, sites e etc.

-Ao mesmo tempo que é interessante trabalhar com tamanhos e cores diferentes de fonte, acaba tornando-se cansativa ao olhar do leitor, ou ate mesmo o fazer confundir informações.

-Pela quantidade de paginas, a revista torna-se as vezes cansativa.

-Índice não é no começo.

TEL AVIV

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A matéria “City Special” traz em sua edição 88 a cidade de Tel Aviv, segunda maior cidade de Israel, referida muitas vezes, como capital funcional. Situa-se na costa mediterrânea, e foi considerada patrinômio mundial pela UNESCO em 2003, pois dispõe da maior concentração de edifícios de estilo modernista.

A matéria começa contando o surgimento da cidade, que antes fazia parte de Jaffa, e em 1909 ganha sua independência como subúrbio. A cidade teve momentos para identificar-se como subúrbio, depois cidade, passando a ter reconhecimento nacional e por ultimo internacional.

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Patrick Geddes foi o responsável pela organização da cidade, baseou-se no British Garden City e na sua visão de cidade como sistema de circulação. Ele focou na expansão na grelha de ruas norte-sul leste-oeste formando sessenta blocos, que não seriam necessariamente construídos. No centro dessas quadras, deixou áreas abertas para áreas verdes para uso publico. Apesar da idéia interessante, Geddes perde sua vez em um concurso para outros profissionais, Avraham Yasky e Shimon Povsner, que ganharam pelo novo olhar sobre a arquitetura. Fizeram parte da primeira geração de arquitetos israelenses pós guerra, que estabeleceram como linguagem oficial de Tel Aviv, o modernismo em massa.

Ram Karim foi outro arquiteto daquele momento que se destaca, por ter feito o primeiro arranha céu, por ter se preocupado com o espaço publico, como por exemplo uma estação de ônibus, alem de suas convicções que eram semelhantes a da cidade, de se tornar internacional e mais ousado em relação a sua arquitetura.  Outros arquitetos dessa nova geração surgem e aparecem com suas obras, edifícios que são reconhecidos ate hoje.

Esse crescimento acontece junto com o reconhecimento de que Tel Aviv tornou-se o centro econômico de Israel, fato que chamou a atenção de todos. A cidade passa a ter junto das construções antigas da década de 1930, prédios comerciais grotescos,  uma grande demanda de clubes, hotéis dentre outros projetos, envolvendo públicos, que não tiveram sua oportunidade nem significado para a época, o que deixou os arquitetos frustrados. Com isso, muitos seguiram a carreira de arquitetos privados criando interiores do estilo Bauhaus para a elite, outros ironicamente seguem o estilo global e operam em outras cidades.

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Um dos exemplos de construções dessa época que a revista traz com matéria única é um dos poucos lugares que expressam a mudança urbana e arquitetônica da cidade, o Textile Center Complex , localizado no centro histórico, entre a cidade árabe de Jaffa e a cidade judia de Tel Aviv. Essa área ficou abandonada e sob ruínas por décadas, ate que no começo dos anos 60, essa área de 500m2, foi colocada em discussão e encontrou para um concurso. Um escritório local formado por quatro arquitetos israelenses ganhou com o projeto de um complexo comercial, que seria conectado a uma das ruas principais da cidade, por uma serie de plataformas elevadas por quase todas as partes. Um projeto revolucionário, impactante para o momento, e com o simples objetivo de atender a demanda de empresários na cidade que se tornava o centro econômico de Israel.

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Por estar implantado em frente ao mar, o projeto tem características de um navio, janelas redondas, chão elevado que da aparência de torres de um cruzeiro. O complexo é formado por 6 torres bem altas, e uma mais baixa ao sul, e o horizonte é recriado entre o céu aberto e as estruturas de aço.

Porém o prédio não foi muito utilizado, e hoje menos ainda, serve apenas de memória da ambição da época em que foi construído.

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ZARA HADID, The Pierres Vives Building.

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A sessão Stills, traz entre outros assuntos de despertam curiosidade, o primeiro projeto da arquiteta hoje tão conceituada, Zaha Hadid , na Franca, mas especificamente Montpellier, capital de Herault.

Projeto vencedor do concurso Pritzker Prize em 2004, The Pierres Vives Building, abriga uma biblioteca, um departamento de esportes, alem de uma área publica que resulta em uma área de 35000metros quadrados.

Sua forma foi inspirada na natureza, criando uma “arvore do conhecimento”, que vista de longe parece um grande bloco, porem a medida que se aproxima, a divisão em três partes se torna aparente. A área publica esta no tronco da “arvore”, seguido da biblioteca.  Janelas dinâmicas pintadas de verde ao longo da fachada, tem como função permitir a iluminação natural da biblioteca e das salas de leitura.

Os ramos são os pontos de acesso e as entradas para as varias instituições. A oeste são as entradas publicas, ligadas por um hall de entrada linear e um espaço de exposição no centro, já a leste ficam as entradas de serviço.Cada bloco tem circulação vertical interna.

Destacamos esta matéria, por apresentar em seu sucinto texto, a utilização de energia cinética, informação que não se encontra em nenhum site na internet.

A B

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