Landscape Arch. Magazine – Perk Park, Cleveland

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Steven Litt, começa sua matéria para a revista Landscape mencionando o hábito de Neil Patel, um bancário que trabalha no Ohio Savings Bank, de dar uma saída de sua mesa  de trabalho para relaxar um pouco, e para isso da uma volta na cidade a fim de encontrar ar fresco e um pouco de verde, e para isso ele não precisa ir longe. Em 2012 o Perk Park foi instalado como um convidativo refúgio, que esta exatamente atrás do edifício de Patel . Redesenhado há três anos por Thomas Balsley , FASLA , as características do parque são de geometrias simples, grande abundância de sol e sombra , linhas de visão claras que fazem as pessoas se sentirem seguras , e uma grande variedade de lugares que para relaxar, tomar sol, fazer  piqueniques , ou observar as pessoas.

  • Projeto: Renovação do parque
  • Localização: East 12th St. e Walnut Avenue
  • Obra: Remoção de blocos de concreto e convertido em espaço verde
  • Data de Conclusão: Primavera de 2012
  • Arquitetos: McKnight Associates, Ltd., Thomas Balsley Associates, Ltd.
  • Custo: $3.3 milhões de dólares

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Uma vez que foi concluído em 2012, o parque tornou-se a nova peça central do Erieview Urban Renewal District, planejada em 1961 por IM Pei no lado leste do centro de negócios da cidade.

Por ter suas ruas preenchidas com escritórios desajeitados e sem graça, como a torre do Ohio Savings, a área foi renomeada como “The Nine Twelve District”.

Durante décadas o espaço público no distrito consistia-se em uma praça afundada , vidros escuros ou reflexivos, abundância de concreto, e com escassez de areas verdes e abertas ao publico.

O “New Perk Park” , como é chamado pelos moradores, fez uma enorme diferença para a região.

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Mas não foi sempre assim.

Antes da reforma,  o parque era uma “selva de concreto”, como mencionou um dos frequentadores do parque. Apresentava valas gramadas com peças de concreto espalhadas pela área, o que se assemelhava com obstáculos militares.

Inicialmente o parque era popular, mas ao longo do tempo foi decaindo por conta da falta de manutenção e se tornou uma definição para o trafico de  drogas.

Um tiroteio, ocorrido na madrugada de um domingo de 2009, em que deixou um homem morto e outro seriamente ferido, foi “a ultima gota”para se avançar com uma renovação.

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A reforma do parque preservou meia dúzia de árvores, que transformaram o parque de uma inspiração do brutalismo em uma jóia urbana que elevou os valores das propriedades , atraiu novos inquilinos para edifícios próximos.

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Talvez o mais importante , é que o parque mudou atitudes sobre a paisagem da cidade que , até recentemente, havia demonstrado pouco interesse em seus benefícios.

A reforma do parque deixou claro aos líderes locais que o espaço público de alta qualidade é essencial para o renascimento da cidade após anos de declínio industrial e perda de população.

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Como o Perk Park , houveram muitas outras revitalizações relacionadas á questão de parques e praças.

Essas revitalizações acontecem na maioria das vezes pelo simples fato do espaço ter sido esquecido pelo homem , ou seja ”abandonado”.

Quando o espaço inserido no meio da cidade deixa de receber visitas , manutenção e outros tipos de cuidado  , vira uma porta aberta para invasão de moradores de ruas , violência e etc. Normalmente essas revitalizacões acontecem quando o espaço ja esta saturado e não tem jeito de continuar da maneira que está , assim como aconteceu com o Perk Park.

Alguns exemplos de  praças e parques que sofreram esa mudança urbanística e arquitetônica foram:

Zuccotti Park – Nova York

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Klyde Warren Park – Dallas

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As praças estão inseridas neste contexto, em que a paisagem deve ser valorizada e seus espaços bem estruturados e planejados. Caso contrário esses espaços não serão destinado ao fim que deveriam ser.

Com relação aos parques urbanos, Jane Jacobs construiu um argumento poderoso para destruir alguns mitos:

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“ Espera-se muito dos parques urbanos. Longe de transformar qualquer virtude inerente ao entorno, longe de promover as vizinhanças automaticamente, os próprios parques de bairro é que são direta e drasticamente afetados pela maneira como a vizinhança nele.

Seu argumento é de que não basta um parque existir para garantir vitalidade para si mesmo e para o entorno. Não é possível obter valorização de um bairro simplesmente adicionando-se áreas verdes sem nenhum critério. Para que um parque de bairro funcione ele precisa ter 4 elementos:

  1. Complexidade;
  2. Centralidade;
  3. Insolação;
  4. Delimitação espacial.

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A complexidade é o elemento mais trabalhado por ela e, aparentemente, o mais importante. Nesse caso, a complexidade refere-se à diversidade de usos e de pessoas no entorno do parque, que conferem diversidade de horários e de propósitos para sua utilização.

“A variedade de usos dos edifícios propicia ao parque uma variedade de usuários que nele entram e dele saem em horários diferentes. Eles utilizam o parque em horários diferentes porque seus compromissos diários são diferentes. Portanto, o parque tem uma sucessão complexa de usos e usuários.” (Jacobs, 2001, p. 105)

A centralidade refere-se a um elemento espacial central ou, mais precisamente, com hierarquia superior aos demais, para atuar como referência no espaço da praça. Ele atua como polarizador dos usos e da legibilidade do espaço, sendo reconhecido por todos como o centro da praça.

A insolação provavelmente é mais importante para os países mais frios, apesar de que mesmo no Brasil não é interessante que os parques sejam sombreados pelos edifícios vizinhos. Ao contrário, é desejado que os parques propiciem tanto boas áreas de sombra para o verão como áreas ensolaradas para os dias de inverno.

Por fim, a delimitação espacial segue a linha do que Camillo Sitte defendia no final do século XIX, ou seja, a noção de que os espaços abertos devem ser conformados pelos edifícios, e não serem simplesmente formados a partir dos resíduos deixados pelas configurações dos espaços fechados. Não devem, tampouco, formar imensas áreas vazias sobre as quais os edifícios se assentam, como defendia o Modernismo.

É interessante notar como as teorias de Jacobs parecem válidas ainda hoje, apesar de terem sido desenvolvidas há mais de 4 décadas e em uma realidade completamente diferente da que temos hoje no Brasil. Se observarmos atentamente as praças e espaços públicos das cidades brasileiras vamos chegar à conclusão que as teorias são bastante válidas para a nossa realidade. É muito comum vermos praças relativamente bem arrumadas e arborizadas que ficam o dia todo deserto, sem praticamente ninguém utilizando. Não por acaso, a maioria deles fica em bairros de classe média/média-alta quase que exclusivamente residenciais.

As Praças e os parques exprimem locais de bate papo, reencontro, para outros podem significar trocas de experiências, lazer, meditação,lugar fundamental da vida social, espaço de encontro, de trocas de palavras e mercadorias , é o lugar intencional do encontro, da permanência, dos acontecimentos, de práticas sociais, de manifestações da vida urbana e comunitária.

Hoje, infelizmente, estes espaços estão na sua maioria mal cuidados refletindo o descaso das autoridades públicas que não os vê com importância. Falta vontade política e intelecto ambiental para gerir com eficiência os espaços públicos verdes brasileiros. Sendo mal geridos e conservados, esses espaços públicos têm se tornado até mesmo um perigo a céu aberto nas cidades, então acaba sendo  freqüentado para pontos de prostituição, comércio e consumo dos mais diversos tipos de drogas.

Em meio a esses diversos acontecimentos, a memória do verde, da composição florística e arquitetônica cedeu lugar ao medo, a sujeira e até a escuridão. Esses acontecimento faz  com que as praças voltem a ter seu objetivo real e que as pessoas de boa conduta voltem a habitá-las, afim de que se torne um ambiente sadio, de descanso e contato com a natureza, colaborando não somente para o local isolado, como para toda a cidade e seus cidadãos e visitantes.

Hivena Del Pintor e Sharon Fliter

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