Como a nova geração de arquitetos espanhóis conquistaram seu espaço através da crise econômica e o que nós podemos aprender com isso?

Recém formados e entusiasmados, a galera que se formava nos anos 2000 experienciou uma economia próspera e formação acadêmica dos “Por que não?”, contudo, a crise de 2008 estagnou o mercado da construção civil e forçou os jovens arquitetos a trabalharem vossas criações a partir do orçamento disponível para a produção dos mesmos. O número 419 da revista francesa ‘A’A’ – L’architecture d’aujourd’hui conta como foi essa jornada.

A nova realidade que os cercava forçou-os a questionar preconceitos como a reversibilidade de estruturas pré-existentes e o emprego de certos materiais, que eram intrinsecamente negligenciados no meio da arquitetura espanhola. O resultado disso foram projetos inesperados, que se apoiaram na interdisciplinaridade para atingirem o verdadeiro mais com menos e ganharem força a partir do caráter político que passaram a ter. Além disso, a arquitetura espanhola deixou de ter uma única escola ou um único nome como já fora em tempos passados, já que cada escritório enfrentou as adversidades com linguagens completamente distintas.

Na edição posterior da mesma revista, o Dossier presente critica duramente as mudanças feitas em 2005 no caminho do estudante francês de arquitetura, e como algumas escolas buscavam o contato com estudantes de áreas distintas numa formação mais capacitada, questionadora e já livre de certos estigmas (os mesmos que a os arquitetos contemporâneos espanhóis tiveram de aprender na marra).

Trazendo para nossas escolas brasileiras, aos poucos, o ensino de arquitetura vai se adaptando as urgências do nosso mundo hodierno. A falta de preocupação dos mestres em impedir que jovens ambiciosos apenas limpem o terreno em busca da prancheta em branco e projetem construções novas que poderiam ter sido adaptadas nas pré-existências ou que não questionem os custos (financeiros e ambientais, tendo em vista que a indústria da construção civil consome cerca de 50% dos recursos mundiais além de ser uma das maiores produtoras de lixo) atrelados a tais intervenções. A falta de incentivo também das escolas numa melhor interatividade com alunos de outros cursos para que novas abordagens possam ser alcançadas durante o processo criativo e posteriormente no gerenciamento de carreira do aluno.

Sabemos que a inquietação e pró-atividade do aluno é considerada pré requisito básico, fica a provocação em como conseguir aflorar tais sentimentos desde os primeiros contatos com o estudo da arquitetura.

Súnion_archikubik_18_ext07fonte: https://veredes.es/blog/en/escuela-sunion-archikubik/

Por Isadora Saad e Paula Becker

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s