L’Architecture d’Aujourd’hui – Water as a Design tool

Por: Cássio Pereira e Bárbara Ginjas, 8AAQ

A revista L’Arvhitecture d’Aujoud’hui é uma revista de origem francesa que aborda temas internacionais da arquitetura e urbanismo contemporâneos, e os relaciona com a problemática social e a com os diversos campos da arte e expressão. Suas edições são bimestrais e o seu preço é de aproximadamente 25 euros e é uma leitura bilíngue, francês e inglês.

Uma das edições do ano de 2015 trata sobre o tema “Water and the City” (“A água e a cidade”), tratando-se sobre a agua enquanto uma ferramenta a ser utilizada no design, tendo em vista como esse elemento foi pensado até hoje e que tipos de soluções de projeto foram apresentadas e configuram nossos tecidos urbanos. Uma vez que grande parte das mudanças climáticas presenciadas atualmente são o produto da ação humana, que aceleraram o processo dos desastres naturais. Um exemplo desse tipo de situação é supressão em centros urbanos de áreas permeáveis em dimensões consideráveis para suprir a demanda de escoamento.

A problemática é abordada de maneira que a metodologia e visão utilizadas até os dias atuais é obsoleta na questão ambiental e precisa de uma remodelação, muitas vezes lenta, na percepção do que é a agua no tecido urbano e no projeto propriamente dito.

O uso da água de maneira mais consciente é muito abordado no campo da pesquisa urbana, podendo se dizer que acabou se tornando algo mecânico nos projetos e propostas. O grande desafio que tanto a revista como os próprios arquitetos abordam atualmente com mais atenção é o uso dos recursos hídricos de maneiras pontuais, porém não isoladas do entorno, em projetos com uma escala menor e para usos específicos, um bom exemplo disso é citado na edição da revista, numero 406 – Março, o Watersquare Benthemplein, do escritório Urbanisten. O projeto fica localizado em Rotterdam e foi encomendado pelo departamento de Iniciativas Climáticas de Rotterdam, foi concluído em 2013.

O projeto partiu da necessidade de tornar visível onde eram gastos os fundos investidos pelo governo nas facilidades de armazenamento de água. Para a realização da demanda foram escolhidos os miolos de quadra para instalar tais “quadrados de água” e isso acabou gerando uma nova identidade para o desenho publico da cidade assim como melhorando as condições ambientais da região e criando espaços de lazer. A interação com a água é estabelecida a partir do momento em que as águas pluviais são escoadas para essas áreas quadradas gerando espécies de espelhos d’água/lagos, e quando isso acabar por secar se torna um espaço de praticas esportivas e atividades livres de lazer para a população.

A discussão sobre a água e a urbe já foi abordada em diversos âmbitos e mídias, a revista brasileira Monolito, por exemplo, acabou se enganchando nas recentes discussões sobre a crise hídrica que o Brasil tem enfrentado e abriu o debate sobre a quantidade de água necessária para uma cidade funcionar, e de como o excesso pode ser tão prejudicial quando a falta e vice versa. Outro meio que acabou discutindo isso no Brasil foi o ArqFuturo de 2013, onde as palestras foram focadas nas severas estiagens das ultimas décadas e a postura dos países em relação a isso, e como as atitudes tomadas acabam não sendo as mais compatíveis com a sustentabilidade, outro termo que já virou algo mecânico ao se tratar de arquitetura e urbanismo, porém sem nenhuma reflexão. Isso pode se ver nos desperdícios gerados em linhas de produção dos mais diversos produtos, mas é bom termos em perspectiva que isso não é algo novo, e sim algo que foi se desenvolvendo com o tempo e com o aumento de demanda para suprir o grande numero de pessoas nas cidades.

A dependência de qualquer malha urbana na água já se estabeleceu comprovada em todos os casos, isso é visto desde as primeiras formações de aglomerados sociais ate civilizações mais evoluídas, como por exemplo a civilização egípcia, que entre outras milhares, foi uma que se estabeleceu às margens de um rio, o Nilo, e com o tempo acabou domando o rio ao seu favor. A medida que a população aumentava foi imposta a necessidade de canalizar partes do rio e criar ramificações que atendessem áreas mais distantes da margem, tanto para o consumo imediato quanto para agricultura. Mas assim como o homem se mostrou capaz de “ampliar” os recursos naturais ao seu favor, também é muito recorrente termos que lidar com situações que nos forçam a conviver com os extremos, como é o caso de Veneza, onde as edificações são tangidas pelas águas e muitas vezes o acesso é exclusivamente por barcos.

Atualmente , principalmente no campo das artes, é possível perceber o quanto o ser humano busca a retomada desse contato com a natureza. Ao mesmo tempo que se fala muito sobre o “verde” e sobre a importância de ser eco, sustentável, verde, e etc acabamos passando pelo processo de Green Washing, ou seja, estamos buscando selos que não refletem a preocupação com o meio e sim a popularidade do projeto/produto, pode-se observar isso em grande parte das edificações que possuem uma cobertura verde, geralmente elas mantém a mesma tipologia de blocos de vidro que dependem de ventilação automatizada entre outras coisas mais, porem possuem o teto verde, logo se tornam um projeto com uma “cara” amigável para com o meio ambiente e assim se popularizam. Como dito antes a arte percebe isso e busca se contrapor a esse pensamento e faz isso se colocando no meio disso tudo. Ao olhar a obra de Olafur Eliasson, por exemplo, quando ele recria a percepção de um por do sol em pleno Tate Modern colocando o expectador de frente com a sensação que a luz amarela somada com espelhos e fumaça impactando as pessoas que provavelmente nunca presenciaram o por do sol real por conta de onde vivem e como vivem.

No ano de 2009 em sua palestra no TED, Olafur Eliasson apresentou seu trabalho mais recente na época que era a inserção digital de uma cachoeira em edificações altas dos grandes centros. Sua explicação para isso não foi menos genial que o trabalho em si, para ele essas quedas d’água representam a noção de distancia que nós possuímos instintivamente e que se perde em uma cidade grande, por exemplo, se você esta andando em uma área descampada na natureza e vê uma cachoeira é possível medir a distancia aproximadamente pela velocidade em que se vê a queda das águas e em um grande centro todo perfurado por prédios isso não é possível e essa relação acabou se perdendo.

A expressão artística tem refletido essa necessidade da volta da conexão com a natureza e outros artistas tem seguido essa corrente de pensamento, assim como Eliasson, outro artista que tem trabalhado nesse arquétipo na contemporaneidade é Berndnaut Smilde, sua técnica permite uma escultura que tem uma duração de aproximadamente 10 segundos e são completamente etéreas, ele reproduz nuvens. Geralmente suas instalações são feitas em locais extremamente controlados no sentido de que são museus, galpões, estúdios e similares, e isso por dois motivos, um é a necessidade de um ambiente controlado que é alcançado mais facilmente nessas locações, outro é a contraposição de trazer o céu para dentro do elemento construído pelo ser humano. Seu trabalho busca se relacionar com o público, pois para ele é um conceito universal, a nuvem possui algo que conversa com todos e as pessoas perderam isso cercadas por concreto vivendo nas cidades.

A edição da revista L’Arvhitecture d’Aujoud’hui que estamos abordando, alem de falar da água como componente do design também fala dessa esfera do natural que é a nuvem. Eles falam de projetos que usam do artifício da nevoa para criar ambientes e gerar sensações que somente com elementos construtivos não é possível alcançar.

Por fim, ao interseccionar todos esses assuntos e seus aspectos sociais é muito obvio o desejo que o ser humano possui em se conectar novamente com o natural. Seja na arquitetura, artes plásticas, cinema com filmes futuristas como Avatar, por exemplo, que acaba se tratando da reconexão do homem com o verde. O que é necessário mudar não são necessariamente as praticas construtivas ou como vive a sociedade e sim o porque de tomar tais ações e o porque de ser eco.

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