INSUSTENTÁVEL GERAÇÃO Y

Bruna Miron e Louise Canuet

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Analisando o insustentável mundo de Kundera (1984), foi possível fazer uma analise profunda dialogando paralelamente á geração Y e o modo de viver, onde fizemos correlações  com a arquitetura contemporânea.

A história se desenvolve durante os anos 60 e 70, inserindo os personagens que encarnam figuras metafóricas na vida artística e intelectual tcheca, durante um período comunista na primavera de Praga que ocorre até a invasão soviética de 1968.

A partir da dualidade do autor, analisamos a leveza e o peso do ser, que inserem os personagens diante diversos conceitos que citaremos a seguir.  Leveza e peso são as noções  básicas que fundaram o livro, analisadas através do questionamento dos critérios do Parmênides (filosofo antes de Sócrates). Sendo assim o peso é negativo e a leveza, positiva. E na arquitetuta podemos traduzir como peso sendo conceito e estrutura e leveza sendo estética.

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Para Kundera, a leveza decorre da ausência de compromisso, enquanto o peso é a responsabilidade que da sentido e nos mantem com o pé no chão. Essa leveza as vezes é  insustentável quando contrastada com o peso do destino. No livro, os 4 personagens dialogam diante posições e contradições, como podemos observar:

  • THOMAS à AMBÍGUO – ETICA E ESTETICA à um libertino e amante apaixonado possui um conceito ambíguo, ele tem gosto para aventuras amorosas leves, evita as relações duráveis e quer sim compreender a imensidão do mundo. Ele está preso em uma dualidade constante.
  •  SABINE à LEVEZA – CRIATIVIDADE E IMAGINAÇÃO –  persegue a leveza e a liberdade sentimental e ideológica.
  • TEREZA (AMOR PURO) E FRANZ (INFIDELIDADE, CULPA) – PESO E  MORAL – os dois últimos personagens encarnam a gravidade, eles são seres de princípios.

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Sendo assim, essa dualidade que transparece nos personagens também pode ser observada nas pessoas e no modo de enxergar o mundo frente às diferentes gerações. Analisaremos então a geração “Y”, que sucessora de uma geração de baby boomers, possui características individualistas, sendo mais excessiva do que seletiva. Essa geração consumista de tecnologia prefere compartilhar a produzir. Têm características superficiais, rasas e constantes, sempre estão em movimento e procedem de forma imediata. Preferem observar do que atuar.

Dessa forma de enxergar a vida, podemos contrapor com o conceito do pensamento cíclico do universo e dos eventos de Nietzsche (citado no livro), que acreditava que devemos viver a vida como  gostaríamos que ela se repetisse sempre. Opondo a particularidade da geração “Y”, que pensa de forma linear como um sistema dinâmico. Assim como Kundera, que também  enxerga a vida como um sistema dinâmico onde o homem se vê confrontado a várias escolhas e a certa leveza que ele opõe ao peso.

São revelados dentro da insustentável leveza do ser, conceitos que relacionamos com a forma de agir e pensar da geração “y” e traduzimos para o modo de viver que repercute na arquitetura contemporânea:

  • Eterno retorno – acredita no progresso, historia dinâmica – uma única vida, aproveitar oportunidades – arquitetura contemporânea.
  • Amor – não é programado, proposição acidental, fugaz e fortuito – superficialidade, sentimento mediado, virtual, em rede – encontro das pessoas.
  • Politica – individualista, vazio do pensamento, falta de conteúdo, facilidade da manipulação da mídia – espaço publico.
  • Corpo – lado criativo, artístico – aparência física, preocupação com a estética – fachada.
  • Ser – leveza, mundo dividido em pares de entidades opostas, luz e escuridão, ser e nada, positivo (leveza) e negativo (peso) –  Consomem milhares de informações com rapidez, porém, esquecem  de tudo com a mesma velocidade – uso multidisciplinar, hibrido.

Frente a essas analises, chegamos a conclusão de que a arquitetura contemporânea é a experiência  de se fazer parte do mundo, esta que traduz o modo como as gerações se relacionam e a personalidade das mesmas. A arquitetura contemporânea reprograma o mundo livre, projeta um novo mundo e prevê  a forma como as pessoas vão se relacionar.  A contemporaneidade transparece o que a gente é, sendo reflexo da psicologia das pessoas, que interfere no jeito de usufruir a arquitetura.

Ser contemporâneo, portanto, é reconhecer e estranhar o nosso tempo. Essa pluralidade multidisciplinar da geração do futuro irá produzir um mundo de várias inteligências. A forma de pensar das futuras gerações é a resposta para a arquitetura do futuro.

Para exemplificar o modo como a geração “Y” entende o espaço, pegamos como exemplo o jovem arquiteto e designer russo Oleg Soroko que pertence a essa geração. Sua forma de apropriar o espaço público é a partir de um elemento que o compõe.

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A chair in this concept is a kind of anti-chair. You can sit together, it is possible to lie etc. Multifunctionality is not the most important. The main thing is that the chair exists not to sit, but to get up. Get up, rush, start to act, become a part of the high perfection of the world… this Is the initial historical semantics of the chair, sit down and commit an act of insertion to continue a live, change, flow…” Oleg Soroko

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