X BIENAL DE ARQUITETURA – Escola Flutuante de Makoko / Como Virar Sua Cidade: Por Rafael Toledo e Rodolpho Rodrigues

ESCOLA FLUTUANTES DE MAKOKO / NLE ARCHITECTS

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Área: 220 m2 / Local: Lagos, Nigéria / Aquitetos: NLÉ Architects / Ano: 2013

Makoko é uma favela, uma comunidade, localizada em Lagos, na Nigéria. Atualmente, a população presente é considerada em torno de 85.840 pessoas, no entanto, a área não fez parte do senso oficial de 2007, hoje a população aparenta ser muito maior. Essa comunidade sobre a água, há quase cem anos, prospera na indústria da pesca e extração de madeira, fornecendo mais de um terço do suprimento de peixes da cidade de Lagos e a maioria da madeira de construção lá utilizada. É uma área de densidade e urbanização elevadas, embora não tenha entradas, terras, nem infraestruturas modernas.
Situando o país em um contexto econômico e social, a Nigéria é o país mais populoso da África e o oitavo país mais populoso do mundo; com uma população de mais de 148 milhões de habitantes, o país contém a maior população ‘negra’ no mundo. A maioria da população do país vive na pobreza absoluta. Além disso, a extração do petróleo é um problema rotineiro, que faz com que a população viva em meio a conflitos. A supervalorização da terra faz com que a população se estabeleça em regiões costeiras, muitas vezes, assim como Makoko, sobre a água. Uma vida se cria sobre aquele lago. Mulheres cuidam de suas casas, homens vão a terra para trabalhar com a extração da madeira e crianças, muitas vezes, só pisam na terra após os 12 anos com idade para trabalhar. Não existe saneamento básico no local, no mesmo rio que pescam, jogam seus dejetos.
Uma das tendências predominantes e irrefreáveis do “mega século” é a urbanização. O resultado disso é uma quantidade cada vez maior de megacidades pelo mundo, e todas encaram os mesmos desafios. Nesse contexto, são as cidades do mundo em desenvolvimento que irão gerar soluções responsáveis para suas semelhantes. Como pensadores, criadores e agentes de mudança, o papel de NLÉ é revelar essas soluções e aplica-las de modo a moldar as estruturas físicas, humanas e comerciais que são cruciais para o futuro próximo da civilização humana.
NLÉ é um estúdio dedicado à prática de arquitetura, design e urbanismo no desenvolvimento das cidades. Fundado em 2010 pelo arquiteto nigeriano Kunlé Adeyemi, conduz suas atividades diretamente de Amsterdã (Holanda) e de Lagos (Nigéria).

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A Escola Flutuante de Makoko, em Lagos (Nigéria), faz parte do projeto de pesquisa sobre cidades aquáticas na África. Este projeto foi desenvolvido pelo grupo NLÉ Estúdio em estreita colaboração com a comunidade. Esta iniciativa tem o objetivo de investigar os desafios, realidades e oportunidades iminentes nos pontos que conjugam rápida mudança climática e urbanização em cidades e comunidades costeiras em toda a África.

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É uma estrutura prototípica que atende as necessidades físicas e sociais em vista dos crescentes desafios trazidos pela mudança climática no contexto africano de urbanização. Trata-se de um “prédio” ou uma embarcação situada atualmente na comunidade aquática de Makoko, um bairro pobre”. É uma estrutura flutuante que se adapta às mudanças da maré e às variações do nível da água, tornando-a invulnerável a inundações e marés de tempestade. Ela foi projetada para usar energia renovável, reciclar resíduos orgânicos e reutilizar as águas pluviais.

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Através do entendimento e da aplicação do conhecimento local da comunidade Makoko, a Escola Flutuante representa uma inovação única e sofisticada no desenvolvimento de uma solução/tipologia de “edifício”.
Construída com materiais de mão de obra e técnicas de construção vernáculas, disponíveis no local. O caráter inovador do projeto permitiu que ele funcionasse de maneira bem sucedida como dispositivo estratégico, mediando cenários de desenvolvimento urbano e humano bastante complicados e delicados no âmbito social, cultural e político.

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Imprevisíveis mudanças climáticas ao longo de comunidades costeiras vulneráveis no mundo produziram algumas soluções de design fascinante que testam a resistência das possibilidades arquitetônicas e a necessidade de adaptação do que vai produzir essas mudanças. A comunidade costeira de Makoko, um bairro de periferia no entorno da Lagoa Lagos, em Lagos, Nigéria, está recebendo uma atualização para uma solução já corriqueira, a palafita. O NLE Architects, com o patrocínio do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) e a Heinrich Boell Foundation, da Alemanha, projetou a Escola Flutuante de Makoko, a primeira fase de três que vai transformar essa comunidade de casas flutuantes e interligadas. A construção do projeto começou em outubro de 2012 com aprovação de grande parte da comunidade e visitantes da ONU.

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A Escola Flutuantes de Makoko, assim como todos os projetos pensados, faz uso de materiais e recursos locais para a produção de uma arquitetura que se aplica às necessidades das pessoas e reflete a cultura da comunidade. A madeira é utilizada como o principal material, é a estrutura e o acabamento. A composição geral do projeto é uma seção triangular A-Frame. A Escola é fechada parcialmente por ripas ajustáveis de madeiras que funcionam como persianas. As salas de aula estão no segundo pavimento e são cercadas por um espaço verde público, há também um parque infantil e uma sala de aula ao ar livre na cobertura. O NLE também aplicou estratégias para tornar a arquitetura flutuante sustentável, através de células fotovoltaicas na cobertura e incorporando um sistema de captação de água da chuva. A estrutura também é naturalmente ventilada e arejada. A escola é a possuidora do primeiro banheiro de Makoko.
Mas como flutua? A estrutura completa repousa sobre uma base de barris típicos de plástico. Esta solução simples reflete uma reutilização dos materiais disponíveis que podem fornecer múltiplos usos. Estes tambores da periferia da base podem ser usados para armazenar a água da chuva em excesso a partir do sistema de captação.
A segunda fase do projeto incluirá a construção de casas individuais que seguem a mesma estética da Escola. Estes elementos serão capazes de ligar um ao outro ou podem flutuar de forma independente. A fase três será o desenvolvimento de uma grande comunidade de arquitetura flutuante. Uma vista aérea de Makoko mostra como menos densas as casas tornam-se quando se aproximam mais e mais da lagoa. A arquitetura, como existe hoje, é apoiada sobre palafitas. A visão do NLE trará uma nova camada de casas flutuantes logo além de onde está indicada a Escola Makoko no mapa.
Uma vez que o grupo de arquitetos traz este ícone, a escola, traz também a opção de uma nova maneira de construção e disposição de ambientes. Isso gera uma nova maneira de organização social desta comunidade pré-organizada. Trazer a educação para diversas crianças que vivem aquela realidade pobre sobre ambiente aquático, faz com que a comunidade deseje mais mudanças para a organização daquele espaço. O objetivo é de criar uma solução urbana, inovadora e sustentável para adaptação e mudanças em uma sociedade. Esta escola muda não só a organização urbana, como também a social.

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COMO VIRAR SUA CIDADE
A rede COMO VIRAR A SUA CIDADE nasceu da vontade de pontencializar novas formas de trabalho e tem como objetivo atuar de maneira propositiva na construção da possibilidade de novos modelos de cidade voltada para as pessoas.
Os coletivos envolvidos na rede – Acupuntura Urbana, Ateliê Azu, Bela Rua, Basurama Brasil, Café na Rua, Imargem, Movimento Boa Praça, dentre outros – participaram de encontros periódicos de discussão, formações e capacitações que estimulam o desenvolvimento institucional das iniciativas. Juntos, articulam ações para a construção de novas formas de conviver e pensar a cidade.
Os participantes acreditam no poder da colaboração para a transformação, e na ação baseada em propósito, valores fundamentais para a construção de uma sociedade voltada ao bem-estar de todos. No âmbito do projeto Modos de Colaborar, buscamos compartilhar experiências que apresentem novas possibilidades para que todos possam experimentar uma forma construtiva de vivenciar a cidade.
Exemplos:
CAFENARUA: Antigamente, as pessoas colocavam as cadeiras na fachada da casa, ficavam vendo o movimento das ruas e conversavam mantendo relação com os vizinhos. Nas cidades grandes, esta situação começou a ser extinta, esse habito se perdeu em cidades como São Paulo. Com as metrópoles, o hábito de andar a pé também foi drasticamente diminuído. Uma coisa se liga a outra, o desenvolvimento da cidade justifica essas transformações e adaptações sociais. E como resgatar a vida de bairro-pedestre, onde as pessoas vão até a praça a pé, tomam u café no caminho, convidando vizinhos e amigos? Nossos parques, ruas e calçadas precisam criar ambientes convidativos e seguros, com o intuito de promover a interação urbana e o convívio social. A CAFENARUA estrutura projetos que tenham como objetivo melhorar a jornada de quem anda a pé pela cidade. Entende-se que cada espaço tem uma história e dinâmica diferente, e através da observação e da conexão com o lugar, pode-se descobrir qual o melhor caminho a seguir para criar soluções para este problema. O foco deste grupo esta em materializar projetos.
BELA RUA: Acreditarmos que as pessas devem ser felizes no lugar onde vivem. Por isso, Bela Rua busca entender a relação das pessoas com a cidade e colocar em prática ideias e projetos que beneficiem essa relação.
Bela Rua realiza projetos e intervenções urbanas, eventos e ações ao ar livre. Para entender as necessidades, desejos e comportamentos das pessoas, realizamos dede intervenções interativas a técnicas de urbanização. Os projetos são feitos através da articulação entre as pessoas, governos e organizações. Com as ideias, apoio e incentivo físico/monetário dos três, a cidade só tem a ganhar.
Observa-se o principio em comum nestes projetos, o de placemaking. O que é placemaking?
Placemaking é uma ferramenta de planejamento, projeto e manutenção de espaços públicos onde as pessoas são as protagonistas:

– São as pessoas que vivem, trabalham e se divertem em um espaço público.

– São as pessoas que vão mostrar problemas e dar ideias para melhorar o espaço.

– São as pessoas que vão ajudar a construir o lugar que elas querem frequentar.
Como a gente faz isso?
1. Unimos quem quer transformar o espaço e ouvimos suas ideias.
2. Colocamos as ideias no papel e aprovamos com a prefeitura.
3. Captamos recursos e, ao lado das pessoas, transformamos o espaço!

Observa-se também, outro objetivo em comum nestes projetos. Do by yourself!
Pessoas com o senso de comunidade se juntam para transformar locais em comum. Uma vez que um pequeno investimento é feito, a comunidade se apropria do local e/ou dos objetos traz junto uma satisfação e um senso de possessão que faz com que preservem aquele local. Faça por você mesmo, não espere a ação de um órgão publico.

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