The American City

Por Hívena Del Pintor

Streets of New York in the Late 19th Century (3)

“No início do século XX , 10% da população vivia nas cidades”

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“Nos anos 2.000 cerca de 50% da população mundial vivia na cidade”.

Urbanismo : Uma arte do arquivista ?

A pobreza dentro de muitos dos pensamentos urbanistas, pode ser traduzida a uma teoria central: onde a cidade, ou  a Metropole, se expressam plenamente por suas formas físicas , e que, como um objeto concreto, finito, sozinho são passíveis de análise e intervenção.

A cidade, no entanto, é um campo ou uma organização de forças em movimento. Cada cidade é uma combinação específica de modalidades históricas em uma composição dinâmica.

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As Transformações que afetaram as cidades americanas no pós-guerra foram extraordinários – mesmo sem precedentes.

Após a “Grande Depressão”, os americanos tomaram a seguinte lição:

“Como maior nação do mundo, se nos concentrarmos em nossas energias e recursos em um empreendimento importante, nós podemos realizar coisas incríveis”.

E assim começaram as mudanças.

suburbio

Com uma civilização há muito privada de excessos, um consenso nacional tomou forma em apoio a expansão suburbana. Parecia uma maneira muito americana de experimentar um crescimento e uma grande oportunidade de dar tempo aos problemas do centro da cidade.

Expandiram-se os programas habitacionais, para a construção e compra de novas casas. Assim começaram as construções de rodovias interestaduais que reformularam drasticamente as cidades.

rodovia interestadual

Os resultados iniciais pareciam confirmar as teorias, não so a economia começava a crescer rapidamente, mas a prosperidade foi amplamente partilhada.  Toda vez que se construía uma estrada, ponte ou viaduto, e cada vez que um túnel surgia em meio a um milharal na periferia da cidade, via-se resultados positivos.

O financiamento publico das infra-estruturas, mais incentivos para a casa própria se resumia a um crescimento sustentado e próspero:

O sonho americano!

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Ou O mito americano. Os governos locais começaram a perceber que este sistema não funcionava. Embora tenham oferecido aos governos federal e estadual o crescimento econômico que buscavam, as prefeituras ficavam com a responsabilidade de garantir manutenção as vastas extensões de estradas e áreas de serviços enormes.

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O que tornou tudo ainda mais desesperador foi, a grande ascensão do automóvel, que foi grande parte do “sonho americano” e também grande, senão a maior parte do declínio deste.

Morando nos subúrbios, as famílias todos os dias tinham que se deslocar por alguns quilômetros ate o centro das cidades, onde trabalhavam.

O que acabara gerando um grande trafego e horas de congestionamento.

Scores Of Travelers Depart For Long Holiday Weekend

Apesar de tudo, a vida nos subúrbios, gerava grande dependência do Auto. Pois todo e qualquer tipo de comercio e serviço estava a uma grande distancia das moradias. Portanto, se alguém precisasse comprar um pão, deveria pegar o carro e ir ate a loja mais próxima, que não estava tao próxima assim.

As relações interpessoais começaram a deixar de existir, pois ninguém mais tinha tempo para conversas entre vizinhos, e não havia mais intimidade entre um vendedor e um cliente, pois houve uma quebra nas tradições familiares, quando se tratando de ir fazer as compras no mesmo mercado, ou ir a mesma farmácia, ….

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Ninguém mais andava a pé, até porque não tinha onde se ir a pé, a valorização pelo automóvel era muito grande, e cada vez mais influenciada pela televisão e pelo cinema.

Esses dados, podem ser claramente vistos no filme Paris-Texas, onde a família que mora em um subúrbio, o irmão perdido e com perca de memória parcial, não esqueceu apenas de como dirigir um carro.

No filme, podemos ver claramente as grandes estradas e avenidas, os viadutos e a inserção dos Drive-ins até mesmo para a ida ao banco.

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Unindo-se ao automóvel – em combinação sinergética com a televisão – um novo tipo de urbanização foi induzido: científico ao extremo e com uma confiança sem precedentes sobre as estruturas e práticas de engenharia de guerra.

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As mulheres que trabalhavam nas fábricas e aprenderam a usar máquinas, geraram umas das maiores revoluções dento da engenharia tecnológica de todos os tempos. Que além de criar os eletrodomésticos, geraram um novo conceito de local de trabalho, este racional e ergonômico, unindo a moda para a doméstica e apoiada por uma “parafernália” de aparelhos domésticos ” de economia de trabalho “.

A televisão desempenhou claramente um papel determinante aqui , não menos do que foi a inclusão notável de uma nova característica arquitetônica para o espaço doméstico coletivo do domicílio “New Town” : o nicho de televisão artificial construído na sala de estar do Levittown .

As novas cidades de subúrbios e sua comunidade com a “parafernália” de infra-estruturas – postos de gasolina , estacionamentos , shoppings, auto-estradas , horários, drive-ins e garagens domésticas – foram os resultados diretos desta reorganização.

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Notamos que essas revoluções, criaram cidades sem personalidade. Onde as pessoas vivem sozinhas em meio a multidão.

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Cidades que vangloriam aqueles que vivem entre grades, e se dizem seguros da hostilidade do mundo externo.

Será que as cidades, não eram melhores antes de todas essas “revoluções”?

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Antes do automóvel, antes dos zoneamentos modernos, e antes de uma intervenção maciça do governo central nos mercados imobiliários, as cidades cresceram e se desenvolveram em torno da tecnologia de transporte da época: de uma pessoa e dois pés.

Em contraste, o nosso desenvolvimento em padrão cul-de-sac, auto-base alimentar de vias arteriais, desembocando em auto-estradas, não tem, nem de longe a historia de aplicação e testes dos padrões tradicionais.

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Qual seria então a sabedoria dos antepassados? Qual é a distancia ideal entre árvores em uma rua norte/sul? Qual é a proporção ideal de construção de altura e largura para se criar um bom senso de lugar? Qual a largura que as calçadas tem que ter para uma boa transição entre o espaço público e privado?

As gerações anteriores figuraram tudo isso para fora e mais, porque eles tinham uma coisa que o nosso planejamento orientado para o automóvel nunca tera: o tempo para testar vários cenários diferentes.

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O conhecimento necessário para construir habitações, lugares tranquilos, já foi tão comum a todos da mesma forma que hoje os americanos compreendem intuitivamente que o estacionamento vai em frente da grande loja de caixa ou de fast food localizada na rampa.

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 Estamos recuperando lentamente este conhecimento perdido. E quando começarmos a aplicar novamente esta sabedoria atemporal, estaremos redescobrindo que os padrões tradicionais de construção não são apenas otimizados para os edifícios, são otimizados para nós.

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Este video retrada de uma forma divertida a relação entre os subúrbios americanos e a cidade em que vivemos… 

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