X Bienal de Arquitetura de São Paulo – SESC Pompéia- Estela Tessari Serrao e Thaís Dalcin Ferreira

A X Bienal de Arquitetura de São Paulo propõe uma reflexão sobre as complexas dinâmicas que constroem, destroem e reconstroem a cidade cotidianamente. Articulando os campos do planejamento e do projeto, está do lado do “fazer” e do “usar”, o que implica a participação crítica e criativa do cidadão sobre os conflitos inerentes à vida urbana. O tema Cidade: Modos de Fazer, Modos de Usar propõe o engajamento consciente de todos nos processos de construção e fruição das cidades, apontando para a responsabilidade coletiva. A X Bienal fomentará a discussão dos impasses e das soluções urbanas atuais por meio de projetos, obras e experiências importantes da cena urbana brasileira e internacional.

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Modos [colaborativos] traz a reflexão do fazer a cidade por meio de uma rede de ações, nas quais coletivos de arquitetos, urbanistas e artistas, unidos às instituições, movimentos e comunidades locais, produzem conhecimento – seja ele teórico ou prático – para responder às demandas e problemáticas urbanas. Como vemos ultimamente, temos um esgotamento das antigas maneiras de planejar as cidades e as intervenções dos coletivos de arquitetura em conjunto com as comunidades locais, trabalhando de maneira colaborativa, apontam para um novo cenário possível de planejamento e atuação.

O Núcleo Sesc Pompeia é o coração do módulo Modos [colaborativos] que, por meio de palestras, oficinas e de espaços expositivos, trará as informações consolidadas de trabalhos anteriores de coletivos selecionados pela curadoria, além de expor os trabalhos em andamento nas três residências criativas da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, a saber; Residência Pompéia, Residência Bexiga e Residência Cidade Tiradentes. A Residência Pompéia trará uma reflexão da situação atual do bairro e potencializará soluções urbanas interessantes.

 

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A residência no bairro de cidade Tiradentes, no leste da cidade de São Paulo, integra as atividades doprojeto Modos de Colaborar.

Participam os coletivos de arquitetura e urbanismo Núcleox de Arquitetura e Cultura Construtiva- NACCO (São Paulo) e Al Borde ( Equador), em parceria com o Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes.

Cidade Tiradentes é um exemplo de urbanismo e produção do espaço urbano periférico em São Paulo.

Abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina, com cerca de 40 mil unidades, a maioria delas, construídas na década de 1980 pela COHAB (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo), CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) e por grandes empreiteiras, que inclusive aproveitaram o último financiamento importante do BNH (Banco Nacional da Habitação), antes de seu fechamento.

No final da década de 1970, o poder público iniciou o processo de aquisição de uma gleba de terras situada na região, que era conhecida como Fazenda Santa Etelvina, então formada por eucaliptos e trechos da Mata Atlântica. Prédios residenciais começaram a ser construídos, modificando a paisagem e local começou a ser habitado por enormes contingentes de famílias, que aguardavam na “fila” da casa própria de Companhias habitacionais.

Em 30 anos, aproximadamente 330 mil pessoas foram morar na Cidade Tiradentes.

O projeto é realizar uma oficina em Cachoeira das Graças, umas das comunidades da Cidade Tiradentes que ocupa uma das margens do córrego na região, vizinha ao Centro de Formação Cultural. Além de pesquisar os aspectos físicos, construtivos e históricos.

O processo acontece de forma participativa da comunidade, com entendimento e opiniões do projeto arquitetônico e urbanístico. Debates sobre cidade legal e ilegal, formal e informal e as formas de construção estatal com os conjuntos habitacionais e popular com a autoconstrução.

Como estratégia para envolver a população foi feito um Concurso de ideias onde foram apresentados necessidades e projetos para o local de intervenção. Este concurso teve duas frentes, a primeira propunha a ocupação da rua que liga o Centro de Formação á comunidade. E a segunda visava a apropriação do Centro de Formação Cultural.

A partir das necessidades apresentadas nas reuniões foram criadas frentes de ações imediatas, médio e longo prazo. Na imediata foram definidas duas formas de atuação uma construtiva, construção de um acesso, passarela sobre o córrego, entre a comunidade e o Centro de Formação Cultural.

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E a outra forma foi cultural a fim de fortalecer o Centro Cultural como equipamento urbano para comunidade.

Durante três finais de semanas foi feito mutirão em que o projeto de estabelecer um percurso pela comunidade até o Centro Cultural tornando-o acessível foi executado pelos moradores.

Ocorreu um evento com atividades musicais e grafiteiros locais, para encerrar as atividades na Cidade Tiradentes, que teve o objetivo de fazer que a população experimentasse a ocupação do Centro de Formação Cultural, servindo de impulso no processo de apropriação daquele espaço.

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Essa intervenção além de resolver uma questão de acesso físico ao Centro de Formação Cultural teve também um caráter simbólico maior junto à população dando ferramentas para luta que a comunidade trava com governo em busca de acesso à terra, serviços básicos, habitação e espaços públicos.

 

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Em dezembro de 2012 foi inaugurado o Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes. O equipamento reúne atividades de cultura, lazer, esportes e formação profissional. Com espaço de 7,3 mil m², conta com biblioteca, laboratório de línguas, telecentro, cinema, sala de exposições e teatro.

O espaço é uma conquista, a partir de um intenso processo de construção social, avanço inegável no histórico das ações públicas na região.

Característica marcante do programa do Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, a criação de um centro de memória atende a uma reivindicação da população de um núcleo urbano que tem apenas 30 anos de implantação, nascido como cidade-dormitório. Espaço de pesquisa, acervo e documentação, o centro dedicará especial atenção às questões relativas à cultura afro-brasileira.

Outro anseio da comunidade, a interface com os direitos humanos foi contemplada em uma biblioteca temática. A articulação de iniciativas voltadas à interseção entre cultura e meio ambiente visa a responder à demanda por ações de preservação dos ricos trechos de parque e mata atlântica nativa ainda presentes na região.

O aprimoramento urbano, tão necessário em Cidade Tiradentes, necessita de um vetor de mobilização. A qualificação das pessoas, em especial dos jovens – grandes transformadores sociais -, permite que o processo de evolução seja percebido e valorizado.

 

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A idéia do grupo Coletivo Nomas – formado por uma equipe multi-disciplinar voltada ao desenvolvimento de projetos de arquitetura e intervenções urbanas pelas cidades – foi transformar uma área abandonada de circulação e conexão em ponto de encontro e lazer, ou seja, propôs a revitalização de uma escadaria no bairro paulistano do Cambuci para uma área de lazer (atividades diversas, áreas ajardinadas, sala de recreação, estudo e cinema) que acolha as atividades iniciadas pelos próprios moradores.

 

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No caso da escada interativa, o objetivo é recuperar o espaço de 300 m2, que já é utilizado como um o espaço convivência entre os moradores, que frequentemente interferem e se expressam através do espaço público.

 

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Como diz o próprio grupo Nomas: “A escadaria além de exercer um aspecto funcional de conexão, passa a dar lugar ao imprevisível e a encontros espontâneos ao longo de seu trajeto.”

Com um desnível topográfico de 20 metros e mais de 300 m2, a escadaria se encontra próxima a um conjunto de cortiços – que abriga 416 pessoas –, um Centro Social e Educacional – denominado “Barroca”, que utiliza a escadaria como um ponto de acesso – e um parque.  Este cenário contribuiu para transformar a escadaria em área de lazer, adaptando-a para uma “sala ao ar livre”.

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O equipamento é dividido em quatro setores, através de patamares estendidos, voltado para faixas etárias e interesses diversos: escadas verde, cultural, lúdica e interativa. 

– Primeiro setor: canteiros próprios para hortas e paisagismo. Os moradores podem plantar e colher para uso próprio, ao mesmo tempo que aprendem mais sobre agricultura e a vegetação.

– Segundo setor: protagoniza a biblioteca, algumas mesas de estudo e um projetor de filmes, que permitem o uso da escadaria à noite.

– Terceiro setor: caracterizado pela escada lúdica, está o playground infantil. As crianças podem escolher descer a escada pelo escorregador e também conta com uma sala de aula a céu aberto, pronta para acolher os curiosos e os dispostos a ensinar e aprender.

– Quarto setor: representa um espaço de lazer para todos se reunirem, que pode ser utilizado para fazer um churrasco, sentar e passar o tempo.

 

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Acreditamos que essas intervenções além de resolver uma questão de acesso físico aos Centros de Cultura e Lazer, possuem também um caráter simbólico maior junto à população dando ferramentas para luta que a comunidade trava com governo em busca de acesso à terra, serviços básicos, habitação e espaços públicos. 

 

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