Junkspace | Espaço-Lixo

por Fernanda Zeraik e Vitória Paulino

Rem Koolhaas, em Junkspace, ou “espaço-lixo” faz uma análise do resultado urbano da modernização para definir as sobras da construção desenfreada, que segundo ele, nunca construimos tanto quanto no século XXI, e isso caracteriza a modernidade. O arquiteto holandês, defende que nossa história é feita de grandes monumentos, como as pirâmides, sendo que a história que estamos construindo no presente, é feita de grandes massas de construções. Levando em consideração que a arquitetura contemporânea não quer e não consegue seguir um estilo, e quando somada, torna-se em lixo e restos.

O ar-condicionado ditou regimes mutantes de organização e coexistências que a arquitetura não consegue mais acompanhar. Como na Idade Média; um único shopping center agora é obra de gerações; o ar-condicionado constrói ou destrói nossas catedrais. O espaço condicionado custa dinheiro, não é mais gratuito, e por isso se torna inevitavelmente um espaço condicional se transforma em Junkspace.

Junkspaces, shopping centers e Rem Koolhaas Montagem com fotos de Rodrigo Fernández e A. Júnior [Wikimedia Commons]

O excesso classificado por Koolhaas, não é apenas de objetos ou de matéria, mas sim de estímulos, como a escada rolante e ar condicionado. O espaço está sendo construído para consumo, como um mercado. Em Junkspace, a hierarquia que existia no modernismo, é substituida por acumulação e, composição por adição. Sendo assim, “Mais e mais, mais é mais”. Revertendo o conceitos dos arquitetos modernos, Koolhaas diz que o espaço-lixo não busca por mais, é apenas um excesso por si só. E que não buscam por melhora, nem piora, é apenas mais, para ter mais.
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Junkspace enfatiza a perca de limites, como consequência da sua homogeneidade e excesso. Não sabemos ao certo onde começa e onde termina um espaço, ou quais são os contornos exatos entre uma edificação privada, que mescla-se com o espaço público e mobiliário urbano. Podemos fazer um paralelismo com outro texto, Bigness, em que há uma reflexão sobre como a arquitetura compete com o urbanismo:

A Bigness é o ponto em que a arquitetura se torna ao mesmo tempo máxima e minimamente arquitetônica: ao máximo por causa da enormidade do objeto; minimamente por sua perda de autonomia – ela se converte em instrumento de outras forças, se torna dependente. A Bigness é impessoal: o arquiteto já não está condenado ao estrelismo.

A Bigness já não precisa da cidade, compete com ela, representa-a, apropria-se dela, ou melhor ainda,  é a cidade. Se o urbanismo gera potencialidades e a arquitetura as aproveita, a Bigness desdobra a generosidade do urbanismo contra a mesquinhez da arquitetura. Bigness = urbanismo contra arquitetura.

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A circulação e fluxos no junkspace funciona como uma forma de consumo, que apesar de ser uma arquitetura homogênea, cada percurso é rigorosamente idêntico. Rem Koolhaas cita como exemplo de analogia, os aeroportos que são necessariamente todos iguais. Os caminhos percorridos pelas pessoas são sempre os mesmo em todos os aeroportos do mundo. E também pode-se observar em shoppings centers como os caminhos são errantes, onde o projeto nos condiciona a consumir. A escada rolante de encontro com o ar-condicionado, proporciona a falta de encontros espontâneos. E os espaços começam a a personificar os prédios, atendendo as necessidades prediais e não humanas.

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