Policarbonato na Construção Leve – Luz sem Sombra

Por Goutier Rodrigues e Julia Martinelli

Já fazem 20 anos que no MoMA, de Nova York e um pouco mais tarde, em MACBA de Barcelona, apresentaram uma exposição de arquitetura com o tema “Light Construction”.

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Arquitetos como Nouvel, Herzog e de Meuron, Tschumi, Zumthor, Toyo Ito, Sejima, Piano, Koolhaas e Gehry, entre outros, participaram com obras em que se evidenciava a crescente fascinação do momento de reformular os conceitos de transparência, permeabilidade, reflexão e leveza. E com isso, talvez recuperar o discurso em que Hilberseimer apostava pela “luz sem sombra”.

Nesses mesmo anos se levantou também a relação entre o mundo exterior e o interior, explorando os limites físicos dos edifícios resolvidos com sistemas integrados de capas e peles, e tinham os que combinavam materiais diversos: alguns sintéticos e compostos, como o policarbonato; outros mais convencionais, como o vidro. A ambiguidade do término inglês light, “luz”, que significa luminoso ou iluminação, mas também, leve e suave.

Visto os planejamentos interiores e pelo seu potencial, poderíamos definir o policarbonato como um “material light para uma construção light” com todas as concepções que apresenta a palavra light.

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Desde a sua descoberta em 1952 e sua comercialização em placas no começo dos anos 1960, o policarbonato continuou sua evolução, mas foi a partir da década de 1990 quando se desenvolveram as primeiras placas alveolares geralmente utilizadas na construção. Como primeira aproximação, a resina do policarbonato é um polímero de que pode se destacar a sua leveza, sua translucidez, sua capacidade de isolante e sua resistência mecânica. Se trata, portanto, de um material termoplástico de alto nível, que pela combinação de suas características mecânicas, óticas e térmicas, é um dos que apresenta maiores possibilidades de aplicação na área da arquitetura, atualmente.

Depois de anos de inovação contínua, as últimas formulações de placas comerciais de policarbonato celular se mostram como uma melhor escolha de material, que em alguns casos superam o uso do vidro e outros plásticos mais sofisticados.

Assim, os painéis de policarbonato denominados “células” ou “multicamara” oferecem uma combinação de alto nível de resistência mecânica, especialmente ao impacto, uma excelente transmissão de luz, assim como no isolante térmico.

As aplicações mais comuns destas placas são na cobertura e fachadas de estufas, estádios, pavilhões desportivos e piscinas, estações ferroviárias, aeroportos ou estabelecimentos industriais. Nesses contextos, o policarbonato é adequado para projetos em que a luz, a leveza e o isolamento são determinantes.

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Casa em Yamasaki – Japão

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Um bom exemplo de uso da construção leve através da utilização deste material é de uma residência projetada para um casa e seus dois filhos. O local onde está inserido apresenta um clima predominantemente fechado e o formato quadrado do terreno define a forma do projeto, que apresenta duas camadas sobrepostas: a primeira é uma fundação sólida e cinza enterrada pela metade e emerge do solo por mais 1,80m. A segunda, muito mais leve se sobrepõe sendo composta por três volumes que lembram básicas cabanas dispostas de forma que apresentem um fluxo livre entre elas.

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Esta divisão de camadas afeta o programa doméstico e os materiais usados. As partes comuns da casa são construídas por concreto reforçado, enquanto as leves e transluzentes peças de duplo policarbonato na parte superior provêm um banheiro, um solarium e um quarto de hóspedes.

Untitled7Essenciais para criar um sistema de bioclima, os painéis de policarbonato criam naturalmente um efeito estufa, acumulando energia solar durante o inverno. A cobertura incorpora sistemas de sombreamento e de captação de ventilação natural.

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