Sou Fujimoto- Revista AU (Rafaella e Gilberto)

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Rafaella Castro e Gilberto Brizuela

Pavilhão Serpentine

Sou Fujimoto. Londres, Inglaterra 2013Image

Dados da obra

Área total: 541m2
Área interna do pavilhão: 142 m2
Dimensões do pavilhão: 24 m em seu lado mais largo; 7,05 m no ponto mais alto; 4,4 m e o máximo pé-direito; 2,4 m é o mínimo pé-direito
Estrutura metálica: unidades de 800 mm e de 400 mm
Cobertura: discos de policarbonato de 12 m e 0,6 m de diâmetro

O jovem Sou Fujimoto, ressaltou que “seus experimentos se dirigem á recuperação das interaçoes humanas e ao reestablecimento de relaçoes primitivas entre as pessoas e a natureza”. “O espaço são as relaçoes, confirma Sou Fujimoto. Nesse caso, a relaçao se dá como a paisagem que envolve o pavilhão, penetra-o e participa dele de forma intrinseca e indivisivel, como se tivessem sido tecidos juntos.

É impossivel apontar os limites precisos do pavilhão, que se comporta de maneira etérea apesar da rigidez matemática e da simplicidae cirúrgica do sistema construtivo. Os projetos de Sou Fujimoto, entretanto, não dependem de alta tecnologia, aponta Toyo Ito, e não configuram uma investigação construtiva nem estrutural. São quase sempre ambiguos. Não escondem um rigor fulleriano, por assim dizer, embora a maciez da forma não zombe da regularidade geométrica de sua estrutura. Ao contrário, a forma permite transcender os limites rígidos de seus componentes, ao mesmo tempo em que os valida.

Trata-se de um espaço que poderia ter sido feito no passado, pois lida com questões primitivas da relação entre o homem e a natureza, com essências perenes. A tecnologia, a geometria e a repetição são meros veículos. E é justamente nessa tensão entre a construção regular e a assimilação orgânica da paisagem que parece emergir o equilíbrio.

Em outros exemplos da obra de Sou Fujimoto, como o dormitório de reabilitação e o hospital psiquiátrico infantil, ambos em Hokkaido, ou na pequena Casa NA, em Tóquio, a hábil manipulação de unidades ortogonais cria também um conjunto fluido e imaterial. “O objetivo de Fujimoto é transformar a geometría que embasa o sistema de coordenadas, que é equivalente ao prório espaço” descreve o crítico Taro Igarashi.

Sou Fujimoto simplesmente prescinde de envelope, borrando o limite entre o dentro e o fora. O pavilhão da Serpentine é um exemplar claro desse pensamento. Sou Fujimoto conhece bem os passos que dá, apesar de jovem e de ter uma obra ainda restrita a poucos edificios construidos. Segue premissas teóricas próprias, conscientemente decantadas nos últimos 15 anos. O pavilhão não é um ponto fora da curva, e se encaixa em questoes específicas da visão do arquiteto.

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No seu livro Futuro primitivo, podemos analisar temas que se adequam perfeitamente ao experimento de Londres.  “Quando se pensa na origem da arquitetura”, escreve Sou Fujimoto, “pode se imaginá-la como um campo nebuloso derivado de uma multiplicidade de densidades de chiaroscuros”. As densidades determinam o dentro e o fora, em vez de um sistema binário simples “dentro versus fora”. As gradaçoes aconteceriam, dessa maneira, a partir da dissolução dos limites, ocasionando uma “exterioridade produzida a partir de uma extensão infinita de interioridade”.

Como resultado, a experiência visual é emocionante: em alguns momentos, o jogo de luz e sombra se torna tãao intenso que se assemelha a uma fumaça que confunde o olhar, em outros, parece que fomos transportados para dentro de uma obra do venezuela Jesus Soto. O arquiteto explica que o pavilhão é uma “estrutura delicada, tridimensional, semitrasparente e irregular”, sem barreiras claras ou cores fortes, que conforma sobretudo um lugar, não um edificio, e estimula as pessoas a interagirem com o entorno de formas diversas. O espaço “protege os visitantes enquanto permite que continuem parte da paisagem”.

O pavilhão de Sou Fujimoto é, assim, uma paisagem arquitônica, uma nuvem na qual as infinitas variaçoes de densidade ressaltam ora o espaço contruído, claramente artificial, ora a natureza. “Deve haver profundas experiências na reconsideraçãp de èroferoas a,bogias- Arqiotetira çe i, kardo, cp, tetp; jardim é arquitetura sem teto”, filosofa e constrói Sou Fujimoto.

Arquitetura de Sou Fujimoto: Arquitetura Primitiva

A arquitetura primitiva pode ser compreendida primariamente como uma imposição da necessidade da conservação da vida humana sob os efeitos do clima, da nocividade do tempo meteorológico, abrigando o corpo num microambiente alterado. O instinto do homem primitivo o conduz a um recinto fechado, onde ele acostuma-se a procurar não só para repousar, mas também para escapar às intempéries. Esse local pode ser definido como uma habitação primitiva. O ambiente interno de uma habitação primitiva qualquer é, sem dúvida, um microclima especialmente preparado pelo homem de modo a fornecer-lhe as condições mínimas de higiene, repouso e segurança necessárias. A habitação primitiva é um microclima artificial. Oferece uma vantagem considerável, podendo ser parcialmente modificada, regulada e amenizada quando ocorrem situações de viciação ou fenômenos meteorológicos desfavoráveis imprevistos. Ela pode ser também considerada um “acidente” geográfico, uma descontinuidade do espaço natural intocado. Podemos definir a arquitetura das construções primitivas como abrigo humano desenvolvido sob a intuição e a resolução de problemáticas espaciais influenciado pelo sítio onde se insere. Podemos afirmar que, via de regra, não poderiam ser adaptadas ou transportadas de uma região para outra de clima inverso ou com condições naturais diferentes daquelas que geraram as resultantes formais deste modelo de habitação, assim como foram geradas as especificidades da vegetação, dos animais e dos próprios homens.

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A Casa Final de Madeira- Sou fujimoto

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A biblioteca da Universidade de Belas Artes de Musashino

Conclusão de Sou Fujimoto:

“Uma nova forma de ambiente é criada, onde o natural e o antrópico se fundem; um ambiente não somente arquitetônico, nem somente natural, mas um encontro único entre os dois”

“Deve haver profundas experiências na reconsideração de periferias ambíguas. Arquitetura é um jardim com teto; jardim é arquitetura sem teto.” filosofa e constrói Sou Fujimoto.

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