A PRETENSÃO SUBSTITUINDO O POSTO DE UM BOM PROJETO

 A Relogovista Abitare

-Edições Mensais;

-Fundada em 1961, por Piera Peroni que a dirige em uma década. Seu primeiro nome era Casa Novità e apartir do seu sexto exemplar, torna-se a chamar Abitare. A publicação da revista foi suspensa no início de 2014 para cerca de 8 meses, e então volta `as bancas em outubro com uma nova versão em termos de conteúdo e gráficos, sob a nova direção de Silvia Botti.

capa

“Devemos criar uma nova palavra para Cultura, porque diferentemente do consenso geral, museu e performances, pensamos em outros objetos e não apenas em inovação e criatividade.”

Assim começa a reportagem capa da Revista Abitare, edição de número 543, “Se La Cultura prende el posto Del profitto” [ A Cultura Substituindo o Posto do Lucro], de Lina Bonardi.  Mesmo após essa pretensiosa afirmação dos arquitetos, acreditamos que o projeto seja interessante.

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Situado na Zona Tortona, antiga fábrica da empresa Ansaldo Stecca, metalúrgica de Milão, falida dês da década de 1960. O projeto, estranhamente, ainda não possuiu um titulo mas envolve uma grande transformação de uma área de quase 6000 m2, no coração da Zona Tortona, criando o novo distrito do design milanês. Como é sabido, Milão possui uma importante industria da moda, com suas marcas mais conhecidas como Giorgio ArmaniValentinoVersaceDomenico Dolce, Stefano Gabbana, Miuccia Prada. Tentando diversificar o pólo industrial, a cidade esforça-se para projetar-se como um pólo do Design, assim como a sua cidade vizinha, Turim, já o fez.

O antigo complexo industrial, que atualmente é de propriedade do governo, é hoje uma região urbana inteiramente dedicada a cultura. Pode-se encontrar a cede do laboratório–atelier do Teatro Scalla e, também, o Museo delle Culture, projetado pelo arquiteto ingles David Chipperfield.

Através de um concurso, para criar um centro internacional cultural, planeja-se estabelecer um espaço multiuso, com o objetivo de dialogar com a vanguarda artística da Europa e do mundo. Sim, mais pretensão dos arquitetos.

render       RENDER DO PROJETO

O projeto premido foi realizado pela junção dos escritorios Associazione Culturale Aprile, Avanzi, Make a Cube, Accapiu,  ARCI e o escritório Onsitestudio.

Com um investimento de quase 4,000,000 de euros (com metade da contribuição feita pelo governo e a outra pela iniciativa privada), o espaço será completamente repensado e equipado para criar um espaço de fácil troca de ambientes, cenários , propostas, onde será sempre possível desenvolver novos conceitos. Nada muito diferente dos Centros Culturais que conhecemos, certo?

Mas, segundo a autora, este não será simplesmente um centro cultural, tão pouco um projeto que vê a cultura no centro de qualquer processo de decisão das atividades humanas. Será um lugar de trabalho, estúdio de pesquisa e experimentação, com um objetivo ambicioso: propor uma nova instituição dedicada ao bem e a riqueza da sociedade. Obrigada por existirem, por gentileza, façam projetos em locais em guerra e planejem a paz mundial também.

Antes de saber o que aconteceria internamente ao projeto, o escritório acredita ser interessante entender o tipo de abordagem da criação, um amplo projeto desenvolvendo relações de trabalho sem precedentes. Poderá dizer que é uma mistura entre público e privado, na escala local e mundial, sendo indispensáveis para o projeto, a mistura destes na abordagem do projeto.

Lugares como esse tem que existir em um cidades em constante mudança, como os arquitetos acreditem que Milão seja, e inclusive nas menores escalas, como nos bairros. Mas os desafios do mundo contemporâneo também fazem com que exista uma necessidade em fazer parte de mundo globalizado de idéias e processos de mudança em produção, consumo e modos de vida, possibilitando novos links, inclusive entre a comunidade. Mas isso não é o suficiente. Um espaço favorável para inovação devem garantir a possibilidade para ações “arriscadas”, cometer erros e começar novamente. Então a relação entre a liberdades e regras torna-se importante, também nesse conceito. Ok, imaginamos que seja um espaço onde tudo possa acontecer, livremente, mais ou menos como numa comunidade hippie, certo?!

Praticas comuns devem abrir espaços para experimentações. Espaços devem criar oportunidades, serem informais. É necessário criar um novo contrato social entre os proprietários, gerencia, convidados e usuários. Ou seja, a população é “domesticada” pelo espaço, e não o espaço planejado segundo as necessidades da comunidade? Esta certo isso?

De acordo com os arquitetos e criadores, é um erro começar das fachadas quando se esta reorganizando “novos” espaços na cidade, que eram vazios.

Assim sendo, percebe-se uma grande valorização da criação de novos espaços. Segundo a autora, principalmente quando esta localiza-se em edifícios previamente existentes que deverão ser incorporados e adaptados. Ou seja, não houve qualquer tentativa de uma utilização segundo a importância ou relevância do uso anterior? Os galpões serão remodelados, dando lugar a espaços super tecnológicos, onde tudo pode rolar?

A segurança dos usuários é relevante ao projeto, inclusive as suas respectivas estruturas, mas focou-se mais em aspectos intangíveis, como criar espaços funcionais, apoio aos usuários, e a relação com seu entorno. Acredita-se que é uma questão cultural, não meramente formalista. Fiquem atentos: enquanto vocês estao trabalhando, uma viga pode cair em suas cabeças. Afinal, os aspectos “formalistas” foram esquecidos, considerando-se mais os espaços de trabalho e as áreas intangíveis, praticamente inexistentes.

Para criar espaços de renovação, utiliza-se uma enorme quantidade de pesquisas, fora da proporção do real requerimento,   e leva algum tempo para resolver as burocracias públicas; no final não subestima as esperanças e o entusiasmo dos envolvidos. Não desistam! O projeto ainda salvará o mundo, principalmente, contra as cáries!

Ou seja, apos a leitura da reportagem, estamos extremamente ansiosas pela realização deste projeto. Pretendemos fazer caravanas para Milão, com o objetivo de desfrutar de tais revelações. Sabemos que outros projetos semelhantes, como o da arquiteta Lina Bo Bardi, no SESC Pompéia em São Paulo, ou até mesmo, o da Tate Modern dos arquitetos Herzog & de Meuron, que também criaram espaços de convivência plural, não chegaram nem aos pés dessa obra única, em Milão.

sescpompeia    SESC POMPEIA, LINA BO BARDI

TATE    TATE MODERN, HERZOG & DE MEURON

Seria mais honesto, e humilde, para um projeto que ainda nem existe, ter buscado referencias em projetos semelhantes, e que funcionam, do que tentarem inovar, ou diferenciar-se, de algo que existe e que funciona perfeitamente na sociedade contemporânea.

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