“São Paulo, três ensaios visuais” IMS e a Arquitetura Contemporânea

Inaugurado em 20 de setembro de 2017, na avenida Paulista, o Instituto Moreira Salles é um centro cultural projetado pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos. Como um museu vertical, o projeto é dividido em sete andares e todos possuem pé-direito duplo, que são acessíveis por escadas e elevadores. Possui um vão livre em seu térreo e sua entrada dá-se a partir de escadas rolantes localizadas no mesmo.

 

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Fotografias : Andre Furcolin 2017

Seus espaços de exposições são amplos, totalizando mais de 1200 m² e o centro cultural também conta com um cinema/teatro – onde ocorrem mostras de diferentes tipos de mídias – além de salas de aula, biblioteca, café, restaurante e livraria.

Dentre as exposições visitadas e escolhida para relacionar com arquitetura contemporânea, o destaque vai para amostra de fotografia intitulada “São Paulo, três ensaios visuais”, com fotografias feitas em três séculos diferentes, a partir de 1862, como as de Militão Augusto de Azevedo até chegar aos dias de hoje, com diferentes fotógrafos.

Com curadoria de Guilherme Wisnik, a exposição é dedicada à cidade de São Paulo. A comunicação visual da cidade é apresentada desde os muros pintados do século XIX até seus luminosos e outdoors dos séculos XX e XXI. O ensaio visual também acompanha as grandes transformações que a cidade sofreu. Em cem anos, deixou de ser um vilarejo para estar entre as grandes metrópoles do mundo. Além de fotógrafos do acervo do IMS, como Vincenzo Pastore, Hildegard Rosenthal e Thomaz Farkas, também há na mostra trabalhos de Cássio Vasconcellos, Cristiano Mascaro, Tuca Vieira, Tatewaki Nio, Raul Garcez, João Musa e Josef Bernardelli.

Fotografia: Andre Furcolin 2017 //  “São Paulo, três ensaios visuais”,

Fotografia: Andre Furcolin 2017 // “São Paulo, três ensaios visuais”.

Dessa forma, a exposição relaciona-se com a disciplina de arquitetura contemporânea por conta do conteúdo apresentado. A evolução dos espaços urbanos de São Paulo é evidente nas fotos da mostra, bem como as pessoas que fizeram e que fazem parte dela. Esta análise fotográfica entre os três diferentes séculos, e que chega até os nossos dias nos permite concluir mais uma vez aquilo que já aprendemos antes em sala de aula: “Aprendemos História para conhecer o passado, compreender o presente e aperfeiçoar o futuro.” (Renan Antunes Bartesem).

 

11 Bienal de São Paulo e os Ensaios Visuais da Cidade

A Bienal propõe a qualificação da cidade por pensamentos e como utilizar o que ela proporciona para seus cidadãos. Pensando como ela foi evoluindo e se organizando, as imagens seguintes da exposição no IMS mostram a evolução dos seus usos
e ocupações ao decorrer das décadas.
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Fotografia: Milhão Augusto de Azevedo 1862 // Tuca Viera 2017

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Fotografia: Milhão Augusto de Azevedo 1862 // Tuca Viera 2007

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Fotografia: Hildegard Rosenthal 1940 // Tuca Viera 2007

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Fotografia: Henri Ballot 1952

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Fotografia: Hans Gunter Flieg 1956 // Mauro Restiffe 2014

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Fotografia: Tatewaki Nio 2009

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Fotografia: Alice Brill 1954

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Fotografia: Chico Albuquerque 1955

Luana Serafim

 

Microtopia

Bryan Feldman e Mariana Freitas

O ATELIER PUBICO da Microtopia nasceu a partir se um quarto em um cortiço, comprado para as pessoas que frequentarem ele sentirem o que é aquele local, analisar como é a vida cotidiana e os desafios a serem enfrentados ali. Com o projeto, A Microtopia foi aceita para realizar um estudo de gestão de 5 anos sobre o Parque da Aclimação (Projeto de Gestão Comunitária Microtopia. Estamos trabalhando com todas as problemáticas sociais, econômicas e ambientas que estão dentro do que chamamos π(pi) microtopia = 1km.

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Por meio do sociólogo e urbanista “Jeff Anderson”, foram credenciados pela Prefeitura de São Paulo à criação dos modelos Jurídico, Operacional, Arquitetônico e Econômico de gestão do Parque da Aclimação. Trabalharam e defenderam incansavelmente, desde o ano passado, a Gestão Comunitária. A atual gestão de São Paulo pretende privatizar a administração de PARQUES públicos, com fins de reduzir os custos de manutenção de dinheiro público, e passando para empresas privadas ou Fundações e OSCIPs (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que cuidem desses locais. A microtopia propõe com a autorização dos órgãos públicos , a implementação de uma gestão comunitária e mais humana/participativa do parque aclimação.

A Microtopia é uma organização inovadora de urbanismo tático, com tecnologias nas áreas de design social, meio ambiente e educação, com o objetivo de alterar paisagens e comportamentos na cidade de São Paulo, com um raio de influência de um quilometro do Lago do Parque da Aclimação. O objetivo da organização é pesquisar, estudar, planejar e implementar projetos para a gestão de pequenos espaços públicos que estão degradados ou subutilizados, produzir possibilidades de trabalho, novas políticas e procedimentos a favor do desenvolvimento local, arborizando todo o perímetro de um raio de 1 quilometro de atuação, além de ativar o comércio e serviços de produção de arte, capacitar insumos para o paisagismo, implantar escolas comunitárias, inspirando e potencializando comunidades de forma com que elas consigam realizar seus projetos de forma autônoma, mesmo que sejam melhorias em micro espaço.

A ideia surgiu de um pensamento que analisa os grandes desafios diários enfrentados em São Paulo, sendo eles emprego, a mobilidade, a qualidade de vida, urbanidades e saúde que estão ameaçados. A resposta se apresenta por meio das falhas, novas possibilidades de adquirir autonomia, criando em conjunto novas formas de viver. Microtopia não é uma empresa, não possui patrimônios, nem dinheiro, é uma organização composta por trabalho, por amigos e comunidade.

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MICROTOPIA COM AS PRÓPRIAS MÃOS.

SPOT: Bienal de Arquitetura de São Paulo e Bienal de Arquitetura de Buenos Aires

Por Maria Fernanda Xavier e Victória Guimarães Eugênio

11ª BIENAL DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO

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Logo 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo

 

Segundo o site da própria 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, esta edição propõe repensar o projeto singular como instrumento capaz de reunir as diversas disciplinas que a cidade exige.

Repensando o olhar para cidade tanto nas ações e temas propostos quanto na dinâmicas que esta realizará.

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Temas 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo

 

Promovida pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) onde se se apresenta o local/base dessa Bienal ( estúdio) onde acontecerá algumas ações,  tem como enfoque o processo do projeto dentro da cidade, mostrando a importância da colaboração dentro das dinâmicas de um projeto.

A bienal paulistana propõe a construção de um pensamento a partir do edificar, usar, ocupar, qualificar a cidade.

Seguindo sua proposta colaborativa e de pensamento da cidade, a Bienal se organizou na cidade da seguinte forma:

_Espaços oficiais, onde há uma programação fixa;

_Espaços parceiros, que já apresentam sua programação preestabelecida e passa participar da própria Bienal;

_Módulos Satélites.

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Localização ações 11ª Bienal de Arquitetura em São Paulo

 

Fronteira Livre

Intervenção do coletivo Goma Oficina

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Imagem para divulgação para intervenção fronteiras livres

 

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Intervenção Fronteira Livre – Goma Oficina

 

Como já discorrido, a 11ª Bienal não teve um local único como “sede”. Assim o coletivo Goma Oficina propôs uma intervenção na CPTM e em algumas estações do metrô onde bandeiras (fronteiras) foram inseridas na comunicação visual desses lugares.

A proposta tem como objetivo discutir as dificuldades “invisíveis” que os imigrantes passam na cidade de São Paulo. Dessa forma, o coletivo contou com o auxílio do CAMI (Centro de apoio e pastoral do Migrante) onde 6 histórias de grupos imigrantes foram traduzidas em bandeiras que contam e refletem essa dificuldade dos imigrantes na cidade.

Futuros do Futuro

Sou Fujmoto

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Imagem para divulgação para palestra Futuros dos Futuro

 

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Abertura palestra Sou Fujimoto FAUUSP – Nature and Architecture

 

Como parte da programação da Bienal, no dia 17 de novembro de 2017 ocorreu no auditório Ariosto Mila na FAUUSP, uma palestra com o arquiteto japonês Sou Fujimoto, onde ele abordou temas complementares aqueles centrais da própria Bienal.

Sua palestra teve como título: Natureza e a Arquitetura (Nature and Architecture), onde Fujimoto discorreu como esses dois temas estão intrinsecamente ligados.

Para o arquiteto assim como na floresta (natureza) a arquitetura deve passa proteção para seus usuários, porém ao mesmo tempo a possibilidade da privacidade e dos diferentes usos em um mesmo lugar. Um exemplo foi a própria história de vida do arquiteto, uma vez que ele nasceu em Hokkaido, segunda maior ilha do arquipélago japonês que ainda apresenta forte ligação com a natureza e mudou para Tóquio para estudar arquitetura e assim pode perceber a diferença e semelhanças desses dois locais, concluindo que tanto a cidade (meio urbano) quanto a natureza tem suas particularidades em relação a proteção, funções em privacidades. Porém a natureza apresenta é fluida diferente de muitas construções (arquitetura) que vemos ao nosso redor.

Dentro dessa dinâmica, o arquiteto discorreu sobre a importância da interação entre o externo e interno na arquitetura, fator visível nas florestas, mas as vezes impossível em algumas construções.

Dessa forma, o arquiteto mostrou algumas de suas obras mostrando essas relações propostas em seus projetos, como por exemplo: Pavilhão Serpentine  (2013 – Londres), Casa N (2008 – Japão), Casa NA (Japão), Livraria e Museu de Art Musashino ( 2010 – Japão) e o Masterplan para cidade do Oriente Médio.

Casa NA (House NA)

Projetada em 2010 em um bairro tranquilo de Tóquio, a Casa NA demonstra as ideias retratadas na palestra em um mesmo projeto.

A partir do diagrama conceitual do projeto, percebe-se a intenção de relacionar a experiência na própria natureza com o projeto construído.

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Diagrama conceitual

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Casa NA

 

Ao compararmos o diagrama conceitual com as fotos da casa em uso, percebemos como que Fujimoto traduziu a natureza para a própria arquitetura.

A casa NA proporciona a interação total do externo e interno, assim como os ambientes da própria casa. A materialidade ( vidro e aço) auxiliam nessa transparência, uma vez que estruturas esbeltas junto com o vidro permitem a total fluidez. Além disso a residência apresenta níveis intercalados e diferentes que permitem diversos usos em um mesmo espaço, além de possibilitar a própria individualidade necessária.

Esse projeto de Fujimoto cria expectativas durante o seu passeio, pois não possibilita a sua total compreensão de imediato e sim a necessidade de conhecer e descobri cada uma das partes a partir de percursos.

 

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Casa NA

 

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Casa NA

 

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Casa NA

 

Quando comparada com o seu entorno imediato, a Casa NA surpreende devido sua forma despretensiosa e diferente. Porém, apesar da diferença imediata, percebe que o arquiteto respeitou alguns critérios que ajudam o projeto a integrar na paisagem, como por exemplo o gabarito e as aberturas.

Ao final da palestra o arquiteto respondeu algumas perguntas do público, perguntas parecidas das que constam no seu livro “Sincere by Design: The Architecture of Sou Fujimoto” com distribuição gratuita durante sua palestra.

Dois questionamentos tanto respondidos na palestra como tratados no livros retratam questões desenvolvidas nos seus trabalhos:

“- Why didn’t you look for a job after graduated?

I was basically chicken. I thought, I only studied architecture for two-and-a-half years, what can I do? On the other hand, I wasn’t interested in going to graduate school. My more precocious classmates started submitting works to competitions, but I didn’t have anything I wanted to show anybody. If, for example, I had taken my portfolio to Toyo Ito and he had told me its wasn’t interesting, I would have been devastated.

At same time, I was afraid that if Ito offered me a job, he might overpower me because I was so easily influenced. I didn’t have any confidence in my own roots. I needed a little more time to think – about the kind architecture I wanted to make and the kind of things that might come out of me. So for the time being, I developed all the spare time I had thinking freely.”

Trecho retirado do livro “Sincere by Design: The Architecture of Sou Fujimoto” distribuído gratuitamente na palestra Futuros do Futuro – Sou Fujimoto.

Interpretação/tradução:

“- Por que você não procurou um emprego depois de se formar?

Eu era basicamente “muito imaturo”. Eu só havia estudado arquitetura por dois anos e meio, o que eu posso fazer? Por outro lado, não estava interessado em ir à escola de pós-graduação. Meus colegas de classe começaram a participar de competições, mas eu não tinha nada que eu quisesse mostrar a ninguém. Por exemplo, se eu tivesse levado meu portfólio para Toyo Ito e ele me dissera que não era interessante, eu ficaria devastado. Ao mesmo tempo, eu tinha medo de que o se Ito me oferecesse um emprego, ele poderia me dominar porque eu sou facilmente influenciável. Eu não tinha confiança em minhas próprias raízes. Precisava de um pouco mais de tempo para pensar – sobre arquitetura que queria fazer e sobre o tipo de coisas que poderiam surgir de mim”.

 

“ – Architects have a reputation for having big egos. How do you see yourself?

I think I also have a big ego. I run an architecture firm, but I ultimately have to make the decisions myself. The act of hiring a staff and organizing your own design teams in itself is egoistic. But over the last five years or so, I have come to the positive realization that I am only a small piece of the immense history of architecture. Instead of making or conceiving things, I think I have been inspired by variety of cultures and lifestyles from all over the world, and in some small way, I have carried something new into the future.

Architecture is closely related to the site, the way of living that people have there, historical backdrops to various programs and natural features, climates and lifestyles.

Something special emerges when all of these things resonate with you own creativity. I am not solely responsible for these things. When I started to think about this, I realized what a trivial thing my ego was.

I decided it would be better to leave everything to the uncertainty richer and more enjoyable. I also thought I wanted to be more modest and sincere – to take a more sincere approach to the world, history, and the future.”

Trecho retirado do livro “Sincere by Design: The Architecture of Sou Fujimoto” distribuído gratuitamente na palestra Futuros do Futuro – Sou Fujimoto.

Interpretação/tradução:

“- Os arquitetos têm reputação de ter grandes egos. Como você se vê?

Eu acho que também tenho um grande ego. Eu tenho um escritório de arquitetura, mas eu finalmente tenho que tomar as decisões. O ato de contratar pessoal e organizar suas próprias equipes de design em si é egoísta. Mas, ao longo dos últimos cinco anos, eu cheguei à percepção positiva de que eu sou apenas uma pequena parte da imensa história da arquitetura. Em vez de fazer ou conceber coisas, penso ter sido inspirado por uma variedade de culturas de estilos de vida de todo o mundo, e de alguma forma, levantei algo novo para o futuro.

A arquitetura está intimamente relacionada com a área, a forma de viver que as pessoas têm lá, os cenários históricos de vários programas e características naturais, climas e estilos de vida.

Algo especial surge quando todas essas coisas ressoam com sua própria criatividade. Eu não sou o único responsável por essas coisas.

Eu decidi que seria melhor deixar tudo para o incrivelmente mais rico e mais agradável.

 Eu também pensei que queria ser mais modesto e sincero – dar uma abordagem mais sincera ao mundo, à história e ao futuro “.

A partir tanto dos temas tratados na palestra como as respostas dadas por Fujimoto nos questionamentos feitos, percebeu-se que seu método de criação de assemelha com a temática central da 11ª Bienal, como por exemplo, a colaboração e trabalho em equipe; além da própria criação da arquitetura em diversos formatos não só pela necessidade e função, mas sim pelo método.

Esses mesmos temas também serão retratados na exposição Futuros do Futuro na Japan House em São Paulo.

Na palestra, Sou Fujimoto mostrou parte das maquetes e ideias que serão questionadas nessa exposição, como por exemplo a livre criação e processo por detrás dos projetos.

XVI BIENAL INTERNACIONAL DE ARQUITECTURA DE BUENOS AIRES

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Logo XVI Bienal de ArquiteCtura de Buenos Aires

 

Desde 1985, a Cidade de Buenos Aires acolheu uma das celebrações mais destacadas da cultura arquitetônica internacional. A Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires é um dos eventos mais importantes da região, pioneira das Bienais latino-americanas e das reconhecidas na tríplice mais relevante, juntamente com a de Veneza e de São Paulo.

Dentro deste quadro, Buenos Aires se torna um espaço de diálogos culturais interceptados, conferências de renomados arquitetos em todo o mundo e exposições que colocam a arquitetura na vanguarda da conversa.

Ao longo de seus 32 anos, a Bienal contou com a participação de participantes notáveis, como nove dos prêmios Pritzker: Richard Meier, Hans Hollein, Paulo Mendes da Rocha, Jean Nouvel, Richard Rogers, Norman Foster, Toyo Ito, Zaha Hadid e Alejandro Aravena. E diversos arquitetos dos cinco continentes, entre eles: Bruno Zevi, Pierre Vago, Jan Gehl, Peter Stutchbury, Clara de Solá-Morales, Oscar Gonzalez Moix e César Pelli. 

A Bienal de Buenos Aires ocorreu no período entre 09 de Outubro de 2017 e 20 de Outubro de 2017, na Usina Del Arte no bairro La Boca.

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Localização Usina Del Arte

 

HISTÓRIA

A Usina Del Arte é um centro Cultural e uma sala de espetáculos que ocupa o edifício da antiga fábrica Usina Don Pedro de Mendoza. O edifício foi desenhado pelo arquiteto Juan Chiogna, para ser uma antiga fábrica da Compañia Ítalo-Argentina de Electricidad (CIAE).

Foi construído entres as anos de 1912 e 1916, com inauguração também nesse ano. E produziu eletricidade para a cidade de Buenos Aires até 1990.

Permaneceu abandonada até o ano de 2000, quando o governo da cidade decidiu recupera-lo como o Auditório da Cidade de Buenos Aires, sede para a orquestra Sinfonica Nacional e a Filarmônica de Buenos Aires, devido a uma crise econômica na cidade o restauro foi adiado até 2007, e o edifício foi reaberto em 2012. Conta com uma área de 15.000 metros quadrados, sala para concertos com capacidade de 1200 pessoas e sala para orquestras de câmara para 400 pessoas.

ARQUITETURA

A Usina foi desenhada para integrar um plano de edifícios da Compañia Ítalo-Argentina de Electricidad (CIAE), e apresenta toques de um estilo neorenascentista florentino que remete ao norte da Itália de onde o próprio arquiteto veio.

No edifício destaca-se a torre com o relógio na fachada da Avenida Pedro de Mendoza e que pode ser visto a uma grande distância, principalmente do viaduto Autopista Balbín que liga te a cidade de La Plata. Os interiores são grandes salas para comportar os antigos geradores, com o teto de treliças de ferro e cobertura de chapas de zinco.

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Relógio Usina Del Arte

 

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Cobertura Usina Del Arte

 

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Auditório Usina Del Arte

 

A BA Buenos Aires era composta por exposições, debates e conferências com universitários, profissionais e entusiastas da arquitetura, a bienal ofereceu um panorama da produção atual da arquitetura internacional, englobando projetos para planos urbanos, equipamentos, questões que precisam ser frequentemente discutidas principalmente por arquitetos devido ao rápido crescimento e urbanização das cidades, além de projetos de alunos inscritos.

Entre os convidados estavam Elizabeth Diller (Diller Scofidio + Renfro), Bjarke Ingels e Shigeru Ban. Além de Barclay & Crousse, João Luís Carrilho de Graça, Markus Vogl, Bruther y Lan París, Pablo Katz, Next Architects, Zaida Muxi, o editor-chefe do ArchDaily, David Basulto, Manuel Rivero, Félix Madrazo, Ligia Nobre, Daniel Weil, Alberto Ceccheto, Vicente Callebaut, Sergei Tchoban e Freddy Massad. E entre as cidades convidadas estão Barcelona, Copenhague, Paris e Hamburgo.

A sala de câmara abrigou as rodas de conversa e debates, e o auditório principal acomodou as palestras e apresentações que foram expostas. Sobre os mais diversos assuntos com os arquitetos convidados. Ressaltamos que para participar desses debates e palestras era necessário pagar, já as exposições eram gratuitas.

Vamos agora tomar como exemplo a exposição sobre João Luís Carrilho da Graça, arquiteto português com diversos projetos executados em Lisboa.

A exposição abre enfoque para a teoria do território expressa no plano e modelo da cidade de Lisboa e reiterada pelos modelos dos projetos individuais. Esta teoria sustenta que a criação de uma cidade e sua arquitetura é determinada pelas rotas e assentamentos humanos que foram definidos pelos povos antigos e esses, por sua vez, foram definidos pelas principais linhas e pontos da topografia do terreno.

Em seu artigo “Metamorfose”, de 2002, Carrilho da Graça explica como as rotas mais usadas pelos povos no período pré-histórico teriam seguido os pontos mais altos entre vales, o ponto principal das dobras geológicas, e haviam dois motivos para isso: facilitava as viagens pois os níveis eram aproximadamente constantes e não eram cruzados por rios ou cursos d’água; e segurança já que os pontos altos proporcionavam uma ampla visão dos vales divisórios.

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Maquete Plano Lisboa – Carrilho da Graça

 

A proposta de que o desenho de arquitetura depende da análise do território apoia toda a obra de Carrilho da Graça, que pode ser descrita como ‘vocação territorial’.

Os trabalhos selecionados apresentados na exposição correspondem a um catálogo fundamentado de seus trabalhos para a cidade de Lisboa, com um compilação incompleta e indefinida mas considerada pelo arquiteto como os projetos relevantes para esse contexto.

O terminal de Cruzeiros de Lisboa localizado entre a avenida Infante D. Henrique e o Rio Tejo será emoldurado pelas antigas paredes da antiga doca , criando um ponto de fuga do bairro Alfama na colina e o Rio. Assim, será permitido a cidade seja observada debaixo, diferente da perspectiva obtida a partir dos navios de cruzeiros, de onde é possível observar a encosta coberta de casas.

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Terminal de Cruzeiros de Lisboa – Carrilho da Graça

 

Já o coletivo Supersudaca expôs sobre o crescimento populacional e a importância da urbanização informal para o crescimento das grandes cidades contemporâneas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Cidade do México, entre outras.

Consequentemente foi abordado também o surgimento das moradias irregulares, que chamamos erroneamente de favelas e popularmente de comunidades. Eles analisaram dados de crescimento populacional, imigração e comparação entre população urbana e rural com o passar dos anos.

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Maquete Crescimento Populacional – Supersudaca

 

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Maquete Crescimento Populacional – Supersudaca

 

Por fim, houve também a exposição de material de Anna Heringer, arquiteta alemã que desenvolve seus projetos com um veio destinado a comunidades e populações necessitadas, visto que aos 20 anos de idade ela passou um ano em Bangladesh realizando trabalho voluntário e se mobilizou pelas carências da população daquele país.

Ela desenvolve projetos tanto com a visão de arquitetura emergencial para desastres naturais que ocorrem nos territórios, quanto para as populações que não possuem condições de custear um local adequado para moradia. Dando também apoio aos artesões e comunidade local para confiar em seus modos de construção.

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Croquis DESI Trainingcenter – Anna Heringer

 

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DESI Trainingcenter – Anna Heringer

 

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DESI Trainingcenter – Anna Heringer

 

COMPARAÇÃO BIENAL SP e BA

  1. Dinâmica / Localização

Promover a Bienal em vários pontos da cidade e colocar pessoas de diversos grupos sociais para participar das intervenções é muito importante e relevante pela proposta adotada para esse ano, além de levar as pessoas a ocupar e entrar em contato com os espaços públicos da cidade.

Porém a articulação entre comunicação visual e/ou transporte se torna importante meio para arrematar essas diversas ações, e o que foi notado esse ano é que diversas ações em locais de difícil acesso foram deixados de lado.

Já na Bienal de Buenos Aires a criação de uma sede única facilita o deslocamento e o aprofundamento nos trabalhos, mas faz com que apenas um grupo específico, no caso arquitetos, participe desse acontecimento; e não interage com outros espaços culturais potenciais na cidade.

  1. Apropriação de agendas e ações já existentes 

Diferente da bienal argentina, a bienal paulistana propôs ações acontecendo juntamente com agendas de outros equipamentos culturais, porém ao mesmo tempo que a união entre programas parece interessantes, será que esta não se apropria de um modo com pouca identidade?

  1. Localização em pontos periféricos da cidade si 

As duas bienais apresentadas criaram suas propostas em locais afastados dos centros expandidos, fazendo com que seu público participasse e visitasse outros locais mais afastados da cidade. Além de fazer com que até mesmo as populações dessas áreas participem dessas ações.

  1. Custo

A bienal de arquitetura de São Paulo possui programação completamente gratuita, diferente da bienal de Buenos Aires, onde somente as exposições eram gratuitas e as palestras, mesas de debates e workshops eram cobrados. O que não era muito vantajoso, visto que o preço era muito alto (250 dólares para as duas semanas de bienal), e os dias não eram vendidos separadamente, para o nosso grupo, que ficou em Buenos Aires somente uma semana, iríamos pagar a mais por um produto que não poderíamos consumir.

 

 

INFORMAÇÕES

EXPOSIÇÃO: FUTUROS DO FUTURO

Abertura: 21 de novembro, terça-feira

Horário de funcionamento:

Terça-feira a sábado: das 10h às 22h;

domingos e feriados: das 10h às 18h

Entrada gratuita.

SUGESTÕES DE ESTUDOS EXTRAS

https://www.archdaily.com.br/br/798198/ad-brasil-entrevista-marcos-rosa-11a-bienal-de-arquitetura-de-sao-paulo

https://www.facebook.com/ArchDailyBrasil/videos/1415242475160593/

https://www.facebook.com/ArchDailyBrasil/videos/1381288971889277/

https://www.facebook.com/ArchDailyBrasil/videos/1407066529311521/

Clique para acessar o Carrilho-Graca_Lisboa_PT.pdf

 

Espaço Público X Espaço Privado | Muros pra quem?

POR CAROLINA BITELLI E DANIELA PERRONI

Uma das maiores responsabilidades do planejamento urbano é criar cidades que sejam convenientes para a diversidade urbana, projetando espaços acessíveis e de qualidade para todos, tratando os espaços públicos juntamente com os espaços privados. Esses espaços nos levam a uma reflexão de como os principais locais públicos de uma cidade são seus órgãos vitais e como a relação entre eles e os locais privados estabelecem certa qualidade de vida para as diferentes áreas da cidade.

A noção de público e privado ainda é muito controversa, as pessoas muitas vezes tratam o público como não sendo responsabilidade delas, quando na verdade o espaço público é de todos e devemos zelar por ele. Além disso, na sociedade atual, enquanto os espaços privados, envoltos por portões, grades ou muros, são tidos pelas pessoas como locais seguros, os espaços públicos são tidos como perigosos.

O que fazer para melhorar a relação e transição entre esses espaços?

Na contemporaneidade, essa questão vem ganhando cada vez mais notoriedade, sendo tema até mesmo do plano diretor atual, no qual, espaços com uso misto e voltados para a cidade, ou também chamados de espaços publico-privados, são incentivados, podendo ser utilizados até mesmo como contrapartida para que o lote seja mais explorado pelo empreendedor.

Essa preocupação não vem de hoje, o edifício Louveira, localizado no bairro de Higienópolis em São Paulo, projetado em 1946 pelos arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, é um importante representante da arquitetura moderna na cidade que trata do assunto em questão. A obra caracteriza-se pela composição de duas lâminas paralelas, abrigando apartamentos, sendo uma com sete e outra com seis pavimentos, intermediadas por um pátio interno ajardinado. Mesmo não sendo uma obra recente, o projeto aborda a solução para uma questão contemporânea; sendo um bom exemplo de arquitetura que transita e “divide” de forma harmoniosa o espaço público do espaço privado. Sua implantação e o projeto de seus acessos proporcionam a integração visual desses dois espaços, trazendo ao interior do lote do edifício, a praça Vilaboim, localizada em frente, sem afetar a privacidade dos moradores do edifício.

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Imagens do Edifício Louveira. Fonte: http://refugiosurbanos.com.br/casas-predios/louveira/

Já a Casa N, do arquiteto japonês Sou Fujimoto, construída em 2008 na cidade de Oita no Japão, é um exemplo de arquitetura contemporânea que em seus 150 m² questiona os limites, em especial entre o “dentro” e “fora” de uma residência. Uma casa que foi originalmente pensada para duas pessoas e um cão, a qual, se subdivide em três caixas, uma menor que a outra, sendo a menor delas inserida dentro da caixa média e a média inserida dentro da caixa maior; todas elas com aberturas retangulares que as relacionam entre si ainda mais.

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Esquema de projeto das três caixas da Casa N de Sou Fujimoto. Fonte: https://www.archdaily.com/7484/house-n-sou-fujimoto

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Corte da Casa N de Sou Fujimoto. Fonte: https://www.archdaily.com/7484/house-n-sou-fujimoto

A caixa mais externa possui suas aberturas sem nenhum tipo de fechamento, criando uma barreira muito mais visual do que física com a rua, além de abrigar um jardim para dentro dos limites da casa. A caixa média apresenta fechamos com vidro, isolando a residência de intempéries e abrigando algum dos cômodos da casa. Já a caixa menor e mais interna, embora não possua aberturas com fechamentos, apresenta maior privacidade. De acordo com o próprio arquiteto, a ideia era questionar a forma como as casas e a rua encontram-se, separadas por uma única linha: os muros, e explorar as possibilidades de gradação entre o espaço público e privado, criando espaços variados, desde um espaço que seja dentro do lote em questão mas quase na rua, depois outro espaço mais distante da rua e então outro espaço totalmente distante da rua, todos em um mesmo projeto.

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Fotos da Casa N de Sou Fujimoto. Fonte: https://www.archdaily.com/7484/house-n-sou-fujimoto

Um artista contemporâneo que questiona a relação entre os espaços públicos e privados é Eduardo Basualdo, em sua exposição Arena apresentada no MuBE – Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, de 21 de outubro a 26 de novembro de 2017.

A exposição é composta de várias obras que nos fazem refletir sobre os espaços públicos e privados que convivemos e ocupamos. Em relação ao nome que leva sua exposição, ele não se refere ao sentido literal da palavra “arena” e sim sobre a relação de peças e objetos com o espaço, que muitas vezes formam outros espaços / arenas. Suas obras discutem o espaço tridimensional e discorrem a respeito de que não existe um “espaço absoluto”, mas sim experiências vivas entre corpos e objetos.

Um aspecto que é importante questionar, é o próprio edifício onde está sendo exibida a exposição, projeto fruto de um concurso vencido por Paulo Mendes da Rocha e que conta também com o jardim projetado por Roberto Burle Marx, o MuBE, espaço situado entre a Avenida Europa e a Rua Alemanha, tinha como intenção projetual tornar-se uma praça pública em meio ao bairro do Jardins. Entretanto, poucos dias após ser inaugurado, o local foi gradeado, criando-se uma barreira física entre o espaço da praça e a rua. Assim, nos perguntamos, o quão público é o espaço? Por que essas grades? Para quem esses “muros”?

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Fotos do MuBe – Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia. Fotos Autorais.

Entre uma das obras da exposição de Eduardo Basualdo, temos a Torre, uma construção que é fragmento da arquitetura, conhecida por demarcar entradas de residências e/ou lotes, que remete a ideia de portão, sinalizando também a divisão entre público e privado. Encontra-se deslocada dentro do museu, tendo sua função original perdida, passando assim, na interpretação do artista, a funcionar como um farol que guia o navegante (o artista), mas também o desorienta, uma vez que não há norte a seguir na arte contemporânea. Outro ponto importante é o fato da peça ser apresentada como uma unidade e não em uma dupla, como ocorre normalmente quando usada para criar um pórtico de entrada de casarões, trazendo a ideia de que algo se inicia ali. Sem mostrar para o visitante o pórtico em sua totalidade, quebra essa divisão entre dentro e fora, público e privado.

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Obra Torre de Eduardo Basualdo. Foto autoral.

Na obra Cegueira, temos um quadro translúcido que permite que nosso olhar atravesse o papel e veja a estrutura de uma grade por trás da obra, de modo turvo, embasado, passando de certa forma uma sensação aflitiva, de incômodo; que se trata da relação das pessoas com as barreiras que elas colocam para si mesmas, passando a ideia de que as pessoas se prendem muitas vezes na situação em que estão por medo de mudanças ou por estarem acomodadas, tornando-se cegas. Outra interpretação mais literal que pode ser feita é o medo das janelas e grades que nos cercam, um medo que surgiu quando as criamos para nos “proteger” do exterior, algo que muitas vezes acabam por nos aprisionar em nossas próprias propriedades.

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Obra Cegueira de Eduardo Basualdo. Foto autoral.

De forma mais marcante, na obra Grito, foram usadas barras de metal, papel e grafite; a linearidade das barras de metal foi quebrada pelo papel amassado nelas colocado, papel que contém o desenho das próprias barras, desenho que tenta ser contínuo, tentando resistir às “barreiras”. Para o desenho, foi usada a técnica frottage – processo de fricção a partir de uma superfície irregular para formar a base de uma obra de arte, que reflete bastante o nome dado à obra; e questiona o aprisionamento, a liberdade, e a quebra de barreiras.

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Obra Grito de Eduardo Basualdo. Foto autoral.

Questionando a cidade em que vivemos, toda cercada e murada, as grades de duas peças da exposição provocam a interação e desafiam os visitantes. Estamos falando da obra La caída, onde o público é provocado a atravessar as barras verticais paralelas, que “fecham” o salão de exposições, dividindo o espaço entre a exposição do artista em questão e a exposição de outro artista. O espaçamento entre essas barras vai diminuindo conforme elas são dispostas. Essa obra questiona as barreiras que encontramos no nosso dia a dia, tanto as barreiras físicas quanto as culturais, psicológicas e econômicas; além de questionar a forma que podemos ultrapassar essas barreiras e até quantas barreiras suportamos enfrentar e superar.

Outra obra que trata essa questão é a Em Mi casa (es tu casa), onde um espaço, como se fosse uma casa ou abrigo, é construído através de grades que podem ser ultrapassadas (o espaçamento entre as grades é do tamanho do corpo do artista de lado), elas demarcam a oposição entre público/privado e externo/interno, porém, essas divisões deixam de funcionar plenamente justamente pelo espaço criado ser permeável. O artista questiona novamente a liberdade, a proteção e o aprisionamento. O nome da obra tende a provocar algo convidativo, ao mesmo tempo que o espaço em si não parece ser tão convidativo, por dar a impressão de ser uma prisão; em contrapartida, por permitir que as pessoas entrem nesse espaço e pelo fato de que de fora pode ser visto o que está acontecendo do lado de dentro, é passada certa segurança ao observador.

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Fotos da obra La caída de Eduardo Basualdo. Fotos autorais.

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Obra Em Mi casa (es tu casa) de Eduardo Basualdo. Foto autoral.

Assim, o trabalho de Eduardo Basualdo nos coloca diante do enigma entre o nosso corpo, o pensamento e a experiência com o espaço, as barreiras presentes nas cidades e no dia a dia das pessoas, e a questão da segurança quando se diz respeito aos espaços públicos e privados e a transição entre eles.

Outro projeto arquitetônico que trata da transição entre os espaços públicos e privados é a nova sede do Instituto Moreira Salles, localizado na Avenida Paulista em São Paulo, projetado pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos, foi inaugurado esse ano (2017). Pensando em uma das principais características de um museu, que é sua capacidade de trazer interesse e vitalidade para os espaços públicos, esse centro cultural foi construído para abrigar a programação organizada pelo instituto e servir de experimentação, trazendo como um dos principais diferenciais a Praça IMS, um ambiente de entrada e convívio que, embora encontre-se no quarto pavimento, é acessado por escadas rolantes diretamente a partir do vão livre do térreo, levando dessa forma, o espaço público para dentro do prédio, e não apenas localizando-o no térreo.

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Diagrama do programa do projeto do IMS.

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Corte do projeto do IMS, onde podemos ver a praça, projetada no quarto pavimento do edifício, trazendo o espaço público a um nível superior ao térreo. Fonte: http://www.andrademorettin.com.br/projetos/ims/

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Foto do IMS. Fonte: http://www.andrademorettin.com.br/projetos/ims/

Outra característica muito interessante é o fato de usos comumente implantados no térreo ou em galerias comerciais como cineteatro, áreas para exposições e biblioteca foram implantados em uma construção vertical, distribuídos em sete andares, levando esses usos para níveis elevados ao da rua, que funcionam como uma continuação da mesma. Como dito pelos arquitetos, o objetivo da obra é que “[o projeto] tenha uma relação franca e direta com a cidade e que, ao mesmo tempo, ofereça um ambiente interno tranqüilo e acolhedor; um museu capaz de equilibrar a vibração das calçadas com a natureza e a escala dos espaços museológicos […]”.

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Infográfico Folha.

Ainda na mesma Avenida Paulista e muito próximo ao IMS, outro projeto que lida com a questão do espaço público/privado é o Conjunto Nacional, embora não seja uma construção nova (datada de 1950). Uma obra que também possui caráter residencial além de áreas de serviços, espaços comerciais e culturais, como cinemas, livrarias e espaços comuns, destinado a eventos diversos e exposições temporárias, de forma que se mantém muito interessante essas relações até sua contemporaneidade.

A crítica à segregação entre o espaço público e privado também aparece nas artes de rua. Os muros que normalmente nos cercam, nos impedem de ver a vida que acontece ao redor e permitem que as pessoas se fecham com suas individualidades, é o espaço onde artistas como Banksy expõem seus questionamentos para a sociedade. Nos graffiti’s a seguir, o artista cria “janelas” no enorme muro que separa a Palestina do seu entorno, questionando, entre outras coisas, as diversas possibilidades que poderiam se esconder atrás do mesmo, mostrando uma tentativa de negação e não aceitação do entorno.

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Obras do artista Banksy. Fonte: http://flavorwire.com/34080/quote-of-the-day-banksy-refutes-warhol-dishes-with-fairey

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Para mais informações sobre o tema discutido, acesse:

http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2017/05/o-que-voce-faz-para-mudar-sua-cidade.html

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/09/1918763-em-sao-paulo-muros-se-alastram-e-isolam-cidadaos-em-espacos-privados.shtml

http://lounge.obviousmag.org/arquitexturas_musicais_e_a_vida/2014/04/espacos-publico-privados-na-arquitetura-e-no-urbanismo.html