Cheios e Vazios – Arquitetura de Galeria

Branco, cinza, concreto, gesso e minimalismo. Parece até mesmo uma obra arquitetônica portuguesa. Mas não, esta é apenas a concepção de um projeto para uma galeria. A neutralidade arquitetônica tem que ser a máxima possível, ela não pode interferir na arte a ser exposta, ela tem que ser suporte para tal. Quanto mais superfícies brancas para exposição, melhor. A escolha do branco se da por não interfere em nenhuma  obra, e muito menos se destacar mais do que ela. Concepção nomeada como cubo branco na maioria dos projetos de galeria.

Como o branco, a arquitetura também não deve se destacar-se mais do que a arte. Ela tem que ser minimalista, e funcional e muito bem detalhada. A obra de arte tem que ser o foco do ambiente e não ser o segundo plano. Para ser funcional ela tem que expor o máximo de obra de arte possível, e isso não implica somente em quadros, mas também em esculturas.

Os detalhes surgiram para esconder toda a infraestrutura do projeto.  Ar condicionado, elétrica, corrimão, circulação vertical etc. Tudo o mínimo visível possível. A concepção sempre de deixar a arte ser o principal ponto de atração do local.

Grande peça desta arquitetura é o curador da galeria. O pensamento deve vir junto, trabalhado de forma harmônica, onde os eixos devem estar alinhados. Nenhum pode ser mais arrogante que o outro. O curador não é arquiteto, mas é ele é quem sabe como será as exposições futuras, e isso é muito importante.

Como exemplo, somando 500m2 de área construída, o projeto da nova Casa Triângulo  abriga um terreno escolhido não só pela localização mas também pelo seu potencial de ocupação enquanto espaço expositivo.

(Casa Triângulo – Metro Arquitetos)

Sendo similar ao edifício da Bienal, a Casa Triângulo é um dos poucos espaços em são Paulo que possui 5 metros de parede expositiva, trazendo uma proporção única para galeria.

(Casa Triângulo – Metro Arquitetos)

Projetado com piso de concreto e paredes brancas, o arquiteto além de trazer o conceito do cubo branco para dentro da construção, insere um plano translucido em policarbonato que configura todo o perímetro durante o dia trazendo luz natural e pela noite o efeito contrario.

Em geral os materiais foram escolhidos visando uma obra rápida e minimalista, para também facilitar a transição entre uma exposição e outra.

(Casa Triângulo – Metro Arquitetos)

Trazendo duas exposições de caráter diferentes, a exposição Filhxs do Fim de Daniel Lie mostra pra gente como o cubo branco pode ser desconstruído a partir da mudança de cor das paredes e da arte suspensa sem usar qualquer parede como suporte de arte. Já a Pinturas e Relevos Recentes do artista Valdirlei Dias Nunes, utiliza o cubo branco como suporte e linha de amostra.

 

(Filhxs do Fim – Daniel Lie)

(Filhxs do Fim – Daniel Lie)

 

( Pinturas e Relevos Recentes – Valdirlei Dias Nunes)

( Pinturas e Relevos Recentes – Valdirlei Dias Nunes)

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