Empatia

A exposição Museu da Empatia, na Bienal do Ibirapuera, tem o intuito de trazer a expressão “caminhando em seus sapatos” para a experiência física. Ali o visitante tem a chance de ser, por alguns momentos, uma outra pessoa: alguém que sofreu preconceitos, alguém que tenha alguma deficiência, alguém invisível. O público chega, calça os sapatos que pertenceram a outra pessoa e escutam, através de fones de ouvido, a narrativa da história dos brasileiros que compartilharam suas experiências.

A grande parte dos relatos é relacionada à diversidade e a falta de respeito e aceitação com a qual a sociedade encara as minorias – como os LGBTs, os obesos, os negros, etc. A artista criadora descreveu a própria produção – que mistura a experiência espacial, a auditiva e a táctil –  como sendo um meio de desenvolver, através de experiências sinestésicas, a capacidade de ser empático, isto é, olhar para o mundo com a capacidade de se pôr no lugar de outras pessoas.

A exposição é, em verdade, uma espécie de exame autodiagnostico para todos os visitantes que, assim como toda a sociedade ocidental, está tão imersa em seus próprios problemas e suas próprias questões existenciais que mal tem a capacidade de se colocar no lugar do outro. Esse “princípio do eucentrismo” se aplica em diversos âmbitos da vida social: desde os investimentos em obras arquitetônicas imensas para o do benefício individual (que diversas vezes prejudica um grupo inteiro de pessoas) até a decisão de medidas governamentais sem a participação do povo.

Vivemos em uma sociedade em que cada vez mais a arquitetura se projeta para ser monumental, sem a preocupação com o entorno e o bem comum. Temos como exemplo um fato cotidiano, como os altos muros construídos nos edifícios residenciais que isolam o seu interior com a rua, onde muitas vezes o pedestre é ignorado, fazendo com que a rua se torne um local de passagem e não de passeio. Os parques cercados por grades, bairros cidade-jardim também se tornam um claro exemplo de segregação. O questionamento é: como podemos integrar a sociedade a partir de uma boa arquitetura?

Sobre uma arquitetura para todos, podemos citar Jane Jacobs, em seu livro “Morte e vida das grandes cidades” (1961), em que a lógica é antes de projetar é preciso conhecer, viver, entender a relação que a mesma cria com seus habitantes, e não apenas construir e verticalizar uma arquitetura de exageros, monumental.

É necessário assegurar planos que deem base para uma cidade mais homogênea, tal qual  propostas que eliminem barreiras, que não segreguem pessoas, seja qual for sua classe. O uso do térreo ativo atraindo cada vez mais as pessoas a andarem nas ruas, dar vida ao inabitável, o uso de espaços que não limitam a convivência, mas que integram a mesma. Sempre um busca de uma sociedade livre da discriminação e do preconceito. Mais amor, mais empatia.

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