Revista Lume Arquitetura – Por Elisa Maretti e Isabela Velozo

Revista: Lume Arquitetura capa

A revista escolhida pelas alunas é uma revista diferente das outras de Arquitetura, que possuem grandes projetos, grandes arquitetos, projetos de urbanismo e de revitalização, entre outros grandes temas; a Lume é uma revista sobre iluminação, com projetos e lojas de iluminação, mas uma reportagem em especial nos chamou muito a atenção, e faremos uma comparação com a situação atual do nosso país.

A revista produz 6 edições por ano, custa R$ 20,00, é comprada principalmente por quem trabalha com iluminação. Nas primeiras páginas, possui índice, editorial, entrevistas e trechos de cartas de leitores, que são muito convenientes, diga-se de passagem.
Propagandas estão espalhadas por toda revista, até no meio de matérias, o que as torna um pouco confusas, pois a princípio não sabemos se é continuação da matéria ou publicidade.

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Analisando não só esta edição da revista, podemos perceber que é totalmente desinteressada, “de olhos fechados”, aos problemas e possíveis soluções para tantas questões cotidianas, como questões urbanísticas, políticas, sócioambientais, entre tantas outras. Eles se restringem a mostrar belos projetos luminotécnicos, de Hospitais, Shoppings, Pousadas, Estádios, montando quase um padrão do que é belo, convencendo quem lê, que a vida, a arquitetura é só beleza, luxo, luzes de LED transmitindo sensações incríveis. Acreditamos sim, que deve-se divulgar belos projetos, entendemos que é fundamental um projeto luminotécnico, mas a alienação dessa e de outras tantas revistas só nesse padrão de beleza, não condiz com a realidade que vivemos.

WHATEVER YOU DO, DO IT COOL

Será?

Faremos uma analogia da matéria abordada a seguir com a situação brasileira atual. Antes disso, gostaríamos de ressaltar que estamos completamente insatisfeitas com a falta de caráter, com a roubalheira, e com o descaso dos nossos governantes, mas acreditamos que o problema não está só nas mãos deles. Nós, arquitetos, estudantes, POPULAÇÃO, não apresentamos projetos, soluções, não insistimos em convencê-los que podemos mudar algumas questões, com a ajuda deles. Só criticamos, e muitas vezes, sentados.

O papel do Arquiteto hoje não é apenas a “arquitetura” propriamente dita, a construção, e sim um conjunto, um conjunto de urbanismo, planejamento urbano, estudos sócioambientais e arquitetura. E para chegar em um padrão de beleza de revista, Arquitetos estão deixando essas questões fundamentais passarem despercebidas, e optando por uma bela foto, dizendo muitas vezes que estão apenas atendendo as exigências dos clientes.

A seguir, o novo projeto de iluminação, da reforma do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, Brasil.

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Matéria: Maracanã – Templo do futebol recebe iluminação padrão FIFA e projetores LED na coberura
Autor do Artigo: Erlei Gobi

“Para sediar a Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014, o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi novamente reformado. Com custo de 1,13 bilhões de reais, o estádio foi quase todo refeito, e desse custo total, aproximadamente R$ 5.000.000,00 foram gastos na nova iluminação.
O projeto luminotécnico ficou a cargo da GE iluminação, enquanto os projetos das áreas internas, da cobertura e do entorno foram assinados pelo lighting designer Antonio Mingrone.
Foram utilizados 396 projetores de IP 65 com lâmpadas de vapor metálico de 2000W. Além disso, o maracanã ganhou um moderno e sofisticado sistema de iluminação ornamental, constituído de 600 projetores de LED RGB. Os equipamentos, fixados na cobertura, permitem a criação de vários efeitos de cores, são mais de 100 tonalidades.”

Uau. 100 tonalidades!

Foi um dinheiro bem investido, esses R$ 5 milhões gastos com o dinheiro público, conferindo 100 tonalidades diferentes à cobertura do Maracanã? Não iremos entrar no mérito desses R$ 1,13 bilhões, que poderiam ter sido investidos principalmente na saúde pública, transporte de qualidade, segurança para a população, centenas de áreas públicas, moradias, entre tantas outras construções e reconstruções tão carentes no nosso país, e muito menos no mérito dos R$ 33 bilhões gastos com a Copa do Mundo do Brasil de 2014.

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O quê poderíamos construir para a população, com 5 milhões de reais, ou ainda, com 1,13 bilhões de reais?

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A questão principal de tudo o que abordamos é que o dinheiro público mal gasto, independentemente de quem for a “culpa”, para ser muito bem investido, precisa de planejamento, projetos, discussões, interesses, de todas as partes envolvidas, e não só de línguas afiadas, por parte da população, e não só de contas nos paraísos fiscais, por parte dos excelentíssimos.

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