A PRETENSÃO SUBSTITUINDO O POSTO DE UM BOM PROJETO

 A Relogovista Abitare

-Edições Mensais;

-Fundada em 1961, por Piera Peroni que a dirige em uma década. Seu primeiro nome era Casa Novità e apartir do seu sexto exemplar, torna-se a chamar Abitare. A publicação da revista foi suspensa no início de 2014 para cerca de 8 meses, e então volta `as bancas em outubro com uma nova versão em termos de conteúdo e gráficos, sob a nova direção de Silvia Botti.

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“Devemos criar uma nova palavra para Cultura, porque diferentemente do consenso geral, museu e performances, pensamos em outros objetos e não apenas em inovação e criatividade.”

Assim começa a reportagem capa da Revista Abitare, edição de número 543, “Se La Cultura prende el posto Del profitto” [ A Cultura Substituindo o Posto do Lucro], de Lina Bonardi.  Mesmo após essa pretensiosa afirmação dos arquitetos, acreditamos que o projeto seja interessante.

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Situado na Zona Tortona, antiga fábrica da empresa Ansaldo Stecca, metalúrgica de Milão, falida dês da década de 1960. O projeto, estranhamente, ainda não possuiu um titulo mas envolve uma grande transformação de uma área de quase 6000 m2, no coração da Zona Tortona, criando o novo distrito do design milanês. Como é sabido, Milão possui uma importante industria da moda, com suas marcas mais conhecidas como Giorgio ArmaniValentinoVersaceDomenico Dolce, Stefano Gabbana, Miuccia Prada. Tentando diversificar o pólo industrial, a cidade esforça-se para projetar-se como um pólo do Design, assim como a sua cidade vizinha, Turim, já o fez.

O antigo complexo industrial, que atualmente é de propriedade do governo, é hoje uma região urbana inteiramente dedicada a cultura. Pode-se encontrar a cede do laboratório–atelier do Teatro Scalla e, também, o Museo delle Culture, projetado pelo arquiteto ingles David Chipperfield.

Através de um concurso, para criar um centro internacional cultural, planeja-se estabelecer um espaço multiuso, com o objetivo de dialogar com a vanguarda artística da Europa e do mundo. Sim, mais pretensão dos arquitetos.

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O projeto premido foi realizado pela junção dos escritorios Associazione Culturale Aprile, Avanzi, Make a Cube, Accapiu,  ARCI e o escritório Onsitestudio.

Com um investimento de quase 4,000,000 de euros (com metade da contribuição feita pelo governo e a outra pela iniciativa privada), o espaço será completamente repensado e equipado para criar um espaço de fácil troca de ambientes, cenários , propostas, onde será sempre possível desenvolver novos conceitos. Nada muito diferente dos Centros Culturais que conhecemos, certo?

Mas, segundo a autora, este não será simplesmente um centro cultural, tão pouco um projeto que vê a cultura no centro de qualquer processo de decisão das atividades humanas. Será um lugar de trabalho, estúdio de pesquisa e experimentação, com um objetivo ambicioso: propor uma nova instituição dedicada ao bem e a riqueza da sociedade. Obrigada por existirem, por gentileza, façam projetos em locais em guerra e planejem a paz mundial também.

Antes de saber o que aconteceria internamente ao projeto, o escritório acredita ser interessante entender o tipo de abordagem da criação, um amplo projeto desenvolvendo relações de trabalho sem precedentes. Poderá dizer que é uma mistura entre público e privado, na escala local e mundial, sendo indispensáveis para o projeto, a mistura destes na abordagem do projeto.

Lugares como esse tem que existir em um cidades em constante mudança, como os arquitetos acreditem que Milão seja, e inclusive nas menores escalas, como nos bairros. Mas os desafios do mundo contemporâneo também fazem com que exista uma necessidade em fazer parte de mundo globalizado de idéias e processos de mudança em produção, consumo e modos de vida, possibilitando novos links, inclusive entre a comunidade. Mas isso não é o suficiente. Um espaço favorável para inovação devem garantir a possibilidade para ações “arriscadas”, cometer erros e começar novamente. Então a relação entre a liberdades e regras torna-se importante, também nesse conceito. Ok, imaginamos que seja um espaço onde tudo possa acontecer, livremente, mais ou menos como numa comunidade hippie, certo?!

Praticas comuns devem abrir espaços para experimentações. Espaços devem criar oportunidades, serem informais. É necessário criar um novo contrato social entre os proprietários, gerencia, convidados e usuários. Ou seja, a população é “domesticada” pelo espaço, e não o espaço planejado segundo as necessidades da comunidade? Esta certo isso?

De acordo com os arquitetos e criadores, é um erro começar das fachadas quando se esta reorganizando “novos” espaços na cidade, que eram vazios.

Assim sendo, percebe-se uma grande valorização da criação de novos espaços. Segundo a autora, principalmente quando esta localiza-se em edifícios previamente existentes que deverão ser incorporados e adaptados. Ou seja, não houve qualquer tentativa de uma utilização segundo a importância ou relevância do uso anterior? Os galpões serão remodelados, dando lugar a espaços super tecnológicos, onde tudo pode rolar?

A segurança dos usuários é relevante ao projeto, inclusive as suas respectivas estruturas, mas focou-se mais em aspectos intangíveis, como criar espaços funcionais, apoio aos usuários, e a relação com seu entorno. Acredita-se que é uma questão cultural, não meramente formalista. Fiquem atentos: enquanto vocês estao trabalhando, uma viga pode cair em suas cabeças. Afinal, os aspectos “formalistas” foram esquecidos, considerando-se mais os espaços de trabalho e as áreas intangíveis, praticamente inexistentes.

Para criar espaços de renovação, utiliza-se uma enorme quantidade de pesquisas, fora da proporção do real requerimento,   e leva algum tempo para resolver as burocracias públicas; no final não subestima as esperanças e o entusiasmo dos envolvidos. Não desistam! O projeto ainda salvará o mundo, principalmente, contra as cáries!

Ou seja, apos a leitura da reportagem, estamos extremamente ansiosas pela realização deste projeto. Pretendemos fazer caravanas para Milão, com o objetivo de desfrutar de tais revelações. Sabemos que outros projetos semelhantes, como o da arquiteta Lina Bo Bardi, no SESC Pompéia em São Paulo, ou até mesmo, o da Tate Modern dos arquitetos Herzog & de Meuron, que também criaram espaços de convivência plural, não chegaram nem aos pés dessa obra única, em Milão.

sescpompeia    SESC POMPEIA, LINA BO BARDI

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Seria mais honesto, e humilde, para um projeto que ainda nem existe, ter buscado referencias em projetos semelhantes, e que funcionam, do que tentarem inovar, ou diferenciar-se, de algo que existe e que funciona perfeitamente na sociedade contemporânea.

Landscape Arch. Magazine – Perk Park, Cleveland

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Steven Litt, começa sua matéria para a revista Landscape mencionando o hábito de Neil Patel, um bancário que trabalha no Ohio Savings Bank, de dar uma saída de sua mesa  de trabalho para relaxar um pouco, e para isso da uma volta na cidade a fim de encontrar ar fresco e um pouco de verde, e para isso ele não precisa ir longe. Em 2012 o Perk Park foi instalado como um convidativo refúgio, que esta exatamente atrás do edifício de Patel . Redesenhado há três anos por Thomas Balsley , FASLA , as características do parque são de geometrias simples, grande abundância de sol e sombra , linhas de visão claras que fazem as pessoas se sentirem seguras , e uma grande variedade de lugares que para relaxar, tomar sol, fazer  piqueniques , ou observar as pessoas.

  • Projeto: Renovação do parque
  • Localização: East 12th St. e Walnut Avenue
  • Obra: Remoção de blocos de concreto e convertido em espaço verde
  • Data de Conclusão: Primavera de 2012
  • Arquitetos: McKnight Associates, Ltd., Thomas Balsley Associates, Ltd.
  • Custo: $3.3 milhões de dólares

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Uma vez que foi concluído em 2012, o parque tornou-se a nova peça central do Erieview Urban Renewal District, planejada em 1961 por IM Pei no lado leste do centro de negócios da cidade.

Por ter suas ruas preenchidas com escritórios desajeitados e sem graça, como a torre do Ohio Savings, a área foi renomeada como “The Nine Twelve District”.

Durante décadas o espaço público no distrito consistia-se em uma praça afundada , vidros escuros ou reflexivos, abundância de concreto, e com escassez de areas verdes e abertas ao publico.

O “New Perk Park” , como é chamado pelos moradores, fez uma enorme diferença para a região.

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Mas não foi sempre assim.

Antes da reforma,  o parque era uma “selva de concreto”, como mencionou um dos frequentadores do parque. Apresentava valas gramadas com peças de concreto espalhadas pela área, o que se assemelhava com obstáculos militares.

Inicialmente o parque era popular, mas ao longo do tempo foi decaindo por conta da falta de manutenção e se tornou uma definição para o trafico de  drogas.

Um tiroteio, ocorrido na madrugada de um domingo de 2009, em que deixou um homem morto e outro seriamente ferido, foi “a ultima gota”para se avançar com uma renovação.

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A reforma do parque preservou meia dúzia de árvores, que transformaram o parque de uma inspiração do brutalismo em uma jóia urbana que elevou os valores das propriedades , atraiu novos inquilinos para edifícios próximos.

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Talvez o mais importante , é que o parque mudou atitudes sobre a paisagem da cidade que , até recentemente, havia demonstrado pouco interesse em seus benefícios.

A reforma do parque deixou claro aos líderes locais que o espaço público de alta qualidade é essencial para o renascimento da cidade após anos de declínio industrial e perda de população.

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Como o Perk Park , houveram muitas outras revitalizações relacionadas á questão de parques e praças.

Essas revitalizações acontecem na maioria das vezes pelo simples fato do espaço ter sido esquecido pelo homem , ou seja ”abandonado”.

Quando o espaço inserido no meio da cidade deixa de receber visitas , manutenção e outros tipos de cuidado  , vira uma porta aberta para invasão de moradores de ruas , violência e etc. Normalmente essas revitalizacões acontecem quando o espaço ja esta saturado e não tem jeito de continuar da maneira que está , assim como aconteceu com o Perk Park.

Alguns exemplos de  praças e parques que sofreram esa mudança urbanística e arquitetônica foram:

Zuccotti Park – Nova York

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Klyde Warren Park – Dallas

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As praças estão inseridas neste contexto, em que a paisagem deve ser valorizada e seus espaços bem estruturados e planejados. Caso contrário esses espaços não serão destinado ao fim que deveriam ser.

Com relação aos parques urbanos, Jane Jacobs construiu um argumento poderoso para destruir alguns mitos:

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“ Espera-se muito dos parques urbanos. Longe de transformar qualquer virtude inerente ao entorno, longe de promover as vizinhanças automaticamente, os próprios parques de bairro é que são direta e drasticamente afetados pela maneira como a vizinhança nele.

Seu argumento é de que não basta um parque existir para garantir vitalidade para si mesmo e para o entorno. Não é possível obter valorização de um bairro simplesmente adicionando-se áreas verdes sem nenhum critério. Para que um parque de bairro funcione ele precisa ter 4 elementos:

  1. Complexidade;
  2. Centralidade;
  3. Insolação;
  4. Delimitação espacial.

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A complexidade é o elemento mais trabalhado por ela e, aparentemente, o mais importante. Nesse caso, a complexidade refere-se à diversidade de usos e de pessoas no entorno do parque, que conferem diversidade de horários e de propósitos para sua utilização.

“A variedade de usos dos edifícios propicia ao parque uma variedade de usuários que nele entram e dele saem em horários diferentes. Eles utilizam o parque em horários diferentes porque seus compromissos diários são diferentes. Portanto, o parque tem uma sucessão complexa de usos e usuários.” (Jacobs, 2001, p. 105)

A centralidade refere-se a um elemento espacial central ou, mais precisamente, com hierarquia superior aos demais, para atuar como referência no espaço da praça. Ele atua como polarizador dos usos e da legibilidade do espaço, sendo reconhecido por todos como o centro da praça.

A insolação provavelmente é mais importante para os países mais frios, apesar de que mesmo no Brasil não é interessante que os parques sejam sombreados pelos edifícios vizinhos. Ao contrário, é desejado que os parques propiciem tanto boas áreas de sombra para o verão como áreas ensolaradas para os dias de inverno.

Por fim, a delimitação espacial segue a linha do que Camillo Sitte defendia no final do século XIX, ou seja, a noção de que os espaços abertos devem ser conformados pelos edifícios, e não serem simplesmente formados a partir dos resíduos deixados pelas configurações dos espaços fechados. Não devem, tampouco, formar imensas áreas vazias sobre as quais os edifícios se assentam, como defendia o Modernismo.

É interessante notar como as teorias de Jacobs parecem válidas ainda hoje, apesar de terem sido desenvolvidas há mais de 4 décadas e em uma realidade completamente diferente da que temos hoje no Brasil. Se observarmos atentamente as praças e espaços públicos das cidades brasileiras vamos chegar à conclusão que as teorias são bastante válidas para a nossa realidade. É muito comum vermos praças relativamente bem arrumadas e arborizadas que ficam o dia todo deserto, sem praticamente ninguém utilizando. Não por acaso, a maioria deles fica em bairros de classe média/média-alta quase que exclusivamente residenciais.

As Praças e os parques exprimem locais de bate papo, reencontro, para outros podem significar trocas de experiências, lazer, meditação,lugar fundamental da vida social, espaço de encontro, de trocas de palavras e mercadorias , é o lugar intencional do encontro, da permanência, dos acontecimentos, de práticas sociais, de manifestações da vida urbana e comunitária.

Hoje, infelizmente, estes espaços estão na sua maioria mal cuidados refletindo o descaso das autoridades públicas que não os vê com importância. Falta vontade política e intelecto ambiental para gerir com eficiência os espaços públicos verdes brasileiros. Sendo mal geridos e conservados, esses espaços públicos têm se tornado até mesmo um perigo a céu aberto nas cidades, então acaba sendo  freqüentado para pontos de prostituição, comércio e consumo dos mais diversos tipos de drogas.

Em meio a esses diversos acontecimentos, a memória do verde, da composição florística e arquitetônica cedeu lugar ao medo, a sujeira e até a escuridão. Esses acontecimento faz  com que as praças voltem a ter seu objetivo real e que as pessoas de boa conduta voltem a habitá-las, afim de que se torne um ambiente sadio, de descanso e contato com a natureza, colaborando não somente para o local isolado, como para toda a cidade e seus cidadãos e visitantes.

Hivena Del Pintor e Sharon Fliter

AR_”HOUSES”_FERNANDA + VITÓRIA

Sem título

Revista: The Architectural Review

Ano: 1896

Localização: Londres, Reino Unido

Status: Mensal

Estrutura: Suas questões iniciais tinham a intenção de uma discussão verbal e visual da arquitetura. Em 1900 era a única revista no Império Britânico a lidar com a essência artística da arquitetura.

Por que a AR?

revista The Architectural Review fornece uma seleção das melhores e mais inovadoras ideias arquitetônicas do mundo; visita os edifícios que publica e percorre o mundo em busca das pedras preciosas mais raras da arquitetura, apresentando-as com desenhos, planos e comentários perspicazes. Seu arquivo on-line organizado por tipo de construção, material e localização, inclui planos, críticas e relatórios sobre a arquitetura mundial.

A edição de julho com o tema “Houses”, escolhida para análise, possui uma estrutura muito interessante, pois além de manter uma constância, permite uma conexão entre as obras e fatos cotidianos diversos. A intenção da discussão verbal da arquitetura é retratada na diversidade de temas abordados e na relação entre os mesmos; os quais vão desde o morar em casas inspiradas em elementos da natureza – como montes de cupins – para proteção contra tufões, em casas de arquitetura vernacular até o conforto e glamour de casas de luxo inspiradas em antigas ruínas; mais relevante ainda é a abordagem que faz da relação dessas com a cidade, a identidade da moradia, seus problemas e até a sua inexistência.

Compact Karst House by Dekleva Gregoric Arhitekti

*Casa / Vernacular

House of the Infinite in Cádiz by Alberto Campo Baesa

*Casa / Luxo

A frase, de Aldo Van Eyke, introduz o conteúdo:

Casa

E talvez contradiz a ideia de Le Corbusier: “a casa deveria ser bonita e confortável, mas também lógica, funcional e eficiente (uma ‘máquina de morar’), perfeitamente apta para atender às necessidades dos ocupantes.” Será?

O que vivemos hoje?

Temos provas mais do que concretas de que a casa e o “morar” passaram a ser apenas necessidades básicas, principalmente, em grandes cidades. Perdemos a noção de de abrigo, de refúgio e o resultado é uma desconexão com o externo – ou seja, a casa como uma cápsula de isolamento.

Quanto mais evoluímos, mais voltamos no tempo, para a “ casa de adão”.

Relação Casa / Cidade

Existe?

Foi – se o tempo em que uns dias eram bons, outro ruins; quando pessoas compravam uma casinha para morar, abriam seu negócio – uma lojinha ou armazém próximo ao seu lar e mais do que isso, viviam intensamente a cidade.

Quando inserida em grandes centros urbanos, a casa necessariamente é cercada por barreiras de proteção – ou muros. Isso só não acontece quando esta se encontra afastada, ou melhor, isolada da cidade.

Qual a relação Casa, Sujeito e Urbano?

O ambiente da moradia influencia o comportamento das pessoas nos âmbitos individual e social. Muitas vezes pode levar o Homem ao isolamento e distância do espaço urbano ou aproximá-lo cada vez mais do convívio em sociedade – por um lado podemos exemplificar a casa como fator excludente, porque a partir do muro a relação com o entorno e com as pessoas “ao redor” é praticamente nula e por outro lado o edifício residencial e sua área comum, a qual implica no coletivo e permite uma relação entre os indivíduos que nele vivem.

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Definição_Casa:

Casa como identidade, como um individualismo comprometido ou como mera vitrine? Com as condições presentes, se torna cada vez mais impossível conciliar o sonho de vida com a vida real.

Policarbonato na Construção Leve – Luz sem Sombra

Por Goutier Rodrigues e Julia Martinelli

Já fazem 20 anos que no MoMA, de Nova York e um pouco mais tarde, em MACBA de Barcelona, apresentaram uma exposição de arquitetura com o tema “Light Construction”.

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Arquitetos como Nouvel, Herzog e de Meuron, Tschumi, Zumthor, Toyo Ito, Sejima, Piano, Koolhaas e Gehry, entre outros, participaram com obras em que se evidenciava a crescente fascinação do momento de reformular os conceitos de transparência, permeabilidade, reflexão e leveza. E com isso, talvez recuperar o discurso em que Hilberseimer apostava pela “luz sem sombra”.

Nesses mesmo anos se levantou também a relação entre o mundo exterior e o interior, explorando os limites físicos dos edifícios resolvidos com sistemas integrados de capas e peles, e tinham os que combinavam materiais diversos: alguns sintéticos e compostos, como o policarbonato; outros mais convencionais, como o vidro. A ambiguidade do término inglês light, “luz”, que significa luminoso ou iluminação, mas também, leve e suave.

Visto os planejamentos interiores e pelo seu potencial, poderíamos definir o policarbonato como um “material light para uma construção light” com todas as concepções que apresenta a palavra light.

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Desde a sua descoberta em 1952 e sua comercialização em placas no começo dos anos 1960, o policarbonato continuou sua evolução, mas foi a partir da década de 1990 quando se desenvolveram as primeiras placas alveolares geralmente utilizadas na construção. Como primeira aproximação, a resina do policarbonato é um polímero de que pode se destacar a sua leveza, sua translucidez, sua capacidade de isolante e sua resistência mecânica. Se trata, portanto, de um material termoplástico de alto nível, que pela combinação de suas características mecânicas, óticas e térmicas, é um dos que apresenta maiores possibilidades de aplicação na área da arquitetura, atualmente.

Depois de anos de inovação contínua, as últimas formulações de placas comerciais de policarbonato celular se mostram como uma melhor escolha de material, que em alguns casos superam o uso do vidro e outros plásticos mais sofisticados.

Assim, os painéis de policarbonato denominados “células” ou “multicamara” oferecem uma combinação de alto nível de resistência mecânica, especialmente ao impacto, uma excelente transmissão de luz, assim como no isolante térmico.

As aplicações mais comuns destas placas são na cobertura e fachadas de estufas, estádios, pavilhões desportivos e piscinas, estações ferroviárias, aeroportos ou estabelecimentos industriais. Nesses contextos, o policarbonato é adequado para projetos em que a luz, a leveza e o isolamento são determinantes.

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Casa em Yamasaki – Japão

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Um bom exemplo de uso da construção leve através da utilização deste material é de uma residência projetada para um casa e seus dois filhos. O local onde está inserido apresenta um clima predominantemente fechado e o formato quadrado do terreno define a forma do projeto, que apresenta duas camadas sobrepostas: a primeira é uma fundação sólida e cinza enterrada pela metade e emerge do solo por mais 1,80m. A segunda, muito mais leve se sobrepõe sendo composta por três volumes que lembram básicas cabanas dispostas de forma que apresentem um fluxo livre entre elas.

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Esta divisão de camadas afeta o programa doméstico e os materiais usados. As partes comuns da casa são construídas por concreto reforçado, enquanto as leves e transluzentes peças de duplo policarbonato na parte superior provêm um banheiro, um solarium e um quarto de hóspedes.

Untitled7Essenciais para criar um sistema de bioclima, os painéis de policarbonato criam naturalmente um efeito estufa, acumulando energia solar durante o inverno. A cobertura incorpora sistemas de sombreamento e de captação de ventilação natural.

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L’Architecture d’Aujourd’hui – Water as a Design tool

Por: Cássio Pereira e Bárbara Ginjas, 8AAQ

A revista L’Arvhitecture d’Aujoud’hui é uma revista de origem francesa que aborda temas internacionais da arquitetura e urbanismo contemporâneos, e os relaciona com a problemática social e a com os diversos campos da arte e expressão. Suas edições são bimestrais e o seu preço é de aproximadamente 25 euros e é uma leitura bilíngue, francês e inglês.

Uma das edições do ano de 2015 trata sobre o tema “Water and the City” (“A água e a cidade”), tratando-se sobre a agua enquanto uma ferramenta a ser utilizada no design, tendo em vista como esse elemento foi pensado até hoje e que tipos de soluções de projeto foram apresentadas e configuram nossos tecidos urbanos. Uma vez que grande parte das mudanças climáticas presenciadas atualmente são o produto da ação humana, que aceleraram o processo dos desastres naturais. Um exemplo desse tipo de situação é supressão em centros urbanos de áreas permeáveis em dimensões consideráveis para suprir a demanda de escoamento.

A problemática é abordada de maneira que a metodologia e visão utilizadas até os dias atuais é obsoleta na questão ambiental e precisa de uma remodelação, muitas vezes lenta, na percepção do que é a agua no tecido urbano e no projeto propriamente dito.

O uso da água de maneira mais consciente é muito abordado no campo da pesquisa urbana, podendo se dizer que acabou se tornando algo mecânico nos projetos e propostas. O grande desafio que tanto a revista como os próprios arquitetos abordam atualmente com mais atenção é o uso dos recursos hídricos de maneiras pontuais, porém não isoladas do entorno, em projetos com uma escala menor e para usos específicos, um bom exemplo disso é citado na edição da revista, numero 406 – Março, o Watersquare Benthemplein, do escritório Urbanisten. O projeto fica localizado em Rotterdam e foi encomendado pelo departamento de Iniciativas Climáticas de Rotterdam, foi concluído em 2013.

O projeto partiu da necessidade de tornar visível onde eram gastos os fundos investidos pelo governo nas facilidades de armazenamento de água. Para a realização da demanda foram escolhidos os miolos de quadra para instalar tais “quadrados de água” e isso acabou gerando uma nova identidade para o desenho publico da cidade assim como melhorando as condições ambientais da região e criando espaços de lazer. A interação com a água é estabelecida a partir do momento em que as águas pluviais são escoadas para essas áreas quadradas gerando espécies de espelhos d’água/lagos, e quando isso acabar por secar se torna um espaço de praticas esportivas e atividades livres de lazer para a população.

A discussão sobre a água e a urbe já foi abordada em diversos âmbitos e mídias, a revista brasileira Monolito, por exemplo, acabou se enganchando nas recentes discussões sobre a crise hídrica que o Brasil tem enfrentado e abriu o debate sobre a quantidade de água necessária para uma cidade funcionar, e de como o excesso pode ser tão prejudicial quando a falta e vice versa. Outro meio que acabou discutindo isso no Brasil foi o ArqFuturo de 2013, onde as palestras foram focadas nas severas estiagens das ultimas décadas e a postura dos países em relação a isso, e como as atitudes tomadas acabam não sendo as mais compatíveis com a sustentabilidade, outro termo que já virou algo mecânico ao se tratar de arquitetura e urbanismo, porém sem nenhuma reflexão. Isso pode se ver nos desperdícios gerados em linhas de produção dos mais diversos produtos, mas é bom termos em perspectiva que isso não é algo novo, e sim algo que foi se desenvolvendo com o tempo e com o aumento de demanda para suprir o grande numero de pessoas nas cidades.

A dependência de qualquer malha urbana na água já se estabeleceu comprovada em todos os casos, isso é visto desde as primeiras formações de aglomerados sociais ate civilizações mais evoluídas, como por exemplo a civilização egípcia, que entre outras milhares, foi uma que se estabeleceu às margens de um rio, o Nilo, e com o tempo acabou domando o rio ao seu favor. A medida que a população aumentava foi imposta a necessidade de canalizar partes do rio e criar ramificações que atendessem áreas mais distantes da margem, tanto para o consumo imediato quanto para agricultura. Mas assim como o homem se mostrou capaz de “ampliar” os recursos naturais ao seu favor, também é muito recorrente termos que lidar com situações que nos forçam a conviver com os extremos, como é o caso de Veneza, onde as edificações são tangidas pelas águas e muitas vezes o acesso é exclusivamente por barcos.

Atualmente , principalmente no campo das artes, é possível perceber o quanto o ser humano busca a retomada desse contato com a natureza. Ao mesmo tempo que se fala muito sobre o “verde” e sobre a importância de ser eco, sustentável, verde, e etc acabamos passando pelo processo de Green Washing, ou seja, estamos buscando selos que não refletem a preocupação com o meio e sim a popularidade do projeto/produto, pode-se observar isso em grande parte das edificações que possuem uma cobertura verde, geralmente elas mantém a mesma tipologia de blocos de vidro que dependem de ventilação automatizada entre outras coisas mais, porem possuem o teto verde, logo se tornam um projeto com uma “cara” amigável para com o meio ambiente e assim se popularizam. Como dito antes a arte percebe isso e busca se contrapor a esse pensamento e faz isso se colocando no meio disso tudo. Ao olhar a obra de Olafur Eliasson, por exemplo, quando ele recria a percepção de um por do sol em pleno Tate Modern colocando o expectador de frente com a sensação que a luz amarela somada com espelhos e fumaça impactando as pessoas que provavelmente nunca presenciaram o por do sol real por conta de onde vivem e como vivem.

No ano de 2009 em sua palestra no TED, Olafur Eliasson apresentou seu trabalho mais recente na época que era a inserção digital de uma cachoeira em edificações altas dos grandes centros. Sua explicação para isso não foi menos genial que o trabalho em si, para ele essas quedas d’água representam a noção de distancia que nós possuímos instintivamente e que se perde em uma cidade grande, por exemplo, se você esta andando em uma área descampada na natureza e vê uma cachoeira é possível medir a distancia aproximadamente pela velocidade em que se vê a queda das águas e em um grande centro todo perfurado por prédios isso não é possível e essa relação acabou se perdendo.

A expressão artística tem refletido essa necessidade da volta da conexão com a natureza e outros artistas tem seguido essa corrente de pensamento, assim como Eliasson, outro artista que tem trabalhado nesse arquétipo na contemporaneidade é Berndnaut Smilde, sua técnica permite uma escultura que tem uma duração de aproximadamente 10 segundos e são completamente etéreas, ele reproduz nuvens. Geralmente suas instalações são feitas em locais extremamente controlados no sentido de que são museus, galpões, estúdios e similares, e isso por dois motivos, um é a necessidade de um ambiente controlado que é alcançado mais facilmente nessas locações, outro é a contraposição de trazer o céu para dentro do elemento construído pelo ser humano. Seu trabalho busca se relacionar com o público, pois para ele é um conceito universal, a nuvem possui algo que conversa com todos e as pessoas perderam isso cercadas por concreto vivendo nas cidades.

A edição da revista L’Arvhitecture d’Aujoud’hui que estamos abordando, alem de falar da água como componente do design também fala dessa esfera do natural que é a nuvem. Eles falam de projetos que usam do artifício da nevoa para criar ambientes e gerar sensações que somente com elementos construtivos não é possível alcançar.

Por fim, ao interseccionar todos esses assuntos e seus aspectos sociais é muito obvio o desejo que o ser humano possui em se conectar novamente com o natural. Seja na arquitetura, artes plásticas, cinema com filmes futuristas como Avatar, por exemplo, que acaba se tratando da reconexão do homem com o verde. O que é necessário mudar não são necessariamente as praticas construtivas ou como vive a sociedade e sim o porque de tomar tais ações e o porque de ser eco.