X BIENAL DE ARQUITETURA – Escola Flutuante de Makoko / Como Virar Sua Cidade: Por Rafael Toledo e Rodolpho Rodrigues

ESCOLA FLUTUANTES DE MAKOKO / NLE ARCHITECTS

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Área: 220 m2 / Local: Lagos, Nigéria / Aquitetos: NLÉ Architects / Ano: 2013

Makoko é uma favela, uma comunidade, localizada em Lagos, na Nigéria. Atualmente, a população presente é considerada em torno de 85.840 pessoas, no entanto, a área não fez parte do senso oficial de 2007, hoje a população aparenta ser muito maior. Essa comunidade sobre a água, há quase cem anos, prospera na indústria da pesca e extração de madeira, fornecendo mais de um terço do suprimento de peixes da cidade de Lagos e a maioria da madeira de construção lá utilizada. É uma área de densidade e urbanização elevadas, embora não tenha entradas, terras, nem infraestruturas modernas.
Situando o país em um contexto econômico e social, a Nigéria é o país mais populoso da África e o oitavo país mais populoso do mundo; com uma população de mais de 148 milhões de habitantes, o país contém a maior população ‘negra’ no mundo. A maioria da população do país vive na pobreza absoluta. Além disso, a extração do petróleo é um problema rotineiro, que faz com que a população viva em meio a conflitos. A supervalorização da terra faz com que a população se estabeleça em regiões costeiras, muitas vezes, assim como Makoko, sobre a água. Uma vida se cria sobre aquele lago. Mulheres cuidam de suas casas, homens vão a terra para trabalhar com a extração da madeira e crianças, muitas vezes, só pisam na terra após os 12 anos com idade para trabalhar. Não existe saneamento básico no local, no mesmo rio que pescam, jogam seus dejetos.
Uma das tendências predominantes e irrefreáveis do “mega século” é a urbanização. O resultado disso é uma quantidade cada vez maior de megacidades pelo mundo, e todas encaram os mesmos desafios. Nesse contexto, são as cidades do mundo em desenvolvimento que irão gerar soluções responsáveis para suas semelhantes. Como pensadores, criadores e agentes de mudança, o papel de NLÉ é revelar essas soluções e aplica-las de modo a moldar as estruturas físicas, humanas e comerciais que são cruciais para o futuro próximo da civilização humana.
NLÉ é um estúdio dedicado à prática de arquitetura, design e urbanismo no desenvolvimento das cidades. Fundado em 2010 pelo arquiteto nigeriano Kunlé Adeyemi, conduz suas atividades diretamente de Amsterdã (Holanda) e de Lagos (Nigéria).

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A Escola Flutuante de Makoko, em Lagos (Nigéria), faz parte do projeto de pesquisa sobre cidades aquáticas na África. Este projeto foi desenvolvido pelo grupo NLÉ Estúdio em estreita colaboração com a comunidade. Esta iniciativa tem o objetivo de investigar os desafios, realidades e oportunidades iminentes nos pontos que conjugam rápida mudança climática e urbanização em cidades e comunidades costeiras em toda a África.

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É uma estrutura prototípica que atende as necessidades físicas e sociais em vista dos crescentes desafios trazidos pela mudança climática no contexto africano de urbanização. Trata-se de um “prédio” ou uma embarcação situada atualmente na comunidade aquática de Makoko, um bairro pobre”. É uma estrutura flutuante que se adapta às mudanças da maré e às variações do nível da água, tornando-a invulnerável a inundações e marés de tempestade. Ela foi projetada para usar energia renovável, reciclar resíduos orgânicos e reutilizar as águas pluviais.

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Através do entendimento e da aplicação do conhecimento local da comunidade Makoko, a Escola Flutuante representa uma inovação única e sofisticada no desenvolvimento de uma solução/tipologia de “edifício”.
Construída com materiais de mão de obra e técnicas de construção vernáculas, disponíveis no local. O caráter inovador do projeto permitiu que ele funcionasse de maneira bem sucedida como dispositivo estratégico, mediando cenários de desenvolvimento urbano e humano bastante complicados e delicados no âmbito social, cultural e político.

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Imprevisíveis mudanças climáticas ao longo de comunidades costeiras vulneráveis no mundo produziram algumas soluções de design fascinante que testam a resistência das possibilidades arquitetônicas e a necessidade de adaptação do que vai produzir essas mudanças. A comunidade costeira de Makoko, um bairro de periferia no entorno da Lagoa Lagos, em Lagos, Nigéria, está recebendo uma atualização para uma solução já corriqueira, a palafita. O NLE Architects, com o patrocínio do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) e a Heinrich Boell Foundation, da Alemanha, projetou a Escola Flutuante de Makoko, a primeira fase de três que vai transformar essa comunidade de casas flutuantes e interligadas. A construção do projeto começou em outubro de 2012 com aprovação de grande parte da comunidade e visitantes da ONU.

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A Escola Flutuantes de Makoko, assim como todos os projetos pensados, faz uso de materiais e recursos locais para a produção de uma arquitetura que se aplica às necessidades das pessoas e reflete a cultura da comunidade. A madeira é utilizada como o principal material, é a estrutura e o acabamento. A composição geral do projeto é uma seção triangular A-Frame. A Escola é fechada parcialmente por ripas ajustáveis de madeiras que funcionam como persianas. As salas de aula estão no segundo pavimento e são cercadas por um espaço verde público, há também um parque infantil e uma sala de aula ao ar livre na cobertura. O NLE também aplicou estratégias para tornar a arquitetura flutuante sustentável, através de células fotovoltaicas na cobertura e incorporando um sistema de captação de água da chuva. A estrutura também é naturalmente ventilada e arejada. A escola é a possuidora do primeiro banheiro de Makoko.
Mas como flutua? A estrutura completa repousa sobre uma base de barris típicos de plástico. Esta solução simples reflete uma reutilização dos materiais disponíveis que podem fornecer múltiplos usos. Estes tambores da periferia da base podem ser usados para armazenar a água da chuva em excesso a partir do sistema de captação.
A segunda fase do projeto incluirá a construção de casas individuais que seguem a mesma estética da Escola. Estes elementos serão capazes de ligar um ao outro ou podem flutuar de forma independente. A fase três será o desenvolvimento de uma grande comunidade de arquitetura flutuante. Uma vista aérea de Makoko mostra como menos densas as casas tornam-se quando se aproximam mais e mais da lagoa. A arquitetura, como existe hoje, é apoiada sobre palafitas. A visão do NLE trará uma nova camada de casas flutuantes logo além de onde está indicada a Escola Makoko no mapa.
Uma vez que o grupo de arquitetos traz este ícone, a escola, traz também a opção de uma nova maneira de construção e disposição de ambientes. Isso gera uma nova maneira de organização social desta comunidade pré-organizada. Trazer a educação para diversas crianças que vivem aquela realidade pobre sobre ambiente aquático, faz com que a comunidade deseje mais mudanças para a organização daquele espaço. O objetivo é de criar uma solução urbana, inovadora e sustentável para adaptação e mudanças em uma sociedade. Esta escola muda não só a organização urbana, como também a social.

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COMO VIRAR SUA CIDADE
A rede COMO VIRAR A SUA CIDADE nasceu da vontade de pontencializar novas formas de trabalho e tem como objetivo atuar de maneira propositiva na construção da possibilidade de novos modelos de cidade voltada para as pessoas.
Os coletivos envolvidos na rede – Acupuntura Urbana, Ateliê Azu, Bela Rua, Basurama Brasil, Café na Rua, Imargem, Movimento Boa Praça, dentre outros – participaram de encontros periódicos de discussão, formações e capacitações que estimulam o desenvolvimento institucional das iniciativas. Juntos, articulam ações para a construção de novas formas de conviver e pensar a cidade.
Os participantes acreditam no poder da colaboração para a transformação, e na ação baseada em propósito, valores fundamentais para a construção de uma sociedade voltada ao bem-estar de todos. No âmbito do projeto Modos de Colaborar, buscamos compartilhar experiências que apresentem novas possibilidades para que todos possam experimentar uma forma construtiva de vivenciar a cidade.
Exemplos:
CAFENARUA: Antigamente, as pessoas colocavam as cadeiras na fachada da casa, ficavam vendo o movimento das ruas e conversavam mantendo relação com os vizinhos. Nas cidades grandes, esta situação começou a ser extinta, esse habito se perdeu em cidades como São Paulo. Com as metrópoles, o hábito de andar a pé também foi drasticamente diminuído. Uma coisa se liga a outra, o desenvolvimento da cidade justifica essas transformações e adaptações sociais. E como resgatar a vida de bairro-pedestre, onde as pessoas vão até a praça a pé, tomam u café no caminho, convidando vizinhos e amigos? Nossos parques, ruas e calçadas precisam criar ambientes convidativos e seguros, com o intuito de promover a interação urbana e o convívio social. A CAFENARUA estrutura projetos que tenham como objetivo melhorar a jornada de quem anda a pé pela cidade. Entende-se que cada espaço tem uma história e dinâmica diferente, e através da observação e da conexão com o lugar, pode-se descobrir qual o melhor caminho a seguir para criar soluções para este problema. O foco deste grupo esta em materializar projetos.
BELA RUA: Acreditarmos que as pessas devem ser felizes no lugar onde vivem. Por isso, Bela Rua busca entender a relação das pessoas com a cidade e colocar em prática ideias e projetos que beneficiem essa relação.
Bela Rua realiza projetos e intervenções urbanas, eventos e ações ao ar livre. Para entender as necessidades, desejos e comportamentos das pessoas, realizamos dede intervenções interativas a técnicas de urbanização. Os projetos são feitos através da articulação entre as pessoas, governos e organizações. Com as ideias, apoio e incentivo físico/monetário dos três, a cidade só tem a ganhar.
Observa-se o principio em comum nestes projetos, o de placemaking. O que é placemaking?
Placemaking é uma ferramenta de planejamento, projeto e manutenção de espaços públicos onde as pessoas são as protagonistas:

– São as pessoas que vivem, trabalham e se divertem em um espaço público.

– São as pessoas que vão mostrar problemas e dar ideias para melhorar o espaço.

– São as pessoas que vão ajudar a construir o lugar que elas querem frequentar.
Como a gente faz isso?
1. Unimos quem quer transformar o espaço e ouvimos suas ideias.
2. Colocamos as ideias no papel e aprovamos com a prefeitura.
3. Captamos recursos e, ao lado das pessoas, transformamos o espaço!

Observa-se também, outro objetivo em comum nestes projetos. Do by yourself!
Pessoas com o senso de comunidade se juntam para transformar locais em comum. Uma vez que um pequeno investimento é feito, a comunidade se apropria do local e/ou dos objetos traz junto uma satisfação e um senso de possessão que faz com que preservem aquele local. Faça por você mesmo, não espere a ação de um órgão publico.

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X BIENAL DE ARQUITETURA (SESC POMPEIA) **DO TERRENO AO BAIRRO – PROJETO PARA O BAIRRO DO BIXIGA – RAFAEL COHEN / FELIPE MARCHESE

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A residencia Bixiga surgiu dentro do teatro oficina num processo colaborativo com a X bienal de arquitetura que conta com o apoio do IAB-SP e do SESC, e tem como objetivo pensar possibilidades de re-existência do bairro do Bixiga, tomando como ponto de partida a situação do terreno no entorno imediato do teatro. O núcleo se dedicou à compreensão das condições urbanísticas da região, investigando a ampliação do projeto de expansão do teatro como estratégia de compreender, penetrar e participar do Bixiga contemporâneo.

O processo foi dividido em duas partes. A primeira, com duração de 4 semanas, teve enfoque na criação e elaboração de diretrizes para os possíveis usos do terreno. A segunda será definida a partir das próprias conclusões dos arquitetos convidados quanto aos resultados alcançados na primeira parte.

A primeira reunião aconteceu dentro do Teatro no dia 30 de setembro. Nela estavam presentes, além dos arquitetos residentes da Bienal, atores, músicos, artistas, produtores, técnicos de iluminação e o diretor do Teatro José Celso.

Na primeira etapa da reunião os arquitetos apresentaram o projeto de tese de mestrado feita por pesquisadores da universidade de Leuven, na Belgica. O projeto de pesquisa “baixo de viadutos” apresentado por Carlos Teixeira, registros de intervenções artísticas feitas pelo Teatro Oficina em Inhotim em 2010.

proposta de tese de mestrado - faculdade de Leuven - 2013

proposta de tese de mestrado – faculdade de Leuven – 2013

A discussão serviu para tentar compreender o atrito entre os interesses do teatro oficina com o grupo Silvio Santos e estabelecer im dialogo entre as partes. A proposta seria estabelecer um uso misto que pudesse integrar os interesses de ambas as partes.

A segunda reunião teve como foco informar os diferentes atores sociais e culturais do bairro do Bixiga sobre a história da região, apresentar projetos já pensados para a área, seguido de uma visita guiada.

evolução do bairro do Bixiga 1574-1890

evolução do bairro do Bixiga 1574-1890

Evolução do Bixiga - 1897

Evolução do Bixiga – 1897

Evolução do Bixiga - 1930

Evolução do Bixiga – 1930

evolução do Bixiga - 1968

evolução do Bixiga – 1968

terreno em 1980

terreno em 1980

Anhangabau da Feliz Cidade - projeto de estudantes

Anhangabau da Feliz Cidade – projeto de estudantes

Projeto teatro estadio - 1987

Projeto teatro estadio – 1987

proposta de tese de mestrado - faculdade de Leuven - 2013

proposta de tese de mestrado – faculdade de Leuven – 2013

Shopping center - 2004 - Brasil arquitetura - Grupo Silvio Santos

Shopping center – 2004 – Brasil arquitetura – Grupo Silvio Santos

Todas as propostas apresentadas no segundo encontro culminaram nas decisões das diretrizes de projeto.

Para a terceira reunião foram convidados, além dos dois grupos que já haviam participado, os arquitetos Guilherme Wisnik, edson Elito, Pedro Arantes, Cecília Lenzi, Henrique Fisher, guilherme Pianca e Raffaella Yacar.

Este encontro serviu para, enfim, definir o programa do projeto, e, dentre os pontos, em destaque, a inclusão de 25 famílias que moram sob a estrutura do elevado.

A estratégia principal do projeto se divide em 3 pontos:

1 – A abertura do programa inicial concebido para o Teatro Oficina para a cidade.

2 – Expansão do programa do Teatro para fora dos limites do terreno e ao longo do eixo do minhocão.

3 – Uso de eixo do minhocão como um novo parque linear capaz de requalificar o Bixiga, articular o programa do bairro e o bairro do Teatro.

X Bienal de Arquitetura de São Paulo – SESC Pompéia- Estela Tessari Serrao e Thaís Dalcin Ferreira

A X Bienal de Arquitetura de São Paulo propõe uma reflexão sobre as complexas dinâmicas que constroem, destroem e reconstroem a cidade cotidianamente. Articulando os campos do planejamento e do projeto, está do lado do “fazer” e do “usar”, o que implica a participação crítica e criativa do cidadão sobre os conflitos inerentes à vida urbana. O tema Cidade: Modos de Fazer, Modos de Usar propõe o engajamento consciente de todos nos processos de construção e fruição das cidades, apontando para a responsabilidade coletiva. A X Bienal fomentará a discussão dos impasses e das soluções urbanas atuais por meio de projetos, obras e experiências importantes da cena urbana brasileira e internacional.

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Modos [colaborativos] traz a reflexão do fazer a cidade por meio de uma rede de ações, nas quais coletivos de arquitetos, urbanistas e artistas, unidos às instituições, movimentos e comunidades locais, produzem conhecimento – seja ele teórico ou prático – para responder às demandas e problemáticas urbanas. Como vemos ultimamente, temos um esgotamento das antigas maneiras de planejar as cidades e as intervenções dos coletivos de arquitetura em conjunto com as comunidades locais, trabalhando de maneira colaborativa, apontam para um novo cenário possível de planejamento e atuação.

O Núcleo Sesc Pompeia é o coração do módulo Modos [colaborativos] que, por meio de palestras, oficinas e de espaços expositivos, trará as informações consolidadas de trabalhos anteriores de coletivos selecionados pela curadoria, além de expor os trabalhos em andamento nas três residências criativas da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, a saber; Residência Pompéia, Residência Bexiga e Residência Cidade Tiradentes. A Residência Pompéia trará uma reflexão da situação atual do bairro e potencializará soluções urbanas interessantes.

 

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A residência no bairro de cidade Tiradentes, no leste da cidade de São Paulo, integra as atividades doprojeto Modos de Colaborar.

Participam os coletivos de arquitetura e urbanismo Núcleox de Arquitetura e Cultura Construtiva- NACCO (São Paulo) e Al Borde ( Equador), em parceria com o Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes.

Cidade Tiradentes é um exemplo de urbanismo e produção do espaço urbano periférico em São Paulo.

Abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina, com cerca de 40 mil unidades, a maioria delas, construídas na década de 1980 pela COHAB (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo), CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e por grandes empreiteiras, que inclusive aproveitaram o último financiamento importante do BNH (Banco Nacional da Habitação), antes de seu fechamento.

No final da década de 1970, o poder público iniciou o processo de aquisição de uma gleba de terras situada na região, que era conhecida como Fazenda Santa Etelvina, então formada por eucaliptos e trechos da Mata Atlântica. Prédios residenciais começaram a ser construídos, modificando a paisagem e local começou a ser habitado por enormes contingentes de famílias, que aguardavam na “fila” da casa própria de Companhias habitacionais.

Em 30 anos, aproximadamente 330 mil pessoas foram morar na Cidade Tiradentes.

O projeto é realizar uma oficina em Cachoeira das Graças, umas das comunidades da Cidade Tiradentes que ocupa uma das margens do córrego na região, vizinha ao Centro de Formação Cultural. Além de pesquisar os aspectos físicos, construtivos e históricos.

O processo acontece de forma participativa da comunidade, com entendimento e opiniões do projeto arquitetônico e urbanístico. Debates sobre cidade legal e ilegal, formal e informal e as formas de construção estatal com os conjuntos habitacionais e popular com a autoconstrução.

Como estratégia para envolver a população foi feito um Concurso de ideias onde foram apresentados necessidades e projetos para o local de intervenção. Este concurso teve duas frentes, a primeira propunha a ocupação da rua que liga o Centro de Formação á comunidade. E a segunda visava a apropriação do Centro de Formação Cultural.

A partir das necessidades apresentadas nas reuniões foram criadas frentes de ações imediatas, médio e longo prazo. Na imediata foram definidas duas formas de atuação uma construtiva, construção de um acesso, passarela sobre o córrego, entre a comunidade e o Centro de Formação Cultural.

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E a outra forma foi cultural a fim de fortalecer o Centro Cultural como equipamento urbano para comunidade.

Durante três finais de semanas foi feito mutirão em que o projeto de estabelecer um percurso pela comunidade até o Centro Cultural tornando-o acessível foi executado pelos moradores.

Ocorreu um evento com atividades musicais e grafiteiros locais, para encerrar as atividades na Cidade Tiradentes, que teve o objetivo de fazer que a população experimentasse a ocupação do Centro de Formação Cultural, servindo de impulso no processo de apropriação daquele espaço.

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Essa intervenção além de resolver uma questão de acesso físico ao Centro de Formação Cultural teve também um caráter simbólico maior junto à população dando ferramentas para luta que a comunidade trava com governo em busca de acesso à terra, serviços básicos, habitação e espaços públicos.

 

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Em dezembro de 2012 foi inaugurado o Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes. O equipamento reúne atividades de cultura, lazer, esportes e formação profissional. Com espaço de 7,3 mil m², conta com biblioteca, laboratório de línguas, telecentro, cinema, sala de exposições e teatro.

O espaço é uma conquista, a partir de um intenso processo de construção social, avanço inegável no histórico das ações públicas na região.

Característica marcante do programa do Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, a criação de um centro de memória atende a uma reivindicação da população de um núcleo urbano que tem apenas 30 anos de implantação, nascido como cidade-dormitório. Espaço de pesquisa, acervo e documentação, o centro dedicará especial atenção às questões relativas à cultura afro-brasileira.

Outro anseio da comunidade, a interface com os direitos humanos foi contemplada em uma biblioteca temática. A articulação de iniciativas voltadas à interseção entre cultura e meio ambiente visa a responder à demanda por ações de preservação dos ricos trechos de parque e mata atlântica nativa ainda presentes na região.

O aprimoramento urbano, tão necessário em Cidade Tiradentes, necessita de um vetor de mobilização. A qualificação das pessoas, em especial dos jovens – grandes transformadores sociais -, permite que o processo de evolução seja percebido e valorizado.

 

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A idéia do grupo Coletivo Nomas – formado por uma equipe multi-disciplinar voltada ao desenvolvimento de projetos de arquitetura e intervenções urbanas pelas cidades – foi transformar uma área abandonada de circulação e conexão em ponto de encontro e lazer, ou seja, propôs a revitalização de uma escadaria no bairro paulistano do Cambuci para uma área de lazer (atividades diversas, áreas ajardinadas, sala de recreação, estudo e cinema) que acolha as atividades iniciadas pelos próprios moradores.

 

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No caso da escada interativa, o objetivo é recuperar o espaço de 300 m2, que já é utilizado como um o espaço convivência entre os moradores, que frequentemente interferem e se expressam através do espaço público.

 

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Como diz o próprio grupo Nomas: “A escadaria além de exercer um aspecto funcional de conexão, passa a dar lugar ao imprevisível e a encontros espontâneos ao longo de seu trajeto.”

Com um desnível topográfico de 20 metros e mais de 300 m2, a escadaria se encontra próxima a um conjunto de cortiços – que abriga 416 pessoas –, um Centro Social e Educacional – denominado “Barroca”, que utiliza a escadaria como um ponto de acesso – e um parque.  Este cenário contribuiu para transformar a escadaria em área de lazer, adaptando-a para uma “sala ao ar livre”.

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O equipamento é dividido em quatro setores, através de patamares estendidos, voltado para faixas etárias e interesses diversos: escadas verde, cultural, lúdica e interativa. 

– Primeiro setor: canteiros próprios para hortas e paisagismo. Os moradores podem plantar e colher para uso próprio, ao mesmo tempo que aprendem mais sobre agricultura e a vegetação.

– Segundo setor: protagoniza a biblioteca, algumas mesas de estudo e um projetor de filmes, que permitem o uso da escadaria à noite.

– Terceiro setor: caracterizado pela escada lúdica, está o playground infantil. As crianças podem escolher descer a escada pelo escorregador e também conta com uma sala de aula a céu aberto, pronta para acolher os curiosos e os dispostos a ensinar e aprender.

– Quarto setor: representa um espaço de lazer para todos se reunirem, que pode ser utilizado para fazer um churrasco, sentar e passar o tempo.

 

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Acreditamos que essas intervenções além de resolver uma questão de acesso físico aos Centros de Cultura e Lazer, possuem também um caráter simbólico maior junto à população dando ferramentas para luta que a comunidade trava com governo em busca de acesso à terra, serviços básicos, habitação e espaços públicos. 

 

X Bienal de Arquitetura de São Paulo – CCSP – O Copan que não se vê, por Elisa Maretti e Isabela Velozo.

O COPAN QUE NÃO SE VÊ
Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP)
X Bienal de Arquitetura de São Paulo
Elisa Maretti e Isabela Velozo

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A Bienal de Arquitetura de São Paulo, realizada há 40 anos pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, chega à sua décima edição com o tema “Cidade: Modos de Fazer, Modos de Usar”, refletindo sobre a cidade contemporânea. Dentre os locais que estão recebendo a Bienal, o escolhido por nós foi o Centro Cultural São Paulo, e faremos a seguir uma análise crítica da Exposição “O Copan que não se vê”. Faremos uma leitura do que foi exposto sobre o Edifício Copan e suas vertentes, e adicionaremos alguns pontos pesquisados além do que está nas paredes.

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Projetado por Oscar Niemeyer em 1951, inaugurado em 1966, o Copan e um dos edifícios mais emblemáticos e simbólicos de São Paulo. Foi construído em um lote sinuoso, empreendimento da Companhia Panamericana de Hotéis e Turismo, por isso o nome COPAN.
A princípio, como projetou Niemeyer, era para ser um complexo de uso misto, com hotel, habitação, comércio e escritórios, mas com a quebra do Banco Nacional Imobiliário, que repassava os recursos para a obra, a construção foi interrompida e o projeto foi modificado, desaparecendo o programa hoteleiro, entre muitas outras características, para desgosto do arquiteto.

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O Copan tem a maior estrutura de concreto armado do país, com 115 metros de altura, repartidos em 32 andares, e 120 mil m² de área construída. Ocupa um terreno de 6.006,35 m², possui 6 blocos com 20 elevadores e 1160 unidades habitacionais, que variam de quitinetes a apartamentos com 3 dormitórios; é uma “minicidade” composta por comércio e serviços no andar térreo, onde se estima 70 estabelecimentos, além do metrô muito próximo.

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A exposição contém propostas de leitura do Copan bastante interessantes, uma delas foi feita a partir de desenhos de projetos urbanos de Le Corbusier, outra a partir de fotos, entrevistas de moradores e funcionários do edifício, e também um conjunto de imagens de trabalhos artísticos de artistas e residentes estrangeiros e brasileiros, como Paola Salerno, Pablo Leon de la Barra, Peter Friedl, entre outros, trabalhos esses relacionados à Metrópole de São Paulo e suas tantas questões urbanas e sociais.
Esses artistas/residentes foram hospedados nas residências artísticas no Copan, que aconteceram entre 2002 e 2007, por um programa criado pela plataforma exo experimental org, do Ministério da Cultura e Petrobrás, plataforma essa autônoma de investigação e ativação de práticas estéticas contemporâneas relacionadas ao contexto sociopolítico brasileiro.

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SITE DA PLATAFORMA: http://www.arquivoexo.org/

“A esmagadora maioria da população de São Paulo vive hoje em uma cidade sem paisagem, ou em uma paisagem sem cidade. Constantemente, encontramos em cartões postais de São Paulo imagens do Edifício Copan e do Conjunto Nacional, como reflexo da identidade metropolitana, e o curioso é que 50 anos depois, é a escassez de concorrentes contemporâneos.” – Denise Xavier, Residência Artística no Copan.
Foram expostos desenhos do projeto executivo de Oscar Niemeyer, mostrando a Planta do andar tipo, térreo, detalhes da circulação e do comércio. Folhetins do lançamento do edifício também ganharam espaço na exposição, mostrando acionistas, fazendo propagandas espetaculares do novo edifício da cidade.

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A partir dos desenhos e dos textos do conjunto “De Le Corbusier ao Copan”, que está inserido exposição, existe uma percurso gradual entre Corbusier e Niemeyer. O aspecto formal das obras de Le Corbusier decorre de operações modulares combinatórias, e a organização das células permite que a forma do edifício atinja uma distensão horizontal “infinita”, como podemos observar, por exemplo, no zigue-zague dos blocos da Ville Radieuse e no movimento serpenteante de seu edifício-viaduto de 6 quilômetros no Rio de Janeiro.

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Niemeyer também adota a lâmina curva, com o projeto para o Hotel Quitandinha, em Petrópolis, no contexto da paisagem natural da região serrana do Rio, com o perfil das montanhas em segundo plano. Já no projeto do Copan, ao invés de se implantar no vazio natural, insere-se o edifício em um lote no centro de São Paulo, contraindo – se em um contexto urbano, em uma geometria irregular do espaço.

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Apesar de sua altura, se tem a sensação de que o edifício é basicamente um movimento horizontal, e esse percurso do edifício-viaduto de Corbusier ao Copan de Niemeyer nos mostra o quão irreversível é o processo de conciliação entre a forma moderna e a cidade real.
Foi exposto um ensaio de fotos do processo de construção do edifício Copan, desde a sua fundação, e fotos internas do edifício, de quando foi inaugurado, com as primeiras lojas, com detalhes construtivos, e uma maquete física.

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A partir de todo conteúdo e do tema da exposição, “O Copan que não se vê”, nos aprofundamos um pouco mais no assunto, a partir de pesquisas.
O arquiteto paulistano Ciro Pirondi, indicado por Niemeyer, propôs algumas interferências no entorno e no próprio Copan, entorno esse onde se encontram alguns exemplares históricos da arquitetura moderna no Brasil, por exemplo, o edifício Itália, o Esther, o Cine Ipiranga, o ABC, a Biblioteca Municipal, as praças da República e Roosevelt, entre outros. Essa iniciativa de renovação do edifício já decadente surgiu do síndico, que contatou Niemeyer, que indicou Pirondi.
A sinuosidade do concreto nos traçados de Niemeyer, “que reinterpreta montanhas e formas femininas”, no Copan se materializam em suaves ondas de 32 andares, forma curva que mantém uma relação com o perímetro irregular do terreno. A extensa fachada curva e a grande altura do prédio foram minimizadas pelos pavimentos-rua que cortam sua volumetria, e pelos pilotis da laje do jardim elevado que foram modificados durante a construção, e devido ao fato de o projeto original ter sofrido sérias intervenções como essas, Niemeyer não gostava de falar sobre ele.
Dentre essas modificações, o hotel foi eliminado, os apartamentos de quatro dormitórios foram divididos em unidades menores e, o mais grave, o jardim elevado, implantado sobre o nível das lojas, sofreu sérias transformações com o envidraçamento dessa área, adquirida pela Companhia Telefônica. E como foi citado anteriormente, os pilotis ali existentes, que sustentam a laje de transição de três metros de altura, estão encobertos até hoje, causando “uma mutilação estética”.

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A fachada voltada para a Avenida Ipiranga está em fase de tombamento, mas os 92 brises de concreto revestidos de pastilha pedem urgente recuperação.
Para Pirondi, é impossível pensar na renovação do edifício independentemente de sua vizinhança. O arquiteto sugere passarelas ligando as praças da República e Roosevelt, e para valorizar o caminhar e o encontro, o piso da calçada e o leito de carros devem ser nivelados.
O projeto de renovação libera o pavimento térreo rebaixando os pisos dos cafés e restaurantes existentes. A galeria do edifício Imperium será interligada à praça Rooseveld e a galeria do edifício Vila Normanda receberá cobertura de aço e vidro, gerando uma comunicação com a rua São Luís. Essa área estará também reservada a exposições de esculturas e à feira de artes.
O arquiteto propõe também a retirada das instalações da Telefônica a fim de recuperar o projeto do terraço-jardim e a volumetria curva do edifício que, sem os vidros, se tornará evidente.
A cobertura, atualmente pouco utilizada, possui uma vista privilegiada de 360 graus da cidade. O projeto sugere um café-mirante e um restaurante na marquise existente. Lembra o arquiteto que o edifício não possui fachadas frontais ou posteriores; nelas, apenas os brises serão recuperados e, na face voltada para a rua da Consolação, além da restauração dos caixilhos, o projeto propõe a instalação de pequenas lâminas horizontais metálicas de 6 cm, como uma segunda pele, a fim de evitar degradação e interferência de objetos colocados pelos moradores.
Em relação à circulação, as escadas de segurança receberão um invólucro de metal, e para tornar possível os novos usos, Pirondi projetou uma circulação independente que não interfere na atividade normal dos usuários e moradores do edifício, uma torre multimídia com um espaçoso elevador panorâmico dotado com cerca de 20 assentos, construída no vértice da Avenida Ipiranga com a rua Araújo. O elevador, totalmente metálico e transparente, estará acoplado à caixa de escadas em concreto.
O edifício brilhou da sua inauguração até os anos 70, quando começou a entrar em decadência, os valores dos aluguéis desvalorizaram, transformando o Copan em um “cortiço vertical”. No final da década de 80, quando os próprios moradores passaram a administrar o edifício, a situação melhorou. Hoje no Copan, vivem pessoas de diversas classes sociais.

“O edifício Copan, projetado por mim muitos anos atrás, tinha as limitações naturais de um prédio de apartamentos. E seguir o programa apresentado com as preocupações de economia que uma obra desse gênero sempre revela, era coisa inevitável.” – Oscar Niemeyer, 2001.

De acordo com tudo o que abordamos sobre o Copan, e sobre o tema “O Copan que não se vê”, chegamos a algumas conclusões. As pessoas hoje não “enxergam” o símbolo que é o Copan por questões estéticas, questões urbanísticas e talvez a pior delas, por questões sociais.
Questões estéticas de projeto que foram modificadas do projeto original, por exemplo a mutilação estética dos pilotis que nada mais seria que um espaço aberto, livre, e foram utilizados fechamentos que encobriram essas estruturas, fechamentos esses tão diversos que embaralham nossa percepção ao olhar para esses primeiros pavimentos do edifício, pela quantidade de “informação visual”; questões urbanísticas relacionadas aos níveis das calçadas e leitos de carro, e também relacionadas ao edifício que está em frente ao Copan na Avenida Ipiranga, pois ele quebra uma visão completa do edifício; e a por fim questões sociais, onde a grande maioria das pessoas da nossa cidade de São Paulo tem uma postura preconceituosa em relação a edifícios com comércio e serviço no térreo, não conseguem enxergar e perceber o quanto valoriza a convivência e o espaço, os olhos estão muito ocupados em enxergar somente as 3 portarias de seus prédios, pois assim estão bem seguras, livre de pessoas indo e vindo no “seu” térreo.
Portanto, um olhar livre de preconceitos, livre de paredes de concreto embutidas na rua retina, enxerga a beleza de um edifício que tem a cidade em suas veias.

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Elisa Maretti e Isabela Velozo

The Vertical Village- Rafaella e Gilberto

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O grupo MVRDV , e a JUT Foundation for Arts and Architecture abriu a quarta edição da exposição  “Museum of Tomorrow””, em Taipei, capital de Taiwan. O  título “The Vertical Village”, é uma exposição que explora a transformação urbana rápida na Ásia Oriental, as qualidades de aldeias urbanas e o aumento da densidade populacional.

A Vila Vertical surgiu como uma alternativa radical à arquitetura  de blocos idênticos de apartamentos  e suas conseqüências para a cidade. A exposição consiste em uma pesquisa analítica, de uma grade de modelos, vários modelos,e um documentário.

O Conceito:

A pressão sobre as cidades do Leste Asiático tem levado a uma crescente urbanização e densificação durante as últimas décadas. Ele abriu caminho para a construção de edifícios gigantescos, principalmente torres, blocos e lajes. Estas aldeias urbanas formam comunidades principalmente intensas e socialmente e altamente conectadas, com enorme identidade, e  individualidade.

Pode-se falar de ecologias urbanas, comunidades que se desenvolveram ao longo de séculos. As unidades de apartamentos idênticos oferecem um padrão de vida ocidental, a um preço acessível, mas sem  diferenciação, flexibilidade e expressão individual.   A exposição oferece uma alternativa, uma vila Vertical contemporânea – uma comunidade tridimensional, que traz a liberdade pessoal, a diversidade, flexibilidade e a vida de uma vila de volta, sem precisar coloca-los em blocos fechados que os tiram a vida.

O projeto ganhador:

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Durante a Exposição na Bienal de São Paulo, esse projeto, localizado no Centro Cultural de São Paulo, questiona se esse modelo pode ser aplicado na cidade, e o que mudaria na tal.

Concluimos que, Sim, pode ser aplicado, e não só pode como deve, nas regiões da “periferia”, seria uma aplicação justa para os que ali moram, pois as Vilas tem o mesmo estilo de vida, e por isso seria muito mais interessante para eles um modelo assim á um prédio, um cubo onde não se tem “vida” como eles tem, tirando assim, a essência dessas famílias. E de certa forma, quando vemos os chamados Conjuntos Habitacionais, com mil roupas penduradas para fora e essas imagens muitos comuns em São Paulo, vemos mais uma vez, que estamos impondo um modo de vida que não faz parte das pessoas que moravam tanto nas vilas, quando na periferia.

– The Vertical Village.

Rafaella e Gilberto

X Bienal de Arquitetura de São Paulo – postado por Dina e Melissa

X Bienal de Arquitetura – Cidade: modos de fazer, modos de usar. (Postado por Dina & Melissa – 5AAQ – FAAP).

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O Centro Cultural São Paulo é a base principal da Rede Bienal, abrigando o conjunto mais expressivo das exposições especialmente produzidas para o evento.

Programação no Centro Cultural São Paulo

Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.

Entrada franca – Piso Flávio de Carvalho e Piso Caio Graco/Sala Tarsila do Amaral

 A X BIA vai além de uma simples exposição de importantes projetos ligados a arquitetura-cidade. Por meio de uma série de exposições simultâneas em diferentes espaços, interligados por meio de transporte público, de forma inteligente ela propõe vivenciar lugares significativos da cidade de São Paulo, um verdadeiro “prato cheio” para o cidadão comum, mas principalmente para alunos de arquitetura que muitas vezes não conhecem ou não se reconhecem no seu próprio espaço cotidiano.

 SERIA POSSÍVEL REALIZAR UM BOM PROJETO SEM CONHECER O SEU ESPAÇO?

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A CIDADE NÃO PODE SER ANALISADA APENAS POR SUA FOTOGRAFIA, É O “FILME” DE SUAS LIGAÇÕES COTIDIANAS QUE REVELA A SUA VERDADEIRA “ALMA”.

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Partindo da necessidade de compreender a arquitetura-cidade (da parte para o inteiro) um grupo de arquitetos e pesquisadores do Rio de Janeiro, desenvolveram um guia para arquitetura, focado no desempenho e evolução das edificações e/ou espaços criados no Rio Metropolitano.

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Três importantes etapas construíram a aproximação deles à arquitetura metropolitana:

(1) Glaucoma: a primeira etapa refere-se ao problema do argumento pelo recorte fotográfico de arquitetura. Refere à falta de volume, de visão lateral, refere-se a “crise do inteiro”.

(2) Presença: no movimento para se anular o problema do glaucoma, reforçamos a nossa visão lateral e acabamos por atravessar a matéria cotidiana da cidade.  Atravessamos sua extrema intensidade de fluxos, ritmos, lógicas de mercado, dinâmicas infraestruturais, etc. Encontramos então edifícios que se aproveitam e estimulam a interface arquitetura-cidade, qualidades que não poderiam ser percebidas por meio de ensaios fotográficos arquitetônicos.

(3) Diagrama: como então reproduzir essas qualidades? Como representar a performance espacial de um edifício? Na pesquisa, eles conseguiram no diagrama axonométrico a ferramenta necessária para estudarmos as múltiplas inteligências dos edifícios estudados.

DIAGRAMA AXONOMÉTRICO

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Lista de locais estudados pelo guia…

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‘O mais interessante é que eles vão ir além da aparência mal resolvida das edificações, buscam transmitir a inteligência da estrutura espacial de um projeto, a fim de por um fim no consumo puramente visual de referências fotogênicas inabitadas e inertes ao quotidiano frenético de nossas cidades, e sim mostrar como elas efetivamente se ‘comportam’ em nossa cidade.

A ambição desses caras é se tornar uma espécie de manual para interagir com a realidade construída, na qual estamos irremediavelmente inseridos, tornando-nos capazes de projetá-la efetivamente.

A gente já adquiriu o nosso guia, fazemos questão de apoiar esse tipo de iniciativa, eles também disponibilizam em formato aplicativo para você baixar.

 Comprar: www.riobooks.com.br

Aplicativo para celular: baixar

 Autores/Arquitetos – Rio Metropolitano:

Guilherme Lassance

Pedro Varella

Cauê Costa Capill

 ARQUITETURA POR SUBTRAÇÃO – Henrique te Winkel

Existe um número muito considerável de projetos interessantes expostos no Centro Cultural na X Bienal, no entanto o trabalho de conclusão do aluno Henrique te Winkel do Mackenzie nos chamou a atenção. O seu trabalho busca resgatar a memória do que nunca existiu, mas que estavam nos planos em 1938, do até então novo prefeito da cidade de São Paulo, Prestes Maia. Para Winkel trabalhar essa área residual é a oportunidade que temos de entender a nossa complexa cidade por meio de sua história.

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 No centro de São Paulo, sob a movimentação dos viadutos Nove de Julho, Jacareí e Dona Paulina, um espaço flutua silencioso. Três cavidades que somam quase 1km de extensão são os resquícios de um projeto interrompido, onde se previa a passagem de metrô leve. O que fora concebido como um conector urbano encontra-se esquecido, carregando o peso da ausência destes corpos. O projeto interliga o centro novo ao centro velho através da escavação das lacunas entre as estruturas, conformando um único eixo de aproximadamente 60.000 m² sob as avenidas. Esta arquitetura do espaço negativo adensa invisivelmente a área central e desenha um novo percurso para àqueles que ali transitam, pois além de “passar por” é gerada a possibilidade de “estar em”.

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A construção nesse “tipo” de espaço pode ser um tanto óbvia para países muito mais desenvolvidos do que o Brasil, não só no que tange a arquitetura, mas principalmente culturalmente, no entanto o que deve ser visto e avaliado neste caso é que em São Paulo sofremos com um número crescente da população, carência de espaços de estar para a mesma e o mais agravante quesito, a apropriação indevida por indigentes, “criando” espaços que causam medo até mesmo de uma simples passagem rápida pelo lugar.

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Vista do Projeto com a praça da República em 1º plano

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Avenida 9 de julho e sua construção…

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Construção iniciada em 10 de novembro de 1944. Vista sob o viaduto Major Quedinho

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O projeto buscar reverter este processo ao ampliar os limites do espaço público até torná-los difusos e inseri-los novamente no cotidiano dos seus cidadãos. O que Winkel propõe não é mais um edifício autônomo na cidade, mas um objeto arquitetônico SOB a MALHA INFRAESTRUTURAL, transgredindo a ideia de parcelamento do solo. Ele não tem a pretensão de ser uma solução ideal para um programa de necessidades imediatas, mas como um espaço compatível com os modos de vida urbana em constante modificação.

O projeto na integra se encontra disponível no site: http://issuu.com/enktewinkel/docs/arquitetura_por_subtra__o_baixa

Para terminarmos de forma lúdica o nosso post, nós aplicamos o diagrama axonométrico proposto pelos arquitetos do Rio de Janeiro, no projeto do Henrique te Winkel, a fim de exemplificar a sua funcionalidade de maneira global e inteligente.

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