Abrigos emergenciais para refugiados – Uma situação provisória com traços de permanência

TEXTO POR TALITA CARRASCO CARNEIRO

 

Dois pesquisadores de ciências políticas e desastres da Universidade de Londres, Elizabeth Babister and Ilan Kelman falam em sua tese sobre a importância dos abrigos emergenciais para refugiados, como a necessidade por abrigos se torna fundamental em uma situação de emergência:

“O abrigo pode ser a chave para salvar uma vida ou prolongar a sobrevivência. Olhar para o abrigo como um direito fundamental humano é olhar para situações desesperadoras, porque quando pessoas perdem as suas casas, elas perdem o único lugar que é essencialmente seguro. Portanto, quando um indivíduo não tem abrigo, a situação pode ser considerada uma crise” (BABISTER, E e KELMAN, I O processo de abrigos emergênciais aplicados em casos na Macedônia e Afeganistão em tradução livre. 2002.)

 

Na tese, os autores deixam claro a importância da conexão pessoa-lar, e como o meio a sua volta pode influenciar na sua saúde e bem-estar. Quando imaginamos um campo de refugiados não nos vem na mente um lugar confortável onde pessoas vivem calmamente suas vidas. Nos vem na mente um local de passagem onde alguém se demorou demais a sair, e acabou se instalando alí. Um lugar que caracteriza a sua efemeridade pelas suas construções baratas e tendas espalhadas pela paisagem a perder de vista. Um local que não recebe a atenção necessária quanto a qualidade de vida.

Quais são as relações interpessoais das pessoas que se veem obrigadas a se instalar em um campo de refugiados? O que os traz paz de espírito e conforto? O rompimento do relacionamento pessoa-lar pode trazer uma série de consequências traumatizantes para pessoas que sempre se viram muito ligadas ao lugar onde vivem. O espaço tem uma influência grande na formação de uma pessoa, e se ver obrigado a sair do seu local de criação a força pode se tornar traumatizante.

Por ser (infelizmente) uma tendência mundial, a arquitetura emergencial tem gerado interesse entre arquitetos e designers que simpatizam com a arquitetura efêmera e eficiente. O número de entidades focadas na oferta de abrigos à refugiados no mundo é grande, e a maioria delas tem como objetivo prover uma espécie de lar mais acolhedor a essas pessoas, além de mudar a paisagem desoladora dos campos.

A empresa IKEA por exemplo criou um tipo de casa de montagem rápida e barata com o objetivo de atender locais onde não há abrigo suficiente para todos. O nome do projeto é Better Shelter e o mesmo foi vencedor de um concurso de arquitetura efêmera para refugiados em 2014. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados tem parceria com a empresa, possibilitando o fácil acesso do módulo àqueles que precisam.

A iniciativa da IKEA tem parceria com as Nações Unidas

O arquiteto Shigeru Ban é um dos simpatizantes da arquitetura efêmera e de caráter emergencial para refugiados ou vítimas de catástrofes. São vários os projeto dele pelo globo, onde tenta desenvolver um tipo mais acolhedor de abrigo aos ocupantes dos campos. Um exemplo é a Casa Paper Log, que pode ser encontrada tanto na Índia quanto no Japão. São casas provisórias produzidas com o material que a própria região do assentamento pode oferecer.

 

Casa Paper Log no Japão

       Casa Paper Log na India

Ainda porém existem aqueles que acreditam que a construção de lares temporários pode se tornar uma espécie de perda de tempo e dinheiro. Na teoria, campos de refugiados são lares provisórios àqueles que fogem de guerras, epidemias ou crises. Mas, na prática, existem campos com mais de 25 anos de existência, maiores que cidades inteiras, como por exemplo Zaatari, um campo na Jordânia fundado em 2012, que caminha lentamente para o status de assentamento permanente.

Em entrevista ao periódico Dezeen, o arquiteto Alejandro Aravena diz que seria mais eficiente oferecer um tipo de estrutura básica, mas durável, que possa ser completa pelo próprio residente como lhe for melhor. Isso dá um caráter mais pessoal à construção, gerando uma ligação maior entre pessoa e lar. Ainda apoiando essa ideia, o empresário alemão,  ex-funcionário do ACNUR e ex-diretor do campo de Zaatari, Kilian Kleinschmidt diz que hoje, a pessoa em situação de refugiado recebe uma resposta automática militarizada sobre onde deve se abrigar, sob a ideia de que logo voltaria ao seu país de origem, que é raramente o que acaba acontecendo.

O principal objetivo de um campo de refugiados é acolher essas pessoas sem lar e abrigo, como foi citado no inicio desse texto, mas será que esse caráter provisório é tão necessário? Um abrigo deve trazer mais do que sobrevivência, mas a sensação de pertencimento a um lugar, a um sistema de convívio com mais milhares de outras pessoas estão passando pelas mesmas situações difíceis. A sensação de pertencimento a um lugar pode trazer benefícios e gerar uma ideia de cuidado pelo local ao qual está alocado, mesmo que seja provisório.

 

Sociedade Ilustrada

Fabiana Curi | Fernanda Giansante

 

O tempo da visão. Nenhum sentido é tão requisitado e valorizado quanto esse.

Não é de hoje que nossa sociedade foi habituada a crer que só as pessoas que enxergam podem vivenciar uma experiência completa. Vem desde a era dos grandes filósofos, quando Platão já considerava a visão como o mais nobre dos sentidos, e Heráclito dizia que “os olhos são testemunhas mais confiáveis do que os ouvidos”.

No entanto, ver e não enxergar é muito mais comum do que se imagina. Especialmente para nós que estamos acostumados a somente olhar para tudo e não perceber o que realmente está a nossa volta. O que realmente nós enxergamos?

Quantas vezes passamos despercebidos por algo que nos rodeia e não enxergamos as coisas simples que a vida nos mostra?

Olhar não significa necessariamente que você está, de fato, prestando atenção e tirando proveito da experiência. Além disto, há diversas preocupações com a quantidade de imagens e visões que recebemos no mundo contemporâneo. E desenvolver novas formas de conhecer e ampliar os outros sentidos é preciso.

 

 

A Arquitetura é nosso principal instrumento de relação com espaço e tempo, por dela envolver várias experiências sensoriais que se integram entre si. As edificações imponentes de algumas grandes cidades contemporâneas mostram uma certa falta de humanismo, quando deveriam estar focadas em aguçar todos os sentidos, mostrando que a visão não é o principal, nem único sentido importante.

O filosofo Hegel afirmava que o único sentido que pode dar sensação de profundidade espacial é o tato, pois sente o peso, a resistência e a forma tridimensional dos corpos materiais, e assim nos faz entender que as coisas se afastam de nos em todas as direções. A visão revela o que o tato já sabe.

 

 

Felizmente, durante os últimos 25 anos houve maior direcionamento da arte e arquitetura aos sentidos, a percepção e à experiência humana, mesmo que de maneira rasa. A arquitetura passou a atentar-se com a materialidade, espaço, simbolismo, a relação da mesma com o contexto e atmosfera, em conjunto.

A arte, muito antes da arquitetura, comecou a trabalhar com essas questões multisensoriais, por exemplo nas pinturas de Matisse, conseguimos sentir o calor do sol e a brisa fresca de suas pinturas com janelas com vistas para o mar.

 

 

Peter Zumthor é um otimo exemplo de arquiteto que ao inserir uma matéria na paisagem, mescla artesanato com indústria, percepção sensorial com a razão, subjetividade com o conceitualismo, e a natureza com a tecnologia.

Sua obra – Termas de Vals (Suíça, 1990-1996) – compõe seu interior com uma atmosfera especial feita de luzes artificiais e naturais, de texturas variadas de pedra e do concreto, dos sons das pessoas e das vibrações da água, das variações de temperatura e diferentes odores. Um edifício que lida com diversas percepções no espaço interno.

 

 

Maurício Rocha também estimula os sentidos com sua Arquitetura. Com o Centro para cegos e deficientes visuais (Iztapalapa, México, 2000-2001), o tato, o olfato e a audição são colocados acima da visão. Mauricio projetou os espaços abertos e fechados com base na peculiar percepção das pessoas cegas ou com dificuldade de visão. As mudanças de texturas, tipos diferentes de pisos de pedra e cascalho, os permitem assimilar as diferentes fricções dos pés. Os espaços abertos variados, semicobertos e cobertos ressoam os sons e os passos, além de dispor de seis grupos de espécies de plantas e flores odoríferas nos jardins do perímetro para que os usuários se localizem com base no olfato.

 

 

Essa sociedade ilustrada em que vivemos, tem que ser descontruída.

Através da exposição ”Diálogo no escuro”, vivenciamos uma experiência totalmente inusitada, que rompe a barreira do desconhecido e desafia o público a conhecer o mundo com outros olhos. A interação feita acompanhada de um guia com deficiência visual, totalmente no escuro, nos fez explorar todos os nossos sentidos, além de nos fazer confiar em pessoas com habilidade diferenciadas. Além de sensibilizar, o “Diálogo no escuro” evidencia que não poder enxergar, não significa não poder sentir a experiência, muito pelo contrário. Com isso, refletimos que é preciso encontra uma nova forma de “ver” as realidades.

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Bibliografia:

http://www.archdaily.com/158301/center-for-the-blind-and-visually-impaired-taller-de-arquitectura-mauricio-rocha/5015349328ba0d02f000074f-center-for-the-blind-and-visually-impaired-taller-de-arquitectura-mauricio-rocha-photo

http://www.archdaily.com.br/br/01-15500/classicos-da-arquitetura-termas-de-vals-peter-zumthor

PALLASNAA,Juhani. Os olhos da Pele: A arquitetura e os sentidos. Porto Alegre: Bookman, 2011

 

FABIANA CURI | FERNANDA GIANSANTE

 

Japanese Constellation

Exposições sobre arquitetos Japoneses já fazem parte da longa história do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, tendo sua primeira exposição em 1932 sobre a arquitetura moderna internacional e o Central Telegraph Office em Tokyo do arquiteto Mamoru Yamada construído em 1925 demonstrando a expansão do modernismo japonês.

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Logo em 1954 Junzo Yoshimura demonstra o uso de vigas e pilares no jardim do museu transformando o espaço em um modernismo inquietante para os americanos.

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E o mais impactante; o arquiteto Yoshio Taniguchi que em 2004 reinventou o MoMA com sua adição de mais uma fachada que preserva as outras como uma recordação de suas formas.

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Assim, a exposição Japanese Constellation não é uma grande surpresa, depois de 10 anos uma exposição dedicada à arquitetos de uma nação só com exemplos de arquitetos contemporâneos que entre si se interligam.

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Ao entrar na exposição monocromática branca, já se sente a presença de um jeito diferente de construir espaços. Divisórias feitas com 3 tecidos de linho branco, todas as plantas em um tipo de vinílico branco grudadas nas paredes cinza claro. As janelas cobertas com o mesmo tecido de linho criando uma iluminação natural difusa, junto com iluminação artificial porem com um parecer natural.

Tudo pra criar um clima único para falar sobre a arquitetura japonesa e seus contemporâneos. Uma parede cinza mais escuro ampara o espectador com uma única imagem e a direção que a exposição começa.

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A primeira parede é certamente dedicada ao trabalho do Toyo Ito, e quando você navega pelos os espaços percebe que não tem uma divisão modular clara; mas nas divisões que existem, cada arquiteto ganha seu lugar.

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A arquitetura Japonesa sempre teve um olhar estético diferente do lado oeste do mundo; sempre olhando para as tendências urbanas e estéticas baseadas em qualidades espaciais ao contrário dos ‘star architects’ que priorizavam a estética sem considerar o fator social e o entorno em que se locavam os seus projetos [Museu de Bilbao de Frank Gehry por exemplo].

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Um ponto crítico e talvez mais importante nas obras de Toyo Ito até hoje, e da onde parece partir a exposição [já que é o primeiro projeto a ser apresentado], é o projeto de 2001 Sendai Mediatheque aonde a estrutura é transformada em um vazio e a leveza permeia uma arquitetura desenhada para aqueles que vão habitar o espaço.

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Ito se impressionou ao ver que a reação dos arquitetos, do público e daqueles que iriam habitar o prédio foram boas; e percebeu que tinha um espaço para uma arquitetura sem rótulo e radical.

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“Arquitetura que é moderna somente no estilo, não tem o poder de mudar a sociedade. Arquitetura que é reconhecida somente por arquitetos e não pelo público, não tem futuro. Eu acredito que uma arquitetura que verdadeiramente tem o poder de reformar a sociedade de hoje tem que focar seu poder crítico em uma outra forma de proposta.” [TOYO ITO]

Os arquitetos contemporâneos japoneses respondem à mudança urbana de uma forma imediata, permitindo que ao momento que a sociedade vai mudando, a arquitetura dança junto com ela. A mudança é rápida.

Assim se moldou uma constelação japonesa; arquitetos com interesses a partir do social, do espaço, da função; sem ter uma arquitetura rotulada e um reconhecimento do radical em uma escala mundial sempre com uma resposta espontânea para as mudanças constantes da sociedade.

Ito, em 1976, projetou o White U, um edifício aonde o intocado era preservado: “uma fuga da intensidade urbana” que se estendeu até 1991 quando Sejima criou um universo universitário que era um dormitório para mulheres rejeitando o urbano caótico de eventos. Ela rejeitou qualquer padrão hierárquico dentro da arquitetura para criar essa cidade nova fora do espaço de viver, provocando os limites entre o privado e público, o pessoal, a identidade e sociedade.

 

Ito então percebeu que a arquitetura não devia se virar para dentro de si como seu projeto de 1976. O que ele herdou do moderno avant-garde é que a arquitetura deveria servir como uma rejeição das formas que hoje definem a estrutura do sistema social e uma maneira de criticar a sociedade. O que levou Ito a projetar o Sendai [citado acima].

“ A sociedade está em um processo de alterações que são muito mais pragmáticas e radicais do que possamos imaginar, então não guardo nenhuma frustração em relação ao empreendimento, nem me desespero sobre o mesmo. Eu tenho somente um interesse: a questão se a arquitetura como arquitetura é praticável nesses tempos” [TOYO ITO]

A centralidade da estrutura no trabalho de Ito é expressada em Sendai, seja em seu uso de exoesqueletos para definir a imagem de uma edificação ou o seu interesse em interiores derivados de geometrias complexas. Logo foi acompanhado por Sejima e, mais tarde profundamente questionado por SANAA, as funcionalidades estabelecidas, a sua organização inovadora das necessidades dos clientes, e seu uso sofisticado de materiais como vidro e metal.

New art museum_SANAA_Nova York

Apesar de termos como kawaii (bonito) têm sido utilizados em análises de arquitetura japonesa contemporânea, tais descrições, com características fundadas na aparente simplicidade das estruturas, são profundamente enganosa quando se considera as construções de SANAA. Além de sua leveza na definição e mínimo esforço, têm sido descritas como “inclusiva” e “democrático”, devido à sua inovadora, concepção de inovação espacial, Ito ofereceu que a liberdade conceitual de Sejima “libertado das convenções sociais e restrições” deu-lhe “um maior conhecimento sobre as realidades sociais.”

Century Museum_SANAA_Kanazawa

Arquitetos como Fujimoto e Ishigami têm sido igualmente elogiado por seu compromisso arquitetural para a estética radicais e a produção de mudança social. O trabalho de Fujimoto tem sido descrito como tendo “os elementos da arquitetura para além”, apenas para montá-las em um comentário de lazer ainda crítica sobre privacidade na sociedade contemporânea. E enquanto missões arquitetônicas de Ishigami pode parecer obsessivo e focado quase que exclusivamente em questões disciplinares abstratos, ele conta com os usuários e seu senso de maravilha para tornar significativa seus esforços artísticos.

House NA_Sou Fujimoto_Tokyo

Kanagawa Institute of Technology_Junya Ishigami_Japão

Na esteira do desastre, arquitetos no Japão desenvolveram uma nova consciência, reconhecendo que o seu trabalho deve estender-se para além do contexto urbano imediata e apoiar as necessidades sociais emergentes. Como Ito descreveu, arquitetura deve mover-se “para além de prazer”, “abster-se de críticas,” e procurar “auto-pagamento.”

Serpentine Gallery_Sou Fujimoto_Londres 2013

A diferença de potencial entre um sistema de estrelas e uma constelação é que as estrelas principais e emergentes estão ligadas por forças gravitacionais que tornam a sua agregação de interesses reconhecível, parcialmente imaginado. Em contraste com as estrelas cadentes, entidades únicas condenadas a desvanecer-se espetacularmente, constelações evocam uma imagem bem diferente: cada estrela individual , é claro, carrega seu próprio significado, mas o mesmo acontece com o acordo coletivo das estrelas; suas proximidades relativas e distâncias, e seu brilho combinado, sugerem mais do que uma soma de partes. Desde os tempos antigos, constelações têm oferecido direção para aqueles que olham para o céu em busca de orientação.

Juliana Valle e Giovana Belinello

Onde é arte? | Revista Domus

 

     A velocidade com a qual o mundo contemporâneo se transforma, se modifica e se inventa, resulta em uma sociedade que é cada vez mais inquieta, angustiada e impaciente. E é esta velocidade que nos leva a buscar experiências novas e incomuns. Nos tornamos dependentes dessa novidade como forma de fugir do tédio e vida mundana. O dinamismo, por consequência, acaba sendo uma característica cada vez mais presente no dia-a-dia.

     A arte e arquitetura podem ser vistas como um reflexo daqueles que as cria, portanto, um reflexo da sociedade. Exemplo disso está na maneira em como lidamos com arte e como a definamos. Hoje, mais do que nunca, é possível encontrarmos várias formas de arte, desde uma pintura até uma performance. O ponto é que hoje, não são só objetos físicos que caiem na classificação do que é arte. E então, isso nos leva ao questionamento da natureza dos espaços que irão recebê-los.

Chegamos então nos questionamento:

O que é arte? Como é arte? Onde é arte?

     A experiência do espectador que observa, tornou-se um elemento importante para a compreensão da obra exibida. Sendo a interação do indivíduo um fator chave, os espaços expositivos precisam adaptar—se a essa nova ordem.

     O novo Tate Modern, por exemplo, inaugurará com uma exposição na qual o espectador é convidado a deitar-se nas estruturas expostas. Não só apreciando a obra com a visão mas também com os outros sentidos.

Capsules (NBP x me-you) 2000 by Ricardo Basbaum born 1961

Capsules (NBP x me-you) 2000 Ricardo Basbaum born 1961 Presented by the Latin American Acquisitions Committee 2004 http://www.tate.org.uk/art/work/T11863

Já com a artistas como Marina Abramovic, entende-se que arte expandiu-se para além do confinamento da canvas.

Como então que a arquitetura lida com essa nova condição?

     O recém aberto Whitney Museum de Renzo Piano, em Nova Iorque, é um projeto que provocou curiosidade e debate a respeito deste tema de espaços expositivos. O visitante, ao chegar no museu, se depara com o que parecem elevadores convencionais. Porém, ao adentrá-los, torna-se um participante ativo numa obra de arte de Richard Artschwager. Com esta obra, o artista não só questiona a função do elevador, como qual é a definição de um espaço adequado para exposição de arte. O elevador torna-se, portanto, espaço e obra.

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     Similarmente, existe uma necessidade desses espaços serem flexíveis e adaptáveis. A solução para isso não necessariamente se limita a espaços open-plan, onde a falta de divisórias permite variedade de configuração e uso. É possível, de uma forma mais sustentável, incluir já na concepção do espaço, possibilidades de exposição não-convencionais, afim de evitar o ato de montagem e desmontagem personalizada para cada artista.

     Ilustrando-se essa ideia, o Garage Museum of Contemporary Architecture do OMA, em Moscou, é uma exemplificação do que pode ser projetado, de uma maneira inteligente e funcional, para a criação de possibilidades de espaço. Nele, foi articulada paredes brancas que podem ser dobrados abaixo do teto, criando um cubo branco em casos onde a exposição demanda uma ambiente mais neutro. Além disso, uma abertura de 9×11 metros no piso do pavimento superior cria um espaço de pé direito duplo para o hall de entrada, permitindo a exposição de grandes esculturas for a de tamanhos padrões. Caso a exposição não necessite do pé direito duplo, por exemplo, a abertura pode ser coberta por uma grelha de metal, por cima de onde visitantes podem transitar. Esta grelha, quando não em uso, é içada até o teto.

Garage Museum

Garage Museum in Gorky Park, arch. OMA, Rem Koolhaas, 2015

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     O questionamento do espaço físico “ideal” para receber arte contemporânea, no projeto de UNK Project para o National Centre for the Contemporary Arts, vai além do entendimento do conceito de espaço físico delimitado. Na proposta, a liberdade da interpretação do individual, é dada pelo não confinamento de obras entre 4 paredes. Isto é, o espaço é tido como uma tela em branco, livre e pronta para receber o que for. A surpresa desse espaço não convencional é o que o faz atrativo e desperta curiosidade. A interação do espectador é um fator chave para a compreensão da obra pois existe uma troca no processo cíclico do artista-obra-espectador.

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Será a solução para o projetar o não construir?

 

 

 

Catarine Frade, Ghabriela Amorim – Abril 2016

Arquitetando a Interação Social | Landscape Architecture Magazine

Fabiana Curi e Fernanda Giansante

A Revista – LAM

A partir da de três edições (volumes 105 – N12 dezembro de 2015; 106 – N2 fevereiro de 2016; 106 – N1 janeiro de 2016) da revista Landscape Architecture Magazine (Lam) – publicação americana que aborda reportagens diversificadas com destaque para arquitetura paisagística –, percebemos que a maneira como se pode atribuir valor aos ambientes públicos e coletivos através da forma que é feita sua interação – de acordo com o que é instalado no espaço útil, seja um mobiliário urbano ou uma escultura, para que os mesmos passem novas experiências – é um tema bastante abordado.

Para analisar o assunto, os projetos escolhidos são: Soundwave, Square Dance e Superkilen.

 

SOUNDWAVE | Xiangyang, China

Composta por 500 aletas de aço de diferentes alturas, Soundwave é uma instalação que homenageia a subida e descida das barras de um visualizador de som digital. Feita por Penda Architects, a ideia principal do projeto é mostrar a relação existente entre música, arte, natureza e arquitetura. Pensando nisso, o projeto ultrapassou o conhecimento sobre paisagem e foi além, criando um espaço interativo entre a cidade e o Myrtle Tree Garden.

 

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A inspiração surgiu da citação “A música é a arquitetura líquida; arquitetura é música congelada”, e o mecanismo da instalação funciona através da imaginação. Ou seja, oferece a possibilidade de o visitante escapar dos transtornos diários da cidade e entrar em um mundo de experiência sensorial – basta apostar na criatividade e se deixar levar e sentir pelo contexto.

Além disso, os movimentos de luzes e cores das aletas criam uma espécie de transição e interação entre a cidade e a paisagem, caracterizando o local pela grandeza e particularidade de remeter a uma skyline – panorama geral do horizonte de uma cidade, onde a superfície da terra e o céu se encontram.

 

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“Música, ritmo e dança em combinação com a paisagem circundante foram os principais parâmetros para moldar o Soundwave” – Chris Precht & Dayong Sun.

 

Em relação aos materiais das aletas, são painéis perfurados de aço inox (em tons de roxo). Eles são coloridos através da passivação eletrolítica, processo necessário quando é feito tratamento mecânico ou soldagem em peças de aço inoxidável para manter as principais características do material intactas e resistentes à corrosão.

 

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Durante o dia, o reflexo do sol atinge as aletas, refletindo em seu entorno e deixando a aparência da escultura versátil. Ou seja, os painéis ficam propensos a mudar de acordo com a posição solar. Outro ponto interessante é o fato das aletas estarem localizadas em quatro lagoas diferentes, produzindo o reflexo do metal cintilante na água e proporcionando um lindo jogo de luz. Já durante a noite, a escultura tem uma transformação de imagem constante que reage diretamente aos movimentos dos visitantes da praça.

 

 

Feita com cuidado e projetada nos mínimos detalhes, a escultura é circundada de colinas e vales, e suas cores vibrantes criam uma referência visual para a área. Sobre os tons de roxo, é importante citar que foram escolhidos de forma que remetessem ao tom das árvores do Jardim Myrtle. E a partir desta referência, a ideia é transmitir aos visitantes a sensação de estar em um bosque, cercados pelos troncos das árvores.

 

 

 

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CORTE AA

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CORTE BB

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Quanto maior o número de pessoas circulando no local, mais vida, movimento, brilho e iluminação. A natureza tem suas próprias características e som, mas em Soundwave esses conceitos e detalhes são potencializado através das vibrações e luzes, ativadas no momento em que os indivíduos exploram o ambiente. O projeto pode parecer complexo e até mesmo equivocado, mas faz sentido quando se entende que paisagem não é apenas árvores, arbustos e plantações. Paisagem é tudo aquilo que a mente é capaz de imaginar, sem limites. Portanto, passa a ser um ambiente diferenciado pelo fato de não ser apenas um espaço construído, mas um espaço que oferece diferentes sensações, experiências e imaginações.

 

Fonte:

http://landarchs.com/the-nature-of-the-soundwave-brought-out-in-a-landscape/

http://www.dezeen.com/2015/03/27/penda-purple-pillars-motion-activated-light-sound-soundwave-installation-park-xiangyang-city-china/

 

 

FICHA TÉCNICA

Arquiteto: Penda

Localização: Xiangyang, Hubei, China

Área: 5000.0 metros quadrados

Ano: 2015

Fotografias: Xia Zhi

Equipe de Design: Dayong Sun, Chris Precht, Fei Tang Precht, Yongjian Huang, Zhonghua Tang, Chunlei Zhu, Junfeng Li, Runxin Tang

 

SUNDANCE SQUARE | Fort Worth, Texas

Square Dance é considerado um dos mais conceituados distritos comercial, residencial e de entretenimento de Fort Worth. Repleto de opções de hotéis, condomínios, museus, clubes, cinemas, lojas, restaurantes, casas noturnas e galerias de arte, o local se transformou na grande “sala de estar” da cidade.

Localizado no Texas, numa área em que se encontrava um estacionamento de aproximadamente 800 m2, o espaço se tornou público e amplo para sediar eventos culturais e outras diversas atividades da cidade.

A concepção da praça foi definida 1981 e é um lugar onde passado e futuro se cruzam, já que a arquitetura moderna de David Schwarz está alinhada com sua característica estética antiga, o art-deco.

 

 

A instalação tem capacidade para 498 pessoas, e sua distribuição funciona da seguinte maneira: 279 cadeiras, 79 mesas estilo café, 24 bancos, 392 pés lineares de seatwalls e 1 palco. Além disso, possui um adicional de 214 cadeiras ao ar livre e 82 mesas nos cafés, restaurantes e bares com fachadas na praça.

 

 

 

Outro fator importante é que a praça conta um bosque permeável com arvores nativas que possuem bases estruturais com drenos de escoamento – importantes para função de drenar água das chuvas. E mais: 4 guarda-chuvas estruturais fornecem áreas de sombreamento.

Além da beleza, também proporcionada pelas lâmpadas de LED instaladas no local e que fazem com que a praça fique colorida e ofereça um espetáculo de luzes para quem passa, o espaço é confortável e funcional durante todas as estações do ano.

 

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É uma ótima referência de reabilitação de um espaço público que se tornou extremamente eficiente para a vida cotidiana. O que antes era um espaço sem relevância e mal projetado, hoje foi requalificado e se transformou em um ponto acolhedor, convidativo e repleto de interação.

 

Fonte: http://landscapeperformance.org/case-study-briefs/sundance-square-plaza

FICHA TÉCNICA

 

Localização: Sundance Square Plaza – Fort Worth, Texas, Estados Unidos

Ano: 2013

Área: 555m2

Projeto: Designer Michael Vergason Landscape Architects

 

SUPERKILEN | Copenhagen, Dinamarca

Superkilen é um parque multidisciplinar localizado na capital Dinamarquesa. Suas características refletem a fusão da arquitetura com paisagens e artes criativas. Localizado no bairro com maior diversidade étnica e social da Dinamarca, o local tem como objetivo ser um ponto de referência da cidade e servir de elemento unificador para os diferentes povos da região.

Pode ser considerado uma exposição permanente de móveis e objetos do mundo todo, como postes, bancos, iluminação e plantas.
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A divisão do parque é feita em 3 zonas de cores diferentes – verde, preto e vermelho – que se integram e formam ambientes dinâmicos em um só conjunto excepcional. Além disso, conta com pequenas ilhas de diversos tipos de vegetações, que conferem ainda mais vida e natureza ao local.

 

 

Praça ou Zona Vermelha. Essa área é caracterizada por elementos contemporâneos e urbano, com instalações culturais e desportivas. São elas: áreas fitness, parque infantil, abundância de bancos, carrinhos de bicicletas, estacionamento, entre outros.

 

 

 

Mimers Plads – Zona ou Mercado preto. É o coração do Superkilen. Com conceito mais clássico, o local conta com bancos e chafariz para promover o encontro das pessoas. Em dias de semana, as instalações servem como uma sala de estar urbana para jogadores de gamão, xadrez e outros jogos.

 

 

Green Park ou Zona Verde. Essa área foi criada com a intenção de proporcionar paz e lazer. As atividades possíveis vão desde passeios com animais de estimação até pic-nics com a família e amigos.

 

 

 

 

O espaço coletivo é uma mistura do ambiente social com a sofisticação da arquitetura. E, além de agradável, integra a população e traz harmonia para a cidade.

Fonte: http://www.archdaily.com/286223/superkilen-topotek-1-big-architects-superflexFICHA

 

FICHA TÉCNICA

Arquiteto: BIG Architects, Topotek 1, Superflex

Localização: Copenhagen, Dinamarca

Ano: 2012

 

CONCLUSÃO GERAL

Ao analisar o tema, conclui-se que espaços públicos e coletivos são importantes para a sociedade. Mas mais importante ainda é, antes de suas construções, entender e estudar a cidade, a área em questão e as pessoas que podem vir a visitar o local. A partir disso, fica cada vez mais fácil entregar uma instalação rica em valores e com maior identificação com os grupos sociais que a produz, habita ou usufrui. Esses três fatores ajudam a criar um espaço interativo e ativado por um público envolvido, que preza pela circulação entre os espaços e suas experiências possíveis.

A formação destas intervenções mostra-se de grande importância dentro do contexto urbano porque, além de patrimônio histórico e cultural, oferece possibilidades para o desenvolvimento de projetos nas cidades contemporâneas. E, além de possibilitar inúmeros benefícios comerciais e até de paisagens, proporciona o principal: o encontro e interação de pessoas que vivem em um mesmo lugar.

 

                                 FABIANA CURI E FERNANDA GIANSANTE

 

A PRETENSÃO SUBSTITUINDO O POSTO DE UM BOM PROJETO

 A Relogovista Abitare

-Edições Mensais;

-Fundada em 1961, por Piera Peroni que a dirige em uma década. Seu primeiro nome era Casa Novità e apartir do seu sexto exemplar, torna-se a chamar Abitare. A publicação da revista foi suspensa no início de 2014 para cerca de 8 meses, e então volta `as bancas em outubro com uma nova versão em termos de conteúdo e gráficos, sob a nova direção de Silvia Botti.

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“Devemos criar uma nova palavra para Cultura, porque diferentemente do consenso geral, museu e performances, pensamos em outros objetos e não apenas em inovação e criatividade.”

Assim começa a reportagem capa da Revista Abitare, edição de número 543, “Se La Cultura prende el posto Del profitto” [ A Cultura Substituindo o Posto do Lucro], de Lina Bonardi.  Mesmo após essa pretensiosa afirmação dos arquitetos, acreditamos que o projeto seja interessante.

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Situado na Zona Tortona, antiga fábrica da empresa Ansaldo Stecca, metalúrgica de Milão, falida dês da década de 1960. O projeto, estranhamente, ainda não possuiu um titulo mas envolve uma grande transformação de uma área de quase 6000 m2, no coração da Zona Tortona, criando o novo distrito do design milanês. Como é sabido, Milão possui uma importante industria da moda, com suas marcas mais conhecidas como Giorgio ArmaniValentinoVersaceDomenico Dolce, Stefano Gabbana, Miuccia Prada. Tentando diversificar o pólo industrial, a cidade esforça-se para projetar-se como um pólo do Design, assim como a sua cidade vizinha, Turim, já o fez.

O antigo complexo industrial, que atualmente é de propriedade do governo, é hoje uma região urbana inteiramente dedicada a cultura. Pode-se encontrar a cede do laboratório–atelier do Teatro Scalla e, também, o Museo delle Culture, projetado pelo arquiteto ingles David Chipperfield.

Através de um concurso, para criar um centro internacional cultural, planeja-se estabelecer um espaço multiuso, com o objetivo de dialogar com a vanguarda artística da Europa e do mundo. Sim, mais pretensão dos arquitetos.

render       RENDER DO PROJETO

O projeto premido foi realizado pela junção dos escritorios Associazione Culturale Aprile, Avanzi, Make a Cube, Accapiu,  ARCI e o escritório Onsitestudio.

Com um investimento de quase 4,000,000 de euros (com metade da contribuição feita pelo governo e a outra pela iniciativa privada), o espaço será completamente repensado e equipado para criar um espaço de fácil troca de ambientes, cenários , propostas, onde será sempre possível desenvolver novos conceitos. Nada muito diferente dos Centros Culturais que conhecemos, certo?

Mas, segundo a autora, este não será simplesmente um centro cultural, tão pouco um projeto que vê a cultura no centro de qualquer processo de decisão das atividades humanas. Será um lugar de trabalho, estúdio de pesquisa e experimentação, com um objetivo ambicioso: propor uma nova instituição dedicada ao bem e a riqueza da sociedade. Obrigada por existirem, por gentileza, façam projetos em locais em guerra e planejem a paz mundial também.

Antes de saber o que aconteceria internamente ao projeto, o escritório acredita ser interessante entender o tipo de abordagem da criação, um amplo projeto desenvolvendo relações de trabalho sem precedentes. Poderá dizer que é uma mistura entre público e privado, na escala local e mundial, sendo indispensáveis para o projeto, a mistura destes na abordagem do projeto.

Lugares como esse tem que existir em um cidades em constante mudança, como os arquitetos acreditem que Milão seja, e inclusive nas menores escalas, como nos bairros. Mas os desafios do mundo contemporâneo também fazem com que exista uma necessidade em fazer parte de mundo globalizado de idéias e processos de mudança em produção, consumo e modos de vida, possibilitando novos links, inclusive entre a comunidade. Mas isso não é o suficiente. Um espaço favorável para inovação devem garantir a possibilidade para ações “arriscadas”, cometer erros e começar novamente. Então a relação entre a liberdades e regras torna-se importante, também nesse conceito. Ok, imaginamos que seja um espaço onde tudo possa acontecer, livremente, mais ou menos como numa comunidade hippie, certo?!

Praticas comuns devem abrir espaços para experimentações. Espaços devem criar oportunidades, serem informais. É necessário criar um novo contrato social entre os proprietários, gerencia, convidados e usuários. Ou seja, a população é “domesticada” pelo espaço, e não o espaço planejado segundo as necessidades da comunidade? Esta certo isso?

De acordo com os arquitetos e criadores, é um erro começar das fachadas quando se esta reorganizando “novos” espaços na cidade, que eram vazios.

Assim sendo, percebe-se uma grande valorização da criação de novos espaços. Segundo a autora, principalmente quando esta localiza-se em edifícios previamente existentes que deverão ser incorporados e adaptados. Ou seja, não houve qualquer tentativa de uma utilização segundo a importância ou relevância do uso anterior? Os galpões serão remodelados, dando lugar a espaços super tecnológicos, onde tudo pode rolar?

A segurança dos usuários é relevante ao projeto, inclusive as suas respectivas estruturas, mas focou-se mais em aspectos intangíveis, como criar espaços funcionais, apoio aos usuários, e a relação com seu entorno. Acredita-se que é uma questão cultural, não meramente formalista. Fiquem atentos: enquanto vocês estao trabalhando, uma viga pode cair em suas cabeças. Afinal, os aspectos “formalistas” foram esquecidos, considerando-se mais os espaços de trabalho e as áreas intangíveis, praticamente inexistentes.

Para criar espaços de renovação, utiliza-se uma enorme quantidade de pesquisas, fora da proporção do real requerimento,   e leva algum tempo para resolver as burocracias públicas; no final não subestima as esperanças e o entusiasmo dos envolvidos. Não desistam! O projeto ainda salvará o mundo, principalmente, contra as cáries!

Ou seja, apos a leitura da reportagem, estamos extremamente ansiosas pela realização deste projeto. Pretendemos fazer caravanas para Milão, com o objetivo de desfrutar de tais revelações. Sabemos que outros projetos semelhantes, como o da arquiteta Lina Bo Bardi, no SESC Pompéia em São Paulo, ou até mesmo, o da Tate Modern dos arquitetos Herzog & de Meuron, que também criaram espaços de convivência plural, não chegaram nem aos pés dessa obra única, em Milão.

sescpompeia    SESC POMPEIA, LINA BO BARDI

TATE    TATE MODERN, HERZOG & DE MEURON

Seria mais honesto, e humilde, para um projeto que ainda nem existe, ter buscado referencias em projetos semelhantes, e que funcionam, do que tentarem inovar, ou diferenciar-se, de algo que existe e que funciona perfeitamente na sociedade contemporânea.